António Mourinho, Padre, Professor, Antropólogo, Etnolinguista, Historiador e Arqueólogo, se fosse vivo, faria hoje 100 anos.

antonio-mourinhoANTÓNIO Maria MOURINHO, nasceu na Freguesia de Sendim (Miranda do Douro), a 14-02-1917, e faleceu em Lisboa, a 13-07-1996. Era filho de João da Cruz Mourinho e de Ermelinda Rosa Pires. Em 1930, principiou os seus estudos, no Seminário Diocesano de Bragança, onde concluiu o Curso de Teologia, com distinção, em 29 de Junho de 1941.

Padre, Antropólogo, Etnolinguista, Historiador e Arqueólogo. Concluiu o Curso de Teologia no Seminário Maior de Bragança em 1941, tendo ali exercido a docência de História até 1942, ano em que foi nomeado Pároco de Duas Igrejas e de Vila Chã de Barceosa, no Concelho de Miranda.

De seguida, haveria de se formar em História pela Universidade do Porto, mas a sua paixão e o seu método para a investigação herdou-os do Abade de Baçal, de quem foi discípulo desde os 18 anos de idade e de quem diz ter sido «senhor de uma cultura revolucionária». Foi bolseiro do Instituto para a Alta Cultura e fez em Espanha, no Arquivo Histórico Nacional de Madrid e nos Arquivos de Zamora e Simancas, investigações em documentação dizendo respeito à História, à Literatura e à Linguística do Nordeste Transmontano, actividade que complementou com pesquisas nos Arquivos Portugueses. Em 1945, fundou o Museu da Terra de Miranda e nesse mesmo ano o Grupo Folclórico Mirandês de Duas Igrejas, os famosos «Pauliteiros de Miranda», num rigoroso trabalho de recuperação etnográfica que obteve em 1981 o «Prémio Europeu de Arte Popular». No campo linguístico e literário, foi o responsável pelo estudo, reabilitação e preservação do mirandês, bem como pela recolha de canções, provérbios, rimances e textos teatrais naquele então dialecto e em português antigo.

Como Arqueólogo, descobriu e identificou, para além de um vasto espólio na região mirandesa, pinturas rupestres na serra do Mogadouro e na Solhapa.

Em 1993, depois de uma luta que demorou anos, foi dispensado de ordens pelo Vaticano e autorizado a casar.

Os resultados dos seus trabalhos de investigador estão dispersos por dezenas de publicações portuguesas e estrangeiras e pelas actas de numerosos congressos de Antropologia Cultural e de História e Arqueologia, em que participou. Para além dessa bibliografia rica e vastíssima e daquela outra já suportada em livro, António Maria Mourinho continua a contar, como desde há muitos anos já sucede, com numerosos trabalhos inéditos.

Em Portugal, pode encontrar-se importante bibliografia sua nas revistas Brigantia, O Arqueólogo Português, Ocidente, Ethnos, Arqueologia, Trás-os-Montes e Alto Douro, Gaya, Revista de Portugal e Revista da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, no Boletim Amigos de Bragança e nos Trabalhos de Antropologia e Etnologia, para além de artigos dispersos por alguns jornais. Era membro do Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia de Lisboa, da Sociedade Portuguesa de Antropologia, da Associação dos Arqueólogos Portugueses, da Associación Española de Etnologia y Folklore de Madrid e da Academia Portuguesa da História.

Obras principais: Santa Maria Nossa Terra, (1946); O Culto dos Mortos no Nordeste Português, (1953); Galandun, (1955); Malha de Cereais na Cardenha e Canção dos Malhadores, (1955); Pingacho: Bailado Mirandês de Paradela, (em colaboração, 1956); Hossonápio: Teatro Rural em Trás-os-Montes, (1956); A Dança dos Paulitos, (1957); Grupo Folclórico Mirandês de Duas Igrejas, 81959, edição revista, 1983); Nossa Alma i Nossa Tierra: Poemas em Mirandês e Notas sobre a Vida e Arte da Terra Mirandesa, (1959); Documentos Medievais sobre Portugal Existentes em alguns Arquivos de Espanha, (1964); Guerra dos Sete Anos ou Guerra do Mirandum, (deste trabalho foi extraído o guião para o filme A Guerra do Mirandum, 1966); O Abrigo Rupestre de «Solhapa^em Duas Igrejas, (1972); Ara a Jupiter Depulsori Dedicada por um Veterano da Legio VII Gemina, (1973); Fundação do Castelo de Algoso, (1974); Coreografia Popular Transmontana: Moncorvo e Terra de Miranda, (1980); Pinturas Esquemáticas de Penas Roias, Terra de Miranda do Douro, (1981); «Scôba Frolida à Agosto»: Liênda de Nossa Senhora del Monte de Dúes Eigreijas, (em mirandês, 1983); Cancioneiro Tradicional e Danças Populares Mirandesas, (1984); Vida e Obra do Abade de Baçal, (1985); Epigrafia Latina aparecida entre Sabor e Douro e des o Falecimento do Abade de Baçal, (1988).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Bragança; Macedo de Cavaleiros.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 378)

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