No dia em que passam 79 anos sobre a morte de Amélia Cardia, uma das primeiras Senhoras a Licenciar-se em Medicina, deixamos aqui esta pequena homenagem.

 

Amélia CardiaAMÉLIA dos Santos Costa CARDIA, Médica, natural de Lisboa, nasceu a 01-11-1855 e faleceu a 30-04-1938. Era filha de Francisco António da Costa e de Justa Matilde de Carvalho e Costa, Parteira Diplomada pela Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa e irmã da Parteira Alice Cardia que assistiu ao nascimento dos Príncipes D. Luís Filipe e D. Manuel.

Amélia Cardia viveu num internato até aos 14 anos de idade, em que saiu para casar, conciliando os afazeres do lar com a escrita.  Teve dois filhos: Manuel Cardia (1883-1903), Jornalista, que se suicidou, e Pedro Cardia, que era Gerente da Sociedade de Pneus e Lubrificantes em 1938.

Em 1903, era casada, em segundas núpcias, com Francisco de Azevedo Coutinho e usava o nome de Amélia Cardia de Azevedo Coutinho. Fez o Ccurso Secundário já depois do primeiro casamento. Matriculou-se na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa em 15 de Outubro de 1886. A sua entrada na Escola mereceu algumas críticas de Jornalistas na imprensa nacional e regional, a que Amélia Cardia respondia com argumentos imbatíveis.

Quando frequentava o 4º ano de Medicina, foi criado o internato nos Hospitais onde foram trabalhar os quintanistas Câmara Pestana e Moreira Júnior. No ano seguinte, juntou-se-lhes Amélia Cardia que mereceu, pelo seu desempenho, uma portaria de Louvor da Direcção Hospitalar no fim do curso que concluiu, com alta classificação, em 1891.

Foi das primeiras senhoras que se formaram em Medicina em Portugal e ficou célebre a sua tese de Doutoramento Febre Amarela.

Dedicou-se ao estudo das doenças nervosas, o que a levou a interessar-se pelo hipnotismo e histeria. Visitou Hospitais no estrangeiro e adquiriu conhecimentos e material para o consultório modelo que montou na Praça Luís de Camões, em Lisboa, onde as consultas eram gratuitas aos Sábados.

Em 1908, construiu um prédio para a Casa de Saúde no Bairro da Estrela, onde operavam os cirurgiões mais ilustres de Lisboa e continuaram as consultas gratuitas. Dedicou muito do seu tempo à clínica de senhoras. Dirigiu a Casa de Saúde durante oito anos, até que deixou de exercer clínica.

Estava, então, disponível para se dedicar aos estudos espíritas e filosóficos que a vinha interessando desde há muito tempo. Pertenceu à Associação das Ciências Médicas e à Federação Espírita Portuguesa.

Colaborou assiduamente em diversos jornais e revistas, nomeadamente, Almanaque das Senhoras, Ilustração Portuguesa, O Século, Revista de Espiritismo, Diário de Notícias, etc. , tendo dirigido O Mensageiro Espírita.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Loures (Freguesia de Bobadela).

Fonte: “Dicionário no Feminino, Séculos XIX-XX”, (Direcção de Zília Osório de Castro e João Esteves, Livros Horizonte)

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