“Personalidades ligadas aos CTT”

CTTPeríodo de 1606 a 1797 O Ofício do Correio-Mor Propriedade da Família Mata

 

Luís Gomes da Mata, foi o 5º Correio-Mor do Reino e o 1º da Família Mata, deixamos aqui um pouco da história desta família e a biografia de Luís Gomes da Mata.

 

A família Coronel, que posteriormente trocou em Portugal este apelido pelo de Mata, era oriunda de Espanha. Aparecem nas Histórias de Aragão os “Coronéis” ao mesmo tempo que os seus primeiros príncipes, e permanecem masi de 300 anos naquele Reino, ocupando os principais lugares daquela suprema hierarquia.

Foi a sua casa e solar a mais antiga que sse sabe dos ricos-homens aragonezes, como escreve Zurita, e é D. Gastão Biel, que se achou na conquista de Saragoçsa no ano de 1096 o primeiro varão que podemos dizer chefe desta linhagem, porque não sabemos outro anterior em que lhe dar princípio.

«D. Gastão Garcez de Biel, que foi um dos mais antigos e ricos-homens de Aragão, é muito conhecido nas Histórias daquele Reino, como no seu tempo o foi pelo seu valor»

Da árvore de muitos ramos que brotou desta raiz comum a todos os Coronéis de Espanha e de Portugal, descendem os que aqui vieram estabelecer na pessoa de Tristão Reymão Coronel, Embaixador de Castela no tempo de D. João III. Parece ser este o primeiro da família que se fixou em Portugal, vivendo em Elvas com grande abastança e consideração pública, e aí falecendo em consequência duma queda.

Seu neto, António Gomes de Elvas Coronel, veio para Lisboa, onde teve uma grande casa, por haver grangeado muitos cabedais pelo grande negócio que teve em toda a Europa, e aqui faleceu em 1568. O filho deste foi o primeiro Correio-Mor da família.

Os «Elvas Coronéis», apesar da sua prosápia genealógica, não desdenharam o ofício de Comerciante, e em tão larga escala o praticaram que, angariando grossos capitais, se tornaram dos homens mais ricos da época, figurando como banqueiros de Reis e doadores de enormes quantias para obras pias. Um deles, Manuel Gomes de Elvas, que possuía de rendimento a linda soma de 18.000 cruzados, cerca de sete contos, fabulosa quantia para o ano de 1620, em que faleceu, deixou, em testamento, avultadas rendas para a construção do Convento do Rato, em Lisboa.

António Gomes de Elvas Coronel empresta dinheiro à Fazenda Real; seu filho Luós Gomes de Elvas Coronel compra por 70.000 cruzados o ofício de Correio-Mor; seu neto, António Gomes da Mata empresta a Filipe II de Portugal 30.000 cruzados para o apresto de uma armada; e o seu bisneto o Cónego Duarte Gomes da Mata acode com grandes quantias de dinheiro para as despesas do exército na campanha da Independência. Não tinha fundo a «burra» destes Coronéis.

Foi talvez por esta dupla personalidade de fidalgos e comerciantes que os seus contemporâneos os apodaram de cristãos-novos, e como tal lhe moveram intrigas, que alguns tiveram dificuldades em desfazer.

O ápodo de cristão-novo, acusativo de origem judaica, era nesses séculos de preconceitos e fanatismos uma mácula ignominiosa, que trazia desprezo e aviltamento; a verdade, porém, é que nem os nobiliários indicam a origem dos sangue judeu nas veias dos Coronéis, antes pelo contrário, nem os seus acusadores explicam com precisão, nos casos que conhecemos, donde lhes vinha a mancha de judaismo.

Fosse como fosse, a verdade é que por mais de uma vez o facto ou a fama, os colocou em sérios embaraços.

Já atrás vimos que os herdeiros do Correio-Mor Manuel de Gouveia pretenderam disputar a posse do ofício dos Matas, sob o pretexto de que estes eram hebreus; e, muitos anos mais tarde, em 1761, essa mesma acusação causa graves desgostos a um piedoso Sacerdote da família, Frei António do Rosário.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Bibliografia: “Assistentes do Correio-Mor do Reino em Viseu”, (por Godofredo Ferreira, Edição dos CTT, Lisboa 1960)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

5o-correio-mor-do-reinoLUÍS GOMES DA MATA, foi o 5º Correio-Mor, exerceu o cargo de 1606 a 1607. Luís Gomes da Mata, era filho de António Gomes de Elvas Coronel e de Dona Brites Mendes de Azevedo, deve ter nascido em Elvas, em data que nos não foi possível averiguar, mas que seria muito anterior a 1558, pois neste ano se finou sua mãe, deixando sete filhos, dos quais ele era o mais velho dos varões. Faleceu em Lisboa, na Freguesia de São Mamede, a 02 de Dezembro de 1607.

Possuidor de uma avultadíssima fortuna, foi um dos portugueses mais ricos do seu tempo, vivendo com garnde ostentação e fausto.

Casou duas vezes; a primeira com D. Branca Antónia de Elvas, filha de António Fernandes Elvas; riquíssimo Tesoureiro da Infanta D. Maria; e a segunda com D. Isabel Vaz Coronel, filha de Pedro Nunes Reymão, ambas suas parentas.

Do primeiro matrimónio teve: Pedro António da Mata Coronel, que faleceu ainda em vida de seu pai; António Gomes da Mata Coronel, João Gomes da Mata Coronel, que foi pai do 7º Correio-Mor; D. Isabel Coronel, mulher de Nuno Álvares Pereira de Lacerda; D. Brites Coronel, mulher de André de Azevedo de Vasconcelos, de lacunha o Fole, fidalgo da Casa Real, morador em Elvas.

Do segundo matrimónio teve: Duarte Reimão Coronel da Mata e D. Francisca Coronel, Freira em Odivelas.

Possuidor duma avultadíssima fortuna, foi um dos portugueses mais ricos do seu tempo, vivendo com grande ostentação e fausto.

Querendo também usar novo apelido, diferente dos que herdara de seus pais, com a preocupação de ser o fundador duma nova família que através dos séculos perpetuasse um nome por ele criado e por ele ostentado em primeira mão, pediu ao Rei Filipe II que lhe desse por solar a sua Quinta da Mata das Flores, situada no lugar de Loures, junto da Igreja da mesma povoação, que havia comprado às Freiras de Odivelas. Acedeu o Rei ao seu pedido, concedendo-lhe, por alvará de 18 de Fevereiro de 1606, que fosse, em Portugal, fidalgo de solar conhecido, para o que se apelidaria da Mata, e lhe condeceu brazão de armas para este apelido – em campo de ouro (indicativo da sua natural nobreza) 3 matas verdes floridas, em roquete – fazendo-o a ele e a todos os seus descendentes, ainda que o fossem por linha feminina, fidalgos de solar conhecido. Por etsa razão, trocou o nome de Luís Gomes de Elvas Coronel, que usara até então, pelo de Luís Gomes da Mata.

Depois tomou o mesmo Rei por fidalgo cavaleiro da sua casa, com mil oitocentos réis de moradia, e lhe fez mercê de igualmente receber seus filhos e descendentes como moços fidalgos.

Para seu jazigo comprou Luís Gomes da Mata aos Religiosos de Santo Agostinho a Capela de Nossa Senhora da Pérsia, no Convento de Nossa Senhora da Graça, de Lisboa, e para lá se transladaram os seus ossos logo que os herdeiros concertaram com os Frades a escritura da instituição das mesma Capela.

Pouco lhe aproveirou. Dezassete meses depois rendia a alma ao Criador.

Por alvará, também de 19 de Julho de 1606, foram subordinados ao Correio-Mor do Reino os Correios Assistentes do Porto, de Coimbra, de Braga e de Aveiro, tirando-se-lhes toda a autonomia que as suas cartas de nomeação régia lhes pudessem conferir, e afirmando por esta forma a resolução de entregar a direcção dos serviços e seus proventos na mão do hábil comprador do Ofício.

Por efeito do referido alvará, o Assistente de Coimbra, Matias Homem Brandão, que recebera o lugar em 1602, como mercê régia, pelos serviços prestados nas Armadas do Reino, fez com o Correio-Mor uma escritura de composição, em que o reconhecia como seu superior, e se comprometia a pagar-lhe de direitos, em cada semana, mil e quinhentos réis e a remeter-lhe pelo correio-ordinário que de Coimbra e do Porto partia semanlamente para Lisboa.

O correio da Beira, juntamente com o do Porto era então entregue em Alvaiázere ao estafeta de Lisboa; por sua vez o mesmo estafeta entregava ao da Beira e do Douro a correspondência de Lisboa para o Norte de Alvaiázere.

Pela mesma escritura acordavam pertenceer inteiramente ao Correio-Mor os portes das cartas que iam de Lisboa para Coimbra, e a Matias Homem o porte das cartas que vinham de Coimbra para Lisboa. O apuramento destas contas era feito duas vezes por ano; em Março e em Setembro.

Quanto aos oito mil réis que a Universidade de Coimnra pagava anualmente ao Assistente de Coimbra, para que as suas cartas fossem e viessem francas de porte, e aos quatro mil réis que dava o Reitor, para que o mesmo tratamento fosse aplicado à sua correspondência pessoal, estabeleceram os dois contratantes que, daí em diante, essas importâncias se devidiriam entre si, em partes iguais.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Bibliografia: “Assistentes do Correio-Mor do Reino em Viseu”, (por Godofredo Ferreira, Edição dos CTT, Lisboa 1960)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

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