No dia em que passam 102 anos sobre o nascimento de António Paulouro, Jornalista e fundador do Jornal do Fundão, ainda hoje uma referência no jornalismo regional, aqui fica esta pequena homenagem.

 

António PaulouroANTÓNIO Maria PAULOURO, Jornalista, natural do Fundão, nasceu a 03-05-1915 e faleceu a 29-08-2002. António Paulouro era um autodidacta e foi empregado de escritório e Vice-Presidente da Câmara Municipal do Fundão durante seis anos, até 1968, data em que se declarou publicamente desenganado com a política do Estado Novo. Em 1963, o “Jornal do Fundão” dá ampla cobertura à visita ao Distrito de Castelo Branco do ex-presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek de Oliveira, furando o muro de silêncio decretado pelo Governo em relação à deslocação do fundador de Brasília, que a televisão, a rádio e os jornais foram proibídos de noticiar. O jornal esteve suspenso durante cinco meses, em 1965, após ter noticiado a atribuição de um prémio literário ao escritor e lutador anti-colonialista angolano Luandino Vieira, que se encontrava detido no Tarrafal. Nessa altura, promoveu a vinda a Portugal de alguns grandes escritores do Brasil, como Cabral Neto, Erico Veríssimo e Odílio Costa. Fundou o Jornal do Fundão (1946), a revista Arco-Íris (1960), chefiada por Mário Henriques Leiria (suspensa ao 5º número, na sequência da prisão, pela PIDE, dos três redactores residentes em Lisboa) e, com Herberto Hélder e António Sena, a revista Luso-Espanhola Nova (1976). Em 1972, organizou o Encontro Nacional de Teatro, no qual participaram Alfonso Sastre e alguns dos principais autores, encenadores e actores portugueses. Foi Director da Gazeta do Comércio e Indústria, Deputado à Assembleia da República (1986-1987) e é autor de Crónica das Águas que Passam (1991). Em Agosto de 1977 organizou o primeiro Encontro de Emigrantes, no qual participaram 15 mil pessoas, tendo estado presente o Presidente da República Ramalho Eanes. A ligação ao universo da emigração foi outra das marcas distintas do “Jornal do Fundão”, acompanhando a diáspora das gentes da Beira. Antigo Autarca e profundo conhecedor dos problemas da região, António Paulouro organiza e dinamiza as Jornadas da Beira Interior; as Primeiras em 1984, no Fundão, com quinhentos participantes; as Segundas, em 1986, nas Termas de Monfortinho, com quinhentos e quarenta participantes; as Terceiras, em 1990, na Universidade da Beira Interior, com seiscentos participantes. António Paulouro foi membro da Comissão de Honra do primeiro Congresso dos Jornalistas Portugueses e Deputado por Castelo Branco à Assembleia da República, em 1986 e 1987. Além de colaboração dispersa pelas revistas que fundou, pelas actas das jornadas e encontros que organizou e pelas páginas do prestigiado Jornal do Fundão, publicou Crónica das Águas que Passam, (199991), um volumoso livro sobre a sua região.

Foi condecorado com a Ordem da Liberdade, em 1986. Foi ainda homenageado pela Universidade de Salamanca, no mesmo ano, e pelos Municípios da Covilhã e do Fundão, em 1990 e 1993.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Fundão.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América)

Fonte: “Quem É Quem Portugueses Célebres, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 405).

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