Arpad Szenes, um Pintor, a quem Salazar recusou a nacionalidade portuguesa, na Toponímia de: Porto e de Setúbal

ArpadARPAD SZENES, Pintor,  nasceu em Budapeste (Hungria), a 06-05-1897, e faleceu em Paris (França), a 16-01-1985. Estudou na Academia de Budapeste, onde apresentou um especial interesse pela prática do desenho e da pintura. Procurou então conhecer e estudar as correntes artísticas de vanguarda no contexto europeu, abordando um largo espectro, desde as artes plásticas à música. Mais tarde viajou por vários países europeus, instalando-se em Paris em 1925. Dedicou-se à pintura e ao desenho, produzindo um conjunto de trabalhos figurativos de influência surrealista, dos quais de destaca o seu “Autoportrait à la pupille rouge”, realizado entre 1924 e 1925. Estas pinturas, as menos conhecidas no contexto da sua obra, aprsentam signos associados a figuras muito coloridas e assumem frequentemente um carácter agressivo e irónico.

Em 1929 Arpad conheceu a Pintora portuguesa Maria Helena Vieira da Silva (na altura radicada em Paris onde estudava Pintura na Académie de La Grande-Chaumière) com quem casou no ano seguinte.

Desde o seu casamento, o Pintor deslocou-se frequentemente a Portugal, onde participou em várias exposições colectivas. Nessa altura conheceu vários artistas portugueses, como Carlos Botelho, com os quais desenvolveu prolongadas relações de amizade.

Com o eclodir da Segunda Guerra Mundial, em 1939, o casal voltou para Lisboa e tentou, sem sucesso, obter para Arpad Szenes (que se tornara apátrida desde que os nazis lhe tinham retirado a sua anterior nacionalidade devido á sua ascendência judaica) a nacionalidade portuguesa. No ano seguinte os dois artistas refugiararam-se no Rio de Janeiro, no Brasil, onde permaneceram até 1947.

A partir dos anos 50, Arpad realizou as suas obras mais conhecidas, em formato alongado, enveredando por um abstraccionista de raíz informalista, assente na utilização de cromatistas serenos mas luminosos, constituídos por ocres e outras cores suaves e quentes. Em 1956 foi-lhe atribuída a nacionalidade francesa, assim como a Vieira da Silva. Arpad Szenes e Vieira da Silva conviveram e apoiaram toda uma geração de artistas portugueses que, bolseiros da Fundação Calouste Gulbenkian, se instalaram em Paris a partir da década de cinquenta. Foi o caso de Manuel Cargaleiro, Costa Pinheiro, Eduado Luís e dos artistas (Gonçalo Duarte, José Escada, Lourdes Castro, René Bértholo e João Vieira) que, nos finais da década constituiram o Grupo KWY, activo em Paris até aos inícios da década seguinte. Após a revolução de 1975, que depôs a ditadura em Portugal, tornou-se mais intensa a relação dos artistas com Portugal. Autor de uma obra serena e discreta, Arpad Szenes viu-se geralmente subjugado pelo apoio incondicional que prestou ao trabalho e à carreira da sua mulher, que obteria reconhecimento e projecção internacional a partir de 1950.

Uma parte significativa da obra dos artistas encontra-se em Portugal, na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, criada em 1994.

Em 1998, foi agraciado pelo Presidente da República, a título póstumo, com a Grã Cruz da Ordem de Santiago da Espada.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Porto; Setúbal.

Fonte: “Museu Arpad Szenes-Vieira da Silva”

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