Arlindo de Carvalho, autor de “Chapéu Preto” ou “Fadinho Serrano”, entre muitos outros êxitos, se fosse vivo, faria hoje 87 anos de idade.

 

Arlindo deARLINDO Duarte DE CARVALHO, Músico, Professor e Compositor, nasceu na Freguesia da Soalheira (Fundão), a 27-04-1930, e faleceu no Hospital de Amadora-Sintra, a 26-11-2016. Frequentou a Escola Primária na sua terra natal. Estudou, depois, na Guarda, Castelo Branco e Coimbra. Nesta cidade completou o Magistério Primário, no ano de 1950.

Destacou-se no âmbito da Música Popular Portuguesa pelo estilo composicional que desenvolveu nas suas canções inspiradas no Folclore sobretudo da Beira Baixa.

Desde a sua infância mostrou uma grande vocação para a música. No convívio com os camponeses e trabalhadores rurais da Soalheira, da Campina da Idanha, da Serra da Estrela, desde criança aprendeu os seus cantares tradicionais que mais tarde iriam influenciar toda a sua obra musical, que é única no panorama musical português, pelas suas raízes profundamente beirãs.

A sua obra abrange estilos de música popular que vão desde o minhoto ao açoriano, com predominância da Beira, incluindo ainda canções para crianças, fados de Coimbra e outras de intervenção política.

Decidido a encontrar intérpretes para divulgar as suas canções, apresentou-as na Emissora Nacional. Seriam porém os Cantores Luís Piçarra e Gina Maria a integrar algumas delas no seu repertório. Foi na voz de Gina Maria que, ainda na década de 50, as canções Retaxo, Chapéu Preto e Castelo Branco, interpretadas na Rádio e em diversos espectáculos de variedades (como Serões para Trabalhadores), atingiram significativa popularidade, o que viabilizou a dedicação exclusiva à actividade de composição.

Em 1955 fixou-se em Lisboa, onde estudou Solfejo e Harmonia na Academia de Amadores de Música. Nesta mesma altura conheceu Amália Rodrigues, que viria a interpretar várias das suas composições, entre as quais Hortelã Mourisca, Fadinho Serrano; As Moças da Soalheira; As Meninas da Terceira e Longe Daqui.

De entre os autores deletra com que colaborou contams-e Nuno Gomes dos Santos, Hernâni Correia, Avelino Beirão, Eduardo Olímpio e José Vicente.

A sua postura contra a política do Estado Novo levou-o ao exílio. Entre 1965 e 1973 viveu na Bélgica, na França, em Inglaterra e na Alemanha. Continuou, no entanto, a compor para vários intérpretes com quem colaborara em Portugal.

Em França, estudou no Conservatório de Poitiers e foi Leitor da Língua Portuguesa no Liceu Henry IV, onde fuindou um pequno coro amador com os seus alunos, em que era solista.

Acompanhado por dois Guitarristas, chegou a actuar para a Televoisão rgional francesa. A sua estreia como Cantor surgii de modo inesperado. O que inicialmente se tratava de uma reunião com a Editora President (Paris) no sentido de convidar artistas portugueses que interpretavam as suas composições, acabou por se transformar numa audição bem-sucedida. Agradado com o que ouviu, o Director da Editora preferiu contratar um Artista português radicado em França a ter de convidar vários de Portugal.

A sua primeira actuação ocorreu em 1966 na Salle Wagram (Paris). Gravou também três fonogramas com canções originaus e outros êxitos portugueses. Na Alemanha participou, em vários espectáculos, actuando igualmente na Rádio e na Televisão.

Depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, já em Portugal, actuou por todo o País em manifestaçõe se comícios do Partido Socialista que patrocinou a edição do LP Canções Para a Liberdade (1974). O seu empenho político levou-o a integrar as campanhas eleitorais do Partido Social-Democrata sueco para a eleição de Olof Palme (1969 e 1976) e a compor a canção Hino a Timor: A Vida Não é Uma Prisão 1999), que interpretou numa transmissão directa para Timor no primeiro dia de campanha eleitoral deste País.

Interpretadas por cantores portugueses e estrangeiros, muitas das suas canções foram interpretadas noutros países em várias línguas (inglês, japonês, sueco, húngaro, entre outras, para além do português). Pela sua popularidade, destacam-se as canções: Castelo Branco; Chapéu Preto; Trova da Guarda; Penamacor; O Comboio da Beira Baixa; Que Fazes Aí Lisboa; e Lisboa Cidade Sol.

Foi várias vezes galardoado com prémios por diversas entidades e na última vez que isso aconteceu foi agraciado com a medalha de honra da Sociedade Portuguesa de Autores, como reconhecimento pela sua valiosa obra de música de raiz popular e mais recentemente, em 7 de Novembro de 2011, também pela mesma sociedade, num grande espectáculo realizado na Aula Magna, em Lisboa, pelo seu contributo para o enriquecimento do fado em Lisboa.

O evento foi gravado pela RTP e foi transmitido em finais de Novembro, coincidindo com a data em que foi conhecido o resultado da candidatura do Fado a património imaterial da humanidade. Diamantina e José Carlos Malato apresentaram a “Homenagem ao Fado” cujo elenco fez subir ao palco os artistas mais representativos da criação e da interpretação do Fado em Portugal ao longo de décadas. Durante o espectáculo foram entregues troféus aos autores homenageados, entre eles Arlindo de Carvalho, e evocados os nomes dos autores e intérpretes já desaparecidos.

Fonte: “Junta de Freguesia de Vale da Senhora da Póvoa”

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 1º Volume, A-C, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 255 e 256)

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