“Álvaro Cunhal, se fosse vivo, faria hoje 103 anos de idade”

Álvaro Cunhal, um político que não deixava ninguém indiferente, ou se idolatrava ou se odiava; sem dúvida um dos maiores políticos portugueses do Século XX, no dia em que faria 103 anos de idade, aqui ficam alguns traços biográficos.

 

vrsa-1326ÁLVARO Barreirinhas CUNHAL, Político, nasceu em Coimbra, a 10-11-1913, e faleceu em Lisboa, a 13-06-2005. Viveu parte da sua infância em Seia, etra natal de seu pai. Político e ideólogo, o seu percurso está intimamente ligado ao Partido Comunista Português (PCP), ao qual aderiu em 1931, tinha então 17 anos. Filho do Advogado Avelino da Costa Cunhal, então Governador Civil da Guarda, Álvaro Cunhal é descendente de fidalgos, da sua árvore genealógica constam um Barão de Santa Comba Dão, um Visconde do Ervedal, um Conde de Ervideira, os Marqueses de Praia e Monforte, e influentes membros da igreja. A sua adesão ao PCP fez-se quando era estudante da Faculdade de Direito de Lisboa, e tornou-o alvo privilegiado da polícia política. Gradualmente, foi conquistando poder dentro do partido, fazendo uma oposição interna ao secretariado, o que culminaria com a sua eleição para secretário-geral das juventudes comunistas, em 1935. Foi por esta altura que visitou a então URSS, participando no VI Congresso da Internacional Juvenil Comunista, e ficando deslumbrado com a causa estalinista. De regresso a Portugal, passou á clandestinidade em 1936 e, no ano seguinte, entrou para o comité central do partido. Preso temporariamente em 1937 e em 1940, voltou a ser detido, pela última vez, em 1949, enfrentando o tribunal em defesa do seu partido. Foi condenado e permaneceu durante 11 anos no forte de Peniche, de conde consegiu evadir-se em 1960, protagonizando uma das fugas mais espectaculares das cadeias portuguesas, atando uma corda de lençóis á muralha da fortaleza. Álvaro Cunhal abriu caminho a outros nove companheiros de cela. Após um ano na clandestinidade, consegiu escapar á PIDE, passando para o estrangeiro e exilando-se em Paris. Deslocou-se frequentemente á então URSS (onde foi recebido com hontas de herói) e á Roménia. À distância, continuou a desempenhar o cargo de secretário-geral do PCP, para o qual fora eleito em 1961. Regressou a Portugal após o 25 de Abril de 1974, a tempo de entrar na corrida para o poder. Foi Ministro sem Pasta dos quatro Governos Provisórios, entre 1974 e 1975, tendo sido eleito Deputado pelo PCP nas eleições subsequentes, raramente ocupando o lugar na Assembleia da República. Foi ainda, entre 1982 e 1992, membro do Conselho de Estado. Homem de convicções fortes, Cunhal continuou a acreditar nas virtudes do comunismo, mesmo após a queda dos regimes dos países do leste. Ciente de que o PCP, feito á sua imagem e semelhança, tinha de conseguir encontrar alternativas adequadas aos tempos que se avizinhavam, passou o testemunho da liderança do partido a Carlos Carvalhas, em Dezembro de 1992, tornando-se então presidente do conselho nacional do partido. É autor de várias obras de carácter político, destacando-se: »Rumo á Vitória« (1964), »O Radicalismo Pequeno-Burguês da Fachada Socilaista« (1970), »O Passado e o Futuro« (1976), e o »Partido Com Paredes de Vidro« (1985). A sua novela »Cinco Dias Cinco Noites«, uma das que publicou sob o pseudónimo de Manuel Tiago, foi adaptadda ao cinema por José Fonseca e Costa e estreada a 25 de Abril de 1996. Álvaro Cunhal é ainda autor de desenhos, alguns dos quais reunidos numa série editada sob o título de »Desenhos da Prisão«.

Obras principais: Rumo à Vitória, (1964); Relatório ao VI Congresso do PCP, (1965); A Questão Agrária em Portugal, (1968); O Radicalismo Pequeno-Burguês de Fachada Socialista, (1970); A Situação Política e as Tarefas do Partido, (Relatório ao VII Congresso do PCP, 1974); A Superioridade Moral dos Comunistas, (1974); Discursos Políticos, (24 volumes, 1974-1989); Pela Revolução Democrática e Nacional, (1975); As Lutas de Classes em Portugal nos Fins da Idade Média, (1975); A Força Invencível do Movimento Comunista, (1975); O Internacionalismo Proletário/Uma Política e uma Concepção do Mundo, (1975); Algumas Experiências de 50 Anos de Luta do PCP, (1975); Contribuição para o Estudo da Questão Agrária, (2 volumes, 1976); A Revolução Portuguesa/O Passado e o Futuro, (Relatório ao VIII Congresso do PCP, (1976); A Questão do Estado/Questão Central de Cada Revolução, (1977); Avante com Abril, (Relatório ao IX Congresso do PCP, 1979); O Partido com Paredes de Vidro, (1985); A Revolução Portuguesa, (1994); A Arte e o Artista e a Sociedade, (1996); O Aborto, (tese de licenciatura em Direito defendida em 1940, 1997). Romances assinados Manuel Tiago: Até Amanhã Camaradas!, (1975); 5 Dias e 5 Noites, (1975); A Estrela de Seis Pontas, (1994); A Casa de Eulália, (1997). Álbuns de desenhos (assinados Álvaro Cunhal): Desenhos da Prisão, (1974); Desenhos da Prisão, (2ª série, 1989).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes, Almada (Freguesia de Charneca de Caparica), Amadora; Beja, Cascais (Freguesia de Alcabideche), Castro Verde (Freguesia de Entradas); Coimbra; Cvoruche (Freguesia do Couço, ex-Rua de Angola); Guarda, Lisboa, Marinha Grande, Matosinhos; Palmela (Fregueisa de Pinhal Novo), Santiago do Cacém (Freguesia de Cercal do Alentejo), Serpa, Setúbal (Cidade de Setúbal e (Azeitão), Torres Vedras, e Vendas Novas, Viana do Alentejo; e Vila Real de Santo António.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Leituras, Coordenação de Ilídio Rocha, Edição de 1997, Pág. 515, 516 e 517)

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 107 e 108).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 182).

Nota: A Placa Toponímica é da Avenida, em Vila Real de Santo António.

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