“Os Esquecidos da História”

ana-castilhoAna Castilho, é mais uma das grandes Portuguesas esquecidas, mesmo na sua terra natal. Apesar de tudo o que fez em prol da educação e da igualdade, não mereceu, até à data, que o seu nome fosse integrado na Toponímia de nenhum Município.

No dia em que faz 100 anos sobre o seu falecimento, aqui ficam alguns traços biográficos desta grande Senhora.

 

ANA Augusta de CASTILHO, Professora, Republicana e Feminista, nasceu em Angra do Heroísmo, em 1866, e faleceu em Lisboa, a 02-12-1916. Era irmã de Maria Augusta Castilho Dias e tia do Tenente Castilho Dias. Casada com o Professor de Música João de Castilho, a Escritora Ana Castilho distingue-se devido à participação activa, depois da implantação do regime republicano, nas agremiações feministas. Residente em Lisboa, pertenceu à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas no seu período áureo, tendo desempenhado cargos na direcção, nomeadamente os de Tesoureira e Vice-Presidente, e colaboradora periodicamente no jornal A Madrugada, com artigos de intervenção política e educativa.

Aderiu à Obra Maternal, instituição destinada à protecção das crianças da rua abandonadas, sendo sua Presidente em 1914 e 1915, e ao Grupo das Treze, criado com a finalidade de combater a ignorância e todas as formas de superstição que afectavam a mulher portuguesa. Chegou a fazer parte do corpo docente indigitado para leccionar na Escola Solidariedade, concebida pela Liga, onde haveria aulas diurnas e nocturnas para o sexo feminino e um curso nocturno gratuito de Instrução Primária destinado a todas as mulheres e raparigas com mais de doze anos (por falta de número suficiente de inscrições, apesar de intensa propaganda, esta iniciativa não chegou a ser concretizada).

Em 1912, Ana Castilho participou na Delegação da Liga, convidada pela Comissão Administrativa dos Bens das Extintas Congregações, para uma reunião no Ministério da Justiça. Eleita para o o Conselho Nacional que deveria representar as feministas portuguesas no Congresso Internacional de 1913, a realizar em Budapeste, é, nesse mesmo ano, nomeada pela Liga para assistir ao XVII Congresso Internacional do Livre Pensamento.

Em 1914, fez parte da Comissão Feminina “Pela Pátria”, fundada com o objectivo de recoher donativos e agasalhos para os soldados portugueses, no caso de intervirem na guerra. Participa, juntamente com Maria Veleda, em campanhas de propaganda republicana e em defesa da intervenção de Portugal de Portugal na Grande Guerra, ao lado dos Aliados. Companheira de percurso de Ana de Castro Osório, milita ainda na Associação de Propaganda Feminista, tendo sido eleita, em 1916, 2ª Secretária da Mesa da Assembleia Geral, e integra a redacção do jornal A Semeadora, assinando textos nos dois primeiros números. Ana Castilho foi iniciada na Maçonaria em 1915, tendo pertencido à Loja Carolina Ângelo do Grande Oriente Lusitano Unido, utilizando o nome simbólico de Brites de Almeida.

Fonte: “Dicionário de Educadores Portugueses”, (Direcção de António Nóvoa, Edições Asa, 1ª Edição, Outubro de 2003, Pág. 310 e 311)

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