“José Pracana, Guitarrista, Fadista, Imitador, mas, acima de tudo, um estudioso do Fado”

jose-pracanaJosé Pracana, deixou-nos ontem, dia 26 de Dezembro de 2016, como acontece com muita frequência, RTP, no Telejornal das 20 horas, passou ao lado do acontecimento, seria por desconhecerem que tinha falecido, ou por falta de tempo?, já a morte de outros artistas estrangeiros foi amplamente noticiada.

Noticiar para quê?, foi apenas um artista português de faleceu.

Aqui ficam alguns dados biográficos de José Pracana:

 

 

JOSÉ PRACANA, Guitarrista, nasceu em Ponta Delgada, a 18-03-1946, e faleceu em Lisboa, a 26-12-2016. José Pracana é um dos conceituados guitarristas portugueses. Grande admirador e estudioso do Fado, das suas origens e de famosos guitarristas (violistas), que são grandes referências e verdadeiros ícones da Guitarra Portuguesa, nomeadamente Armandinho, Jaime Santos, Artur Paredes e muitos outros.

José Pracana iniciou a sua carreira artística depois de fixar residência em Lisboa, em 1964, como “fadista amador”. Sempre fez questão de manter este estatuto. Na televisão actuou já em programas como “Zip-Zip” (1969), “Curto-Circuito” (1970), “Um, Dois, Três” (1985), “Noites de Gala” (1987), “Piano Bar” (1988),”Regresso ao Passado” (1991) e “Parabéns” (1994), entre outros.

Entre 1969 e 1972, José Pracana dirigiu o Arreda, em Cascais, um projecto que abandonou para ingressar na TAP.

Como amante do Fado, José Pracana editou os trabalhos discográficos “Primavera Perdida” e “A Lenda das Rosas”. Como imitador, gravou um trabalho discográfico intitulado “A Ceia dos Intelectuais”.

Contudo, é como Guitarrista que se encontra representado em muitos discos acompanhando fadistas como Orlando Duarte, Alfredo Marceneiro (de quem era amigo pessoal), João Braga, Nuno de Aguiar, João Ferreira-Rosa, etc. Tem uma participação especial no grupo de cantares “Belaurora”, das Capelas, S. Miguel.

Ao longo da sua carreira de Guitarrista actua em vários locais de Portugal (Açores e da Madeira), mas também Angola, Macau, Espanha, França, Holanda, Bélgica, Luxemburgo, Dinamarca, Hungria, Israel, Tailândia, Zaire, África do Sul, Brasil, Venezuela, Argentina, EUA, Canadá, Japão, enfim um digno diplomata da Guitarra Portuguesa.

José Pracana tem vindo a dedicar-se também à investigação, organizando para a editora EMI/Valentim de Carvalho e assessorando em Londres nos famosos estúdios da “Abbey Road” a remasterização digital de exemplares em 78 rpm e 45 rpm para a edição “Biografias do Fado” (1994/97/98) e “Biografia da Guitarra” (2005).

Colaborou igualmente na edição de “Um Século de Fado” (EDICLUBE -1999) e participou no “I Colóquio Internacional do Fado”realizado em Lisboa (2001), além de ter proferido a palestra “O Fado em Lisboa e a Guitarra Portuguesa” na Sociedade de Geografia de Lisboa (2002).

A mais recente participação artística culmina com a sua actuação como guitarrista no “Japão / Expo AICHI 2005” e com a conquista do “Prémio Fado Amador” que lhe foi atribuído pela Fundação Amália Rodrigues.

Fonte: “Museu do Fado”

Lenda das Rosas

José Pracana

  

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Na mesma campa nasceram
Duas roseiras a par
Conforme o vento as movia
Iam-se as rosas beijar

Deu uma rosas vermelhas
Desse vermelho que os sábios
Dizem ser a cor dos lábios
Onde o amor põe centelhas
Da outra, gentis parelhas
De rosas brancas vieram
Só nisso diferentes eram
Nada mais as diferençou
A mesma seiva as criou
Na mesma campa nasceram

Dizem contos magoados
Que aquele triste coval
Fora leito nupcial
De dois jovens namorados
Que no amor contrariados
Ali se foram finar
E continuaram a amar
Lá no além todavia
E por isso ali havia
Duas roseiras a par

A lenda simples, singela
Conta mais que as rosas brancas
Eram as mãos puras, francas
Da desditosa donzela
E ao querer beijar as mãos dela
Como na vida o fazia
A boca dele se abria
Em rosas de rubra cor
E segredavam o amor
Conforme o vento as movia

Quando as crianças passavam
Junto à linda sepultura
Toda a gente afirma e jura
Que as rosas brancas coravam
E as vermelhas se fechavam
Para ninguém lhes tocar
Mas que alta noite, ao luar
Entre um séquito de goivos
Tal qual os lábios dos noivos
Iam-se as rosas beijar
Tal qual os lábios dos noivos
Iam-se as rosas beijar

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