Os CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, pretendo dar a conhecer.

cavalo-dos-ctt-antigoANTÓNIO Xavier de Abreu CASTELO BRANCO, foi o 4º  Sub-Inspector dos Correios e Postas do Reino, exerceu o cargo de 1828 a 1833. Nasceu em Lisboa a 22 de Setembro de 1791, e faleceu em Leiria a 04 de Agosto de 1833. Era filho de Inácio Xavier da Silva, Cavaleiro professo d Ordem de Cristo, Médico da Câmara de E-Rei D. Miguel, Físico-Mor da Real Armada e Deputado da Junta de Saúde Pública, e de D. Bárbara Ludovina de Barros Castelo Branco.

Começou muito noco a carreira Diplomática. Em 1816 acompanhou a Madrid o Secretário da Legião Severino Gomes, que ia encarregado de negociar o casamento das nossas Infantas D. Maria Isabel e D. Maria Francisca, respectivamente com o Rei Fernando VII, de Espanha e com o irmão, o Infante D. Carlos.

Em 13 de Abril de 1820, sendo já Oficial da Secretaria dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, recebeu o Hábito de Cristo e uma tença de 12$000 réis; foi também Comendador das Ordens de Isabel, a Católica, e de Carlos III, de Espanha; Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa e possuía a Medalha de Ouro de Fidelidade ao Rei e à Pátria. Teve carta de brazão de armas em 14 de Fevereiro de 1831.

Promovido a Oficial-Maior da Secretaria dos Negócios Estrangeiros em 08 de Julho de 1831, ocupou este lugar até à entrada do Duque da Terceira, em Lisboa, na manhã de 24 de Julho de 1833. Nesse dia abandonou precipitadamente a capital, como tantos outros; Ministros, Altos Funcionários e uma legião de Frades, e seguiu os restos do exército miguelista na sua fuga, até alcançar Leiria, onde faleceu 12 dias depois.

Que durante o governo de D. Miguel foi persona grata, atesta-o não só o texto de algumas cartas para o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Visconde de Santarém, mas também a delicada missão que este lhe confiou quando do lametável incidente com a França. Estávamos no ano de 1831, o mais aceso das lutas liberais. O governo absolutista, preso na funesta obsessão de impor a sua causa pelo terror, não respeitava na fúria os súbditos estrangeiros, aumentando assim o número de descontentes. Desapontado da simpatia das potências, e por algumas delas hostilizado directa ou indirectamente, não pôde ou não soube desenvolver a diplomacia precisa para aniquilar as pretensões de D. Pedro, não obstante a elevada cultura do Ministro dos Estrangeiros, a mais notável figura de todo o Ministério do Usurpador, pela intelig~encia e pelo tino político. Caminhando de imprudência em imprudência, começaram a incomodar e vexar os súbditos ingleses e franceses, e em especial estes últimos, que se supunham mais apegados às idéias liberais.

Como consequência, em 15 de Maio de 1831, o Capitão-de-Fragata de Rebaudy, comandando uma esquadrilha fundeada à entrada do Tejo, enviou uma nota ao governo português, exigindo que fossem restituídos à liberdade, reabilitados e indemnizados, diversos cidadãos franceses.

As evasivas com que o Visconde de Santarém se defendeu da nota, no intuíto de afastar a trovoada de sobre a sua cabeça, respndeu a França com a ordem do Almirante Barão de Roussin para que assumisse o comando de uma esquadra destinada a impor as suas condições pela força dos canhões.

A 08 de Julho o Almirante, diante do Tejo, envia um parlamentário ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, exigindo-lhe a satisfação da nota de Rebaudy acrescida das novas imposições seguintes:

1ª – Demissão do Intendente-Geral da Polícia;

2ª . Abrogar todas as sentenças pronunciadas contra os franceses por motivos políticos;

3ª – 800.000 francos para indemnizar o governo francês da expedição;

4ª – Inserir na Gazeta Oficial de Lisboa a reclamação da França e a sua aceitação pelo governo português, afixando-se entre estes artigos nas ruas por onde Bonhomme ignominiosamente foi levado.

Prestava-se o Visconde de Santarém a pôr desde logo em liberdade Bonhomme e Sauvinet; mas insistia que o restante das reclamações fosse tratado em Paris pelo Ministro da Espanha, que para isso havia recebido incubência.

Roussin, que conhecia o descalabro da defesa marítima de Lisboa melhor que o Conde da Barca, Ministro da Marinha, e que vinha disposto a fazer triunfar inteiramente as reclamações, forçou a barra na manhã de 11, e, a despeito do fogo das nossas baterias, veio a fundear diante do Terreiro do Paço.

Tivemos de aceitar os factoas consumados, enquanto os portugueses exilados em França e na Inglaterra regozijavam, porque era D. Miguel que governava Portugal!

O Visconde de Santarém pretende ainda demorar a satisfação pedida, mas Roussin bate o pé e ameaça bombardear Lisboa se não tiver terminado a convenção até ao meio dia de 14. Neste mesmo dia António Xavier de Abreu Castelo Branco apresenta-se a bordo do navio chefe Suffren, com a credendial seguinte:

O Sr. Comendador Castelo Branco que deverá apresentar esta minha carta a V. Exª vai autorizado a tratar com V. Exª do ajuste das reparações pedidas pela França. Sendo esta a pessoa designada para este assunto V. Exª se servirá dar-lhe toda a fé e crédito em tudo quanto ela acordar de parte do Governo de Sua Majestade Fidelíssima sobre objecto acima citado.

Teve a nomeação de Sub-Inspector dos Correios a 09 de Dezembro de 1828. A sua administração, durante quase cinco anos, não tem a recomendá-la qualquer facto notável. Período calamitoso de lutas civis, todos os Serviços Públicos sofreram as consequências das paixões políticas, que aniquilaram vontades e dedicações.

A correspondência do estrangeiro, sobre a qual recaiam suspeitas era violada sem respeito algum. Em Agosto de 1829 queixava-se o Cônsul de Inglaterra que no Correio do Porto se abriam as cartas dirigidas a naturais daquele país, e se demorava a sua entrega.

Os arquivos da época revelma-nos inúmeros casos de violência exercida contra funcionários honestos, por simples suspeita de menos simpatia pela causa de D. Miguel, embora as acusações e as perseguições políticas encobrissem, muitas vezes, inconfessáveis propósitos de alcançar situações para amigos e parentes, principalmente na Província, onde os lugares de Correios Assistentes foram senpre servidos por pessoas da mais elevada categoria – Médicos, Advogados, Oficiais do Exército, ricos proprietários, etc., e por isso mesmo mais invejados.

Havia localidades em que o cargo de Correio Assistente andava na posse da mesma de famílias nobres, e se transmitia de pais para filhos, como coisa própria de morgado.

O Visconde da Serra do Pilar, Tenente-General José António da Silva Torres Ponce de Leão, que havia sido demitido de Correio Assistente de Santarém pelo governo de D. Miguel, requer, em 1834, que lhe seja restituída a propriedade do lugar que andava na sua família havia mais de 200 anos.

O Dr. José António Rebelo da Silva, professo da Ordem de S. Tiago, Bacharel em Leis, Correio Assistente de Braga, diz, em 1812, que recebeu este lugar do pai, havia 30 anos, e pede autorização para o transmitir a seu filho.

Quando em 1813 morreu o Correio Assistente de Coimbra, Tenente-Coronel de Milícias António Xavier Zuzarte de Quadros, em cuja família o Ofício andava em 4 ou 5 gerações, aparecem entre os muitos pretendentes ao lugar vago, duas senhoras; a mãe do último Correio Assistente, e a herdeira da casa, D. Antónia Madalena de Quadros e Sousa, Senhora de Tavarede.

Manuel Joaquim Ribeiro Gomes de Abreu, Freire da Ordem de Malta, diz, em 1819, que há 30 anos que serve o cargo de Correio Assistente de Guimarães, que foi de seu pai desde 1760, e de seu avô em 1753, e pede autorização para o legar ao seu legítimo herdeiro.

Ainda outro nome. De 1772 a 1828 teve a propriedade do Ofício de Correio Assistente de Vila do Conde, José António Botelho de Sousa e Vasconcelos, que foi Governador da Província de Trás-os-Montes, e faleceu em 1820 no Posto de Marechal-de-Campo.

Talvez como consequência da desorganização que as lutas e rivalidades locais traziam aos serviços, Abreu Castelo Branco propôs, quase no fim da sua gerência, em Abril de 1833, que nas Cidades e Vilas principais se criassem Administrações de Correio servidas por funcionários de carreira, pagos pela Administração Central, em substituição dos sistema de rendeiros (Assistentes) que vogoravam, e que vigorou até 1852.

Quando as tropas liberais já ocupavam o Porto, D. Pedro decreto, em 17 de Janeiro de 1833, que todos os empregados da Administração do Correio da Cidade do Porto, de 15 a 50 anos, assentassem praça, no prazo de 3 dias no Batalhão formado de Empregados Públicos da Cidade, para coadjuvarem os seus concidadãos no estabelecimento do legítimo governo.

Por morte de Abreu Castelo Branco, D. Miguel concedeu uma pensão à viúva, D. Maria da Soledade de Nóbrega Carneiro, como, porém, a realeza do Infante era já nessa altura uma sombra prestes a extinguir-se, é de crer que não passasse do papel.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

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