“GRAVADORES DE SELOS POSTAIS PORTUGUESES”

 

cavalo-dos-ctt-antigoFREDERICO Augusto DE CAMPOS, Gravador, natural de Lisboa, nasceu em 1814 e faleceu a 29-07-1895. Gravador especializado em gravura de cunhos para moedas. Era filho de José Pedro de Paula Campos e de Gertrudes Ferreira de Campos. Em 01 de Setembro de 1830 entrou como simples aprendiz de abridor de cunhos, armas e medalhas, ali teve como primeiro Mestre o habilíssimo Gravador Domingos José da Silva. Serviu-lhe de fiador, no acto de inscrição, seu tio Joaquim José Policarpo da Silva Campos, também empregado da mesma Casa da Moeda. Tendo alcançando dentro de pouco tempo e por mérito próprio, o lugar de 1º Gravador.

O salário de 120 réis diários com que o admitiram na aprendizagem foi-lhe elevado para 240 réis, a seu pedido, em 27 de Outubro de 1832, mediante informação lisonjeira do seu Mestre.

Teve um interregno na sua vida artística, ao alistar-se no exército de D. Pedro IV, no final das lutas liberais, em que ainda chegou a tomar parte. Retomando, porém, as suas ocupações civis.

Tendo frequentado a Escola Politécnica e a Academia de Belas Artes, salientou-se em muitos concursos oficiais, em concorrência com outros Gravadores nacionais e estrangeiros.

A 18 de Maio de 1849 teve a almejada nomeação de 3º Abridor da Casa da Moeda, depois de quase 19 anos de estágio, como aprendiz e praticante, durante os quais recebeu lições de Domingos José da Silva, José António do Vale e Francisco de orja Freire.

Em Março de 1863, o Director da Casa da Moeda, Sebastião Betâmio de Almeida, resolveu abrir concurso para a execução da moeda de prata de 500 réis do novo reinado, limitando-o aos dois Gravadores da mesma Casa, FRAncisco de bORja Freire e Frederico Augusto de Campos, e ao Gravador francês Gerard, há muito estabelecido em Lisboa.

Cada um dos concorrentes receberia a justa retibuição do seu trabalho, e ao autor do cunho preferido seria atribuída uma gratidicação condigna.

Tendo desistido o concorrente francês, as provas dos dois outros foram em 11 de Agosto do mesmo ano submetidas à apreciação e voto consultivo de um grupo de Artistas constituído pelo Escultor Francês Anatole Camel, residente em Lisboa; Professor da Academia de Belas Artes, Vítor Bastos; Arqueólogo Abade de Castro; Arquitecto e Pintor Tomás da Fonseca; e dos numismatas Jorge de La Figanière e Lopes Fernandes.

Escudado com a opinião destas individualidades, o Director da Casa da Moeda submeteu à aprovaão ministerial o cunho gravado por Frederico Augusto de Campos, a quem na sua proposta faz esta justa referência:

«O trabalho do abridor Campos, verdadeira obra de arte, honrando a Casa da Moeda e o País, parece-me bem merecedor de algum sinal do agrado de El-Rei. E o abridor Campos carece de ser animado: desconhecido e desamparado por largos anos o seu talento foi acometido pela descrença; e as suas vigorosas faculdades parecem-me sonegadas pou un despeito intimo».

Em presença destas claras palavras de apreço, mal se compreende que a mesma entidade oficial meses depois haja promovido o contrato de um Gravador estrangeiro, Charles Wiener, para dirigir os trabalhos de gravura da nossa Casa da Moeda.

Da situação vexatória assim criada ao hábil Artista português nasceu por certo o ambiente de hostilidade que se formou em volta de Charles Wiener e o desanimou na tarefa de que vinha incumbido e de que, como já vimos, se saiu por forma muito inferior aos seus méritos.

Não obstante o plano de inferioridade emq ue fora colocado, Campos continuou a trabalhar com a dedicação e o escrúpulo de sempre, embora, como é natural, profundamente reseentido da injustiça de que era vítima. E, vingando-se por forma elegante, ia executando, com toda a perfeição de que era capaz, a maioria dos trabalhos a que o Gravador belga se obrigara e não cumpria. Tinha então a categoria de 2º Abridor.

Com a rescisão do contrato de Wiener, em 1867, Frederico de Campos foi promovido a 1º Abridor da Casa da Moeda, ocupando assim o lugar que de direito lhe pertencia.

Os dois alunos da Escola de Gravura, Azedo Gneco e Venâncio Alves, cujo ensino estivera a cargo de Wiener, nos termos do contrato que este fizera com o Governo Português, passaram então a receber lições de Frederico de Campos, juntamente com outro discípulo, seu sobrinho, Augusto Carlos Campos, que veio a ser tamém Abridor de Cunhos da Casa da Moeda.

Escultor de merecimento, fez em mármore um apreciável regrato de Camões; mas foi particularmente como Gravador de Moedas que o seu talento artístico mais se evidenciou. São do seu buril alguns dos cunhos das moedas do reinado de D. Pedro V, quase todas do reinado de D. Luís I e os das primeiras moedas do reinado de D. Carlos I. O cunha da moeda de 10$000 réis em ouro de D. Pedro V, primorosamente executado por Frederico de Campos, deu ensejo aum desolador incidente que pôs em foco, mais um avez, a incompreensão das instâncias superiores perante os valiosos trabalhos deste tão talentoso quão modesto artista. São também do seu buril as chapas de alguns selos fiscais em curso no reinado de D. Luís I.

Das inúmeras Medalhas que executou, citamos apenas: A comemorativa da inauguração da Estátua de Camões, gravada por incumbência da Comissão encarregada de erigir o Monumento, em 1867.

A consagrada ao Maestro espanhol Francisco Ansejo Barbieri, pela Assocuação Musical 24 de Junho, para comemorar a inauguração dos concertos clássicos, em 1879 e duas Medalhas Comemorativas do Centenário de Camões, em 1880.

Os seus trabalhos foram apresentados nas principais cidades da Europa e América, ganhando várias Medalhas e Distinções, dentre as quais se destaca a Medalha de Ouro da Exposição Universal de Paris.

Nos fins de 1869 o Director Geral dos Correios, Conselheiro Eduardo Lessa, notando que os selos em curso gravados por Charles Wiener, se apresentavam por vezes com falhas de impressão e coradas algumas partes de relevo, encarregou o Gravador Frederico de Campos de reformar a matriz e o punção reprodutor dos aludidos selos, sob a condição, porém, de manter a efígie existente e de conservarf o mesmo desenho sem qualquer alteração.

Embora com bastante repugnância, dispõs-se a executar o trabalho, ma slogo de início verificou a impossibildiade de o realizar em ciondições artísticas aceitáveis, e assim informou o Director da Casa da Moeda em estenso relatório depois enviado à Direcção Geral dos Correios. Aceites as suas judiciosas objecções e encarregado do desenho dum novo selo, dá-o concluído em 21 de Fevereiro de 1870.

Além do desenho e gravura do selo da emissão que acabamos de referir, desenhou e gravou ainda os selos do reinado de D. Luís I, também de relevo para as nossas Colónias de Angola (1886); Cabo Verde (1886); Índia (1886); Macau (1888); Moçambique (18886); e Timor (1887).

É também de sua autoria o desenho e a gravura do selo, tipografado, de 2 réis, emitidos em 1884.

Possuía o grau de Cavaleiro da Ordem de Isabel a Católica, de Espanha, e o Grau de Grande Oficial da Ordem de Sant’Iago. Os seus principais trabalhos foram: moeda de 10$000 réis com a efígie de D. Pedro V; uma medalinha de cera com o retrato deste monarca e do da Baviera; o retrato de Luís de Camões de mármore, em alto relevo; e cunhos para diferentes estampilhas.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira”

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

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