“Aclénia Pereira, uma Bonequeira quase esquecida, se fosse viva, faria hoje 90 anos de idade”

 

aclenia-pereiraACLÉNIA Risolete Capeto PEREIRA e Noronha, Professora e Artesã, nasceu na Freguesia de Santo André (Estremoz), a 26-02-1927, e faleceu na Casa de Saúde do Montepio Rainha D. Leonor, na Freguesia de Nossa Senhora do Pópulo (Caldas da Rainha), a 21-04-2012. Era filha de Carlota Rita Capeto Pereira, e de Ricardo de Jesus Pereira Ventas, ambos naturais de Estremoz. Aclénia Pereira, Artesã polifacetada e barrista Estremocense.

A menina recebeu o nome de Aclénia Risolete Capeto Vendas. Em 1945 o pai de Aclénia foi autorizado superiormente a mudar o nome para Ricardo de Jesus Pereira, pelo que a filha com a idade de 18 anos foi também autorizada a alterar o nome para Aclénia Risolote Capeto Pereira.

Em 28 de Dezembro de 1960, com a idade de 33 anos, casou na Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, com Pedro Paulo de Oliveira e Noronha, de 30 anos, natural de Vale de Santarém (Santarém), onde o casal passaria a residir. O nome da noiva passaria então a ser Aclénia Risolete Capeto Pereira e Noronha.

Aclénia cresceu sem problemas e frequentou o Ensino Primário Elementar em Estremoz, tendo sido aprovada no exame de 2º grau em 1939, com da idade de 12 anos.

Com a idade de 13 anos, Aclénia inscreveu-se em 1940 na Escola Industrial António Augusto Gonçalves, situada na rua da Pena nº 11 em Estremoz, no local onde funcionaria mais tarde a Ala nº 2 da Mocidade Portuguesa Masculina e depois o Salão Paroquial de Santa Maria. Era então Director José Maria de Sá Lemos (1892–1971). A organização do Ensino Técnico-Profissional era então regida pelo Decreto nº 20.420 de 20 de Outubro de 1931. Na Escola era ministrado o ensino dos seguintes ofícios: Canteiro Civil, Canteiro Artístico, Oleiro e Tapeceira, sendo o pessoal docente desta Escola composta por 1 Professor e 3 Mestres.

Aclénia frequentou a Escola com aproveitamento até ao 3º ano, temdo realizado o 4º ano.

Na Oficina de Tapeçaria aprendeu com Mestra Joana Maria de Albuquerque Aimões e na Oficina de Olaria com Mestre Mariano Augusto da Conceição. A Oficina de Tapeçaria era no 1º andar e a oficina de olaria, logo à entrada da Escola, do lado direito.

Com as mãos sábias e experientes de Mestra Joana aprendeu o ponto de arraiolos, a bordar, a recortar autênticas filigranas em papel e o deslumbramento da Arte Conventual. Por sua vez, Mestre Mariano, já consagrado pela sua luminosa participação na Exposição do Mundo Português, ocorrida nesse ano em Lisboa, soube-lhe transmitir no trabalho do barro informe, a destreza de mãos herdada da dinastia dos Alfacinhas a que ele próprio pertencia, bem como os gestos ancestrais das bonequeiras de oitocentos que na década de 30 do século passado, aprendera com ti Ana das Peles, com a supervisão do Director, o Escultor José Maria de Sá Lemos.

Com tais Mestres e dotada de rara habilidade e fina sensibilidade, Aclénia aprendeu a deominar os materiais e a criar artefactos que nos deleitam o espírito.

Depois de ter saído da Escola Industrial António Augusto Gonçalves terá frequentado a Escola do Magistério Primário de Évora, após o que passou a desempenhar funções de Professora do Ensino Primário, o que fez até à altura da sua aposentação.

Após o casamento em 1960, deixou de morar em Estremoz, e transferiu-se para Santarém.

Em 1983 participou na I Feira de Arte Popular e Artesanato do Concelho de Estremoz, cujo Stand 5, 6, e 7 ocupou. Dela diz o catálogo: Natural de Estremoz e residente em Santarém, dedica-se de há longos anos à prática variadíssmas técnicas, às artes popular e conventual. Com barro, tecidos, papel, metal, organiza pequenas obras de arte preenchendo da melhor maneira os lazeres da sua vida doméstica e profissional.”. De acordo com o jornal “Brados do Alentejo, Aclénia participou no certame nas secções de “Barro”, “Papel” e “Têxteis”. Ainda de acordo com o catálogo, partilhou o Stand com sua tia Ernestina Capeto de Matos que apresentou trabalhos de arte conventual.

Aclénia está representada com os seus bonecos de Estremoz em colecções particulares e no Museu Rural da Casa do Povo de Estremoz.

Fonte: “Blog Do Tempo da Outra Senhora” (Hernâni Matos).

Anúncios

No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: