“Pessoas e coisas vinculadas aos CTT” – Palácio do Correio-Mor, em Loures.

palacio-correio-mor-louresSe outros testemunhos não houvesse da magnificência dos Matas, bastaria o Palácio e Quinta de Loures, hoje conhecido pela Quinta do Correio-Mor, para avaliar o principesco viver desta família de argentários de bom gosto.

A Quinta da Mata das Flores, comprou-a Luís Gomes de Elvas Coronel às Freiras de Odivelas, anteriormente ao ano de 1606, em que ele por mercê de Filipe II (de Portugal) tomou o nome da propriedade como apelido.

Encabeçada np morgado, herdou-a António Gomes da Mata Coronel, o qual a menciona no seu famoso testamento, escrito em 1641, por Quinta da Mata com suas terras, azenhas e mais pertencças, sem aludir à existência de qualquer palácio ou simples casa, prova evidente de que não havia então na propriedade construção alguma digna desse nome; de contrário, ele não deixaria de a descrever com a minúcia usada no testamento para toda a outra fazenda.

Em 1718, porém, já os Correios-Mores ali tinha moradia condigna, como claramente no-lo aponta o livro de registo de nascimentos da Freguesia de Loures, ao mencionar naquele ano o baptismo do primogénito de Luís Vitório na Capela das casas em que assistem (os pais do neófito) na mata solar da sua casa.

Temos, pois, que dentro do espaço de tempo que vai de 1641 a 1718, em que viveram três Correios-Mores, se construíram na Quinta umas casas nobres, a que não faltava a Capela.

A Quinta do Correio-Mor, fica na Estrada de Loures para Pinheiro de Loures, à esquerda, num caminho arborizado, que conduz à majestosa e magnífica vivenda do Correio-Mor, rodeada de jardins, pomares e terras de semeadura.

Por ocasião do combate entre liberais e miguelistas, no alto de Loures, em Outubro de 1833, o Palácio serviu de Hospital de Sangue, e de coléricos e tifosos. Fazia horror o aspecto interno da casa. Os Enfermeiros eram recrutados entre os saloios e a maior parte deles foram vítimas ou do tifo ou da cólera. Era rara a família da Freguesia de Loures que não tivesse perdido alguém, vítima do Hospital da Casa do Conde de Penafiel.

Pela morte do último Correio-Mor, o Palácio e a Quinta ficaram a sua filha a 2ª Condessa e 1ª Marquesa de Penafiel, que em 1875 o vendeu a Quirino Luís António Lousa; mais tarde ficou pertença da neta deste, a Senhora D. Maria da Assunção Canha. Pertence, desde 1966, à Sociedade da Casa Agrícola da Quinta da Mata.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Bibliografia: “Assistentes do Correio-Mor do Reino em Viseu”, (por Godofredo Ferreira, Edição dos CTT, Lisboa 1960)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

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