Os CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, pretendo dar a conhecer.

 

cavalo-dos-ctt-antigoMIGUEL António do SACRAMENTO, 1º Director Telégrafo-Postal do Distrito de Viseu, exerceu o cargo de 1880 a 1888. Nasceu em Beja, a 15-12-1830, e faleceu em Viseu, a 23-01-1889. Era filho de António Guerreiro e de D. Maria Barbosa.

Serviu no Exército, em Infantaria, de 1850 a 1857, e neste último ano, sendo Sargento, pediu passagem ao Corpo Telegráfico, onde assentou praça, como Soldado, em Agosto. Nesta nova Unidade Militar foi promovido a Cabo em 1861 e a 2º Sargento em 1864.

No ano anterior havia traduzido para português e edtado, em colaboração com o Cabo José Fortunato Calás, o Manual de Telegrafisa Eléctrica, do Engenheiro italiano Carlos Matteucci, então muito em voga. Ao Manual acrescentaram a cópia do texto do Convénio Telegráfico de Bruxelas, de 1858, e a lista de todas as Estações Telegráficas nacionais e estrangeiras então existentes.

O conjunto constituiu um volume de 366 páginas, com 35 gfravuras, que foi muito apreciado, prestou grandes serviços ao pessoal da época e valeu aos dois tradutores-editores a promoção, por distinção, respectivamente a 1º e a 2º Sargento.

Quando o Corpo Telegráfico se transformou numa Repartição Civil, em 1864, Miguel Sacramento, que prestava então serviço na Estação da Ajuda (Lisboa), foi nomeado Fiscal de Serviço Telegráfico, com o vencimento diário de 800 réis, em vez de 440 réis que então recebia como 1º Sargento. Logo em seguida, na Organização de 1865, teve a classificação de Telegrafista-Chefe de 1ª Classe, situação quer conservou até que dez anos depois foi promovido a Oficial de 2ª Classe dos Quadros dos CTT.

Pelos seus conhecimentos especiais, foi quase sempre utilizado no estudo e construção de linhas de Estações Telegráficas, tendo-lhe cabido o encargo, além de outros, da construção da linha telegráfica da Póvoa de Varzim a Viana do Castelo (1864).

Chefiou os Serviços Telegráficos (serviços técnicos) com sede nas Caldas da Rainha (1865) e com sede em Coimbra (1867).

Quando pela notável Reforma de 1880 os Correios e os Telégrafos foram agrupados numa Direcção Geram única, Miguel Sacramento teve no quadro do novo organismo a categoria de 1º Oficial e foi, por Portaria de 13 de Novembro do mesmo ano, nomeado Director Telégrafo-Postal do Distrito de Viseu.

No ano imediato, o Director-Geral dos Correios e Telégrafos, ao apreciar os relatórios dos diferentes serviços, diz, refrindo-se ao Director de Viseu, «Documento que velela estudo, amor ao trabalho e inteligência».

Em 1882 foi-lhe cometido o encargo de iniciar o estudo para o estabelecimento da Posta Rural no seui Distrito. Foi ainda no mesmo ano de 1882 que começaram a circular as Ambulâncias Postais na linha férrea da Beira Alta, entre Pampilhosa e Vilar Formoso. O Correio de e para Viseu era entãio embarcado e desembarcado em Nelas.

A acção deste prestimoso funcionário na Direcção dos Correios e Telégrafos do Distrito de Viseu mereceu sempre o maior apreço por parte das entidades superiores, e pena foi que um acontecimento desagradável, mas em que ele estava no bom campo, o fprçasse a aposentar-se,o que lhe abreviou a vida, pelo desgosto que essa situação lhe acarretou.

O caso foi o seguinte:

O Conselheiro Guilhermino de Barros estabelecera no seu programa de Administração dos Correios e Telégrafos o princípio de que a instalação dos serviços, nas Capitais de Distrito, se deveria fazer em propriedades a adquirir pela Direcção Geral dos mesmos serviços.

Assim, o Estado, representado pelo Dr. Joaquim Pais Abranches, Governador Civil de Viseu, e Dr. Albano de Magalhães Coutinho, Delegado do Procurador Régio, comprou, por escritura lavrada nas notas do Tabelião Silvério Augusto Abranches Coelho de Moura, em 02 de Agosto de 1887, a casa chamada «do Arco»com seu quintal, pertencente a António José de Almeida e sua mulher, que a haviam adquirido por arrematação em execução que por diversos fora movida a António de Albuquerque do Amaraç Cardoso. A «Casa do Arco» foi comprada por dez contos, pagos pela Direcção-Geral dos Correios e Telégrafos, para nela se instalarem Repartições Públicas, designadamente os Correios e Telégrafos.

Ora, sendo criadas por essa ocasião, pelo notabilíssimo Ministro Emídio Navarro, as «Escolas Preparatórias de Agricultura», foi resolvido instalar a de Viseu na «Casa do Arco», destinando-se por isso aos Serviços Telégrafo-Postais apenas uma parte do edifício, por sinal a mais insalubre e a que se encontrava em pior estado de conservação.

O jornal de Viseu, Viriato, escrevia a esse respeito, em 22 de Junho de 1888, isto é, dois dias depois da instalação no novo edifício, o seguinte «suelto»: a casa desrtinada a esta Reopartição (Correios e Telégrafos) de enormíssimo movimento, é pequena e os empregados estão ali como sardinha em canastra.

Sendo a «Casa do Arco» uma das maiores que tinha Viseu, e estando quase toda desocupada, não se compreende que a Repartição se estabelecesse numa pequena nesga onde os empregados, para se moverem, têm de andar aos encontrões.

Mas o entusiasmo pelas Escolas de Agricultura sobrelevava todos os outros interesses, e, segundo dizia um contemporâneo do acontecimento: avultadas somas nelas foram consumidas!, A nada se olhava que fosse justo.

Os áulicos não cessaram de engrandecer a obra do estadista e assdim sacrificaram os Correios e Telégrafos, atirando-os para o canto em que ficaram.

O Director dos Serviços Telégrafo-Postais do Distrito, que estava em boa razão, reagiu contra a injustiça, tanto maior quanto era certo que o dinheiro para a compra do edifício saíra dos cofres dos Correios, e barafustou.

Mas, pobre dele! A política local taxou de heresia ainconformidade do ilustre funcionário, com o aplauso geral, e forçando-o à aposentação, em 30 de Junho de 1888.

Assim findou a carreira de um honesto e dedicado servidor do Estado, depois de mais de trinta anos de trabalho contínuo e dedicado.

Bibliografia: “Assistentes do Correio-Mor do Reino em Viseu”, (por Godofredo Ferreira, Edição dos CTT, Lisboa 1960)

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