“GRAVADORES DE SELOS POSTAIS PORTUGUESES”

cavalo-dos-ctt-antigoO exemplo da Inglaterra na instituição do Selo Postal, em 1840, não foi seguido pelas restantes Nações da Europa e da América por forma tão expontânea como seria natural em presença da excelência, imediata e universalmente reconhecida, do novo sistema!

É que as novidades trazidas pelo progresso esbarram sempre com o estorvo dos interesses criados, com a rabujice dos velhos aferrados aos usos do seu tempo, e muito especialmente com a reserva dos que desconfiam sempre, por hábito e por medo, de tudo que é novo.

Só três anos depois da iniciativa britânica, os pequenos Cantões de Zurich e de Genebra, da pacata e laboriosa Suíça, se aventuraram à emissão dos seus selos, decisão em que os acompanhou o Brasil, que nesse mesmo ano de 1843 emitiu a sua primeira estampilha, conhecida na gíria filatélica pela designação de olho de boi.

Sseguiram-se-lhe: Cantão de Basileia, em 1845; Estados Unidos da América do Norte, e Ilha Maurícia, em 1847; França, Bélgica e Baviera, em 1849; Espanha, Suíça, Áustria, Lombardia, Saxónia, Prússia, Schlesvig-Holstein, Hanobre, Nova Gales do Sul, Guiana Inglesa e Vitória, em 1850; Dinamarca, Bade, Wurtemberg, Canadá, Trindade, Sardenha, Toscana e Reino de Hawai, em 1851; Oldemburgo, Modena, Tour e Taxis, Brunswick, Estados da Igreja, Holanda, Parma, Luxemburgo, Barbados e Ilha da Reunião, em 1852; Portugal, em 1853.

Os notáveis estadistas Duque de Saldanha, Rodrigo da Fonseca Magalhães, António Maria Fontes Pereira de Melo e António Aluísio Jervis de Atouguia, subscrevendo o Decreto de 27 de Outubro de 1852, que reformou profundamente os Serviços de Correios e introduziu em Portugal o uso da estampilha, tornaram-se, assim, credores do reconhecimento dos seus concidadãos.

O selo, esse pequenino rectângulo de papel colorido que revolucionara as relações postais de todo o Mundo logo no início do seu aparecimento, em 1840, ia agora, treze anos decorridos, estender os seus benefícios ao território português.

Pelo Artigo 4º do mesmo título Reforma Postal estipulou-se que seriam gravados na Administração da Casa da Moeda e Papel Selado, os selos de franquia ou estampilhas dos diferentes padrões que mais possam facilitar o seu uso.

Casa da Moeda e Administração do Correio iam assim ficar intimamente ligados por quase um Século. Logo a 29 de Novembro de 1852 o Sub-Inspector Geral dos Correios, João de Sousa Pinto de Magalhães,  relata ao Ministro dos Negócios Estrangeiros, do qual dependiam, então, os Correios, as diligências já efectuadas no tocante ao fabrico das estampilhas.

 

 

Francisco de BORJA FREIRE, Gravador, natural de Lisboa, nasceu a 24-09-1790 e faleceu a 12-01-1869. Era filho de João Luís Freire, Ourives de profissão, com Loja na Rua da Prata, e de Genoveva Maria da Luz. Apenas com nove anos de idade, iniciou a sua carreira artística, frequentando a Escola de Desenho e Gravura do Arsenal Real do Exército, onde teve como Mestres os hábeis Gravadores João de Figueiredo e o filho deste, António Joaquim de Figueiredo.

Em 1814, foi despachado Praticante de Abridor da Casa da Moeda e trabalhou sob a direcção de Domingos António Sequeira, na baixela oferecida por Portugal a Lord Wellington. Foi depois ajudante de seu tio, Cipriano da Silva Moreira, sucedendo-lhe no lugar provisoriamente e depois definitivamente por concurso de 1828.

Em 1830 era nomeado 2º Abridor da Casa da Moeda e condecorado a seguir com as Ordens de Cristo e da Conceição.

Por Portaria de 19 de Janeiro de 1853 foi mandado ficar temporariamente à disposição do Ministério das Obras P+ublicas, a fim de ser utilizado numa comissºao fora do País. De facto, seguiu pouco depois para Inglaterra com incumbência de adquirir uma máquina e outris utencílios necessários à fabricação de selos de franquia.

Em 30 de Março estava já de volta, porque nessa data se promove a entrega aos Correios de 4 dúzias de cunhos de selos e uma prensa de marcar que se acham na Alfândega Grande de Lisboa trazidas de Londres por Frasncisco de Borja Freire.

Em 01 de Abril os diferentes modelos de estampilhas desenhadas por Freire são presentes pelo Sub-Inspector Geral dos Correios ao Ministro das Obras Públicas, que assinala a tinta encarnada os modelos preferidos, com a indicação de que se deverá substituir neles a palavra selo pela palavra Correio. Em 07 é autorizada a aquisição de vários utensílios necessários ao Gravador; em 13 chegam de Londres e barris de goma e uma caixa de tintas, e, finalmente, a 27 anuncia-se a chegada de dois caixotes contendo a máquina para edstampar selos postais e a roda de mão para dar impulso à mesma máquina.

Entretanto, enquanto ia chegando a Lisboa o material escolhido por Borja Freire, entregava-se este à tarefa de abrir cunhos de selos que ele próprio desenhara.

Os primeiros que aprontou foram os das taxas de 5 e de 25 réis. Em 17 de Maio recebeu as primeiras 20 resmas de papel para começar a impressão dos selos daquelas duas taxas.

Estando marcado o dia 01 de Julho para o início da venda de estampilhas, a Sub-Inspecção impacientava-se com a morosidade com que decorria o trabalho, e alvitrava que o pessoal da Casa da Moeda trabalhasse de dia e de noite, incluindo os dias feriados.

O Director daquele estabelecimento, ponderando ios inconvenientes do trabalho nocturno, e o receio dum incêndio, que seria de desoladoras consequências, desaprovou a ideia dos serões, mas afirmou a convicção de que estariam prontos at+e 11 de Maio 70.000 selos da taxa de 25 réis.

Perdera-se muito tempo com a instalação e afinação da máquina vinda de Inglaterra, e o rendimento desta era diminuto, visto que imprimia só um selo de cada vez. A cada volta da roda superior da máquina, baixava um cunho, que imprimia e dava o relevo, e tornava a subir. Como cada folha comportava 24 selos distribuídos por seis filas, havia quer deslocar a folha a cada impressão, o que se fazia pelo accionamento manual do tabuleiro em que repiusava a folha de papel. Tudo isto era muito primitivo!

Apesar, porém,  de todas as  dificuldades, copncluiram-sed atéw 30 de Junho 243.600 selos de 25 réis e 128.400 de 5 réis.

Os de 100 réis só ficaram prontos, na quantidade de 49.200, em 02 de Julho e os de 50 réis em 21, na quantidade de 26.400.

É interessante apontar nesta altura algumas das cifras relativas ao fabrico das estampilhas postais, segundo as contas apresentadas à Sub-Inspecção Geral dos Correios pela Casa da Moeda: Os arranjos necessários na respectiva oficina para se colocar a máquina de gravar os selos e bem assim o pessoal que tem sido preciso para aqueles trabalhos… 67.160 réis; despesas de impressão de selos de 14 a 30 de Junho … 47-540 réis.

A primeira emissão de selos portugueses desenhados por Borja Freire, em 1853, compõe-se, de quatro valores: 5, 25, 50 e 100 réis, impressos em relevo, e nas cores respectivamente castanho, azul, verde e lilás.

O selo representa a efígie da Rainha D. Maria II, de perfil, tendo uma cercadura diferente para cada taxa.

O trabalho, inspirado nos selos ingleses, é explendido e suporta, com vantagem, o confronto com os selos até então emitidos por todos os outros países; e basta por si só para afirmar a personalidade artística do Gravador que os executou.

Em Dezembro de 1864, Borja Freire deu por finda a sua carreira oficial e apoisentou-se do cargo do 1º Abridor da Casa da Moeda; quatro anos depois, na manhã de 12 de Janeiro de 1869, faleceu subitamente na sua residência da Rua de São Nicolau, nº 26.

Possuidor de apreciável fortuna, deixou parte dela a parentes e amigos e o restante a estabelecimentos de caridade e assistência, tais como: Hospital da Confraria dos Ourives da Prata; Cofre de Beneficência da Irmandade do Santíssimo da Freguesia de São Nicolau; Misericórdia de Lisboa; Casa Pia, Hospital de São José, Asilo da Mendicidade de Lisboa; Asilos da Infância Desvalida, etc. Dispôs igualmente no testamento, datado de 1865, que, no caso de falecer por ocasião de uma das suas viagens ao estrangeiro, os seus despojos viessem para Lisboa, afim de serem imunados no seu jazigo do Cemitério do Alto de São João.

Numa das Exposições anuais da Sociedade Promotora das Belas Artes em Portugal, na de 1866, figurou um Medalhão, em gesso com a efígie do Gravador Borja Freire, modelada por Charles Wiener, ao tempo contratado pelo Governo Português para dirigir os trabalhos de gravura da Casa da Moeda.

Borja Freire, era cavaleiro professo da Ordem de Cristo, por mercê de 30 de Agosto de 1825, e Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 4, Pág. 939 e 940)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

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