“Gravadores de Selos Postais Portugueses”

cavalo-dos-ctt-antigoJOSÉ SÉRGIO de Carvalho e Silva, Gravador, nasceu em Évora, a 09-09-1856, e faleceu em Lisboa, a 07-01-1945. Era filho de Francisco Ignácio das Neves, penteeiro, e de Maria José de Carvalho e Silva.

Por volta dos 14 anos de idade, começou a trabalhar com seu pai, que fazia vistosos pentes em tartaruga, com que então as senhoras ornamentavam as cabeças. E não só pentes, mas também figuras d emarfim, trabalho que particularmente tentou a habilidade de José Sérgio, e em que veio a tirnar-se exímio.

Infelizmente, porém, deixou passar os melhores anos da sua vida sem cultivar a natural aptidão com a frequência escolar adequada, pois não foi além do estudo de Desenhor de Ornato, com o Professor Nunes Prieto, nas aulas nocturnas da Academia de Belas Artes. Só próxino dos trinta anos de idade começou a receber lições de Venâncio Alves, entrando, a 11 de Janeiro de 1886, como aprendiz de gravura da Casa da Moeda.

Em Maio de 1894 teve a nomeação de Praticante com o vencimento anual de 144$000 réis.

Entretanto, ia-se revelando hábil Gravador em metais, tanto nos trabalhos de que o encarregavam no estabelecimento do Estado de que era funcionário, como fora dele. Oficinas particulares incumbiam-no da execução de sinetes vulgares e heráldicos, chapas para cartões de visita, medalhas, etc.

José Sérgio, já não estava em idade de se sentar nos bancos da escola, e teria que contentar-se com o que a prática lhe ensinava e a sua intuição artística lhe permitia adivinhar; não obstante, depois do sucesso alcançado com a gravura do selo postal de porteado, de 1898, ainda tentou novo vôo, partindo para Paris, em Fevereiro do aludido ano, a convite de Mouchon, para trabalhar sob a direcção deste. Fo, porém, entusiasmo de pouca dura. A falta de saúde, as saudades da pátria, e talvez o seu espírito irrequieto trouxram-no de novo para Lisboa quatro meses depois.

Voltou à Casa da Moeda, para o modesto lugar de Praticante, em que se manteve até 29 de Junho de 1911, data da sua promoção a 2º Gravador. Em 1919 aposentou-se.

Bastante válido ainda, depois da aposentação continuou a trabalhar na sua arte, pode dizer-se que quase até ao fim da vida. Os punções para contrastaria, com microscópicas gravurinhas, que executou em idade já muito avançada, são um prodígio de habilidade e perfeição.

Em escuma, ágatas e marfim esculpiu pequeninas obras de arte, entre as quais avulta uma artística caneta de marfim, primorosamente trabalhada, que em 16 de Julho de 1911 foi ao Parlamento entregar ao Dr. Teófilo Braga, seu pacdrinho e amigo, para que com ela assinasse a nova Constituição Política da República.

De muitas Medalhas que gravou, destacam-se as seguintes:

Medalha Comemorativa do 4º Centenário da descoberta do caminho marítimo para a Índia, (1898);

Medalha Comemorativa da inauguração do primeiro monumento erigido ao Dr. Sousa Martins, (1900, feita por incumbência da Comissão Promotora da Homenagem ao ilustre Médico, sob modelo do Escultor Simões de Almeida (Sobrinho));

Medalha Comemorativa do 4º Centenário do Descobrimento do Brasil, (1900, executada, para especulação comercial, por encomenda do comerciante Ernesto Taborda. O modelo era de Humberto Taborda):

Na Exposiçãi Univerxsal de Paris, de 1900, recebeu uma Medalha de Prata, na Secção Gravura Tipográfica; e na Exposição de Artes Gráficas, realizada em Lisboa, no ano de 1913, teve a Medalha de Ouro.

Na primeira emisão de selos do reinado de D. Carlos I, de 1892-1893, colaboraram dois Artistas: Manuel Diogo Neto, que executou o busto do soberano, e José Sérgio, que gravou a cerdadura, nem feia nem bonita, aceitável. Os selos desta emissão, que teve 12 valores: 5, 10, 15, 20, 25, 50, 75, 80, 100, 150, 200 e 300 réis, imprimiram-se respectivamente nas cores: laranja; lilás; castanho; violeta-azul; verde; ultramar; carmim; verde-claro; castanho sobre amarelo; carmim sobrfe rosa; azul sobre azul e azul sobre laranja.

Não foi,  porém, a gravura deste seu primeiro selo, mas a do selo de porteado da emissão comemorativa do 4º Centenário do Descobrimento da Índia, de 1898, desenhado por Carlos Maria Miranda da Costa, e magistralmente aberto em aço por José Sérgio, que o revelou como Artista de excepcional mérito para trabalhos deste género. A linda composição de Miranda da Costa, audiência do Samorim a Vasco da Gama, quadro cheio de vida, encontrou nos seus buris uma fidelíssima interpretação.

Para a emissão imediata de selos de porteado, ou seja a de 1904, foi José Sérgio incumbido do desenho e da gravura. O trabalho produzido é perfeito e de conjunto muito agradável. A série compunha-se de sete valores.

Muito bonita também a cercadura que executou para uma série de seos de D. Carlos I, que não chegou a emitir-se, por aquelo soberano ter sido assassinado, e que foi depois aproveitada com a felicidade para a emissão de D. Manuel II, Açores de 1910.

Quatro meses após a implantação da República, o Ministério do Fomento publicou a Portaria de 02 de Fevereiro de 1911, abrindo concurso por 30 dias, para o projecto de nova estampilha do Correio. Havia dois prémios, de 100.000 e de 50.000 réis para os desenhos classificados respectivamente em primeiro e segundo lugar. O Júri do concurso era inicialmente composto pelo Director Geral dos Correuos e Telégrafos, Engenheiro António Maria da Silva; Pintores Veloso Salgado e José Malhoa; Escritor Abel Botelho e António dos Santos Lucas, Director da Casa da Moeda, mas à última hora Columbano Bordalo Pinheiro substituiu o Pinto José Malhoa.

Em Abril estavam apreciados os numerosos projectos apresentados e classificado em primeiro lugar o de Constantino Fernandes.

O desenho escolhido era sem dúvida muito bonito, mas prestava-se dificilmente à reprodução em gravura tipográfica; por este motivo, não obstante a perícia de José Sérgio, a quem o trabalho foi confiado, o selo não traduziu a beleza do original, nem deixou brilhar a técnica e a habilidade do Gravador, que bem contrariado executou a tarefa.

Este selo «Ceres» teve, a sua primeira emissão, em 1q912, apenas 15 valores, a que se acrescentaram muitos outros em anos seguintes, como consequência do aumento do custo de vida resultante da Guerra Mundial de 1914-1918 e correspondente elevação das taxas postais.

Com A adaptação da mesma gravura se fizeram as emissões «Ceres» dos nossos territórios coloniais de: Índia, Macau e Timor, de 1913; Angola, Cabo Verde, Congo, Guiné, Inhambane, Lourenço Marques, Moçambique, Quelimane e São Tomé e Príncipe, de 1914.

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

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