“A Música portuguesa ficou mais pobre”

hugo-ribeiroHUGO Alves Fernandes RIBEIRO, Técnico de Som, nasceu em Vila Real de Santo António, 07-08-1925, e faleceu em Lisboa, a 03-12-2016. Técnico de Som, foi um dos mais importantes protagonistas da gravação sonora em Portugal, desenvolveu uma carreira de mais de 50 anos na Empresa Valentim de Carvalho.

Fixou-se em Lisboa em 1944 e ingressou na Valentim de Carvalho no ano seguinte, onde começou a trabalhar na secção de partituras. Posteriormente passou para a secção de discos e, ainda no final da década de 40, começou a gravar (rábulas e números de revista) sob a orientação de Júlio Cunha, Funcionário da Empresa que em 1926 fez as primeiras gravações para edição comercial da Empresa utilizando gramafones/gravadores de disco.

Na década de 1950 sucedeu a Júlio Cunha enquanto Operador de Gravação, fazendo gravações nas próprias instalações da Empresa (Rua Nova do Almada), no Clube Estefânia e, posteriormente, no Teatro Taborda (Costa do Castelo, em Lisboa), alugado pela Empresa e adaptado para a gravação.

Trabalhou com as várias tecnologias e procedimentos de gravação à medida que estes foram adoptados pela Empresa: grabação em disco de 78 rpm até 1955; gravação em fita magnética, monofónica (1955-1963); estereofónica (1963-1970) e multipista (oito pistas de 1970-1980, tecnologia que atingiu as 24 pistas durante a década de 1980.

Em meados da década de 1960 passou a trabalhar nos Estúdios da Valentim de Carvalho, em Paço de Arcos, numa altura em que a sonoridade dos instrumentos eléctricos dos conjuntos de pop-rock trouxeram novas exigências tómbricas e dinâmicas ao processo de captação e mistura.

Efectuou grande parte das gravações de Amália Rodrigues, para a Editora, as primeiras em 1952, que dariam origem ao LP Amália no Café Luso (1974), até às de finais da década de 1980 (Obsessão, 1990).

No domínio do Fado e da Guitarra, destacam-se ainda as gravações de Alfredo Marceneiro (The Fabulous Marceneiro, 1960) e de Carlos Paredes (Guitarra Portuguesa, 1967; Movimento Perpétuo, 1971).

Entre os numerosos Músicos que gravou destacam-se: Duo Ouro Negro; Quarteto 1111; Hermínia Silva; Petrus Castros; Tantra; Banda do Casaco; Trovante e, no início da década de 1980, os protagonistas do movimento de expansão do rock português: UHF; Rui Veloso; GNR; Grpo de Baile; António Variações e Lena d’Água.

Hugo Ribeiro, trabalhou ainda na captação de som de som para cinema, na dobragem de diálogos e na mistura de «som de referência» de vários filmes, entre os quais: Belarmino (de Fernando Lopes, 1964); O Cerco (de António Cunha Teles, 1970); O Passado e O Presente (de Manoel de Oliveira, 1971).

Também para a RTP, foi o responsável pela gravação de som de várias edições do Festival RTP da Canção e de muitas canções que concorreram a este certame.

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX”, (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 4º Volume, Editado por Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição de Julho de 2010, Pág. 1120)

 

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