A popular Actriz Raquel Maria, se fosse viva, faria hoje 71 anos de idade.

 

Raquel MariaRAQUEL MARIA Cabrita dos Santos, Actriz, nasceu em Castro Verde, a 18-05-1946, e faleceu em Lisboa, a 26-07-2006. No Barreiro fez a Instrução Primária, onde participou em récitas, que adorava. Tinha, desde criança, outro projecto, o de cursar Belas-Artes, mas as dificuldades económicas da família impediram a sua concretização. Conseguiu, contudo, inscrever-se na Cooperativa dos Gravadores Portugueses, em Lisboa, onde aprendeu as técnicas de Desenho, Gravura e Serigrafia fora das horas de trabalho, como empregada de escritório, secretária ou contabilista.

Começou a representar em 1965, no Grupo de Teatro Amador da Sociedade Recreativa 22 de Novembro, do Barreiro, com a peça A Ratoeira, de Agatha Christie.

Outras peças se seguiram, merecendo especial referência João Gabriel Borkman, de Ibsen, que ganhou vários prémios e foi exibida na Televisão.

Em 1973, foi convidada por Luís Miguel Cintra para fazer parte da fundação de um Grupo de Teatro Profissional. Assim nasceu a Cornucópia, que se apresentou ao público em meados daquele ano com a peça O Misantropo.

Raquel Maria permaneceu no grupo até 1987. Na hora da saída, declarou que “é um gesto doloroso deixar uma comunidade de trabalho, que é quase uma família, mas creio que tal é saudável para mim e para a companhia”. Demais, disseram- -lhe que, “se um dia quiser voltar, a porta da Cornucópia estará sempre aberta”.

Em 1984, foi distinguida pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro com o Prémio de Teatro 25 de Abril, atribuído a vários artistas. A mesma associação voltou a premiá-la, em 1986, pelo seu papel secundário na peça Páscoa. Ingressou, em 1988, no Grupo Dramático Intermunicipal Almeida Garrett, vulgarmente conhecido por Teatro da Malaposta, a principal sala em que os espectáculos se realizavam.

Em 1990, começou a desempenhar papéis em séries e episódios de Televisão e, em 1992, saiu da Malaposta, com uma licença sem vencimento. Terminou ali a sua carreira de Actriz de palco, para desgosto dos seus admiradores. Só mais uma vez representou ao vivo, na peça Divisão B – Parque, de Rui Cardoso Martins, integrada na Companhia do Teatro Nacional D. Maria II, num espetáculo do Festival Mergulho no Futuro – Expo 98. Mais tarde, expressaria o seu desapontamento: “por um acaso da vida, vejo-me aqui como freelancer, coisa que eu nunca quis ser, mas a que fui obrigada”.

Depois da estreia televisiva em Marina, Marina, seguiu-se Por Mares nunca dantes Navegados (1991), Ora Bolas, Marina (1993), Os Malucos do Riso (início em 1995, prolongando-se por vários anos), As Aventuras de Camilo (1997), Companhia do Riso (1999), Bacalhau com Todos (2000), Fábrica de Anedotas (2001), Não Há Pai (2002), e muitos outros trabalhos com um ou dois episódios. Para além do teatro, interpretou papéis em vários filmes e participou em algumas exposições de gravura e desenho, tanto individuais como coletivas. Destas, salienta-se o XVIII Salão da Primavera, de 1982, promovido pela Junta de Turismo da Costa do Sol, onde lhe foi atribuída a Medalha de Bronze.

Na Cornucópia entrou nas seguintes peças: O Misantropo, de Molière (1973); A Ilha dos Escravos e A Herança, de Pierre Marivaux (1974); O Terror e a Miséria no III Reich, de Bertolt Brecht (1974); Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki (1975); Ah Q, de Jean Jourdheuil e Bernard Chartreux (1976); As Músicas Mágicas, de Catherine Dasté (1976); Tambores na Noite, de Bertolt Brecht (1976); O Treino do Campeão antes da Corrida, de Michel Deutsch (1977); Casimiro e Carolina: sete cenas de amor, prazer e dor neste nosso mau tempo, de Odon Von Horváth (1977); Auto da Família, de Fiama Hasse Pais Brandão (1977); Woyzeck, de Georg Büchner (1978); E não se Pode Exterminá-lo?, de Karl Valentin (1979); Paragens mais Remotas que Estas Terras: cenas das comédias de Plauto, montagem de textos de Luís Miguel Cintra (1979); Zuca, Truca, Bazaruca e Artur, do Grupo Grips Theater (1979); Capitão Schelle, Capitão Eçço, de Rezvani (1980); Não se Paga, Não se Paga, de Dário Fo (1981); O Labirinto de Creta, de António José da Silva, “O Judeu” (1982); Oratória, colagem de textos de Gil Vicente, Wolfgang Goethe e Bertolt Brecht (1983); Recordações de uma Revolução, de Heiner Müller (1984); Simpatia, de Eduardo De Filippo (1984); O Parque, de Botho Strauss (1985); A Ilha dos Escravos e Páscoa, de August Strindberg (1985); A Sombra dos Espectros, de August Strindberg (1986); A Mulher do Campo, de William Wycherley (1986); Vermelhos, Negros e Ignorantes e As Pessoas das Latas de Conserva, de Edward Bond (1987); e Grande Paz, de Edward Bond (1987). Além da interpretação, desempenhou também, em algumas destas peças, funções de assistência de encenação, direção de cena e contrarregra.

No Teatro da Malaposta, representou nos seguintes espectáculos: Sala de Espera da Saúde, de Sean O’Casey (1988); O Príncipe Perfeito, de António Borges Coelho (1988); A Estalajadeira, de Carlo Goldoni (1989); O Render dos Heróis, de José Cardoso Pires (1989); A Floresta, de Alexander Ostrovski (1990); Ele Há Coisas do Diabo, de Gil Vicente, seleção de textos de Raquel Maria e José Peixoto (1991); Os Cavaleiros da Távola Redonda, de Christophe Hein (1992).

Foi Assistente de encenação na peça Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare (1991). No cinema, participou nos filmes: A Vida é Bela?!, de Luís Galvão Teles (1981); Silvestre, de João César Monteiro (1981); Paisagem sem Barcos, de Lauro António (1983); Abismos da Meia-Noite, de António Macedo (1983); O Bobo, de José Álvaro de Morais (1987); A Maldição do Marialva, de António Macedo (1990); O Rapaz do Tambor, de Vítor Silva (1990); Rosa Negra, de Margarida Gil (1992); Terra Fria, de António Campos (1992); A Sombra dos Abutres, de Leonel Vieira (1998); Golpe de Asa, de António Borges Correia (1999); Mal, de Alberto Seixas Santos (1999); Um Tiro no Escuro, de Leonel Vieira (2005).

O corpo seguiu para o cemitério de Vila Chã, Barreiro.

Fonte: “Feminae – Dicionário Contemporâneo, por João Esteves e Zília Osório de Castro” (Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género, 1ª Edição Dezembro de 2013, Pág. 828).

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