“A TOPONÍMIA E AS SUAS CURIOSIDADES”

 

carnide-1787Manuel Maria Babrosa Du Bocage, Poeta Bocage ou simplesmente Bocage, faz parte da Toponímia um pouco por todo o País.

Mas em Lisboa, já houve um perído de cerca de oito anos em que o nome de Bocage não constou da Toponímia.

O nome de Bocage foi introduzido, pela primeira vez na Toponímia, através do Edital de 08 de Julho de 1892, atribuindo o seu nome às Ruas 7 e 8 do Bairro do Casal do Rolão, em Alcântara.

Como exista, também, em Lisboa, uma Artéria designada Avenida Barbosa Du Bocage, a Câmara julgando tratar-se da mesma pessoa, deixou ficar a Avenida e alterou a Rua Bocage para Rua Amadeu de Sousa Cardoso, através do Edital de 29-02-1988, ficando, assim, a Cidade de Lisboa sem nenhuma Artéria de homenagem ao grande Poeta.

O erro foi reparado através do Edital de 24-09-1996, atribuindo, ao Impasse FG da Quinta dos Inglesinhos, o nome de Rua Poeta Bocage.

E assim, Lisboa esteve mais de 8 anos sem que o nome de Bocage fizesse parte da sua Toponímia.

 

Manuel Maria BARBOSA Hedois DU BOCAGE, Poeta, nasceu em Setúbal, a 15-09-1765, e faleceu em Lisboa, a 21-12-1805. Era filho do Bacharel José Luís Soares de Barbosa e de D. Mariana Joaquina Xavier Lestof du Bocage, filha do Vice-Almirante Gil Le Doux du Bocage e de D. Clara francisca Lestof, casados na Freguesia da Encarnação, em Lisboa.

De ascendência francesa por parte da mãe. A sua vocação foi incentivada pelo ambiente familiar. Madame Fiquet du Bocage, uma tia-avó do poeta, era uma poetisa ilustre na época e traduzia o poeta suíço pré-romântico Gessner. O próprio pai de Bocage lia o pré-romântico inglês Young e cultivava a poesia nas horas vagas. Igualmente o marcou, como ele próprio o sublinhou, a morte da mãe aos dez anos de idade (Aos dois lustros a morte devorante / me roubou, terna mãe, teu doce agrado).

Frequentou a Academia Real dos Guarda-Marinhas, para onde entrou em 1783, entregando-se, mais do que aos estudos, à boémia literária de Lisboa da época, frequentando botequins, sobretudo o Nicola, do Rossio, ao qual o seu nome ficou para sempre ligado, como famoso improvisador de versos.

Embarcou para Goa (1786) e serviu na guarnição de Damão (1789). Mais tarde, desertou, embarcando para Macau, e daí regressou a Lisboa em 1790, ano em que foi fundada a Nova Arcádia, na qual ingressou, adoptando o nome poético de Elmano Sadino. Dela foi expulso, em 1794, devido ao seu espírito independente, sarcástico e indisciplinado.

Inquieto e atraído pela vida boémia, foi preso a 10 de Agosto de 1797, acusado de ideias contra a ordem social, expressas na »Epístola a Marília«, texto anti-religioso, e no soneto dedicado a Napoleão, símbolo do ideal revolucionário da época. Julgado, apesar de tudo, com alguma benevolência, por »erro contra a religião«, a Inquisição ordenou  que o preso fosse »doutrinado«.

Obrigado, por sentença, a recolher ao Hospício das Necessidades, aí se dedicou ao estudo e á tradução de várias obras, entre as quais as »Metamorfoses«, de Ovídio.

Saiu em liberdade em 1799, convertendo-se a uma vida mais regrada em casa da irmã, Maria Francisca, que sustentou com trabalhos de tradução. Marcado pelas atribulações do seu percurso, a sua vida terminou precocemente e com um doloroso arrependimento, patente nos seus últimos poemas. Bocage é um poeta pré-romântico em que o arcadismo ainda está bem presente.

Dos seus poemas irradia o angustiado sentido da existência e do aniquilamento, expresso em oposições dramáticas (o amor, céu e inferno, a morte, horror e libertação) e o gosto pelo macabro, em simultâneo com o convencionalismo arcádico das alegorias. De entre as formas poéticas que cultivou destaca-se o soneto. Muitas vezes evocando o paralelismo entre a sua vida e a de Camões, morreu aos 40 anos, em Lisboa, deixando publicadas, em três volumes, »Rimas« (1791, 1799 e 1804), completadas com a publicação póstuma de novos volumes e obras sobre a sua criação poética »Poesia de Manuel Maria Barbosa du Bocage«, de Inocêncio da Silva, 1853, e »Obras Poéticas de Bocage«, de Teófilo Braga, 1875.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes; Albergaria-a-Velha (Freguesia de Angeja); Alcácer do Sal; Alcanena (Freguesia de Minde); Alcochete (Vila de Alcochete e Freguesia do Samouco); Almada (Freguesias de Almada, Sobreda e Trafaria); Alpiarça; Amadora; Aveiro (Cidade de Aveiro e Freguesia do Eixo); Barcelos (Cidade de Barcelos e Freguesia de Manhente); Barreiro (Freguesias do Alto do Seixalinho e Santo António da Charneca), Benavente (Freguesia de Samora Correia); Braga; Carrazeda de Ansiães; Cartaxo (Freguesia de Vila Chã de Ourique); Cascais (Fregueisas de Alcabideche, Carcavelos, Cascais, Parede e São Domingos de Rana); Castro Verde; Chaves; Coimbra (Freguesia de Brasfemes); Coruche (Vila de Coruche e Freguesia do Couço);Évora (Cidade de Évora e Freguesia de Nossa Senhora de Machede); Fafe; Faro; Felgueiras (Freguesia de Lagares); Ferreira do Alentejo (Vila de Ferreira e Freguesia de Figueira dos Cavaleiros); Gondomar (Fregueias de Gondomar, Rio Tinto e Valbom); Grândola; Guimarães (Freguesia de Santo Estevão de Briteiros); Ílhavo (Freguesia da Gafanha da Nazaré); Lisboa (Freguesia de Carnide. Edital de 24-09-1996, era o antigo Impasse FG da Quinta dos Inglesinhos); Loulé (Cidade de Loulé e Freguesia de Almancil); Loures (Freguesias de Camarate, Sacavém, Santa Iria de Azóia, Santo Antão do Tojal, Santo António dos Cavaleiros, São João da Talha e Unhos); Mafra (Freguesia do Gradil); Mangualde; Manteigas; Matosinhos (Freguesia de Perafita); Mirandela; Moita (Freguesias de Alhos Vedros, Baixa da Banheira, Moita e Vale da Amoreira); Montemor-o-Novo; Montijo (Freguesias de Montijo, Pegões, Samouco e Santo Isidro de Pegões); Óbidos; Odivelas (Freguesias de Famões, Póvoa de Santo Adrião e Ramada); Oeiras (Freguesias de Carnaxide, Porto Salvo e Queijas); Oliveira do Hospital; Palmela (Freguesias de Palmela, Pinhal Novo, Poceirão e Quinta do Anjo), Penafiel (Fregueisa de Novelas); Peniche (Cidade de Peniche e Freguesia de Ferrel); Ponte de Sor (Freguesias de Foros de Arrão, Montargil e Ponte de Sor); Portimão (Freguesia de Alvor); Porto; Sabugal; Salvaterra de Magos (Vila de Salvaterra, Freguesias de Foros de Salvaterra e Muge); Santa Maria da Feira (Freguesia da Arrifana); Santarém; Santo Tirso (Freguesias de Areias e Reguenga); São João da Madeira; Seixal (Freguesias de Amora, Corroios e Fernão Ferro); Sesimbra (Vila de Sesimbra e Freguesia da Quinta do Conde); Setúbal (Cidade de Setúbal e Azeitão); Sines; Sintra (Freguesias de Almargem do Bispo, Belas, Mira Sintra, Queluz, Rio de Mouro e São Martinho); Tondela; Trofa; Valongo (Freguesias de Alfena e Ermesinde); Valpaços; Vendas Novas; Vila Franca de Xira (Freguesias de Alverca do Ribatejo, Póvoa de Santa Iria, Vialonga e Vila Franca de Xira); Vila Nova de Famalicão (Freguesias de Lousado, Oliveira e Ribeirão).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. I, , Pág. 578, 579, 580 e 581; Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto Português do Livro e da Leitura).

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 95).

Fonte: “Setubalenses de Mérito”, (de João Francisco Envia, Edição de Autor, 2003, Pág. 335, 336, 337, 338, 339, 340, 341, 342, 343 e 344)

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