Os CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, pretendo dar a conhecer.

cavalo-dos-ctt-antigoMANUEL Joaquim Botelho CASTELO BRANCO, Assistente do Correio-Mor do Reino, em Vila Real, nasceu em Vila Real, a 17-08-1778, e faleceu em Lisboa, a 22-12-1835. Era filho de Domingos José Correia Botelho de Meneses e de Rita Teresa Margarida Castelo Branco e foi pai de Carolina Rita Botelho Castelo Branco e do grande Escritor Camilo Castelo Branco, que veio a ser o 1º Visconde de Correia Botelho.

Nem sempre são lisongeiras para Manuel Botelho, as informações sobre ele coligidas.

O lugar de Correio-Mor Assistente, muito desejado em todos os tempo, era, nas terras do País onde existia, entregue a pessoa de respeitabilidade e de posição: fidalgos, ricos proprietários, oficiais reformados, médicos, advogados, etc.

Luís Manuel de Lemos, que ocupava esse cargo em Vila Real, por altura de 1828, foi nesse ano destituído do lugar, por desafecto à causa do Senhor D. Miguel I, e substituído por um Interino, nomeado pela Câmara da Vila, até que a Sub-Inspeecção dos Correios, em Lisboa, preenchesse a vaga.

Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco pediu e obteve, em 1830, a nomeação para o cargo. Em boa lógica deveria concluir-se que era persona grata à causa miguelista, visto que o chamaram a substituir um funcionário demitido por não merecer confiança.

O Interino nomeado pela Câmara, um tal João Pinto Correia Costa, que certamente contava manter-se na Interinidade por longo tempo, não levou à paciência ver-se esbulhado do lugar, que já considerava seu, e moveu ao recem-nomeado uma guerra surda, mobilizando em seu favor parentes e amigos, e até as próprias autoridades locais. E conseguiu os seus fins.

Em 21 d Julho de 1831, Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco oficia ao Sub-Inspector Geral dos Correios a situação criada pelo Interino. O Sub-Inspector da época, António Xavier de Abreu Castelo Branco, miguelista cem por cento, protesta energicamente contra a violência de que era vítima o Correio Assistente de Vila Real por parte das autoridades daquela Vila. Foi feita exposição para o Ministro, mas o certo é que, João Pinto Correia Costa manteve-se no lugar até à queda do Governo absoluto, sem que o Ministro se atrevesse a removê-lo, tão grandes e fortes deviam ser as suas relações políticas. E o que é mais curioso é qie não saíu nem pagou a pensão a que era obrigado como rendeiro do Estado, no desempenho das funções de Administrador do Correio.

Chegados ao fim do ano de 1833, com o volte-face da política nacional, Manuel Botelho apressa-se a solicitar a reconduição ao lugar e, para isso historia, em requerimento, todas as agruras passadas.

O Sub-Inspector Geral dos Correios e Postas do Reino nomeado após o triunfo da causa de D. Pedro IV, Dr. João de Sousa Pinto de Magalhães, hesita em satisfazer a petição, apesar das alegações de lealismo do impetrante, porque supõe com mais direitos ao lugar o Assistente desapossado em 1828, se este vier algum dia a formalizar idêntica reclamação. Não obstante, em 19 de Junho de 1834 chega-se a lavrar uma Portaria de recondução de Manuel Botelho; mas o Ministro, á última hora, recusa-se assiná-la, porque, em requerimento datado de 16 do mesmo mês e ano, aparece, como se receava, Luís Manuel de Lemos a solicitar igualmente a reitengração, e em termos pouco satisfatórios para o lealismo do outro pretendente.

Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco, perdida a esperança de alcançar o desejado lugar, não obstante uma dezena de requerimentos, apela por último para que o coloquem em Guimarães. Não obteve requerimento.

A morte veio buscá-lo em 1835, sem que ele tivesse conseguido voltar a servir nos Correios e Postas do Reino

Manuel Castelo Branco foi Cadete do Regimento de Cavalaria nº 12, de que teve baixa em 25 de Fevereiro de 1807.

Fonte: “O Pai de Camilo Castelo Branco – Empregado dos Correios”, (por Godofredo Ferreira; 2ª Edição, Edição dos Serviços Culturais dos C.T.T., Lisboa, 1958)

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