Francisco Campas, Desportista, se fosse vivo, faria hoje 97 anos de idade.

 

Francisco CampasFRANCISCO José Barreiros CAMPAS, Desportista, natural de Lisboa, nasceu a 11-06-1920 e faleceu a 21-12-2013. Após concluir a Instrução Primária no Colégio Francês, em frente ao Limoeiro ingressou no Liceu Gil Vicente. Em 1933, aos 12 anos foi viver para a rua Nova do Almada. Aos 13 anos, em 5 de Fevereiro de 1934, inscreveu-se como associado do “Glorioso”, passando a frequentar a Secretaria na rua Jardim do Regedor n.º 5 – 3.º andar, recentemente inaugurada em 14 de Janeiro de 1934. Foi nestas instalações que aprendeu a jogar ténis de mesa, tornando-se pouco tempo depois um dos melhores praticantes portugueses!

Em 1935 deixou de estudar, por razões de necessidade familiar, para trabalhar durante dois anos num escritório na rua dos Correeiros, perto da sua morada. Em 1936 inscreveu-se como jogador de ténis de mesa. A rotina da sua vida passou a ter no ténis de mesa um papel importante. Todas as noites jogava pingue-pongue, ora em treinos, ora a competir, pois os treinos alternavam com os jogos: a 1.ª e 3.ª categoria jogavam às terças e quintas-feiras, enquanto a 2.ª e 4.ª categoria competiam nas quartas e sextas-feiras, nas nossas instalações da Secretaria, já no 2.º andar entretanto alugado pelo Clube. Em 1937 empregou-se num escritório da calçada do Carmo, de um fabricante de tecidos de seda para gravatas. E entre 1939 e 1941 trabalhou em Vila Franca de Xira, no “Grémio das Frutas”.

A estreia pelo “Glorioso” ocorreu na temporada de 1936/37, quando no Regional de Lisboa de 4.ª categoria vencemos, por 5-1, a equipa do CF “Os Belenenses”. Sagrou-se, logo no primeiro ano como jogador, campeão regional na 4.ª categoria, fazendo também jogos pela 3.ª categoria. Na temporada seguinte – 1937/38 – jogou pela 2.ª e pela 1.ª categoria. Foi em 1938/39 na 2.ª categoria que conquistou mais um título de campeão regional. Em 1939/40, para poder concluir os estudos, foi jogador do Ateneu Comercial de Lisboa, estabelecimento de ensino onde frequentou o Curso Comercial. Após uma temporada afastado, regressou ao Benfica para jogar até abandonar a modalidade em 1960, após duas décadas consecutivas a jogar pelo “Glorioso”.

Francisco Campas foi um jogador essencialmente atacante. Não “cortava”, nem defendia, mas conseguia, no entanto, suprir essas “deficiências” mercê de um magnífico poder de ataque constante e eficiente, bastante rápido que impedia, quase sempre, o adversário de se apossar do comando das operações. A bater a bola, quando não “cortada”, foi um dos melhores jogadores portugueses de sempre. E também, a “repuxar” se notabilizou. Além disso, revelou-se um dos jogadores mais fortes em termos mentais, nunca se atemorizando perante qualquer adversário, daí ser o melhor jogador nacional em confronto directo com os grandes ases estrangeiros da modalidade. Nunca vacilava por questões morais, apenas por motivos técnicos e físicos. Jogador “moderno”, também a evolução técnica e de materiais da modalidade o favoreceu, pela perfeita adaptação à sua forma de jogar: encostado à mesa, batendo rápido em revés dos dois lados da raquete. Sensacional!

Após cinco épocas, entre 1936/37 e 1941/42, a jogar oficialmente, conseguiu na temporada de 1941/42 sagrar-se campeão regional por equipas em três categorias, participando em onze jogos: um na 1.ª, nove na 2.ª e um na 3.ª categoria. Em 1944/45 integrou o trio que obteve um extraordinário triunfo no I campeonato de Portugal. Iniciou-se um período de grandes conquistas com Francisco Campas a afirmar-se como um dos melhores jogadores da sua geração. Entre 1941 e 1946 cumpriu o Serviço Militar. Entretanto em 1 de Maio de 1946 empregou-se no “Grémio dos Automóveis” com Sede na rua Braamcamp n.º 84 – 1.º esquerdo. Ficaria 43 anos, até 1989! Sempre a “jogar” ao mais alto nível!

Efectuou sete deslocações ao estrangeiro, defrontando atletas de nove países. Fez parte da primeira equipa portuguesa a jogar “para lá dos Pirenéus” quando em 1947 jogou em Londres. O facto de não se intimidar perante adversários consagrados permitiu-lhe registos de valor excelso – vitórias sobre os campeões de França (René Roothooft) e de Espanha (Alberto Dueso), este considerado, durante muitos anos, como o melhor jogador ibérico. Em 1952, no Mundial de Bombaim (Índia) ganhou um encontro (D 1-4) ao grande mestre húngaro Koczian, finalista nesse mundial. Ainda na actualidade, um dos melhores resultados internacionais de um jogador português de ténis de mesa.

Nos 23 anos em que esteve no “Glorioso” conquistou 44 títulos oficiais, com 29 regionais (24 na equipa principal) e 15 nacionais. Contribuiu para a conquista de 25 campeonatos por equipas – 16 regionais e nove nacionais, para além de quatro triunfos em equipas-pares e cinco em pares-homens. Participou ainda nas equipas que conquistaram cinco Taças de Portugal e 13 Taças “Diário Popular” (torneio de abertura organizado pela ATML). Conquistou ainda, 41 torneios oficiosos e particulares, obtendo quatro troféus individuais e 110 medalhas.

Em 1960 deixou de jogar a nível oficial, sendo organizada uma “Festa de Homenagem” no Pavilhão dos Desportos, em Lisboa. No “Glorioso” encerrava-se um capítulo, mas iniciava-se outro, como dirigente. Durante uma década exerceu cinco cargos directivos: em 29 de Abril de 1961 é eleito como suplente da Direcção presidida por Maurício Vieira de Brito, passando a efectivo em 23 de Agosto como Vogal da Actividade Desportiva; em 31 de Março de 1962 foi eleito Director dos Assuntos Administrativos na Direcção presidida por Fezas Vital; em 26 de Março de 1964 foi eleito Tesoureiro na Direcção presidida por Adolfo Vieira de Brito; em 12 de Abril de 1969 foi eleito suplente da Direcção presidida por Borges Coutinho; e na gerência seguinte – 3 de Julho de 1971 – eleito Secretário para os Assuntos Administrativos (Tesoureiro). A sua acção como tesoureiro – em duas gerências – foi notável, conseguindo êxitos inolvidáveis! Exerceu vários outros cargos, com destaque para o biénio 1973/75 em que foi Administrador do Jornal “O Benfica”.

Em 1947 foi nomeado “Sócio de Mérito”, dez anos depois, em 1957 foi elevado a “Águia de Cobre” e em 1973 a “Águia de Prata”.

Em Junho de 1989, aos 69 anos, reformou-se da sua profissão de responsável e Director de Contabilidade do Grémio dos Automóveis, na actualidade ACAP, para onde entrara em 1946, aos 26 anos!

Quando faleceu em 19 de Dezembro de 2013, tinha 93 anos de idade e 79 anos de dedicação ininterrupta ao Clube.

Fonte: “Em Defesa do Benfica” (Por Alberto Miguéns)

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