Os CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, pretendo dar a conhecer.

cavalo-dos-ctt-antigoAlfredo Pereira, foi o 4ª Director-Geral dos Correios e Telégrafos, exerceu o cargo de 1900 a 1910. Nasceu em Macau, a 08 de Outubro de 1853, e faleceu em Lisboa, a 29 de Março de 1925. Era filho de Manuel Pereira e de D. Guilhermina Pereira.

Veio ainda criança para Lisboa. Aqui estudou preparatórios; e em seguida matriculou-se no Curso de Agronomia e Silvicultura, que concluiu apenas com 20 anos de idade. Não encontrando situação condigna para o seu diploma de Agrónomo, ingressou em 1875 na Administração Central dos Correios de Lisboa, como praticante, o mais modesto lugar da classe, onde 25 anos depois ocuparia o primeiro posto, por direito de conquista, mercê das excepcionais faculdades de trabalho e inteligência, afirmadas brilhantemente no decorrer de toda a sua carreira burocrática.

Dedicando ao estudo o tempo que outros da mesma idade consagravam às diversões, logo dois anos após a admissão delineou o projecto de um belo edifício para os Serviços de Correios, ao tempo ainda instalados no Palácio do Calhariz. O projecto foi justamente apreciado pelo Sub-Inspector Geral, Dr. Guilhermino de Barros; mas a verba de 411 contos em que fora orçamentado, assustou as instâncias superiores e nada se fez.

Em 1879 foi nomeado para a Comissão encarregada de estudar a reorganização e fusão dos Serviços dos Correios e Telégrafos, que constituiam então dois organismos independentes. Dos trabalhos desta Comissão resultou a reforma de 07 de Julho de 1880, que reuniu os dois serviços numa só Direcção e lhes imprimiu um notável desenvolvimento.

Elevado por essa altura a 1º Oficial, começou Alfredo Pereira a sentir o peso das responsabilidades que as anteriores demonstrações das suas qualidades lhe acarretaram.

Criado o Curso Prático de Correios e Telégrafos, confiaram-lhe a regência de uma das cadeiras, ao mesmo tempo que o encarregavam de formar em moldes novos todos os Serviços de Estatística.

Tomou parte no 3º Congresso da União Postal Universal, reunido em Lisboa em 1885, e aí apresentou trabalhos, de que se destacam, pela importância que o Congresso lhes atribuiu, as propostas relativas à Estatística Postal e aos Vales Internacionais.

Pela organização dos Serviços Telégrafo-Postais decretada pelo  Ministro das Obras Públicas, Emídio Navarro, em 1886, foi promovido a Inspector Geral dos Correios, e seguidamente encarregado da elaboração do Regulamento dos Correios.

Em 1891 recebeu a Carta de Título de Conselho com que o Ministro Frederico Arouca quis premiar a sia infatigável actividade e profunda competência.

Em consequência da reforma de 1892, foi incumbido da elaboração de novos Regulamentos.

Diversas vezes desempenhou, interinamente, as funções de Director-Geral especialmente duarante a pertinaz doença do Conselheiro Guilhermino de Barros, por falecimento do qual foi definitivamente provido no lugar, por Decreto de 19 de Abril de 1900.

A sua elevação a este cargo, justo prémio dos serviços prestados, foi recebida com satisfação pelo pessoal, por ver guindado ao mais alto posto de classe um funcionário saído das suas fileiras.

Foram muitos e importantes os diplomas publicados durante o período da sua gerência, quer como Director-Geral interino, de Setembro de 1899 a 19 de Abril de 1900, quer como efectivo, desde esta data até 1910: Aqui ficam, apenas, alguns:

Regulamento para o Serviço de Encomendas (Decreto de 16 de Novembro de 1899), dispõe sobre os serviços existentes e cria outros novos.

Remessa de jornais em maços, pelas empresas jornalísticas (Decreto de 16 de Novembro de 1899).

Bases para a reorganização dos Serviços dos Correios e Telégrafos (Decreto de 21 de Junho de 1900).

Avenças de jornais (Decreto de 13 de Dezembro de 1900).

Todos os sistemas de Telegrafia sem fios são considerados monopólio do Estado (Decreto de 23 de Maio de 1901).

Regulamento para o estabelecimento e exploração de indústrias eléctricas (Decreto de 19 de Julho de 1901).

Regulamento para a permutação de encomendas postais entre a Província de Moçambqiue e o Continente, Ilhas e estrangeiro (Decreto de 14 de Novembro de 1901).

Organização dos Serviços dos Correios e Telégrafos e fiscalização das indústrias eléctricas (Decreto de 24 de Outubro de 1901), este documento desenvolve notavelmente a legislação relativa às indústrias eléctricas, introduzida na reforma de 1892.

Organização do pessoal de Telégrafos, Correios e Fiscalização das Indústrias Eléctricas (Decreto de 30 de Dezembro de 1901), codifica a legislação anterior, modificando-a em muitos pontos, e estabelece que o pessoal tenha participação nas receitas.

Organização dos Serviços de Contabilidade de Telégrafos e Correios (Decreto de 30 de Dezembro de 1901).

Regulamento para o Serviço de Correios (Decreto de 14 de Junho de 1902).

Regulamento do ensino profissional dos empregados dos Telégrafos e Correios (Decreto de 28 de Junho de 1902).

Regulamento das admissões e promoções (Decreto de 28 de Junho de 1902).

Regulamento para o estabelecimento e conservação das linhas e Estações Telefónicas do Estado (Decreto de 28 de Junho de 1902)

Regulamento das concessõesd de licenças para o estabelecimento e exploração de linhas e Estações Telegráficas e Telefónicas e Estações Semafóricas a cargo de particulares (Decreto de 28 de Junho de 1902).

Regulamento do Serviço de Contabildade das Receitas e Despesas (Decreto de 28 de Junho de 1902).

Regulamento dos serviços de aquisição, distribuição e contabilidade do material de Correios e Telégrafos (Decreto de 28 de Junho de 1902).

Redução dos horários de trabalho e instituição de folgas aos Domingos (Decreto de 07 de Maio de 1903).

Regulamento do serviço de redes telefónicas do Estado (Decreto de 17 de Setembro de 1904).

Criação da Caixa de Reformas do Pessoal Jornaleiro (Decreto de 17 de Setembro de 1904).

Regulamento para a permutação de fundos por meio de ordens postais (Decreto de 06 de Maio de 1909).

Regulamento dos Serviços de Correspondências Telegráficas (Decreto de 22 de Junho de 1909).

Finalmente, pelo Decreto de 27 de Outubro de 1909, altera-se a organização do pessoal, de 1901, extinguindo a classe de Aspirantes Auxiliares, aumentando os vencimentos, etc.

Embora salientando que a Direcção Técnica dos Serviços Telegráficos e Telefónicos estava então especialmente a cargo do Engenheiro Inspector-Geral dos Telégrafos, Conselheiro Paulo Benjamim Cabral, não queremos deixar de registar os notáveis progressos realizados neste ramo de serviços durante a superior administração do Conselheiro Alfredo Pereira.

Em Maio e Junho de 1902 realizaram-se em Portugal os primeiros ensaios de T.S.F. entre uma Estação Costeira e um barco em navegação. As curiosas experiências a que se dignou assistir El-Rei D. Carlos I, foram levadas a cabo, com o melhor êxito, por funcionários dos Correios e Telégrafos encarregados das instalações establecidas na cidadela de Cascais e a bordo do cruzador D. Carlos.

Em 11 de Abril de 1904 iniciou-se a exploração da primeira linha telefónica do Estado que ligou as Cidades de Lisboa e do Porto, e no ano imediato inauguraram-se as redes telefónicas das cidades de Coimbra e de Braga, respectivamente em 30 de Julho e 13 de Novembro de 1905.

Durante os dez anos da sua Direcção os serviços subiram muito alto no cenceito do público e das administrações estrangeiras, pela proficiência, zelo e honestidade com que eram desempenhados de Norte a Sul do País.

Por ocasião das festas do 25º aniversário da fundação da União Postal Universal, realizadas em Berna, no ano de 1900, teve o encargo de representar Portugal nessas brilhantes comemorações; e em 1903 assistiu à Conferência Telegráfica de Londres, como Delegado da Administração Portuguesa.

Como representante de Portugal em Congressos Internacionals de Correios e Telégrafos, e em especial no de Telégrafos, reunidos em Lisboa em 1908, a que presidiu, foi alvo das mais eloquentes demonstrações de consideração e simpatia da parte de todos os Congressistas.

A Câmara dos Deputados, em sua sesão de 15 de Julho de 1908, votou por aclamação, e nos termos mais elogiosos, a proposta do Deputado Sérgio de Castro para que fosse lançado na Acta um Voto de Congratulação, em geral pelo êxito que obteve o Congresso Telegráfico, e em particular pela forma levantada por que a ele presidiu o Conselheiro Alfredo Pereira.

O Governo agraciou com a Comenda da Ordem Militar de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa os funcionários que levaram a efeito as experiências de T.S.F.; Oficiais José Tomás Ribeiro, Luís Campos Fragoso; A. A. Pedro dos Santos e Aspirante Bernardo Bartolomeu Moniz da Maia.

A construção da linha telefónica Lisboa-Porto, foi projectada e conduzida, pelo Chefe da Circunscrição Telegráfica de Lisboa, o 1º Oficial José Tomás Ribeiro, auxiliado nos trabalhos de construção os Oficiais Dr. Henrique Pedro Ribeiro de Sousa (mais tarde Inspector Geral dos Telégrafos) e Francisco de Paula Pereira.

Alfredo Pereira, como representante de Portugal em Congressos Internacionais de Correios e Telégrafos, e em especial no de Telégrafo, reunidos em Lisboa em 1908, a que presidiu, foi alvo das mais eloquentes demonstrações de consideração e simpatia da parte de todos os congressistas.

Colaborou em diferentes jornais e muito especialmente no Jornal do Comércio, de Lisboa, onde publicou artigos sobre Correios, Finanças, Agricultura, etc.

Militou no antigo Partido Progressista, representando na Câmara dos Deputados o Círculo de Penafiel, em Legislaturas sucessivas; e ocupou por vezes, na mesma Câmara, o lugar de Vice-Presidente.

Com o advento da República foi afastado do alto cargo; e por decreto de 17 de Novembro de 1910 aposentado com a pensão anual de 1.200&000 réis.

Alfredo Pereira, foi Secretário-Geral, do Ministério das Obras Públicas e possuía as seguintes condecorações: Comenda da Ordem de Santiago; Comenda de Santana, da Rússia; Cavaleiro e Comendador da Legião de Honra, de França; Leão e Sol, da Prússia; Sol Nascente, do Japão; Coroa de Carvalho, do Luxemburgo; Coroa da România; Medalha dos Correios e Telégrafos, etc.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

Advertisements

No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: