Rosa Ramalho, a “Barrista”, mais conhecida em Portugal e até no estrangeiro, no dia em que passam 129 anos sobre o seu nascimento

 

 

Rosa RamalhoROSA Barbosa Lopes RAMALHO. Barrista,  natural da Freguesia de Galegos São Martinho (Barcelos), nasceu a 14-08-1888 e faleceu a 24-08-1977. Filha de Luís Lopes, um modesto Sapateiro, e de Emília Rosa, Tecedeira, ao ver os ciganos a executar cestos de vime começou a reproduzi-los feitos de barro e assim se tornou oleira aos 7 anos de idade, profissão que exerceu até poucos meses antes de falecer.

Sua avó, sempre que saía de casa, recomendava ao seu filho, aquele que veio a ser pai de Rosa, – “ não saias daqui, põe-te à sombra dos ramalhos!” – queria dizer que brincasse à sombra de umas árvores que existiam lá perto. Nasceu assim o apelido que se imortalizou com esta artesã barcelense – “Ramalho”.

Aos sete anos, para ganhar algum dinheiro, foi para casa de uma vizinha que modelava bonecos ou, melhor dizendo, umas figuras imperfeitas de barro. Começou por fazer tiras para cestas, com o intuito de imitar umas ciganas, por quem tinha passado um dia, e que faziam cestas em vime.

Aos 18 anos casou com António Mota, Moleiro de profissão, e teve oito filhos (três morreram à nascença). Durante os anos que esteve casada, quase cinquenta, Rosa pôs de parte o seu trabalho como Barrista e passou a dedicar-se ao mesmo ofício do marido. Ao mesmo tempo, fazia a lida da casa e criava os filhos. O barro passou a ser apenas um divertimento que servia para entreter as crianças nas suas brincadeiras.

Com a morte do seu marido, em Junho de 1956, tinha ela quase 68 anos, abandonou a profissão de moleira. Volta a trabalhar no barro, material que a acompanhou até ao final dos seus dias, com o propósito de ganhar algum dinheiro, e depressa a arte de modelar a “imaginação” se torna na sua paixão. A partir daí, começou a frequentar feiras e romarias, locais onde escoava facilmente os seus trabalhos, espalhadas por todo o país mas, principalmente, pela zona do Porto. Foi nessa altura, em meados da década de 50, que a sua obra despertou a curiosidade de uns jovens estudantes, alunos da Escola Superior de Belas Artes do Porto. A sua presença nas feiras daquela cidade conduziu ao conhecimento público deste “fenómeno” do artesanato português, que rapidamente passou a ser divulgado nos jornais e revistas.

Foi em 1958, a partir de um encontro com um amigo “célebre”, que nasceram as peças assinadas da Rosa “Ramalho”. Jaime Isidoro, assim se chamava, desenhou “RR” num papel e disse-lhe que aquelas duas letras significavam o seu nome e que seriam o suficiente para que as suas peças fossem reconhecidas e tivessem um símbolo de autenticidade. A partir daí, todos os bonecos de Rosa passaram a ter este monograma, referência que marcou para sempre o artesanato local. Rosa Ramalho foi crescendo em popularidade, assim como a sua obra.

O primeiro figurado que modelou foi em chacota (barro por cozer), pintada com tintas não cerâmicas, de cor verde, vermelha e azul, e em chacota sem pintura. Só mais tarde é que começou a fazer figurado vidrado, com cores, principalmente castanho melado.

Senhora de uma criatividade única, inspirada pela lacónica realidade que a envolvia, modelava peças que retratavam as cenas do quotidiano popular, como por exemplo, a matança do porco, mulheres em carros de bois, pombas e músicos, assim como, peças inspiradas no mundo místico das procissões, santos e anjos. Para além destas, produziu uma vasta obra imbuída de um universo que, enquanto criança, a perturbava – “o mundo dos monstros”. Lobisomens, feiticeiras, diabos, bichos informes, entre outras figuras, marcaram um imaginário enigmático e original. Esta vertente da sua obra, fantasmagórica e inimaginável, distinguiu-a de tantos outros barristas desta região, dando-lhe um reconhecimento público que, ainda hoje é notório pelo mundo fora.

Fez inúmeras exposições por todo o país e além fronteiras. Chegava a ser procurada por inúmeras pessoas, ilustres e anónimos, na sua própria casa, onde apreciavam e compravam as suas peças.

A fama não lhe mudou a vida. Continuou ela própria, pobre, humilde, simpática, de gestos simples mas simbólicos

Do seu extenso currículo destacam-se as duas distinções que recebeu: Medalha “As Artes ao Serviço da Nação”, na Feira de Artesanato de Cascais, a 14 de Setembro de 1964; e o Prémio do Melhor Conjunto Figurado, no Concurso de Artesanato realziado em Barcelos, a 24 de Setembro de 1964.

Tornou-se conhecida pelos seus «figurões com que sonhava em menina» e sobretudo pelos seus crucifixos, macerados de ingénua feitura, mas de profunda expressividade. Era dotada de excepcional criatividade, imaginação viva e forte poder de visualização.

Ao longo da sua vida, sempre dedicada ás suas peças de barro, criou uma enorme galeria de personagens populares, ou de natureza sacra, como o Cristo na Cruz, de carácter ingénuo quanto á modelação, mas de grande expressividade. A continuidade da sua arte tem sido garantida pela sua descendência.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Barcelos (Cidade de Barcelos e Freguesia de Galegos de São Martinho); Cascais (Freguesia de São Domingos de Rana); Odivelas; Palmela (Freguesia da Quinta do Anjo); Sintra (Freguesia de Rio de Mouro).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 438 e 439).

Fonte: “Câmara Municipal de Barcelos”

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