Os CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, pretendo dar a conhecer.

CTTJOSÉ Bernardino DE ABREU GOUVEIA, 21º Assistente do Correi-Mor do Reino, em Viseu, exerceu o cargo de 1851 a 1852, e 1º Administrador da Administração Central do Correio de Viseu, exerceu o cargo de 1853 a 1866. Natural de Viseu.

O Marechal Saldanha, como lugar Tenente da Rainha D. Maria II no Norte do País, usando das suas prerrogativas, demitiu, em 09 de Maio de 1851, sem qualquer explicação, o Correio Assistente de Viseu Emídio da Costa Cabral, e nomeou para o seu lugar José Bernardino de Abreu Gouveia. Esta nomeação foi confoirmada por Portaria de 19 de Novembro seguinte.

Dos antecedentes deste funcionário nada sabemos, mas a sua carreira postal coincidiu com factos que contribuiram para o extraordinário desenvolvimento que os Correios atingiram em todo o País, logo no início da segunda metade do Século XIX.

Quero referir-me, em especial, à Reforma Postal de 1852, que transformou profundamente a orgânica dos Serviços de Correios. O País foi dividido em dez Administrações Postais, a que ficavam daí em diante subordinadas as Direcções de Correios das diferentes terras da sua região. Desta forma, os Correios das várias localidades do Reino deixavam de estar directamente dependentes da Sub-Inspecção do Correio e Postas do Reino.

Viseu foi cabeça de uma das dez Administrações Centrais, a que pertenciam as Direcções de Correios e suas Delegações abaixo indicadas:

Administração Central do Correio de Viseu:

Direcções: Aguiar da beira; Almeida; Castro Daire; Celorico da Beira; Ferreira d’Aves; Freixo de Numão; Gouveia; Guarda; Lamego; Lapa; Mangualde; S. Miguel de Outeiro; Moimenta da Beira; S. Pedro do Sul; Penalva do Castelo; Pesqueira; Pinhel; Resende; Sabugal; Sátão; Senhorim; Trancoso e Vouzela.

Delegações: Mões (Direcção de Cstro Daire); Alverca da Beira (Direcção de Celorico da Beira); Frágoas (Direcção de Ferreira d’Aves); Vila Nova de Foz Côa (Direcção de Freixo de Numão); Linhares e Manteigas (Direcção de Gouveia); Belmonte; Castelo Mendo; Jarmelo; Valhelhas; Vilar Maior (Direcção da Guarda); Armamar; Barcos; S. Cosmado; S. Martinho de Mouros; Mondim; Tabuaço; Tarouca (Direcção de Lamego); Caria e Rua; Sernancelhe (Direcção da Lapa); Fornos de Algodres (Direcção de Mangualde); Fonte Arcada, Leomil; Trevões; Sul (Direcção de Moimenta da Beira); Almendra; Figueira de Castelo Rodrigo (Direcção de Pinhel); Aregos; Ferreiros de Tendais; Sinfães, Sanfins (Direcção de Resende); Marialva; Mêda; Penedono (Direcção de Trancoso); Oliveira de Frades (Direcção de Vouzela).

Por efeito da Reforma Postal de 1852, foi o funcionário, que então dirigia o Correio de Viseu e meia dúzia de Delegações deste, elevado à categoria de Administrador e colocado à frente da Administração Central do Correio de Viseu, constituída pelas Estações Postais atrás relacionadas.

Mas a disposição de mais extraordinária projecção incluída na Reforma de 1852 foi, sem dúvida, a da criação, em Portugal, do selo de correio, posto a circular, em todo o País, no 1º dia de Julho de 1853.

Como já noutra altura aludimos, o porte das correspondências eta até então pago pelo destinatário.O expedidor podia, é certo, pagá-lo, entregando a carta em mão na estação de origem e com ela a importância devida, mas isto só muito raramente se fazia, até porque se considerava ofensivo para o destinatário pagar-lhe o porte da carta. Assim, salvo diminutas excepções, as correspondências eram lançadas na caixa da Estação de origem, à conta do destinatário.

Na correspondência retirada da caixa era aposto o carimbo da Estação expedidora e, depois de pesada, inscrevia-se-lhe, ao lado direito, a importância a cobrar do destinatário no acto da entrega. Esta inscrição era manuscrita, ou feita por meio de carimbo.

Depois do 1º de Julho de 1853 o porte passou a ser pago pelo expedidor com a afixação do selo, e só quando lançadas na caixa sem franquia seria aquele pago pelo destinatário, mas por quantia mais elevada, o que contribuiu para a rápida aceitação do selo pelo público.

Outro facto de desenvolvimento das comunicações postais desta época foi o estabelecimento da Mala-Posta de Lisboa ao Porto, inaugurada em 1855. Quando, dois anosdepois, a Mala-Posta atingiu a 16ª Estação de muda na Ponte da Pedra, passou a fazer uma paragem na Mealhada, para deixar os passageiros e as malas de correio vindas do Sul com destino à Beira Alta, e receber os passageiros e correio da mesma Província com destino ao Norte. Na viagem de regresso fazia-se igual paragem para embarque e desembarque semelhante, em sentido inverso.

Como mais próximo colaborador do Administrador do Correio de Viseu figura, desde 1855, o seu Fiel, Adriano de Sousa Afonso.

Embora até 1880 Correio e Telégrafo estivessem completamente separados. Queremos, também, aqui referir-nos ao estabelecimento em Portugal da Telegrafia Eléctrica, inaugurada em 1855. A Viseu tal melhoramento só chegou em 1858, quando, em 07 de Outubro, abriu à exploração a linha que ligava Viseu a Coimbra. A Estação era servida por 4 praças do Corpo Telegráfico, e estava aberta até às 9 horas da noite.

Em Julho de 1865 inauguraram-se as linhas de Viseu à Guarda, e de Viseu a Lamego.

E para terminar damos o extracto de duas Actas de sessões da Câmara Municipal, de um certo cómico. Na de 11 de Setembro de 1858 a Câmara declara-se impossibilitada de pagar a importância de 20.560 réis que o Administrador do Correio gastara com a fumigação da correspondência vinda de Lisboa e outros pontos em que grassava a Cholera Murbus e a febere amarela; e Na de 12 de Janeiro de 1865 apreciava um ofício em que o Administrador do Correio se queixava de vários impedimentos que o correio encontrava nas ruas da Cidade, que às vezes o faziam demorar, especialmente os porcos mortos que se estonavam nas ruas! A Câmara ficou de providenciar.

Bibliografia: “Assistentes do Correio-Mor do Reino em Viseu”, (por Godofredo Ferreira, Edição dos CTT, Lisboa 1960)

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