O Actor António Montez, se fosse vivo, faria hoje 76 anos de idade. Aqui fica esta pequena homenagem.

 

António MontezANTÓNIO MONTEZ de Sousa, Actor, nasceu no Cartaxo, a 25-05-1941, e faleceu em Lisboa, a 22-12-2014. Era filho de António de Sousa e de Maria Manuela da Silva Bruschy Montez. Foi casado com a Actriz Ermelinda Duarte. Veio em criança para Lisboa e as suas primeiras experiências teatrais deram-se enquanto aluno do Liceu Camões, em pequenas peças de estudantes (onde contracenou, curiosamente, com os então colegas Rui Mendes e Francisco Nicholson).

Em 1960 matriculou-se na Faculdade de Medicina, onde colaborava no Grupo Cénico. Na sequ~encia dos acontecimentos de 1962 foi expulso da Faculdade. Foi para Coimbra estudar e entrou no CITAC (então dirigido por António Pedro), sua primeira experiência, a sério, do Teatro. Aí fez Manufactura de Autómatos SARL, de Karel Kapek, em 1963.

No ano seguinte abandonou os Estudos de Medicina e escolhe o Teatro. Foi para o Porto, para o TEP, onde, durante dois anos, entra numa série de peças, entre as quais A Farsa de Mestre Pathelin e Os Burossáurios, de Silvano Ambrogui (ambas encenadas por João Guedes).

Em 1966 voltou para Lisboa, para trabalhar para o empresário Vasco Morgado, com quem fez, entre outras, O Comprador de Horas, com Laura Alves, com encenação de Santos Carvalho, e A Forja, de Alves Redol, com encenação de Jorge Listopad.

Em 1971 foi o ano do seu definitivo lançamento. No Grupo de Acção Teatral, dirigido por Artur Ramos, interpreta O Processo, de Kafka; A Capital, de Eça de Queirós; Depois da Queda, de A. Miller, e, em encenação de Glicínia Quartin, Emílio e os Detectives, de E. Kastner. Ainda nesse ano transferiu-se para o Teatro Estúdio de Lisboa: Um Sonho, de Strindberg; A Outra Morte de Inês, de Fernando Luso Soares; Testemunho Inadmissível, de John Osborne, e Cândido, de Voltaire, foram algumas das peças emq ue participou, sob a direcção de Luzia Maria Martins, de 1971 a 1973, ano em que tentou uma primeira experiência no Teatro de Revista, em Prò Menino e prà Menina, no Teatro ABC.

Em 1974, António Montez está no Teatro Maria Matos, na peça A Morte de Um Caixeiro Viajante, de A. Miller, com encenação de Artur Ramos: Português, Escritor, 45 Anos de Idade, de Bernardo Santareno, com encenação de Rogério Paulo. Nos finais desse ano vai para o Teatro Adoque, onde faz as revistas Pides n Grelha; a CIA dos Cardeais e A Grande Cegada.

Em 1976 volta ao TEL (Teatro Experimental de Lisboa), na peça O Escritório, de Vaclav Havel; em 1977, talvez o grande êxito da sua carreira; Os Emigrantes, de Slawomir Mrozeck, no TEP, com encenação de João Lourenço, após o que regressa ao TEL: O Pecado do Saiote, de Kenneth Ross, com encenação de António Montez; O Marasmo, de Peter Gil, com encenação de Luzia Maria Martins.

Em 1979 está no Grupo 4, com as peças Corpo-Delito na Sala dos Espelhos, de José Cardoso Pires, com encenação de Fernando Gusmão; O Chá dos Generais, de Boris Vian, encenação de Rui Mendes; Andora, de Max Frisch, encenação de Morais e Castro e, no ano seguinte, volta ao Teatro Adoque e ao Teatro de Revista com Chiça! Este É o Bom Governo de Portugal, em 1980; Paga as Favas, em 1981, e Tá Entregue à Bicharada, em 1982.

Após a interrupção da actividade do Teatro Adoque, em 1982, a actividade teatral de António Montez espaça-se: 1984: A Boa Pessao de Sstzuan, de Bertolt Brecht, com encenação de João Lourenço, no Teatro Aberto; Almada Dia Claro, de Augusto Sobral, com encenação de Castro Guedes, no Centro de Arte Moderna: 1986; Bem-Vindo Sr. Sloane, de Joe Orton, encenação de Carlos Fernando, no Teatro da Graça; O Indesejado, de Jorge de Sena, encenação de Orlando Neves; no CAM; 1987, Hamlet, de William Shakespeare, encenação de Carlos Avilez, no CAM; 1988: O Leitinho do Nené, de Afonso Paso, encenação de Francisco Nicholson, no Teatro Villaret.

Mas em Televisão teve um largo trabalho em telenovelas: Vila Faia, em 1982; Origens, em 1983; Cuva na Areia, em 1984-1985; na Série Gente Fina É Outra Coisa, em 1982-1983; Eu Shou Nico, em 1987-1988; Canto Alegre, em 1988-1989.

No Cinema, participou em: Os Toiros de Mary Foster, de Henrique Campo, em 1971; Pedro Só, de Alfredo Tropa, em 1971; Alexandre e Rosa, de João Botelho e Jorge Alves da Silva, em 1977; A Ronda dos Meninos Maus, de Gonçalves Preto, em 1978; Retalhos da Vida de Um Médico, série de TV, de Artur Ramos e Jaime Silva, em 1979-1980; Dina e Django, de Solveig Nordlundo, de 1980; A Epopeia dos Bacalhaus, série de TV, de Francisco Manso, em 1981-1982; Fórmula 1, série de TV, de Paul Planchon, em 1986.

Do seu currículo fazem ainda parte os telefilmes O Outro Lado da Mentira; Há Sempre um Amanhã e Noiva Precisa-se, todos de 2012. Fez parte do elenco de Amália – o filme (2008) e das séries Aqui não há quem viva (2006),  Inspector Max  (2004), Os Malucos do Riso (2003), Retalhos da vida de um médico (1980) ou O olhar da serpente (2002).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Sintra (Freguesia de Algueirão-Mem Martins).

Fonte: “Dicionário do Cinema Português (1962-1988)”, (de Jorge Leitão Ramos, Editora Caminho, 1989, Pág. 267 e 268).

Anúncios

No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: