“Cesário Verde, o Poeta que também vendeu ferragens, nasceu há 162 anos”

 

queijas-034José Joaquim CESÁRIO VERDE, Poeta, nasceu na Rua da Padaria, Freguesia da Sé (Lisboa), a 25-02-1855, e faleceu em Linda-a-Pastora (Oeiras), a 19-07-1886. Após a Instrução Primária, passou a trabalhar em negócios familiares, sendo o seu pai, José Anastácio Verde, dono de uma loja de ferragens, na Rua dos Fanqueiros, em Lisboa e de uma quinta em Linda-a-Pastora. Foi por essas duas actividades práticas, úteis, de acordo com a visão do mundo e do próprio Cesário Verde, que se repartiu a vida do poeta. Paralelamente, ia alimentando o seu gosto pela leitura e pela criação literária, embora longe dos meios literários oficiais com que nunca se deu bem, o que o levou, por exemplo, a abandonar o Curso Superior de Letras da Faculdade de Lisboa, que frequentou entre 1873 e 1874. Cesário Verde estreou-se, nessa altura, colaborando nos jornais Diário de Notícias, Diário da Tarde, A Tribuna e Renascença. A partir de 1875 produziu alguns dos seus melhores poemas: »Num Bairro Moderno« (1877), »Em Petiz« (1878), E »O Sentimento de um Ocidental« (1880). Este último foi escrito por ocasião do terceiro centenário da morte de Camões e é, ainda hoje, um dos textos mais conhecidos do poeta, embora mal recebido pela crítica de então, numa incompreensão geral mesmo por parte de escritores da Geração de 70, de quem Cesário Verde esperaria aceitação para a sua poesia. A falta de estímulo da crítica e um certo mal-estar relativamente ao meio literário, expressos, por exemplo, no poema »contrariedades« (Março de 1876), fazem com que Cesário Verde deixe de publicar em jornais. Surgindo apenas, em 1884, o poema »Nós«. O binómio cidade-campo surge como tema principal neste longo poema narrativo autobiográfico, onde o poeta evoca a morte de uma irmã (1872) e de um irmão (1882), ambos de tuberculose, doença que viria a vitimar igualmente o poeta, apesar das várias tentativas de convalescença numa quinta no Lumiar. Só em 1887 foi organizada, postumamente, por iniciativa do seu amigo Silva Pinto, uma compilação dos seus poemas, a que deu o nome de »O Livro de Cesário Verde« (à disposição do público em geral apenas em 1901). Dividida em duas secções, »Crise Renascença« e »Naturais«, o livro não seguiu qualquer critério cronológico de elaboração ou de publicação. Entretanto, novas edições vieram acrescentar alguns textos à obra conhecida do poeta e organizá-la segundo critérios mais rigorosos. Formado dentro dos moldes do realismo e do parnasianismo literários, Cesário Verde afirmou-se sobretudo pela sua oposição ao lirismo tradicional. Em poemas por vezes cínicos ou humorísticos (na linha de A Folha, de João Penha, ou de Baudelaire, de que se reconhece a influência sobretudo no tratamento da temática da cidade, do amor e da mulher) conseguiu manter-se alheio ao peso da »literatura«, procurando um tom natural que valorizasse a linguagem do concreto e do coloquial, por vezes até com cariz técnico, marcando um desejo de autenticidade e um amor pelo real, que fez com que a sua poesia enfrentasse, por vezes, a acusação de prosaísmo. Com uma visão extremamente plástica do mundo, deteve-se em deambulações pela cidade ou pelo campo transmitindo o que aí era oferecido aos sentidos, em cores, formas e sons, de acordo com a fórmula do próprio poeta, expressa em carta ao seu amigo Silva Pinto: »A mim o que me rodeia é o que me preocupa«. Se, por um lado, exaltava os valores viris e vigorosos, saudáveis, da vida do campo e dos seus trabalhadores, sem visões bucólicas, detinha-se, por outro lado, na cidade, na sedução dos movimentos humanos, da sua vibração, solidarizando-se com as vítimas de injustiças sociais e integrando na sua poesia, por vezes, um desejo de evasão. Conhecido como o poeta da cidade de Lisboa, foi igualmente o poeta da Natureza anti-literária, numa natecipação de Fernando Pessoa / Alberto Caeiro, que considerava Cesário um dos vultos fundamentais da nossa história literária. Através de processos impressionistas, de grande sugestividade (condensando e combinando, por exemplo, sensações físicas e morais num só elemento), levou a cabo uma renovação ímpar, no século XIX, da estilística poética portuguesa, abrindo caminho ao Modernismo e influenciando decisivamente poetas posteriores.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes; Albufeira; Alcochete (Freguesia de São Francisco); Almada (Freguesias da Costa de Caparica e Sobreda); Amadora; Beja; Benavente (Freguesia de Samora Correia); Braga; Cascais (Freguesias de Alcabideche, Cascais, Estoril e São Domingos de Rana); Chaves; Entroncamento; Évora; Fafe (Freguesia de Regadas); Ferreira do Alentejo (Freguesia de Figueira dos Cavaleiros); Gondomar (Cidade de Gondomar e Freguesia de Rio Tinto); Ílhavo (Freguesia da Gafanha da Nazaré); Lisboa; Loures (Freguesias de Loures, Santo Antão do Tojal, Santo António dos Cavaleiros e São João da Talha); Maia; Mangualde; Matosinhos (Freguesia da Senhora da Hora); Mirandela; Moita (Freguesia da Baixa da Banheira); Montijo (Freguesias de Alto do Estanqueiro, Montijo, Pegões e Sarilhos Grandes); Oliveira do Hospital; Odivelas (Freguesias de Famões, Odivelas e Ramada); Oeiras (Freguesias de Carnaxide, Oeiras e Queijas); Ovar; Portimão (Cidade de Portimão e Freguesia de Alvor); Santa Maria da Feira (Freguesia da Arrifana); São João da Madeira; Seixal (Freguesias da Amora, Corroios e Fernão Ferro); Sesimbra; Setúbal (Cidade de Setúbal ed Azeitão); Sintra (Freguesias de Algueirão-Mem Martins, Almargem do Bispo, Cacém, Casal de Cambra, Queluz, Rio de Mouro e Vila de Sintra); Trofa; Valongo (Freguesias de Campo, Ermesinde e Valongo).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. II, Publicações Europa América)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 524).

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