“Laura Ayres, faleceu, faz hoje 25 anos”

LAURA AYRES, foi, em Portugal, uma das primeiras pessoas a por na ordem do dia a doença da SIDA. as suas consequências e o seu combate.

 

 

carnide-1774LAURA Guilhermina Martins AYRES, Médica, Investigadora e Professora, nasceu na Freguesia de São Sebastião, em Loulé, a 01-06-1922, e faleceu em Lisboa, a 15-01-1992. Licenciou-se em Medicina e Cirurgia , a 15 de Novembro de 1946, na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, com a classificação de 17 valores (bom com distinção), em 1946, ano da criação da Organização Mundial de Saúde.

Iniciou a sua carreira nos Hospitais Civis de Lisboa onde, em 1947, se apresentou com cerca de 200 colegas, ao Concurso par ao interno do Internato Geral. As vagas a preencher eram apenas 30. O Concurso, de Provas Públicas, exigia intensa preparação, apesar disso Laura Ayres conseguiu ficar em 1º lugar. Foi a primeira vez que, na história dos Hispitais Civis de Lisboa, aquele lugar foi conquistado por uma mulher.

Estudiosa e querendo sempre saber mais, vai para Inglaterra, para fazer o Doutoramento e especializar-se em Virologia. Recebeu convite para ficar em Inglaterra, mas não aceitou. De volta a Portugal, Laura Ayres, Médica, Cientista e Professora Catedrática, no Instituto Nacional de Saúde Pública, dedica-se à pesquisa no Laboratório de Virologia, que fundou no referido Instituto. Após o 25 de Abril, funda e dirige o Centro Nacional da Gripe, cria o Registo Nacional de Malformações Congénitas e, mais uma vez, numa iniciativa pioneira em Portugal, é responsável pela fundação do Centro de Vigilância Eoidemiológica nas Doenças Transmissíveis.

Em 1983, já reconhecida internacionalmente (lamentalvelmente não tanto a nível nacional), toma conhecimento da sua própria doença, incurável, e contra a qual se vai bater. Passa a presidir, dois anos mais tarde, o Grupo Nacional de Luta contra a Sida. Uma tarefa que veio a revelar-se árdua, ao ter de vencer resistências generalizadas a toda a estrutura do sistema de saúde, dos centros de saúde aos hospitais, aos quais a doença repugnava. Laura Ayres, conhecida pela sua alvíssima cabeleira possuidora de uma figura que impunha respeito, e apesar dos sintomas da doença que a minavam, nunca desistiu de tratar o doente e de lutar. Em 1991, com 69 anos e a poucos meses da sua morte, ainda sobe e desce as escadarias do Instituto Nacional de Saúde. No ano seguinte, faleceu.

Além do trabalho pioneiro que desenvolveu na área da Virologia, Laura Ayres foi também a “voz e a figura” da luta contra a SIDA em Portugal, estando na origem da Comissão Nacional de Luta contra a SIDA e na criação do Laboratório de Referência da SIDA do INSA, uma das primeiras instituições portuguesas a desenvolver o diagnóstico laboratorial da infecção VIH/SIDA.

Graças aos seus dotes de grande comunicadora, Laura Ayres destacou-se também na forma como soube utilizar os meios de comunicação social na prevenção das doenças transmissíveis, em particular da SIDA, contribuindo para uma efectiva promoção da saúde na população.

Através da sua acção, alertou para a necessidade de mudar comportamentos e para a importância de alterar o discurso de grupos de risco para comportamentos de risco, à semelhança das políticas de saúde e sociais internacionais nesta área.

A sua cidade natal prestou-lhe homenagem, atribuindo o seu nome à Escola Secundária de Quarteira. A cientista foi por duas vezes premiada com o galardão do Instituto Ricardo Jorge e condecorada pelo presidente da República, Mário Soares, com a Ordem de Santiago da Espada. Era membro do Health Service Research e do organismo comunitário de investigação da sida.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Albufeira; Amadora; Barreiro; Faro; Lisboa (Freguesia de Carnide); Loulé; Loures (Freguesias de Bobadela e Santo António dos Cavaleiros); Montijo; Odivelas (Freguesias de Famões e de Odivelas); Oeiras (Freguesia de Porto Salvo); Seixal (Freguesia de Aldeia de Paio Pires); Sesimbra; Sintra (Freguesia de Massamá); Vila Franca de Xira (Freguesia de Vialonga*).

Fonte: “Quem Foi Quem? 200 Algarvios do Século XX”, , (de Glória Maria Marreiros, Edições Colibri, 1ª Edição, Dezembro de 2000, Pág. 47, 48 e 49)

Fonte: “Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge”

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