António Dias Lourenço, um lutador pela liberdade, mais uma vítima do fascismo, se fosse vivo, faria hoje 102 anos de idade.

 

Dias LourençoANTÓNIO DIAS LOURENÇO, Político, nasceu em Vila Franca de Xira, a 25-03-1915, e faleceu no Lar da Santa Casa da Misericórdia da Baixa da Banheira (Moita), a 07-08-2010. Era filho de uma costureira e de um ferreiro. Torneiro mecânico de profissão, Dias Lourenço, que começou ainda criança a vida de operário, aderiu ao Partido Comunista Português em 1932, com 17 anos de idade. António Dias Lourenço teve activa participação na reorganização do Partido de 1940/41, nomeadamente no Baixo Ribatejo (onde integrou o respectivo Comité Regional), tendo-se tornado funcionário do Partido e passado à vida clandestina em 1942, assumindo a responsabilidade de tipógrafos e do aparelho central da distribuição da imprensa do Partido. Ainda antes, no começo dos anos 40, assumiu o papel importante na organização dos «Passeios no Tejo», com a participação de Álvaro Cunhal, Soeiro Pereira Gomes, Alves Redol e outras destacadas figuras da cultura, encontros que permitiram estreitar laços entre intelectuais e operários e impulsionar o movimento neorealista e a luta antifascista. Eleito para o Comité Central em 1943 (do qual foi membro até 1996), Dias Lourenço integrou organismos dirigentes das grandes greves de Julho e Agosto de 1943 e de Maio de 1944 e esteve ainda ligado a outras grandes acções de massas como o 1º de Maio de 1962 e a luta pela conquista das 8 horas de trabalho nos campos. Responsável antes do 25 de Abril por várias organizações do Partido (Alentejo, Algarve e Beiras) Dias Lourenço assumiu depois da Revolução a responsabilidade pelas Organizações Regionais do Oeste e Ribatejo e das Beiras. Foi representante do Partido no Conselho Nacional do MUNAF.

António Dias Lourenço integrou o Secretariado do Partido entre 1957 e 1962, e foi membro da Comissão Política em 1956 e entre 1974 e 1988. Foi responsável pelo «Avante!», Órgão Central do PCP, de 1957 a 1962, ano da segunda prisão, e seu Director desde a publicação do primeiro número legal em 1974 até 1991. Preso duas vezes, em 1949 e 1962, Dias Lourenço passou 17 anos nas prisões fascistas, tendo protagonizado uma das mais audaciosas fugas ao evadir-se do Forte de Peniche em 1954.

Encontrava-se na cadeia do Hospital-Prisão de Caxias quando se deu o levantamento militar e popular do 25 de Abril. Libertado no dia 26 de Abril, passa imediatamente a integrar o trabalho de direcção do Partido nas novas condições de liberdade e democracia, como membro do Comité Central.

António Dias Lourenço foi Deputado entre 1975 e 1987, tendo feito parte da Assembleia Constituinte.

Dias Lourenço, deixou publicadas obras como: “Vila Franca de Xira: um Concelho no País”, “Alentejo: legenda e esperança” e “Saudades… não têm conto! – Cartas da prisão para o meu filho Tónio”.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Setúbal (Azeitão); Vila Franca de Xira (ex-Rua do Curral).

Fonte: “Jornal Correio do Ribatejo, de 13-08-2010”

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 125).

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