“Gravadores de Selos Postais Portugueses”

cavalo-dos-ctt-antigoLouis EUGÉNE MOUCHON, Gravador, natural de Paris (França), nasceu a 30-08-1843 e faleceu a 03-03-1914. Notável medalhista, abridor de metais e gravador de pedras. Com seu pai, artista modesto, começou a aprender a arte de gravura em aço, que inicialmente lhe não proporcionou mais do que trabalhos modestos, como placas pra portas, coleiras de cães, formas de garrafas e de sabões, ferros para marcar carneiros, números para chaveiros, etc. Mais tarde fez carimbos metálicos, ferros para encadernações e punções para bijutarias; e seguidamente consagrou-se à Gravura em madeira e em talhe-doce, à fotografia e à galvanoplastia.

Mas, ainda não contente com todas estas prendas, continuou, com admirável persistência, a estudar afincadamente todas as modalidades da sua profissão, até se abalançar à gravura de medalhas.

Atingira já os 43 anos de diade, quando a apresentação de um trabalho seu neste ramo de arte, no Salon de 1887, em Paris, o consagrou definitivamente como Artista de admiráveis recursos.

Premiado em 1888 com uma Medalha de 3ª Classe, no Salão dos Artistas Franceses; em 1889 com a Medalha de Ouro na Exposição Universal de Paris; em 1894 com a Medalha de 2ª Classe e Diplomas de Honra na Exposição Internacional do Livro; e em 1900 com o Grand Prix de Gravura na Secção de Artes Decorativas da Exposição Universal de Paris.

Eugéne Mouchon sai finalmente da sombra em que vivera tantos anos e conquista de chofre, pela evidência do seu talento, o lugar de primeiro plano qaue lhe pertence entre os Artistas da sua geração.

A consagração oficial chega também com a concessão do grau de Cavaleiro da Legião de Honra, em 1895.

Eugéne Mouchon, foi um notável Gravador francês. Foi o primeiro Artista domiciliado além fronteiras que participou no fabrico de selos do Correio Português; na emissão do reinado de D. Luís I, de 1882-1883. O desagrado pelo aspecto do busto do soberano nos selos de D. Luís I, de 1880-1881, levou a Direcção dos Correios a pensar, logo em 1880, numa nova emissão. E assim, em Agosto desse ano, o Director da nossa Casa da Moeda dizia ao Chefe da Agência Financial Portuguesa, em Londres: Sendo necessário, para substituir por outras as estampilhas do Correio, uma gravura do retrato de El-Rei o Senhor D. Luís I, e não havendo actualmente em Portugal pessoa com prática de gravar no estylo typografico um retrato em miniatura com a conveniente perfeição, digne-se mandar fazer nessa cidade de Londres a referida gravura, conforme as condições indicadas no documento.

Por motivos que não foi possível apurar, a nossa Agência Financial não encontrou em Londres quem quisesse encarregar-se do trabalho, e a diligência passou a ser feitas em Paris,pelo Conde de São Miguel, ai tempo encarregado da Legação de Portugal na capital francesa.

Tendo Eugéne Mouchon, que já nessa latura fizera muitos cunhos de selos para diferentes países, aceitado o encargo, lavrou-se em Paris, me 07 de Outubro de 1880, o contrato entre o governo português, representado pelo Conde de São Miguel e o aludido Gravador.

Eugéne Mouchon comprometia-se a ter pronto dentro de três meses, peolo preço de 3.500 francos, um cunho de aço com a efígie do Rei D. Luís, gravada em estilo litográfico no círculo de 0,015 de diâmetro, rodeado de um filete, e saobresaindo sobre o fundo d etraços horizontais, à semelhança de idêntica gravura com a efígie do Rei de Itália que se juntava ao contrato.

Apesar do prazo fixado, três meses, parece que só em princípio de Março de 1881 ficou pronto o cunho com a efígie do soberano. As cerdaduras foram feiTAS em Portugal pelo Gravador Venâncio Alves. A emissão que se compôs de três valores: 5 réis (em preto cinzento); 25 réis (castanho); e 50 réis (azul escuro); entrou em circulação em 1882.

Com a mesma gravura de Mouchon se fez depois a emissão da Metrópole de 1884-1887, com cerdaduras de Azedo Gneco e de Venâncio Alves, e a emissão da Guiné, com cercadura de Azedo Gneco.

Para a segunda emissão do reinado de D. Carlos I, de novo se recorreu ao mesmo Artista. Por contrato celebrado em Paris, em 22 de Setembro de 1894, entre o Conselheiro Augusto Jos+e da Cunha, Director da Casa da Moeda, e Mouchon, encarregava-se este de executar o desenho e a gravura de 4 tipos de selos; um para Oortugal Continental, um outro para os Açores e Madeira, um para a Índia portuguesa e um quarto para as outras Colónias portuguesas. O Governo pagaria por todo o trabalho 9.100 francos, assim discriminados: desenho e gravura, em aço, do retrato do soberano; 3.500 francos; quatro relevos em cobre do retrato, desenho e gravura das quatro cercaduras diferentes; 4.800 francos; gravura em aço dos nomes das catorze colónias e territórios e dos algarismos, 800 francos.

O trabalho deve ter ficado concluído no fim de Março de 1895, e a bonita série do Rei D. Carlos para a Metrópole, desenhada e gravada por Eugéne Mouchon, veio a ser emitida em Novembro desse ano. Compunha-se de catorze taxas: 2 ½; 5; 10; 15; 20; 25; 50; 75; 80; 100; 150; 200; 300 e 500 réis, nas cores respectivamente; cinzento, laranja, verde, castanho, violeta, verde-azul, carmim, lilás, azul escuro sobre azul, castanho sobre amarelo, violeta sobre rosa, azul sobre rosa e preto sobre azul.

Em 1898, criaram-se novos valores: 65, 115, 130 e 180 réis, nas cores respectivamente azul cinzento; laranja sobre rosa, castanho sobre amarelo e ardósia sobre rosa; e mudarma-se para verde, carmim, ultramar e castanho sobre amarelo as cores dos selos das taxas de 15, 25, 50 e 75.

Com outros três desenhos e cunhos de Mouchon a que se refere o contrato acima citado, se fizeram as emissões das Ilhas Adjacentes e das Colónias seguintes: Açores (1906); Angola (1898-1901); Cabo Verde (1898-1901); Congo (1898-1910); Funchal (1897); Angra (1897); Guiné (1898-1901); Horta (1897); Inhambane (1903); Lourenço Marques (1898-1901); Macau (1898); Moçambique (1898-1901); Ponta Delgada (1897); São Tomé (1898-1901); Timor (1898-1900) e Zambézia (1898-1910).

Após a conclusão dos trabalhos para as emissões de Portugal e Colónias, do reinado de D. Carlos I, o Governo português agraciou o famoso Artista com o grau de Cavaleiro da Ordem de São Tiago, por Decreto de 02 de Maio de 1895.

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

 

Anúncios

No comments yet

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: