“GRAVADORES DE SELOS POSTAIS PORTUGUESES”

 

cavalo-dos-ctt-antigoCHARLES WIENER, Gravador, nasceu em Venloo (Holanda), a 25-03-1832, e faleceu em Bruxelas (Bélgica), a 15-08-1887. Aluno da Academia Real de Belas Artes, de Bruxelas, discípulo de seus irmãos Jacques e Leopoldo, e do Gravador Oudiné, de Paris, foi, na Bélgica, um artista de grande reputação. No conceito de Alphonse de Witte, o talento artístico dos irmãos Wiener marcou o terceiro período da história da gravura de medalhas na Bélgica no Século XIX, período que vai de 1848 a 1890.

Charles Wiener, o mais novo da irmandade, exibia já os títuolos de Escultor e Gravador de Medalhas de Sua Majestade, o Rei da Holanda, membro da Sociedade de Artes de Inglaterra; Cavaleiro da Ordem de Wasa, da Suécia; Cavaleiro da Ordem da Coroa de Carvalho, da Holanda; e Medalha de Ouro de Wurtemberg, quando, em 1864, Sebastião Bertâmio de Almeida, então Direrctor da Casa da Moeda de Lisboa, se lembrou de convidá-lo a vir dirigir uma Escola de Gravura, naquele estabelecimento.

Betâmio de Almeida havia expôsto ao Governo o esdtado decadente da gravura na nossa Casa da Moeda, onde o primeiro Gravador Francisco de Borja Freire atingira 50 anos de serviço er mais de 70 de idade e o segundo Gravador Luís Gonzaga Pereira 51 anos de serviço e próximo de 70 de idade.

A 07 de Setembrto de 1864 assinou-se em Bruxelas um contrato entre o Governo português, representado pelo Conde de Seisal e Charles Wiener, em que ele se obrigava:

1º – Dirigir na Casa da Moeda de Lisboa uma Escola Prática de Gravura:

2º – Executar as gravuras necessárias à mesma Casa da Moeda e à Sub-Inspecção Geral dos Correios, assim como todas as outras que lhe fossem pedidas pelo Governo;

3º – Instruir, no espaço de três anos, pelo menos dois alunos em condições de lhe poderem suceder no cargo;

4º – Manter-se em exercício, cumprindo todas as obrigações, durante seis anos.

O seu vencimento era de 720$000 réis por ano, e além disso receberia por cada puinção de moeda de ouro, prata ou cobre, 26$000 réis; por cada matriz de moeda de prata ou cobre 2$000 réis; por cada matriz de moeda de ouro 3$200 réis; pela reproduição de cada punção 12$000 réis.

Charles Wiener, que deve ter entrado emn exercício nos fins do ano de 1864, foi considerado funcionário da Casa da Moeda sob as ordens imeaditas do Director.

Os dois alunos alunos da nova Escola dirigida por Charles Wiener foram Venâncio Pedro Macedo Alves e Eudóxio César Azedo Gneco.

A fama de que vinha precedido, aliada ao sestro portuguesíssimo, felizmente hoje muito atenuado, de nos extasiarmos perante tudo que importamos do estrangeiro, permitiu a Wiener fosse dce inícioo carinhosamente acolhido em Portugal.

À Exposição organizada pela Sociedade Promotora das Belas Artes em 1865 concorreu com 55 Medalhas e Moedas de sua autoria, das quaios só duas de assuntos portugueses: reverso de uma Moeda de 5$000 réis, e Medalha (talvez selo branco) do Crédito Predial Português, e ainda com três Medalhões em gesso, um dos quais com efígie do Escritor e Jornalista António Augusto Teixeira de Vasconcelos.

Na Exposição de 1866, promovida pela mesma Sociedade, voltou a expôr. Desta vez 11 trabalhos de gravura, e entre elas; um retrato de El-Rei D. Luís, a Medalha da Exposiçãso Internacional da Cidade do Porto; e a Medalha da Sociedade Promotora de Belas Artes em Portugal. Foi neste mesmo certame que figurou com outros quadros, o Medalhão em gesso com a efígie do Gravador da Casa da Moeda Francisco de Borja Freire.

Charles Wiener não chegou, porém, ao termo do contrato, pois foi forçado a rescindi-lo em Junho de 1867. É que, a despeito das qualidades que o haviam imposto à admiração dos seus contemporâneos belgas, ele não foi feliz nos trabalhos que executou em Portugal.

A cunhagem da Moeda de Ouro de D. Luís constituiu para ele um desastre. O busto do soberano foi de grande dificuldade para o artista, e os ensaios dos cunhos arrastaram-se por muito tempo, sempre com insucesso, não obstante a necessidade que havia de pôr em circulação a moeda do novo reinado.

Antes de partir fechou a curta carreira em Portugal com um gesto simpático, confiando ao Director da Casa da Moeda um sobrescrito com 80$000 réis que deveriam ser entregues aos seus dois alunos Venâncio Alves e Azedo Gneco, logo que aquele funcionário julgasse o trabnalho dos dois moços dignos da recompensa.

Charles Wiener foi, em Portugal, Cavaleiro da Ordem de Cristo; recebu uma Medalha de 1ª Classe na Exposição Internacional do Porto, em 1865, e ainda outras Medalhas nas Exposições organozadas pela Sociedade Promotora de Belas Artes em Portugal nos anos de 1865 e 1866.

Por sua morte legou ao Estado Belga a propriedade de mais de 200 punções e matrizes de Medalhas por ele gravadas, que se encontram no Museu da Casa da Moeda de Bruxelas e se acham descritas no Catálogo do mesmo Museu.

Quanto a Selos de Correio só um se deved ao Gravador belga; o da emissão de D. Luís I, de 1866-1867, que desenjou e gravou.

Esta emissão distingue-se das nateriores por se ter adoptado um só desenho para todas as taxas. Com a mesma gravura fez-se a emissão de 1867-1870 que tem mais um valor: 240 réis, cor lilás malva. Foram também estes os primeiros selos portugueses denteados, para o que se encomendou em Londres uma máquina de perfurar seos de correio, cujo pagamento, ao fabricante Joseph Fennm, no valor de £ 23.4.8 (107$490 réis), foi autorizado em Janeiro de 1866.

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

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