“Crabbé Rocha, Professora e Escritora, se fosse viva, faria hoje 100 anos”

 

crabbe-rochaAndrée Jeanne Françoise CRABBÉ ROCHA, Professora, Escritora e Política, nasceu em Nantes (França), a 03-03-1917, e faleceu em Coimbra, a 16-03-2003. Notável investigadora de temas de história da cultura portuguesa e Professora Universitária, radicada em Portugal após o seu casamento com o Escritor Miguel Torga. Nascida em França, de origem belga e naturalziada portuguesa.

Licenciada em Filologia Românica pela Universidade de Bruxelas (Bélgica), em 1939, Doutorou-se em 1944, com uma tese sobre o Teatro de Garrett, na Faculdade de Letras de Lisboa da Universidade Clássica de Lisboa, onde foi Professora, entre 1945 e 1947, Professora extraordinária, a partir de 1970, e Professora Catedrática, após 1972.

Doutorou-se em 1944 na Universidade de Lisboa com uma tese intitulada O Teatro de Garrett. Em em 1945 iniciou as funções de Primeiro-Assistente da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, coadjuvando Nemésio. Residente em Coimbra, deslocava-se semanalmente à capital.

Em 1946 teve provavelmente mais contactos com Delfim Santos quando este apadrinhou e apresentou a representação da peça de teatro Mar de Miguel Torga, pelo Grupo de Teatro Moderno da FLUL no Teatro do Ginásio de Lisboa, 22 de Abril de 1946.

Porém, no ano seguinte, e na sequência da aplicação do Decreto-Lei 25 317 de 13 de Maio de 1935 que exigia dos funcionários públicos a fidelidade à “Situação”, sendo Ministro da Educação Nacional Fernando Andrade Pires de Lima, Andrée Rocha foi abrangida em 18 de Junho de 1947 por uma leva de demissões políticas de mais de uma vintena de Professores Universitários que incluiu também Ruy Luís Gomes, Celestino Costa, Cândido de Oliveira, Pulido Valente, Fernando da Fonseca e Dias Amado. É nessa altura que recebe a carta de solidariedade de Delfim Santos que aqui se publica bem como de outros colegas e alunos seus, entre os quais Hernâni Cidade e David Mourão-Ferreira.

Durante os anos em que foi impedida pelo regime da ditadura de ensinar nas Universidades Portuguesas, fez conferências em Portugal e no Brasil e colaborou em diversos jornais e revistas portuguesas e estrangeiras.

Em 1954 acompanhou o marido ao Brasil, quando este foi convidado a revisitar o país onde passara a sua adolescência, por ocasião do Congresso Internacional de Escritores comemorativo do quarto Centenário da Fundação da Cidade de São Paulo.

Delfim Santos participou no Congresso Internacional de Filosofia que se integrava nas mesmas comemorações e na viagem de regresso, a bordo do paquete Santa Maria, reencontrou Andrée Rocha com quem teve prolongados colóquios no decurso dos 10 dias que então durava a viagem marítima entre o Rio de Janeiro e Lisboa e respectivas escalas.

Andrée Rocha foi readmitida na docência universitária em Abril de 1970, concorreu para Professora Extraordinária da Faculdade de Letras de Lisboa e tomou posse a 9 de Maio desse ano. Em 1976 pediu transferência para a Universidade de Coimbra, onde leccionou até 1986.

Reformou-se em 1987. Efectuou traduções para francês de textos do seu marido, Miguel Torga.

Recebeu a Ordem Nacional de Mérito da França e era possuidora do Grau de Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique.

Foi colaboradora do Dicionário das Literaturas Portuguesa, Galega e Brasileira, dirigido pelo Professor Jacinto do Prado Coelho, e da Enciclopédia dello Spettacolo. Colaborou em publicações periódicas como O Primeiro de Janeiro e Colóquio/Letras e dirigiu, entre 1978 e 1986, os Cadernos de Literatura. Publicou vários estudos sobre autores e temas da literatura portuguesa, entre os quais se contam Aspectos do Cancioneiro Geral (1949), O Teatro Inédito de Garrett (1949), A Epistolografia em Portugal (1965) e Cartas de Alexandre de Gusmão (1981). Aposentou-se em 1986.

Obras principais: O Teatro de Garrett: Aspectos do Cancioneiro Geral, (1949); O Teatro Inédito de Garrett, (1949); Esboços Dramáticos no Cancioneiro Geral, (1951); A Epistolografia em Portugal, (1965); As Aventuras de Anfitrião, (1969); Introdução ao Teatro de Garrett, (in Obras Completas, 1972); Cartas Inéditas ou Dispersas de Vicente Nogueira, (1972); Garcia de Resende e o Cancioneiro Geral, (1979); Cartas de Alexandre Gusmão, (1981); Temas de Literatura Portuguesa, (1986).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Publicações Europa América, Coordenação de Ilídio Rocha, 1998, Pág. 654 e 655)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 453).

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