“Recordando o grande Estadista Andrade Corvo, que faleceu, faz hoje 127 anos”

 

andrade-corvoJoão de ANDRADE CORVO, Político, Militar e Escritor, nasceu na Freguesia de Santiago, em Torres Novas, a 30-01-1824, e faleceu em Lisboa, a 16-02-1890. Além de Militar, foi Escritor, Professor e Político. Era filho de Francisco Andrade Corvo de Camões e Neto e de Ana do Carmo Brito Ferreira Taborda. Seu pai foi Oficial de Cavalaria na guerra civil lutou pelo partido miguelista, mas o trauma que lhe ficou de criança ao presenciar a captura e o assassinato de um partidário de D. Pedro, que se havia refugiado em sua casa, fez nascer no seu “espírito um ódio invencível às violências políticas e uma antipatia violenta contra o partido de D. Miguel”, como confessou ele mais tarde. Em 1834, acabada esta fase da guerra civil, veio para Lisboa com a família e foi um seu tio pelo lado materno, o General Nuno Augusto de Brito Taborda, que se encarregou da sua educação. E valeu apena apostar neste promissor talento.

Começou por estudar Línguas e Humanidades, frequentou o Colégio Militar e, aos 15 anos de idade (1839), entrava na Escola Politécnica onde foi companheiro de Latino Coelho, entre outros. Durante os cinco anos do curso foi um aluno brilhante nas Ciências Naturais. Seguiu-se a frequência da Escola do Exército (1843) onde também concluiu o Curso de Engenharia com brilhantismo. Simultaneamente frequentava o Curso de Medicina na Escola Médica que também veio a concluir, mas apenas por mera curiosidade, pois não há notícia que tenha exercido como Médico. Ainda quando frequentava a Escola do Exército concorreu a Professor da Escola Politécnica conseguindo ser nomeado Lente substituto da cadeira de Botânica, no mesmo ano em que o seu colega Latino Coelho conseguiu idêntico grau em Minerologia e Geologia. E, tal como este, Andrade Corvo foi mais Professor, Escritor e Político do que Militar, apesar de fazer o seu percurso curricular até Oficial General.

Assim, foi promovido a Alferes, em 1849; a Tenente, em 1851; a Capitão, em 1864; a Major, em 1872; a Tenente-Coronel, em 1874; a Coronel, em 1878; e a General de Brigada, por decreto de 19 de Setembro de 1888, precisamente nas mesmas datas em que Latino Coelho. Já Oficial e Professor começou a dedicar-se à poesia, tendo privado com Almeida Garrett que o incentivou a continuar na carreira das Letras. Com outras jovens promessas fundou a Sociedade Escolástica Phylomática, que tinha por Presidente Honorário o Cardeal Patriarca, Francisco de S. Luís, e por associados honorários Almeida Garrett, Feliciano de Castilho, Alexandre Herculano, Silvestre Pinheiro Ferreira, Visconde de Santarém e Sá da Bandeira. Além da poesia escreveu diveras peças de teatro, como os dramas D. Maria Telles, O Astrólogo, O Aliciador e a comédia Um Conto Ao Serão, que subiram ao palco do Teatro de D. Maria e foram êxitos. Iniciou a actividade jornalística em 1847 no periódico A Época, seguindo-se colaborações de carácter literário, científico e político noutras publicações como Revista Universal, os Annaes das Sciencias e das Artes, o Mosaico, a Revista Contemporânea, o Jornal do Comércio e o Archivo Universal. A par da sua actividade docente na Escola Politécnica foi convidado para Professor de um das cadeiras do recém-fundado Instituto Agrícola (1853). A agricultura viria a ser também uma das áreas em que se tornou especialista. Em 1852, recebeu da Academia das Ciências, de que se tornara sócio, a missão de estudar o mal das vinhas na Ilha da Madeira, estando os resultados desse estudo publicados no trabalho Memória Sobre a Mangra ou Doença das Vinhas nas Ilhas da Madeira e de Porto Santo. Ainda no âmbito da agricultura participou na Exposição de Paris (1855) e, em 1864, integrou uma comissão governamental, de que também faziam parte o Marquês de Nisa e o Conde de Casal Ribeiro, para elaborar um projecto de lei sobre comércio de cereais.

A actividade política de Andrade Corvo foi iniciada como Deputado por Idanha-a-Nova na Legislatura de 1865. Logo em 06 de Junho do ano seguinte assume a pasta das Obras Públicas, no Governo presidido por Joaquim António de Aguiar. Governante de grande visão tomou importantes iniciativas, como a decisão da construção do Caminho-de-Ferro do Minho e do Douro e instituiu o Crédito Agrícola. Apesar de as lutas liberais já terem ficado para trás, o País vivia ainda numa grande instabilidade política pelo que os governos estavam pouco tempo em funções. Nas eleições de 1869 Andrade Corvo é eleito novamente Deputado, agora pelo círculo de Soure, mas o golpe de estado de 31 de Maio de 1870 (Saldanhada) veio pôr fim a mais uma Legislatura. Volta ao governo em Setembro de 1871, desta vez para sobraçar a pasta dos Negócios Estrangeiros no Ministério dirigido por Fontes Pereira de Melo. Um ano depois assumia, em acumulação, a pasta do Ministério da Marinha e a do Ultramar. No âmbito destas duas pastas e no período excepcionalmente longo, para a época, em que o governo se manteve em funções (de 1871 a 1877) Andrade Corvo desenvolveu uma profícua actividade de que se destacam as seguintes iniciativas: reorganizou e dotou de novos meios navais a Marinha de Guerra; celebrou contratos com companhias de navegação nacionais e estrangeiras para intensificar as comunicações marítimas com as possessões portuguesas em África e na Índia, aproveitando para este último destino e para Moçambique as ligações mais rápidas pelo recém-inaugurado (1869) Canal de Suez; tomou medidas eficazes para a abolição da escravatura nas colónias africanas; lançou nas colónias africanas as expedições de obras públicas que deram enorme impulso no desenvolvimento daqueles territórios; celebrou com a Inglaterra o Tratado da Índia que permitiu o desenvolvimento da Índia Portuguesa; lançou as bases para o Tratado de Lourenço Marques com a Inglaterra, o qual não trouxe proveiro para Portugal, antes pelo contrário. Após as experiências governativas, Andrade Corvo foi nomeado Enviado Extraordinário e Ministro Plenipotenciário em Madrid e Paris. Depois destas estadas no estrangeiro a sua saúde coneçou a fraquejar e foi já muito debilitado que presidiu à Câmara dos Pares e foi Director da Escola Politécnica, vindo a falecer no dia 16 de Fevereiro de 1890.

Além das colaborações na imprensa da época, já referidas atrás, Andrade Corovo escreveu outras obras, algumas de grande fôlego, de que se referem: Uma Ano na Corte, (romance histórico em quatro tomos, Lisboa, 1850-1851); Relatório Sobre a Exposição Universal de Paris, (Lisboa, 1857); Botânica Elementar, (Lisboa, 1850); Instrumentos e Máquinas Para a Lavoura, (Lisboa, 1875, é o primeiro de uma série de opúsculos destinados à divulgação de assuntos da agricultura); Roteiro de Lisboa a Goa, por D. João de Castro, (Lisboa, 1882); Estudo Sobre as Províncias Ultramarinas, (Lisboa, 1883, tomos I e II, 1884, tomo III, 1887, tomo IV).

Obras principais: Memórias sobre as Ilhas da Madeira e Porto Santo, (1854); Economia Política para Todos, (1881).

Andrade Corvo, além dos Cargos públicos que exerceu, foi Conselheiro de S. Majestade, Par do Reino, Ministro de Estado honorário e era detentor das seguintes condecorações: Grã-Cruz da Ordem de S. Tiago, Comendador das Ordens de Cristo de São Bento de Avis, Grã-Cruz da Ordem de S. Maurício e de S. Lázaro, de Itália, Grã-Cruz da Ordem de Cristo, do Brasil.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora, Braga, Évora, Lisboa (Freguesias de São Jorge de Arroios e São Sebastião da Pedreira, Edital de 29-11-1902), Loures (Freguesias de Apelação, Bobadela, São João da Talha), Matosinhos (Freguesia de Senhora da Hora), Moita (Freguesia de Alhos Vedros), Oeiras (Freguesia de Porto Salvo), Palmela (Freguesia de Quinta do Anjo), Seixal (Freguesia de Fernão Ferro), Setúbal (Azeitão), Sintra (Freguesia de Algueirão-Mem Martins), Torres Novas; Valongo (Freguesias de Campo e Sobrado).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. II, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto Português do Livro e da Leitura, Coordeando por Eugénio Lisboa, 1990, Pág. 107 e 108)

Fonte: “Os Generais do Exército Português”, (II Volume, II Tomo, Coordenação do Coronel António José Pereira da Costa)

Fonte: “Dicionário Biográfico Parlamentar, 1834-1910”, (Vol I, de A-C), Coordenação de Maria Filomena Mónica, Colecção Parlamento, (Pág. 841, 842 e 843)”.

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 164 e 165).

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