“Personalidades vinculadas aos CTT”

CTTPeríodo de 1606 a 1797, O Ofício do Correio-Mor, Propriedade da Família Mata.

 

6o-cooreio-mor-do-reinoANTÓNIO GOMES DA MATA Coronel, foi o 6º Correio-Mor, exerceu o cargo de 1607 a 1641. António Gomes da Mata Coronel, nasceu em Lisboa, em data que não foi possível apurar e faleceu a 30 de Dezembro de 1641. Era filho de Luís Gomes da Mata (5º Correio-Mor) e de D. Branca Antónia de Elvas.

Casou duas vezes; a primeira com D. Isabel Barbosa, e a segunda com D. Maria de Abranches, filha de D. João de Abranches, Senhor do Morgado de Almada, Comendador de Gondomar; e, não deixando descendência, foram os sobrinhos herdeiros da magnífica casa.

Sucedeu a seu pai no ofício de Correio-Mor, para a compra do qual havia concorrido com os 30.000 cruzados que o Rei lhe devia, e como a venda do mesmo ofício lhes fora feita sob o domínio dos Filipes, António Gomes da Mata obteve, depois da Restauração da Independência de Portugal, que D. João IV, por carta de 28 de Junho de 1641, lhe confirmasse a doação do lugar.

Mercê dos largos negócios a que se entregou, foi um dos portugueses mais endinheirados naquele tempo, e viveu com grande opulência no seu palácio de S. Mamede, onde abundavam tapeçarias, pratas e jóias de preço.Como homem riquíssimo, o seu nome aparece em todas as ocasiões que acontecimentos alegres ou desastrosos do País impõem a necessidade de reunir alguns milhares de cruzados.

Quando da subscrição organizada em 1624, para fazer face à despesa das operações militares de libertação da Cidade da Baía (Brasil), que os holandeses ocupavam, subscrição encabeçada pelo nome riquíssimo Duque de Bragança (pai do futuro Rei D. João IV) António Gomes da Mata inscreveu-se com 800$000 réis, quantia elevadíssima para aquela época.

Fez prova de nobreza, como descendente de Fernão Peres Coronel, de Segóvia, pelo que lhe foi passada carta de brasão de armas dos Matas e Coronéis, em 17 de Maio de 1634.

Foi fidalgo da Casa de El-Rei e uma das pessoas notáveis que esperaram Filipe II na fronteira do Caia, quando este monarca veio a Portugal, em 1619.

António Gomes da Mata, possuidor de grande fortuna, fez grandes doações, aos seus familiares e a algumas instituições. Entre essas piedosas doações; as Igrejas de São Mamede e Santo António de Lisboa; o Convento da Graça, o seu Jardim na Luz, a Carnide, para as Religiosas Carmelitas Descalças fundarem um Mosteiro etc. O Convento foi fundado, em 1642, pela Madre Micaela Margarida, filha do Imperador da Alemanha e sobrinha de D. João IV, em terrenos doados dois anos antes, por António Gomes da Mata, Correio-Mor do Reino. A casa religiosa recebeu, em 1650, a Infanta D. Maria, de tenra idade, com o propósito de ali ser educada, acabando por vestir o hábito das Carmelitas, no ano da morte do seu pai. A esta Infanta se deveu um novo impulso e conclusão das obras da parte conventual e da igreja (entre 1663 e 1667), assim como a ornamentação de todo o edifício com diversas pinturas, peças de ourivesaria e alfaias. Aqui se recolhiam muitas donzelas e viúvas pertencentes a famílias da nobreza da época e, depois da extinção das ordens religiosas, em 1834, permaneceu como recolhimento religioso até à morte da última freira em 1881. Actualmente, funciona como lar da terceira idade.

Todos estes legados pios, bem como a longa lista de deixas a parentes, capelães, amigos e servidores, no número dos quais figuram alguns empregados do Correio, saíram todos da suas fortuna livre, sem encargos para o morgado que recebera de seu pai e a que adicionou os morgados herdados de seus irmãos Pedro e Duarte e ainda um outro que instituiu.

Todos os quatro englobados num só, transmitiu-os a seu sobrinho Luís Gomes da Mata, juntamente com o cargo de Correio-Mor.

Tão grande era, porém, a sua fortuna além desses morgados, que depois de pagas e satisfeitas todas as obrigações testamentárias, ficou ainda um notável remanescente, composto de juros, casas, propriedades de raiz, jóias, diamantes e pérolas, dívida e penhores, de cujo usufruto instituiu universal herdeiro seu sobrinho, o Dr. Duarte Gomes da Mata, e da propriedade, em partes iguais, vinculadas em morgados, três sobrinhos seus. Um destes, António Gomes da Mata de Vasconcelos, neto de sua irmã D. Brites da Mata Coronel, e filho de Mem Rodrigues de Vasconcelos, pouco gozou da generosidade do tio, porque, algum tempo depois, foi morto com uma pedrada nas ruas da Cidade de Elvas, onde residia.

Muita gente se convenceu que essa morte fora instigada pelo irmão mais velho, André de Azevedo de Vasconcelos, por alcunha o Fole, para lher herdar o morgado, o que conseguiu depois de porfiadas demandas. Este André de Azevedo, pessoa muitíssimo rica de haveres e honrarias, mas, ao que parece, pobre de escrúpulos, a quem o tio igualmente havia contemplado no testamento, foi fugurante de um dos muitos episódios das nossas Campanhas da Restauração.

Ea Fole Governador Militar de Castelo de Vide e do Crato, quando o exército de D. João de Áustria se apresentou diante desta última praça, intimando-o a render-se. Tinha ele ali 800 infantes auxiliares e de ordenanças, que dispôs para defesa; porém, logo aos primeiros tiros os paisanos desampararam as muralhas; e quando alguns clérigos e frades começaram a tratar da capitulação, os castelhanos irromperam pela Vila, praticando violências. André de Azevedo e o seu Sargento-Mor Gonçalo Gonçalves de Chaves foram condenados à morte, por terem esperado as baterias de artilharia num lugar sem defesa, o que era contra as leis da guerra; mas alguns oficiais castelhanos, que haviam sido prisioneiros de André de Azevedo, quando da Batalha das Linhas de Elvas, e por ele tratados com atenções, intercederam em seu favor, e só o pobre Sargento-Mor foi arcabuzado.

Este Convento tem uma história. Madre Micaela Margarida de Santana, Carmelita Descalça no Convento das Albertas de Lisboa, filha natural do Imperador Matias da Alemanha, animada do piedoso desejo de dilatar o campo de actividade espiritual da sua Ordem, concebeu a ideia de fundar uma nova Casa Carmelita nas proximidades da Capital, e para isso falou à Duquesa de Mântua, D. Margarida de Áustria, Governadora de Portugal nesse ano de 1637, a qual carinhosamente acolheu os propósitos da Freira sua parenta e lhe prometeu o auxílio do seu valimento na obtenção das licenças régias e canónicas necessárias à nova fundação monástica. Não foi, contudo, fácil a tarefa obtê-las, pois a resistência que a Corte de Madrid opôs a tais pretenções, custou a Madre Micaela, um forte punhado de ouro; e quando alfim, afastados todos os embaraços, o coração lhe transbordava de alegria pela chegada da decantada autorização real, novos contratempos a forçam a não aceitar a casa e quinta que uma devota havia já oferecido para a instalação do novo Convento.

Outro devoto, Ambrósio de Sequeira Torres, acorre a salvar a situação, oferecendo uma casa e quinta em Benfica; mas, para utilizá-la, era frçoso fazer os muros da clausura e outros trabalhos de adaptação orçados em 1.000 cruzados, que a delosada Freira não tem, porque as suas reservas, as que possuía, consumira-as na compra das boas vontades da Corte de Madrid.

Restava-lhe apenas o recurso de esmolar entre as pessoas piedosas. Nesta conjuntura, inspirada por alguém de bom conselho, escreve ao riquíssimo Correio-Mor, a implorar-lhe auxílio, e com tanto acerto o faz, que este, excedendo a expectativa da mística Freira, oferece-lhe para a instituição do Convento um formoso e agradável jardim e uma das melhores casas de campo que para recreação e regalo havia nos contornos de Lisboa.

Entusiasmada a Duquesa de Mântua com a generosidade da dádiva, quer ir em pessoa, acompanhada das suas damas, verificar as condições que oferece a linda vivenda de Carnide; e como nesta ocasião António Gomes da Mata, retido no leito por doença, não pode acompanhar a Princesa na visita, delega em seu sobrinho, Cónego Duarte Gomes da Mata, o encargo de recebê-la com aquelas honras que a hierarquia da visitante exigiam e a prosápia dos Matas impunham. Do encargo se desempenhou o Cónego com tal galhardia, que Sua Alteza, ao regressar a Lisboa, louva Micaela Margarida não só as belezas do sítio, mas também a fidalguia com que fora recebida.

Tudo eram alegrias e louvores, quando uma nova dificuldade veo encher de nuvens o céu de felicidade em que se moviam todas estas piedosas almas; o Correio-Mor condicionava a oferta com a cláusula de que lhe seria permitido gravar as suas armas nas portadas do Convento para testemunho perpétuo da doação; e os Prelados da Ordem, alegamdo que isso traria como consequência a dificuldade de obter de futuro um padroeiro para o Convento, recusaram-lhe esse direito. Em troca ofereceram-lhe uma missa quotidiana por sua intenção, mas Gomes da Mata, apesar de piedoso, espiçado nos brios, insiste no seu propósito e não cede nem mesmo quando lhe oferecem o direito de apresentação de duas Freiras de véu preto, ameaçando cessar todos os entendimentos.

Chegado, por fim, a acordo com o Correio-Mor, acomodavam-se já as casas à clausura, quando se deu a Restauração do 1º de Dezembro de 1640, o que determinou nova aflição para a fundadora.

Solicita, porém, a ratificação da licença concedida pelo rei castelhano, D. João IV não põe obstáculo e confirma a instituição por decreto de 07 de Outubro de 1641.

A 25 de Março seguinte benze-se a Igreja, e a 30, três meses precisos após a morte do doador, ,Madre Micaela Margarida de Santana e mais seis companheiras instalam-se definitivamente na casa e jardim dos Matas, transformado no Convento de Santa Teresa.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Bibliografia: “Assistentes do Correio-Mor do Reino em Viseu”, (por Godofredo Ferreira, Edição dos CTT, Lisboa 1960)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

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