“Personalidades vinculadas aos CTT”

Contrariamente ao que muita gente pensa, os CTT, com este ou com outro nome, para serem o que são hoje, muita gente contribuiu para que esse caminho pudesse ser caminhado.

 

CTTMANUEL GOUVEIA, foi o 4º Correio-Mor, exerceu o cargo de 1579 a 1598. Manuel de Gouveia, natural de Alenquer, filho de outro do mesmo nome e de D. Joana da Costa, quem,  pelo seu casamento com Inês da Guerra, efectuado na Freguesia de S. Nicolau de Lisboa, obteve a sua carta de nomeação do ofício, em 07 de Setembro de 1579.

Pouco tempo, porém, gozou em paz os benefícios do rendoso cargo, porque em fins de Agosto de 1580, quebrada nas linhas de Alcântara a última resistência do fraco exercício do Prior do Crato, os terços do Duque de Alba entraram em Lisboa, e com eles veio Juan del Monte, Delegado do Correio-Mor de Castela, D. Juan de Tassis, que em nome do seu amo, e aproveitando a confusão de momento, se assenhoreou da direcção dos Correios Portugueses. Esse esbulho, contra o qual protestou o nosso Correio-Mor, só terminou em Agosto de 1583, depois de Filipe II (I de Portugal) ter regressado a Madrid.

Manuel de Gouveia intentou uma acção judicial contra D. Juan de Tassis, para que este lhe entregasse os proventos do Ofício, que abusivamente ocupara e obteve sentença favorável. Em 1592 correu no Juízo da Correição do Cível da Corte novo processo para liquidação da sentença anterior, sendo então condenado D. Juam de Tassis ao pagamento de 9.000 cruzados, em que se calcularam os rendimentos dos Correios por ele indevidamente arrecadados desde Agosto de 1580 a Agosto de 1583.

Manuel de Gouveia veio a falecer em 09 de Julho de 1598, na Freguesia de Santa Justa (Lisboa), sem deixar filho varão, e, menos feliz que os seus antecessores, não obteve o habitual alvará de sucessão para uma das filhas.

Durante oito anos esteve o lugar de Correio-Mor vago, ao longo deste interregno, o cargo foi ocupado por dois Correio-Mor interinos, que foram Simão Luís, que era o Tenente do Correio-Mor, e João Fernandes de Arões, que exerceu o cargo de 03 de Agosto de 1600 a 06 de Agosto de 1606.

Em 1606, o Rei, quebrando esta dinastia postal, vende o lugar pela bonita soma de 70.000 cruzados; e, talvez para atenuar o mal feito, condece nesse mesmo ano a uma das filhas de Manuel de Gouveia, D. Antónia de Gouveia, um lugar de Freira dos de apresentação de Sua Majestade, que, por sinal, a agraciada não aproveitou, renunciando-o quarenta anos depois numa sobrinha.

Outra sua filha, Catarina de Gouveia, casou com Cristóvão de Sousa Coutinho, 9º Senhor de Baião, que alguns anos mais tarde vem pedir o lugar de Correio-Mor, fundando a sua pretenção no facto de ter casado, sem dote, com a filha mais velha de Manuel de Gouveia, falecido sem filho varão; e reforça o pedido com a afirmação de que António Gomes da Mata, que ao tempo disfrutava o lugar, era hebreu, e por isso não convinha que o conservasse. Puro platonismo sem resultado prático, pois os opulentos Matas haviam falado a Filipe II uma linguagem muito mais convincente, a do dinheiro.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Bibliografia: “Assistentes do Correio-Mor do Reino em Viseu”, (por Godofredo Ferreira, Edição dos CTT, Lisboa 1960)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

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