“Gravadores de Selos Postais Portugueses”

cavalo-dos-ctt-antigoAUGUSTO Fernando GERARD, Gravador, nasceu na Freguesia de Santo Estáquio, em Paris (França), em 1796, e faleceu na Freguesia da Pena (Lisboa), a 30-05-1883. Era filho de António Gerard e de Maria Antonieta Rozard.

Veio para Portugal, por altura dos vinte anos de idade, contratado, ao que parece, para as Oficinas de Joalharia, Ourivesaria e Medalhas de Santos Leite, em Braço de Prata, e trazia já nessa altura uma preparação que, se não era completa, lhe permitia contudo o rápido desenvolvimento da natural inclinação para que foi especialmente contratado, era, porém, grande e evidenciou-se logo no início da sua estada entre nós.

Terminados os seus compromissos com a firma Santos Leite, começou a trabalhar para o Banco de Lisboa, e depois para o sucessor deste: o Banco de Portugal. Para ambos abriu, em chapa de cobre, as gravuras de muitas das notas que circularam em todo o País, e que criaram a Augusto Gerard a fama, aliás justificada, de Gravador competentíssimo. Convidado pelo Banco do Porto a executar naquela cidade trabalho semelhante, por tal forma se houve no desempenho da tarefa, que a Direcção do referido estabelecimento bancário, encantada com a perfeição das gravuras, achou exíguo o preço de 400$000 réis que o modesto artista pedia pela xsua orbra, e recompensou-o com o dobro da quantia.

A Junta de Crédito Público e outras entidades similares confiaram-lhe igualmente a execução das gravuras dos seus títulos e papéis de valor.

Mais de uma vez a Casa da Moeda solicitou o autorizado parecer do consumado artista, em assuntos da sua especialidade, tendo-o mesmo convidado a concorrer à execução do cunho da moeda de prata de 500 réis, do reinado de D. Pedro V (1863), ao qual Gerard não acedeu.

Ao seu estabelecimento da Rua do Ouro, em Lisboa, acorriam tanto as Secretarias de Estado, como os partoculares, para a encomenda dos mais variados trabalhos: sinetes simples e heráldicos; selos brancos; esmaltes; gravuras em cobre e em aço, medalhas, etc.

No capítulo de Medalhas da sua autoria apontam-se as seguintes:

Medalha da Sociedade Promotora da Indústria Nacional (1823);

Medalha da Academia das Belas Artes de Lisboa (1837, com o busto da Rainha D. Maria II);

Medalha das Belas Artes do Porto (1851, com o busto da Rainha D. Maria II);

Medalha de D. Maria II, para galardoar actos de filantropia e generosidade (1852);

Medalha Comemorativa da inauguração do Caminho-de-Ferrro de Leste (1856, cunhada por ordem do Ministro das Obras Públicas, Marquês de Loulé);

Medalha Escolar, dos alunos das Escolas reais de Mafra e das Necessidades (1856, cunhadas por incumbência de D. Pedro V),

Medalha Escolar, do Liceu da Celestial Ordem Terceira da Santíssima Trindade (1858);

Medalha de Prémio para os alunos da Escola Popular de Conto, mandada cunhar pela Câmara Municipal do Porto, em 1858; e uma outra para oferta ao fundador da mesma Escola;

Medalha Comemorativa da Exposição Industrial do Porto (1860);

Medalha Comemorativa da Exposição Industrial do Porto (1861);

Medalha Comemorativa da Exposição da Associação Promotora da Indústria Fabril de Lisboa (1863);

Medalha da Expedição a Angola;

Medalha da Associação dos Melhoramentos das classes Laboriosas;

Medalha da Real Associação Naval;

Tendo trabalhado até quase aos últimos momentos da sua longa existência, difícil, senão impossível, seria enumerar toda a obra realizada por Gerard nos 66 anos que residiu em Portugal.

De trato bondosíssimo, nunca recusava auxílio ou conselho dos principiantes que ao seu saber e competência recorriam frequentemente: A todos acolhia com afabilidade, ensinando-lhes os segredos da sua tão querida arte.

De Augusto Gerard é a gravura em aço do cunho dos simpáticos selos Coroa das Colónias Portuguesas de: São Tomé e Príncipe, de 1869; Angoola, de1 870; Cabo Verde, Moçambique e Índia, de 1877; Macau, de 1884; tão apreciados dos Filatelistas, e por isso mesmo de elvada cotação nalgumas das suas variedades. Embora circulassem primeiramente em São Tomé, não há dúvida de que o primeiro cunho gravado foi o de Angola. Os das outras Colónias são, incontestavelmente, um inteligente arranjo daquele.

Era Académico de Mérito da Academia de Belas Artes de Lisboa.

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

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