“Gravadores de Selos Postais Portugueses”

cavalo-dos-ctt-antigoARNALDO Lourenço FRAGOSO, Gravador, nasceu em Lisboa, a 16-12-1885, e faleceu em Loures, em data desconhecida. Era filho de José Lourenço e de Margarida da Conceição Fragoso. Tinha apenas catorze anos de idade quando, em 27 de Julho de 1899, deu entrada na Oficina-Escola de Gravura da Casa da Moeda, onde, no decurso da sua aprendizagem, recebeu lições dos competentíssimos Artistas Venâncio Alves, José Sérgio e Domingos do Rego. Ao mesmo tempo frequentou a Escolla Industrial Príncipe Real (actual Escola Machado de Castro), cujo curso completou em 1905, com distinção, prémio em algumas cadeiras, e o elevado apreço dos seus Mestres nas disciplinas de Belas Artes: Roque Gameiro, Casanova e Cristofanetti.

Terminado o período de aprendizagem na oficina-Escola de Gravura, em que revelou excepcional aptidão, começou a direcção da Casa da Noeda a confirmar-lhe trabalhos de responsabilidade, até que, em 11 de Julho de 1914, o integrou no quadro como 2º Gravador.

Por força da Lei 1.452, de 1923, passou a ter a categoria de 1º Oficial; e em 10 de Outubro de 1931 assumiu a chefia da Oficina de Gravura e Galvanoplastia, lugar para que veio a ser nomeado definitvamente em Setembro de 1934. Quatro anos depois, a 25 de Setembro de 1938, aposentou-se com 37 anos de serviço público.

No decurso da sua carreira oficial inúmeros foram os trabalhos entregues à sua competência habilidade, tais como: moedas metálicas para as nossas Colónias e para a Metrópole, salientando-se entre estas últimas as elegantes mpedas de prata de 2$50; 5$00 e 10$00; cunho do selo fiscal, de 1914; desenho e gravura do papel selado e dos selos fiscais em curso; desenho e gravura dos selos da taxa militar; muitos selos de correio.

Notáveis também na sua execução, as muitas medalhas devidas aos seus buris, de destacamos as seguintes:

Medalha da Vitória, condecoração militar cunhada após a Guerra Mundial de 1914-1918;

Medalha De Comportamento Exemplar, 1910; de Bons Serviços Militares e de Campanhas Militares, 1916, 3 Medalhas diferentes;

Medalha do termo do lavramento da prata, oferecida ao Senhor Dr. Oliveira Salazar, 1933;

Medalha com a efígie do Senhor Presidente do Conselho 8Dr. Oliveira Salzar, 1933);

Medalha de Homenagem a Narciso Ferreira, de Riba d’Dave, 1880-1933;

Medalha da Polícia de Segurança Pública, 1926;

Medalha da X Conferência da União Internacional Contra a Tuberculose, 1936.

Arnaldo Fragoso foi o gravador que mais cunhos abriu para a impressão tipográfica de estampilhas postais portuguesas:

Desenhor e Gravura; selo de $15, representando a cela de Santo António, da emissão de 1931, comemorativa do 7º Centenário da morte do mesmo Santo;

Emissão de 1935, Infante D. Henrique, com duas taxas;

Emissão de 1931; Lusíadas, com 18 taxas, só gravura;

Emissão de 1931; comemorativa do 5º centenário da morte de D. Nuno Álvares Pereira, com 6 valores;

Emissão de 1934, com efígie do Senhor Presidente da República (General Carmona). Teve uma só taxa. Ainda desta vez Arnaldo Fragoso adiptou o processo de, pela fotografia original, fazer um desenho adequado à execução da gravura.

Emissão de 1934; comemorativa da 1ª Exposição Colonial Portuguesa, com três valores;

Emissão de 1935-1941; Tudo pela Nação, com cinco valores;

Emissão de 1937; comemorativa do 4º centenário da morte de Gil Vicente, com dois valores;

Emissão de 1940; Comemorativa do 1º Centenário do Selo Postal, com oito taxas;

Emissão de 1841, Costumes portugueses (1ª série). Dos dez selos diferentes de que se compunha esta emissão, Arnaldo Fragoso gravou três; os das taxas de $80 (Madeira); 1$00 (Viana do Castelo) e 1$75 (Ribatejo);

Emissão de 1944; Comemorativa da 3ª Exposição Filatélica Portuguesa, com quatro taxas;

Emissão de 1936; Encomendas Postais, com oito taxas;

Emissão «Ceres» (fundo tracejado) para as nossas Colónias: Angola, 1932; Guiné, 1933; Cabo Verde, 1934; São Tomé e Príncipe, 1934;

Emissão de 1933; República (Padrões) para as Colónias da Índia, Macau e Timor;

Emissão de 1940; Companhia de Moçambique, comemorativa do 8º Centenário da Fundação da Nacionalidade. Com uma só taxa;

Emissão de 1949; Motivos indígenas da Colónia de Angola. Dos sete selos diferentes de que se compunha esta emissão, são de Arnaldo Fragoso os das taxas de $50 (vista da Cidade de Luanda) e 3$50 (Moçâmedes)

Emissão de 1948-1949; Motivos indígenas de Moçambique. Tem vinte taxas e dez desenhos fiferentes, dos quais três são assinados por Arnaldo Fragoso: $50 e $80 (Lourenço Marques, trecho da praça 7 de Março); 1$00 e 5$00 (Baixa Zambézia, colheita num palmar); 2$50 e 10$00 (Lourenço Marques, vista parcial).

Embora lutando, nalguns casos, com a impropriedade dos desenhos para a reprodução em gravura tipográfica, Arnaldo Fragoso realizou em todas as emissões acima apontadas um trabalho consciencioso e prefeito, marcando com inexcedível aprumo profissional um lugar de merecido destaque.

Antes de Arnaldo Fragoso encerrar a sua carreira oficial, quis o Governo dar público testemunho de apreço pela obra que o primoroso artista realizou na Casa da Moeda, e conferiu-lhe, em 14 de Novembro de 1936, o Grau de Oficial da Ordem do Mérito Agrícola e Industrial.

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

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