“Faz hoje 24 anos que Manuel da Fonseca, Escritor e Político, nos deixou”

 

Manuel da FonsecaMANUEL Lopes DA FONSECA, Escritor e Político, nasceu em Santiado do Cacém, a 15-10-1911, e faleceu em Lisboa, a 11-03-1993. Fez a Instrução Primária em Santiago do Cacém, no meio de uma família oriunda de Castro Verde e do Cercal do Alentejo.

Em Lisboa, cidade em que conheceu e integrou o grupo do «Novo Cancioneiro», frequentou o Colégio Vasco da Gama, o Liceu Camões, a Escola Lusitânia e, ainda, a Escola de Belas-Artes. Nas férias, regressava a Santiago, a casa dos avós, ou, posteriormente, de uma tia. Exerceu actividades muito díspares, quer na área do comércio, que na da indústria, tendo ainda trabalhado em jornais e revistas e numa agência de publicidade.

Respirando e vivendo as memórias do Alentejo, este é, na verdade, parte de um todo, e Santiago é o espaço do conhecimento e tempo da revelação, memórias indeléveis do seu primeiro mundo. A infância, a adolescência e o mítico Largo serão condicionantes da sua criatividade, observáveis em qualquer dos seus livros.

Manuel da Fonseca participa nos célebres passeios de barco, Tejo acima (que, a par da actividade conspirativa longe dos olhares da PVDE/PIDE, propiciavam o convívio entre homens e mulheres das artes, da ciência e da acção política clandestina, como Redol, Soeiro, Álvaro Cunhal, Dias Lourenço, Caraça, Lopes-Graça, Piteira Santos e tantos outros), e, em 1945, adere ao MUD – Movimento de Unidade Democrática.

Faz parte, em 1947, da Comissão Distrital do MUD de Lisboa e apoia, dois anos volvidos, a candidatura de Norton de Matos à Presidência da República.

Em 1951, integra o Comité Nacional da Defesa da Paz e, em 1958, apoia a candidatura de Arlindo Vicente à Presidência e, na sequência da desistência deste, a de Humberto Delgado. Já na década seguinte, vemo-lo integrar a comissão de apoio à oposição democrática, que, em 1961, se propõe disputar as eleições para deputados da Assembleia Nacional fascista. Adere, em 1969, à CDE – Comissão Democrática Eleitoral, durante a campanha para a eleição de deputados, quatro anos após a Sociedade Portuguesa de Escritores atribuir o Prémio de Novelística a Luuanda, de Luandino Vieira, então preso no Tarrafal. Dado que Manuel da Fonseca integrava o júri, a 22 de Maio de 1965 é preso pela PIDE e acusado de actividades contra a segurança do Estado. Detido em Caxias é submetido a vários interrogatórios.

A actividade política de Manuel da Fonseca não cessou com o fim da resistência ao fascismo após o 25 de Abril. Continuou a ser um homem e artista interveniente, quer no seio dos intelectuais comunistas, e não só, quer, por exemplo, como candidato da CDU por Setúbal, em 1983, nas eleições legislativas desse ano.

Tem colaboração dispersa por revistas literárias, nomeadamente na Atlântico. Fez parte do grupo do Novo Cancioneiro.

Colaborou em jornais e revistas, como: Afinidades; Árvore; Vértice; Altitude; O Diabo; Pensamento; Sol Nascente; Seara Nova e Capital.

Poeta e Ficcionista, estreou-se com o livro de poemas “Rosa-dosVentos”, em 1940, e o livro de contos “Aldeia Nova”, em 1942. Entre os seu romances avultam: “Cerromaior”, em 1943, e “Seara de Vento”, em 1958. Poeta, publicou ainda “Planície”, em 1941, e “Poemas Completos”, em 1958. Ficcionista, deu a lume, além dos romances mencionados: “O Fogo e as Cinzas”, em 1951 (contos), “Um Anjo no Trapézio”, em 1968 (contos), “Tempo de Solidão”, em 1973, e “Crónicas Algarvias”, em 1986 (crónicas). Integrado de início na corrente neo-realista, enveredou depois para um regionalismo expresso simbolicamente através da vegetação castigada e das pessoas sem fortuna nem esperança.

O seu nome faz parte da Toponímia de Alcácer do Sal (Freguesia da Comporta), de Aljustrel, de Almada (Freguesias de Almada e Charneca de Caparica), da Amadora, de Beja (Freguesias de Beja e Trindade), de Benavente (Freguesia de Samora Correia), de Borba, de Cascais (Freguesias da Parede e São Domingos de Rana), de Castro Verde, de Cuba, de Évora, de Ferreira do Alentejo (Freguesia de Canhestros), da Guarda, de Grândola, de Lisboa (Freguesia de São Domingos de Benfica, ex-Rua 3 e 4 à Rua Direita de Palma); Loures (Freguesias de Loures e Santo António dos Cavaleiros), da Moita (Freguesias da Baixa da Banheira, Moita e Vale da Amoreira), de Montemor-o-Novo, de Odivelas (Freguesias de Odivelas e Ramada), de Palmela (Freguesia de Pinhal Novo), de Ponte de Sôr (Freguesia de Montargil), do Redondo, de Santiago do Cacém, (Freguesias de Santiago do Cacém e Vila Nova de Santo André), do Seixal, de Serpa, de Setúbal (Azeitão * e Setúbal), de Sines, de Sintra (Freguesias de Agualva-Cacém e Rio de Mouro), de Vila Franca de Xira (Freguesias de Alverca do Ribatejo, Forte da Casa e Vialonga).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Publicações Europa América, 1998, Pág. 458, 459, 460 e 461)

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 11, Pág. 567)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág.  227).

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