No dia em que passam 11 anos sobre a morte do grande Actor Mário Viegas, aqui fica uma pequena biografia sobre o muito que ele fez.

 

Mário ViegasAntónio MÁRIO Lopes Pereira VIEGAS, Actor, Encenador e Recitador, nasceu em Santarém, a 10-11-1948, e faleceu em Lisboa, a 01-04-1996. Trineto, por via paterna, do grande Actor Cómico do Século XIX, Francisco Leoni, bisneto de Francisco José Pereira, Republicano, Deputado e Senador, por Santarém, na primeira Assembleia da primeira República, sendo saneado de Director-Geral do Congresso no 28 de Maio de 1926. Neto e filho de Republicanos e Anti-Fascistas, dumna família paterna toda ligada ao ramo Farmacêutico.

Neto, por via materna, de um dos fundadores da Amadoira, António Cardoso Lopes e sobrinho, do famoso Hoquista Álvaro Lopes (8 vezes Campeão do Mundo), e Tiotónio (um dcos pioneiros da Banda-Desenhada em Portugal e criador do semanário O Mosquito), e de Augusto Lopes (inventor e criador do sistema do Cinema Foto-Sonoro, em Portugal), sendo sua mãe licenciada em Grego Clássico e Latim.

Viveu a sua infância e adolescência em Santarém, onde estudou no Liceu Sá da Bandeira e onde se estreia como Actor e Recitador amador com o Coro de Amadores de Música, dirigido pelo Maestro Fernando Lopes-Graça, com 16 anos de idade, em substituição da Actriz e Declamadora Maria Barroso. Fica logo com a sua primeira ficha na PIDE.

Frequentou a Faculdade de Letras de Lisboa em 1966/1967 e 1967/1968 e a Faculdade de Letras do Porto em 1968/1969, onde terminou o 3º ano do Curso Superior de História. Fez parte da Crise Académica de 1969, como Recitador e Agitador no Porto e em Coimbra.

Foi-lhe retirado o Adiamento Militar, por actividades políticas e foi proibido de actuar como Actor e Recitador, quer publicamente, na ex-Emissora Nacional e na RTP. Os seus discos de Poesia são proibidos de passar na Rádio, até ao 25 de Abril de 1974.

Cumpriu o Serviço Militar Obrigatório como Oficial entre Outubro de 1971 e Ourtubro de 1974, tendo a sua Caderneta Milutar os mais altos louvores pela disciplina miluitar.

Foi-lhe dada a especialidade e o curso de Acção Psicológica e Propaganda do Exército (A.P.S.I.C.), sendo reclassificado quando estagiava na 2ª Repartição do Estado-Maior do Exército em 1972. Foi-lhe dado um cargo de Instrutor de Combustíveis e Lubrificantes no Quartel do Campo Grande (E.P.A.N.), de onde foi afastado no dia 22 de Abril de 1974.

Marcou impressivamente a cultura Portuguesa ao longo de uma carreira de 25 anos, desde que, em 1968, se estreou numa Companhia profissional, o Teatro Experimental de Cacais (TEC), como figurante em “O Comissário de Polícia”, de Gervásio Lobato. A sua carreira como actor de teatro é rica e diversificada, pisando os palcos do TEC, do Teatro Universitário do Porto, onde assume a direcção artística entre 1985 a 1987. Tendo fundado, ou ajudado a fundar, várias Companhias de Teatro, nomeadamente o núcleo da Companhia do Chiado (CTC). A sua carreira como actor de teatro é rica e diversificada, pisando os palcos do TEC, do Teatro Universitário do Porto, onde assume a direcção artística entre 1985 a 1987.

Encena dirige e interpreta dezenas de espectáculos onde se pode destacar as versões sobre “Os Contos de Gin-Tónico”, de Mário Henrique Leiria, “Deus os Fez, Deus os Juntou”, “A Birra do Morto” ou “Europa Não, Portugal Nunca !”, uma paródia sobre as candidaturas presidenciais que esteve um ano em cena e foi dos últimos trabalhos no teatro.

No cinema e na televisão também marcou forte presença, no primeiro interpretando filmes  como “O Rei das Berlengas”, onde desempenhava oito papeis, “Kilas o Mau da Fita”, “Sem Sombra de Pecado”, “A Mulher do Próximo” e “A Divina Comédia”. Na televisão, ficam os seus notáveis trabalhos, “As Palavras Vivas”, “As Palavras Ditas” e dezenas de sketches humorísticos feitos com Sam. Deixa gravada em disco, uma vasta obra de declamação de poesia num estilo, inconfundível e inimitável.. Personalidade multifacetada e fascinante, Mário Viegas foi sobretudo e sempre, um homem de cultura militante que deixou um profundo vazio no panorama artístico Nacional.

Participou em filmes e séries, como: O Funeral do Patrão (de Eduardo Geada, 1975); Histórias de Fidalgotes e Alcobiteiras, Pastores e Judeus (de Vítor Manuel, 1977); O Rei das Berlengas (de Artur Semedo, 1978); D. João VI (de Hélder Costa, 1979); Kilas, o Mau da Fita (de José Fonseca e Costa, 1980); A Culpa (de António Vitorino de Almeida, 1980); Festa é Festa (1982); Sem Sombra de Pecado (de José Fonseca e Costa, 1983); Teatro de Cordel (de Adriano Nazareth Júnior, 1986); Filmezinhos de Sam (de Samuel Torres de Carvalho, 1986); Azul, Azul (de José de Sá Caetano, 1986); Repórter X (de José Nascimento, 1987); Balada da Praia dos Cães (de José Fonseca e Costa, 1987); A Mulher do Próximo (de José Fonseca e Costa, 1988); Rua Sésamo (1989-1994); Segno di Fuoco (de Nino Bizzarri, 1990): Napoléon et l’Europe (1991); Contradições (1991); Os Cornos de Cronos (de José Fomseca e Costa, 1991); A Divina Comédia (de Manoel de Oliveira, 1991); Nápoles Milionária (1992); Rosa Negra (de Margarida Gil, 1992); Marina, Marina (1992); Quem Fala Assim (1993); Fado Lusitano (de Abi Feijó, 1994); Páginas da Revolução (1995); O Judeu (1996).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Costa de Caparica), Amadora, Benavente (Freguesia de Samora Correia), Cascais (Freguesias de Alcabideche, Cascais, Parede e São Domingos de Rana), Coruche (Freguesia do Couço), Entroncamento, Gondomar (Freguesias de Gondomar, Rio Tinto, São Pedro da Cova e Valbom), Lisboa (Freguesia de Santa Maria dos Olivais, Edital de 19-10-1998), Montemor-o-Novo, Montijo, Oeiras (Freguesia de Linda-a-Velha), Palmela (Freguesia de Pinhal Novo), Pontinha (Freguesias de Caneças, Pontinha e Ramada), Santarém, Seixal (Freguesia de Fernão Ferro), Setúbal (Azeitão), Sintra (Freguesia de Massamá), Vila Franca de Xira (Freguesia de Vialonga).

Fonte: “Centro Cultural Regional de Santarém”

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 528).

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