Adeodato Barreto, um Luso-Goês na Toponímia de Aljustrel.

 

Adeodato BarretoJúlio Francisco ADEODATO BARRETO, Escrutor e Professor, nasceu em Margão, Goa (Índia), a 03-12-1905, e faleceu em Coimbra, a 06-08-1937. Poeta e Jornalista, mas também Pedagogo e Filósofo. Era partidário da não violência, da liberdade integral e do amor, na acepção dada a estes valores por Tagore, Gandhi, Vivekananda e outros pensadores hindus de que era discípulo.

Licenciou-se em Direito (1928) e em Ciências Históricas e Filosóficas (1929) na Universidade de Coimbra, onde, com colegas seus conterrâneos e o apoio de alguns Professores, fundou um Instituto Indiano. Cursou também a Escola Normal Superior (1930). No âmbito da sua actividade pró-Instituto Indiano, fundou e dirigiu o jornal Índia Nova (Coimbra, nº 1, 07 de Maio de 1928; nº 6, 31 de Maio de 1929), onde defndia a cultura e a filosofia de que era partidário, numa campanha que foi apoiada por Rabindranath Tagore e pelo orientalista francês Sylvain Lévi.

Romain Rolland, com quem também se correspondia, autorizou-o a traduzir e a editar em Portugal, sem quaisquer direitos de autor, a sua biografia, Mahatma, para a qual não encontrou editor.

Em Outubro de 1929, foi eleito Presidente do Centro Republicano Académico de Coimbra, desenvolvendo nessa qualidade grande actividade política e cultural. Em 1930, iniciou a sua actividade como Professor do Ensino Secundário, numa Escola Industrial da Figueira da Foz; em 1931, leccionou na Universidade Livre de Coimbra; e, em Fevereiro de 1932, foi nomeado Professor agregado do Liceu de Évora, lugar de que não chegou a tomar posse.

Em Abril de 1932, foi para Montemor-o-Novo, onde fora colocado como Escrivão de Direito, mudando-se pouco tempo depois para Aljustrel, agora como Notário. Nestas duas localidades alentejanas, desenvolveu generosa e intensa actividade nas áreas da assistência social e da educação de adultos.

Em Aljustrel, fundou e dirigiu um outro jornal de que foram colaboradores Brito Camacho e Pedro Muralha, o Círculo (nº 1, 17 de Junho de 1934; nº 7, 26 de Agosto de 1934). Este semanário tinha uma curiosa particularidade: todos os membros da sua redacção era esperantistas. Jornal regional, não deixava, porém, de reflectir a cultura e a filosofia de que o seu director era defensor, tratando temas indianos e dando destaque às então intensas actividades de Gandhi.

Durante a sua fase mais activa de Coimbra, preparou um ensaio sobre os Poetas Luso-Indianos e um estudo Sobre o Presente e o Futuro de Goa, que ficaram inéditos.

Colaborou assiduamente no jornal O Diabo e na revista Seara Nova, além de alguns outros jornais de âmbito regional, nomeadamente no bissemanário da Figueira da Foz, A Voz da Justiça. Nalguns dos seus escritos jornalísticos, usou o pseudónimo de «Adebar».

Obras principais: Verbo Austero: Defesa Dum Revolucionário Indu perante um Tribunal Inglês, (1930); A Paz: Alocução Dirigida às Crianças Duma Escola, (1930); Civilização Hindu. Autodomínio. Tolerância. Humanismo. Síntese, (1935); Fragmentos: Testamento Moral de Vicente Mariano Barreto, (1936); O Livro da Vida: Cânticos Indianos, (1940).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Aljustrel.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Biblioptecas, Publicações Europa América, 1ª Edição, Março de 1998, Pág. 213 e 214)

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 80).

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