O Professor Veiga Ferreira, Arqueólogo, Geólogo e Desportista, se fosse vivo, faria hoje 100 anos de idade

 

Veiga FerreiraOctávio Reinaldo Santos da VEIGA FERREIRA, Arqueólogo, Geólogo e Desportista, nasceu em Lisboa, na freguesia de Alcântara, na quarta-feira 28 de Março de 1917 e faleceu a 14-04-1997. Viveu grande parte da sua juventude em Terrugem, ao cuidado da sua tia materna, pelo que começou por frequentar a Escola Primária da Quinta de São Pedro, em Sintra, e só depois passou para a Escola primária do Arco do Cego, em Lisboa.

Em 1928, com 11 anos, veio definitivamente para Lisboa, onde frequentou o Colégio do Capitão, no Campo Grande e, foi também explicando do Doutor João Soares, no Colégio Moderno, aquando da frequência do 5º ano.

Em 1932, teve o seu primeiro contacto com a Arqueologia, ao acompanhar com curiosidade as escavações de Manuel Heleno na Necrópole Pré-Histórica de Carenque. No ano lectivo de 1934-1935 ingressou no Instituto Industrial de Lisboa, onde concluiu o Curso de Engenharia Técnica de Minas em 1940-1941.

Em paralelo e, até 1940, dedicou-se à prática desportiva, jogando futebol no Sporting Clube de Portugal, na Académica de Coimbra, na Académica de Santarém e no União de Lisboa, para além de ter sido internacional de rugby, como jogador do Belenenses e da equipa do seu Instituto.

Em 1940, passados que eram 4 anos após a morte de seu pai. Octávio como o filho mais velho de 6 irmãos teve de trabalhar pra ajudar a família. Conseguiu o seu primeiro trabalho em 1941, na Câmara Municipal de Lisboa, trabalhando em Tipografia, em regime de tarefa e, neste mesmo ano casou com Maria Luísa Fernandes Bastos.

Em 1942, já com o curso concluído, começou a trabalhar na Comissão Reguladora do Comércio de Metais e assistiu ao nascimento da sua 1ª filha, Seomara. Neste mesmo ano, resolve frequentar o curso de Pré-História de Henri Breuil, na Faculade de Letras de Lisboa, onde conhece George Zbyszewski, eminente Geólogo e Arqueólogo, pioneiro em Portugal do estudo das indústrias paleolíticas dos terraços fluviais e das praias antigas do litoral português, com quem viria a desenvolver um longo e frutuoso trabalho de campo, iniciado na estação arqueológica de Vila Pouca (Monsanto).

Aqui começa Veiga Ferreira  a sua carreira como Arqueólogo, Geólogo e Paleontólogo. Veiga Ferreira juntou uma obra de mais de 400 títulos publicados, em dezenas de revistas, colectâneas, livros de homenagem, e resultantes da sua participação em diversos congressos da especialidade, abarcando todas as épocas e materiais da Pré-História, da Proto-História, do período Romano, da mineração, da joalharia antiga, da numismática ibero-romana, romana e visigoda, para já não falar dos seus trabalhos de divulgação arqueológica e de investigação historiográfica, expressos pela publicação anotada de espístolas de eminentes arqueólogos e geólogos.

Da sua vasta obra ressalta tanbém a heterogeneidade dos temas tratados por Veiga Ferreira, o que evidencia, por um lado, o próprio estado do conhecimento científico da época, onde a investigação especializada ainda não se tinha imposto, e por outro lado, o incansável interesse do seu intelecto, permanente desperto para tão variados temas científicos, o que o consagraou como personalidade de excepção no panorama português, no domínio das Geociências.

Foi membro da Associação de Arqueólogos Portugueses e da Sociedade Portuguesa de Antropologia e Etnologia. Tem colaboração, entre outras, nas seguintes revistas e publicações: Revista de Guimarães, Arquivo de Beja, O Arquólogo Português, Revista de Arqueologia, Boletim de Minas, Estudos Italianos em Portugal, Boletim da Sociedade de Geografia de Lisboa, Revista da Universidade de Coimbra, Conímbriga, Anais da Faculdade de Ciências do Porto, etc. Octávio Veiga Ferreira foi ainda agraciado com as Medalhas de Mérito dos Concelhos de Rio Maior e de Cascais e, já postumamente, com a Medalha de Ouro de Oeiras, mercê da iniciativa de discípulos seus. Ainda no Jardim de Rio Maior, existe um pequeno monumento, inspirado num cromeleque, em sua homenagem.

Obras principais: A Vida dos Lusitanos no Tempo de Viriato, (em colaboração, 1970); Tenente-Coronel Manuel Afonso do Paço: Arqueólogo e Etnógrafo, (1970); Guia Descritivo da Sala de Arqueologia Pré-Histórica, (1977); Portugal Pré-Histórico, (em colaboração, 1981).

O seu nome faz parte da Toponímia de Lisboa (Freguesia do Lumiar, Edital 22-04-1998).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 216).

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