Os CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, pretendo dar a conhecer.

cavalo-dos-ctt-antigoANTÓNIO XAVIER DE QUADROS Zuzarte de Quadros, nasceu na Freguesia de Fontelas (Peso da Régua), em 1784, e faleceu en Coimbra, a 30-09-1813. Foi o 12º, e último, Assistente do Correio-Mor do Reino, em Coimbra e exerceu o cargo de 1784 a 1813. Era filho de Francisco Zuzarte de Quadros e de D. Ana Clementina Cabral.

Era, pois, filho póstumo, e assim, durante a sua menoridade, foi a mãe encarregada, por alvará régio, de Administrar o Correio de Coimbra. Não foram, porém, muito amistosas as relações entre mãe e filho, depois que este entrou na adolescência, como se infere de um processo que correu pelo Desembargo do Paço da Beira, em que há mútuas recriminações. Ele diz «que a mãe tenciona casar em segundas núpcias»; e ela declara «desejar libertar-se da tutela e acusa o filho de gastador pródigo, inquietando-a diàriamente, e não há dinheiro que lhe chegue» (Torre do Tombo — Desembargo do Paço da Beira —360/27353).

António Xavier Zuzarte de Quadros, foi fidalgo-cavaleiro da Casa Real, ingressou na vida militar com quatorze anos incompletos, como Cadete do Regimento de Cavalaria 12, unidade em que, mais tarde, veio a exercer o posto de Tenente-Coronel.

Em 1808, alegando serviços prestados por ocasião dasinvasões francesas, pediu o governo das Armas de Aveiro, o que parece lhe não concederam, embora no ano seguinte se encontrasse na região a comandar as milícias de Coimbra encorporadas na Divisão de Entre-Douro e Minho que se opunha à passagem das tropas francesas do comando do Marechal Soult pelo rio Vouga («Arquivo do Distrito de Aveiro» — n.º 93, de 1958, pág. 51).

Era Tenente-Coronel agregado ao Regimento de Milícias da Comarca de Aveiro, quando se reformou, em 06 de Julho de 1812, parece que por falta de saúde. No que respeita à carreira de Funcionário Postal, saliente-se como facto mais notável ocorrido no período da sua administração, embora para isso nada tenha contribuído, o estabelecimento da MALA-POSTA ENTRE LISBOA E COIMBRA

Solteiro e sem filhos, com a sua morte quebrava-se, automàticamente, a dinastia dos «Zuzartes correios-mores de Coimbra». Três membros da família que pretenderam a sucessão não foram atendidos, porque os tempos haviam mudado, e o uso consuetudinário da passagem dos cargos públicos de pais para filhos era sistema julgado intolerável, naquele princípio do século XIX.

Além dos três membros da família acima referidos, a mãe do extinto, D. Ana Clementina Cabral; uma prima, D. Antónia Madalena de Quadros e Sousa, sucessora legítima do morgado; e o filho desta, o Barão de Tavarede, João de Almada Quadros de Sousa Lencastre; muitos mais pretendentes apareceram a solicitar o chorudo cargo: João Torcato, oficial do Ministério da Marinha; José Maria de Almeida, e Sousa e seu pai Manuel de Almeida e Sousa; José Maria Osório Cabral, fidalgo da Casa Real; Luís Porfírio da Mota e Silva, fidalgo da Casa Real; Francisco Alves Agrão Martins; João dos Santos Correia, fiel do Real Museu da Universidade; e Joaquim José Mendes Fevereiro, «Assistente» do Correio de Castelo Branco e grande proprietário no mesmo Distrito. Como se vê, os concorrentes não faltaram; mas o Ministro dos Negócios Estrangeiros, a quem então estava subordinada a Sub-Inspecção Geral dos Correios e Postas do Reino, a nenhum atendeu, porque resolvera explorar aqueles serviços directamente pelo Estado como já fizera com o Porto, anos atrás.

À data do falecimento de António Xavier a receita bruta do Correio de Coimbra era de sete contos anuais, dos quais ele pagava, como rendeiro que era da Sub-Inspecção, três contos de réis de pensão anual; e para garantir a sua responsabilidade na remessa de dinheiros e correspondências registadas, tinha uma caução de dez contos. Além destas importâncias dava anualmente ao Correio-Mor do Reino e, quando este acabou, à Sub-Inspecção, uma «pitança» constituída por uma «caixa de frutas e pêssegos», e «pela quaresma barris de lampreia». As «pitanças», muito variadas, em qualidade e quantidade, que pagavam bastantes dos «Assistentes» pelo País fora, eram inicialmente simples galanteria e amabilidade para com seu Chefe; mas, com o decorrer dos tempos, quase veio a constituir obrigação, uma espécie de foro.

As cifras apontadas deixam-nos ver quão rendoso era o ofício de «Assistente» de Coimbra; e, por isso, não admira que o Estado aproveitasse a morte do último funcionário daquela categoria na Cidade do Mondego, para instituir ali uma Administração por sua conta, e assim canalizar para o Tesouro Nacional os rendimentos daquele Serviço Público. Aliás essa resolução estava prevista para outras localidades, à medida que o plano fosse exequível.

Fonte: “Assistentes do Correio-Mor do Reino em Coimbra”, (De Godofredo Ferreira

Advertisements

No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: