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Morais e Castro, o Actor que ficou popular no papel de “Professor do Tonecas”, se fosse vivo, faria hoje 78 anos de idade,

Morais e CastroJosé Armando Tavares de MORAIS E CASTRO, Actor, Advogado e Político, natural de Lisboa, nasceu a 30-09-1939 e faleceu a 22-08-2009. Licenciado em Direito pela Universidade de Lisboa, tendo igualmente exercido a profissão de Advogado e dirigente do Partido Comunista Português. Morais e Castro, que era casado com a Actriz Linda Silva, estreou-se no palco com o Grupo Cénico do Centro 25 da Mocidade Portuguesa quando ainda era estudante do Liceu.

A sua estreia a nível profissional ocorreu no Teatro do Gerifalto, dirigido por António Manuel Couto Viana, com a peça “A Ilha do Tesouro”.Em 1958 estreou-se na televisão interpretamdo “O Rei Veado”, de Carlo Gozzi, realizado por Artur Ramos.

No Teatro do Gerifalto integrou várias peças como “O Fidalgo Aprendiz”, de Francisco Manuel de Melo, ou “Os Velhos não Devem Namorar”, de Afonso Castellau.

Em 1960, interpretou juntamente com Laura Alves a peça “Margarida da Rua” e um ano depois estreou-se na encenação, dirigindo “O Borrão”, de Augusto Sobral, no grupo Cénico de Direito, que no mesmo ano foi preemiado no Festival de Teatro de Lyon (França).

Em 1962 integra o elenco do filme “Pássaros de Asas Cortadas”, de Artur Ramos, tendo integrado entre 1961 e 1965 o Teatro Moderno de Lisboa. Nessa companhia integrou o elenco de várias peças entre as quais “O Tinteiro”, de Carlos Muiz, e “Humilhados e Ofendidos”, de Dostoievski, onde obteve grande sucesso.

Durante a existência do Teatro Moderno de Lisboa, uma companhia fundada sem subsídios e perseguida pela PIDE, contracenou com Actores como Carmen Dolores, Armando Cortez, Fernando Gusmão, Armando Caldas, Glicínia Quartin, Paulo Renato, entre outros. Em 1968 representou vários autores como Peter Weiss; BrechT; Peter Handke e Boris Vian.

Com o Grupo 4 encenou no Teatro Aberto “É preciso Continuar”, de Luiz Francisco Rebello. Em 1985 integra o elenco da comédia “Pouco Barulho”, com Nicolau Breyner, passando depois pela Companhia Teatral do Chiado. Aí, ao lado de Mário Viegas, integrou o elenco de “f Espera de Godot”, de Samuel Beckett. Em 2004, dirigido por Joaquim Benite, interpretou “O Fazedor de Teatro”, de Thomas Bernard, com a Companhia de Teatro de Almada, que lhe valeu a Menção Honrosa da Crítica desse ano.

Participou ainda nas décadas de 1980 e 1990 em novelas e séries portuguesas de televisão. Entre 1996 e 1998 popularizou-se ainda na interpretação do professor em “As Lições do Tonecas”.

Fonte: “Notícias RTP-PT”

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A grande Actriz Maria Matos, aqui lembrada, no dia em que passam 127 anos sobre o seu nascimento.

 

Maria MatosMARIA da Conceição MATOS Ferreira da Silva Mendonça de Carvalho. Actriz, Encenadora, Professora, Dramaturga e Empresária Teatral, natural de Lisboa, nasceu a 29-09-1890 e faleceu a 18-09-1952. Seguiu o Curso de Piano, Canto e Arte Dramática no Real Conservatório de Lisboa, sob a orientação dos Professores Dom João da Câmara, José António Moniz e Augusto de Melo. Apresentou-se para o exame final de Curso com a peça “Rosas de Todo o Ano”, expressamente escrita por Júlio Dantas. Estreou-se profissionalmente em 1907, no Teatro de Dona Maria II, na peça “Judas” de Augusto de Lacerda. Em 1908, tornou-se sócia daquele teatro, de cujo elenco faziam parte Ferreira da Silva, Adelina Abranches e outros vultos importantes da cena teatral portuguesa.

Casada com o Actor Francisco Mendonça de Carvalho, criou com o marido a empresa Maria Matos/Mendonça de Carvalho, tornando-se, posteriormente, Empresária do Teatro do Ginásio.

Das peças que representou, destacam-se: “O Senhor Roubado”, “Em Boa Hora o Diga”, “A Vizinha do Lado”, “Domador de Sogras”, “A Dama das Camélias”, “A Doida”, “Isabel de Inglaterra e Benilde”, entre muitas outras. Fez igualmente cinema, participando nos filmes. “A Varanda dos Rouxinóis” (1939), de Leitão de Barros, “A Menina da Rádio”, “A Morgadinha dos Canaviais”, “Um Homem às Direitas”, e “O Costa do Castelo” (1943), de Artur Duarte.

Em 1940, foi nomeada Professora do Conservatório Nacional, leccionando as cadeiras de Estética Teatral e de Arte de Dizer. A grande popularidade de que desfrutou como Actriz cómica, no Teatro e no Cinema, relegou para segundo plano a sua actividade de Escritora, representada por dois livros de crónicas e versos, África e Dizeres de Amor e de Saudade, (1935), três comédias de factura convencional, Direitos do Coração, em 1 acto, A Tia Engrácia, em 3 actos, 1936, e Escola de Mulheres, em 3 actos, 1937, e várias traduções de obras teatrais de P. Frondaie, J. Benavente, Zola e Pirandello. Postumamente, foram publicadas as suas Memórias, revistas por Alice Ogando, (1955).

Maria Matos ficou também célebre no cinema, em filmes como: O Costa do Castelo (1943), A Menina da Rádio e Um Homem às Direitas (ambos em 1944) ou As Pupilas do Senhor Reitor (1935), A Varanda dos Rouxinóis (1939) ou ainda, A Morgadinha dos Canaviais e Heróis do Mar (ambos em 1949).

Actuou pela última vez, em 1951, no Teatro Sá da Bandeira, ao lado de Maria Helena (sua filha), Alves da Cunha e Vasco Santana, nas peças “Multa Provável e 3 Gerações”.

Maria Matos foi, ainda, agraciada com um louvor publicado no Diário do Governo pelos serviços prestados ao Teatro (1915), o Hábito de Santiago da Espada (1934) e, em 22 de 0utubro de 1969, abriu em Lisboa o Teatro com o seu nome. Pertenceu àSociedade de Autores Portugueses e Brasileiros.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Albufeira; Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Barreiro (Freguesia do Lavradio); Caldas da Rainha (Cidade das Caldas e Freguesia da Serra do Bouro); Cascais (Freguesia de São Domingos de Rana); Lisboa (Freguesia de Benfica, Edital de 10-11-1966, ex-Rua F à Quinta do Charquinho); Matosinhos (Freguesia da Senhora da Hora); Moita; Montijo; Odivelas (Freguesias de Odivelas e Ramada); Oeiras (Freguesia de Linda-a-Velha); Portimão; Seixal; Sesimbra (Vila de Sesimbra e Freguesia da Quinta do Conde); Sintra (Freguesia de Algueirão-Mem Martins); Vila Franca de Xira

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. III, Publicações Europa América)

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres”, (de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 868 e 869).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 349).

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

Márcia Condessa, uma Fadista quase esquecida, no dia em que se completam 102 anos sobre o seu nascimento

 

Márcia CondessaMÁRCIA CONDESSA, Fadista, nasceu em Monção, a 28-09-1915, e faleceu em Lisboa, a 01-07-2006. Filha de gente humilde. Não tendo possibilidade para realizar estudos, veio muito jovem para Lisboa para procurar trabalho.

Trabalha a servir às mesas, e foi no Restaurante da Bica onde Márcia Condessa, na altura trabalhava, que por vezes, davam sessões de Fado, e Márcia que tinha uma voz muito bonita, era desafiada para cantar Fados, cantava também canções galegas, que tinha aprendido quando ainda miúda lá em Monção.

O jornal “Canção do Sul”, em 1938, organiza um concurso de Fados, o “Concurso da Primavera”, embora ela não fosse da Bica, mas como era lá que trabalhava, os habitantes do bairro convenceram-na a participar em representação do Bairro da Bica. Márcia Condessa aceita o desafio, conseguiu passar nas eliminatórias e chega às finais.

Cada concorrente tinha que interpretar dois temas, um era obrigatório ser Fado clássico , mas o outro podia ser fado canção.

No espectáculo para encontrar o vencedor, Márcia Condessa ganha o 1º prémio, por unanimidade. O prémio passava por atribuir o título de «Rainha do Fado – 1938». Foi muito elogiada pelos seus dotes, quer de dicção, quer pela expressão “sentimento” que deu na sua actuação.

Com este estrondoso êxito, passa a cantar profissionalmente quer em casas de fado, quer em espectáculos. Teve várias deslocações ao estrangeiro, no Brasil, esteve cerca de oito meses, integrada numa companhia de teatro, conjuntamente com Irene Isidro, António Silva e Ribeirinho.

Em 1950, abre o seu próprio restaurante típico, ficava no Nº 38 da Praça da Alegria, a que dá o nome “A Casa da Márcia Condessa”. A qual se tornará um pontyo de referência nos circuitos de exibição dos fadistas mais destacados.Para além das actuações da própria Márcia Condessa, passaram por este espaço Artistas como Celeste Rodrigues, Alcindo Carvalho, Teresa Nunes, Alfredo Marceneiro, Fernando Farinha e Beatriz da Conceição, entre outros nomes.

Márcia Condessa consegue uma licença especial para estar aberta até às 5 da madrugada, o que lhe proporciona ter um local para onde aflui grande parte quer de clientes, quer de fadistas, após o fecho das outras casas de fado, que encerravam cerca das 3 horas da madrugada.

Apesar da sua longa carreira não existem quase registos discográficos de Márcia Condessa. Em formato CD existe apenas uma edição conjunta com Adelina Ramos e Berta Cardoso, na colecção “Fados do Fado” da Movieplay. Aqui surgem reeditados os quatro temas que a fadista gravou para a editora Alvorada em 1962: “Embuçado”, “Fado menor (quadras soltas)”, “Canção do Mar” e “Fado das Caravelas”.

Fonte: “Lisboa no Guinness”

Fonte: “Museu do Fado”

Hoje falamos de Virgínia Quaresma, primeira Jornalista de Reportagem em Portugal.

 

Belém 1358VIRGÍNIA Sofia Guerra QUARESMA, Jornalista, nasceu em Elvas, a 28-12-1882, e faleceu em Lisboa, a 26-10-1973. Foi a primeira mulher a exercer o jornalismo em Portugal, fazendo reportagens, entrevistas, crónicas, revelando nas entrevistas que concedeu e na maneira como exerceu a profissão os mesmos ideais de rigor, de independência e de uma informação ao serviço do público, que norteavam o jornalismo da época.

Começou a trabalhar no Jornal da Noite e, a colaborar na secção “Jornal da Mulher” d’O Mundo, onde assinou importantes textos em defesa do feminismo, até Manuel Guimarães a convidar para O Século, em 1908, onde voltou repetidas vezes na sua carreira.

Passou por outros jornais, como A Capital, quando em 1910 Manuel Guimarães fundou este jornal, tendo até Virgínia arrendado um apartamento na Rua do Norte, mesmo em frente ao jornal que era no nº 3, o prédio da esquina com a Praça Luís de Camões. Virgínia Quaresma distinguiu-se nas reportagens políticas e, no Século chegou a Chefe de Informações Gerais e Reportagens Especiais, dando um forte impulso à reportagem e fazendo dela um género nobre.

Colaborou nas redacções dos jornais portugueses, como O Século, A Capital; A Noite e do Rio de Janeiro, como A Época, O Diário Português, A Gazeta de Notícias, o Correio da Manhã, Brasil-Portugal e muitos outros. Fundou uma das primeiras agências de publicidade no jornalismo.

Ficaram célebres as suas reportagens sobre “O Caso dos caixotes ou o desaparecimento dos 1400 contos” ou a estória dum paquete que ia para Pernambuco levando a bordo uma verdadeira fortuna em oiro, destinada à administração daquele Estado, quando três gatunos furtaram alguns caixotes no valor de 1400 contos. Um desses gatunos, Barata Ribeiro, quando ia desenterrar, numa floresta, o ouro roubado, foi surpreendido e preso pela Polícia e o ouro levado para o Comissariado. O mais engraçado é que o dinheiro desapareceu misteriosamente da Polícia.

A curiosidade do público era enorme e a Polícia arrastava-se em investigações que a nada conduziam. Estava-se no dia 31 de Março. Então Virgínia Quaresma decide ir ao Teatro Recreio, onde notara a existência dum actor extraordinariamente parecido com Barata Ribeiro e contratou-o para que aparecesse no Cemitério de Catumby, que ficava próximo da Casa de Detenção onde estava preso o célebre ladrão.

No dia 01 de Abril, dia das mentiras, apareceu no jornal Época um artigo de 1ª página em que Virgínia contava que “tendo ido com o fotógrafo ao cemitério de Catumby, para fazer uma crónica sobre as legendas dos jazigos, vira Barata Ribeiro a evadir-se da prisão. Surpreendido fizera revelações curiosas, revelações que eram o produto da sua investigação e que comprometiam imenso várias individualidades. Distinguiu-se, principalmente, nas reportagens de teor político, sobretudo no período que se seguiu à implantação da República e até ao movimento do 28 de Maio.

Tendo-se radicado no Brasil, onde viveu muitos anos, trabalhou no Correio Português e em A Época, assinando artigos e reportagens que alcançaram grande repercussão naquele País.

A sua actividade jornalística no Brasil valeu-lhe a atribuição de cidadã carioca honorária. Virgínia Quaresma foi, também, uma das primeiras mulheres a licenciarem-se pela Faculdade de Letras de Lisboa.

Foi condecorada com o grande Oficialato da Ordem de Santiago de Espada, pelos serviços que prestou ao País durante a I Grande Guerra.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Lisboa (Freguesia de São Francisco Xavier, Edital de 20-04-1988); Setúbal (*Azeitão).

Fonte: “Dicionário no Feminino, Séculos XIX-XX”, (Direcção de Zília Osório de Castro e João Esteves, Coordenação de António Ferreira de Sousa, Ilda Soares de Abreu e Maria Emília Stone, Livros Horizonte, Edição de Março de 2005, Pág. 889, 890, 891, 892, 893, 894 e 895)

Faleceu no passado Domingo (24-09-2017) o Fadista João Ferreira-Rosa, autor e intérprete do “Fado do Embuçado”, entre muitos outros.

 

João Ferreira RosaJOÃO Manuel Soares FERREIRA-ROSA, Fadista, nasceu na Freguesia de São Mamede (Lisboa), a 16-02-1937, e faleceu no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures, a 24-09-2017. Cantor, Autor de Letras e Empresário. Começou a cantar no meio familiar, mas foi em convívios informais no âmbito do Curso de Regentes Agrícolas, em Santarém, que se apresentou com regularidade (1950).

Entre 1957 e 1959 residiu em Lourenço Marques (Moçambique), onde concluiu o Liceu.

Regressado a Portugal, cantou como amador em Casas de Fado, primeirto em Lisboa (A Cesária; Márcia Condessa; Tipóia, foram algumas das Cadas de Fado onde actuou, entre 1959 e 1960 e, posteriormente, na zona de Cascais (Estribo Clube, em 1964, tendo contiuado cantar em ambientes informais, no Núcleo de Amigos, de Alcochete, Santarém e Chamusca.

Na década de 1960 actuou pela primeira vez na Emissora Nacional (Nova Onda, em 1962, e Vinte Minutos de Fado, em 1965) e na RTP, temdo gravado o seu primeiro fonograma, em Dezembro de 1965, um EP que incluía O Embuçado, o seu fado mais conhecido.

Em 1967 abriu a Taverna do Embuçado, em Alfama (Lisboa), um Restaurante de luxo com exibição de fado, ue foi frequentado por figuras nacionais e estrangeiras do mundo do espectáculo e da política.

Em 1974 publicou o livro Fado, cuja distribuição foi proibida por defender ideias monárquicas e anti-republicanas.

João Ferreira-Rosa era proprietário do Palácio de Pintéus, nos arredores de Loures, que fora propriedade da poetisa Maria Amália Vaz de Carvalho e que serviu de cenário a vários programas de fado, transmitidos pela RTP, em que participaram os fadistas Alfredo Marceneiro, Maria do Rosário Bettencourt, Teresa Silva Carvalho e João Braga, e os músicos Paquito, José Pracana, José Fontes Rocha, entre outros.

João Ferreira-Rosa é, igualmente, autor de letras (algumas de cariz assumidamente monárquico) e melodias para fados estróficos, que integram o seu repertório e de outros Fadistas como João Braga, Nuno da Câmara Pereira e Maria da Nazaré.

João Ferreira-Rosa, era figura assídua das galas anuais Carlos Zel, no Casino Estoril, do seu repertório constam, entre outros, os fados “Os Saltimbancos”, “Acabou o Arraial”, “Fragata” e “Portugal Verde e Encarnado”.

O seu estilo interpretativo é caracterizado por uma abordagem melódica linear e pelo uso do “rubato”, do prolongamento de sílabas e de suspensões que, associadas a duma dicção clara, contribuem para uma interpretação centradas nas palavras.

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX”, (Direcção de Salwa Castelo-Branco, Volume 2 C-L, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Fevereiro de 2010, Pág. 481)

Fonte: “Jornal Expresso

Aurora de Castro, a primeira Notária em Portugal, na Toponímia de Almada e de Lisboa.

Belém 1360AURORA Teixeira DE CASTRO e Gouveia, Advogada, nasceu no Porto, em 1891, e faleceu em Valongo, em 1931. Era filha de Samuel Teixeira de Castro.

Estudou na Universidade de Coimbra, onde se Licenciou em Direito, em 1916. Foi a primeira mulher Notária em Portugal e, as suas qualidades a impuseram no notariado lisbonense.. Teve Cartório em Alcântara.

Também tomou parte no I Congresso Feminista da Educação, em maio de 1924, no qual apresentou 2 teses sobre a mulher –Reivindicações Sociais e Políticas da Mulher Portuguesa na República e Situação da Mulher Casada nas Relações Matrimoniais dos Bens do Casal , sendo uma delas bastante ousada para a época ao exigir para as mulheres portuguesas a igualdade política plena, em nome dos princípios de uma autêntica democracia e, consequentemente, o direito ao voto, para além de também enaltecer a justiça da igualdade na família e no casamento.

Notária e publicista, distinguiu-se como defensora dos direitos da mulher, sendo as suas obras mais importantes: “Reivindicações Sociais e Políticas da Mulher Portuguesa na República”, “Situação da Mulher Casada nas Relações Matrimoniais” e “Notariado Português-Sua História, Evolução e Natureza”; Monografia da Cidade do Porto, (1926).

Tomou parte no Congresso Feminino da Educação, em 1924, no qual apresentou duas teses sobre a mulher: Reivindicações Políticas da Mulher Portuguesa e Situação da Mulher Casada nas Relações Matrimoniais.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Lisboa (Freguesia de São Francisco Xavier, Edital de 20-04-1988).

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres, de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 1278 e 1279”

Fonte: “Dicionário no Feminino, Séculos XIX-XX”, (Direcção de Zília Osório de Castro e João Esteves, Coordenação de António Ferreira de Sousa, Ilda Soares de Abreu e Maria Emília Stone, Livros Horizonte, Edição de Março de 2005, Pág. 156 e 157)

Faleceu ontem, Dom Manuel Martins, Bispo Emérito de Setúbal. Dom Manuel Martins, foi sempre um defensor dos mais pobres e um inconformado com as injustiças sociais.

 

Dom Manuel MartinsDOM MANUEL Maria da Silva MARTINS, Bispo, nasceu na Freguesia de Leça do Balio (Matosinhos), a 20-01-1927, e faleceu na Maia, a 24-09-2017. Protagonizou uma actividade episcopal que faz lembrar o papel do Bispo «vermelho» de Olinda (cidade brasileira), Dom Hélder da Câmara.

A sua colaboração inequívoca ao lado dos mais desfavorecidos e as suas posições progressistas valeram-lhe o respeito e foram o contraponto relativamente a uma Igreja que fora acusada de ter estado ao lado do antigo regime totalitário de Slazar e Caetano. Por certo que, aos 11 anos de idade, quando manifestou a sua vocação sacerdotal, ninguém lhe augurava um papel de relevo na vida eclesiástica. Datam dessa altura as suas primeiras manifestações de preocupação pelos pobres, distribuindo o remanescente de pão que a mãe cozia.

Começou novo a vida pelos seminários, onde se manteve até aos 24 anos. Ingressou no Seminário de Vilar, no Porto, em 1941, três anos depois de ter iniciado os estudos preparatórios. Revelou um sentido especial pela música, integrando, como barítono, a Schola Cantorum, o coro do Seminário Maior do Porto.

Ainda moço, Dom Manuel teve como Professor um homem que o marcou para sempre, António Ferreira gomes, o futuro Bispo do Porto. Coincidindo com o fim da Segunda Grande Guerra, entrou no Seminário Maior de Teologia, à Sé, onde se revelou um aluno exemplar, prosseguindo afincadamente os estudos, que terminou em 1951. Neste mesmo ano, em 12 de Agosto, foi ordenado Padre em Santo Tirso, dizendo a sua primeira missa, exactamente sete dias depois na sua terra natal. Ingressou logo de seguida na Universidade Gregoriana, em Roma, onde permaneceu durante três anos. Regressado ao Porto, foi Vice-Reitor do Seminário da Sé, ensinando Ética, Direito Canónico, Introdução à Bíblia, Teologia e Grego Clássico.

Viria depois a ser nomeado Pároco de Cedofeita. Em 1961, nesta Paróquia, não esquecendo a amizade que o ligava a Dom António Ferreira Gomes, escreve ao Cardeal Cerejeira, a propósito do seu habitual jantar natalício com Salazar, insinuando que certamente abordariam a questão do Bispo do Porto, exilado dois anos antes.

Enquanto Pároco de Cedofeita, foi responsável pela construção da sua Igreja nova, onde reservava dois dias por semana para visitar os mais pobres e doentes.. Cedofeita foi a primeira grande experiência de Dom Manuel Martins, que revelou nesta Paróquia uma actividade ilimitada, criando o boletimn paroquial e abrindo o Refúgio dos Pequeninos, para bebés nascidos no seio das famílias mais pobres. Lançou também uma rubrica Conversas Soltas, nas emissoras nortenhas, em que se abordava o que ia acontecendo em Cedofeita. Com fins sociais e culturais foi aberta a Arca de Noé, que recebe directamente a sua influência.

Com o regresso ao Porto de Dom António Ferreira Gomes, em 1969, regressou ao Seminário da Sé, tendo sido nomeado Vigário-Geral peo Bispo do Porto. Faltavam então cinco anos para o 25 de Abril de 1974, Dom Manuel Martins teria então de esperar seis anos para que a sua acção fosse superiormente reconhecida.

Em 16 de Julho de 1975 foi nomeado primeiro Bispo de Setúbal, tendo recebido a ordenção episcopal em 26 de Outubro do mesmo ano, na Igreja de Nossa Senhora da Graça, naquela cidade. Resignou em Abril de 1998, a seu pedido, continuando a percorrer o país em intervenções da área social. Ficou lembrada, no final do século passado, a sua passagem pela Ilha do Corvo, nos Açores.

Tendo apanhado o Processo Revolucionário em Curso (PREC) quase no fim, Setúbal resultou numa experiência enriquecedora, era uma zona de forte implantação comunista e foi também uma área onde o espectro da fome e da pobreza, determinado por uma ressaca política e pelo encerramento de lagumas unidades industriais, pairou a seguir ao 25 de Novembro, uma vez terminado o período de intensa luta política que caracterizou o chamado Verão Quente de 1975. Foi durante muitos anos uma voz discordante, assumindo com voz crítica os problemas vividos na região. Foi nomeado por várias autarquias como cidadão honorário, tendo sido condecorado com diversas medalhas de mérito. A cidade de Setúbal deu o seu nome a uma Escola Secundária, o que também aconteceu no pólo sul da Universidade Moderna.

É doutor honoris causa pela Universidade Lusíada. Foi Presidente da Acção Social e Caritativa durante dois mandatos, exercendo o cargo de Presidente da Comissão Episcopal das migrações e Turismo, também durante dois mandatos. O exercício destes cargos levou-o a percorrer diversos países. Foi igualmente Presidente da secção portuguesa da Pax Christi, assumindo igual cargo na Fundação SPES, surgida por vontade expressa de Dom António Ferreira Gomes.

Dom Manuel Martins foi membro de um Conselho Europeu para a atribuição de um prémio ao melhor jornalista a escrever sobre exclusão social. Colaborou activamente com a Imprensa, Rádio e Televisão. Tem dois livros publicados: Um Modo de Estar e Pregões de Esperança. Há também diversas obras publicadas focando a sua vida e acção, como História de Uma Crise – O Grito do Bispo de Setúbal, Dom Manuel Martins -.Bispo Resignatário mas não Resignado, Consersas à Quinta-feira, entre outros.

O Bispo Emérito de Setúbal, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Cristo, durante as comemorações do dia 10 de Junho de 2007, em Setúbal, e com o Galardão dos Direitos Humanos da Assembleia da República, a 10 de Dezembro de 2008.

Em Maio de 2015, foi condecorado com a Medalha da Ordem de Timor-Leste, pelo papel que teve na restauração da independência daquele País.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Matosinhos (Freguesia de Leça do Balio); Sesimbra; Setúbal (onde existe a Escola Dom Manuel Martins).

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 223 e 224).

António Tabucchi, um Italiano mais português, que muitos Portugueses.

 

António TabucchiANTÓNIO TABUCCHI, Escritor e Professor, nasceu em Vecchiano,Província de Pisa (Itália), a 24-09-1943, e faleceu no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa, a 25-03-2012. Filho único de um vendedor de cavalos, estudou Filologia Românica e, a partir de 1962, Literatura em Paris, onde descobriu o poeta Fernando Pessoa ao ler a tradução para o francês de um de seus poemas.

Escritor italiano, desde há muito ligado a Portugal. Professor de Língua Portuguesa na Universidade de Siena. Apaixonado por Portugal, era também tradutor e crítico da obra de Fernando Pessoa, à qual chegou nos anos 1960.

Em Paris, quando jovem, apaixonou-se pela “Tabacaria” de Álvaro de Campos, que o trouxe a Portugal, no final dos anos 60. Fascinou-se por Lisboa e pela obra de Pessoa, conheceu Alexandre O’Neill e Maria José de Lencastre, com quem veio a casar e a traduzir, para o italiano, a obra do génio da heteronímia.

Entre outras obras, Antonio Tabucchi escreveu uma comédia teatral sobre Pessoa. Entre os prémios que recebeu figuram o Prémio Médicis, por “Nocturno Indiano”, e o Prémio Campiello, por “Afirma Pereira” . Estava sempre na lista de candidatos ao Nobel da Literatura.

Entre as obras adaptadas para o cinema, destaca-se “Afirma Pereira” (1995), cujo protagonista foi Marcello Mastroianni, que contracena com Mário Viegas e João Grosso, entre outros.

Nas eleições europeias de 2004, o escritor participou na lista do Bloco de Esquerda ao Parlamento Europeu, na sétima posição, explicando que o importante era participar, que a sua candidatura visava defender a cultura e que estaria disponível também para integrar as listas de outro partido de esquerda, desde que tivesse sido convidado para tal e que se identificasse com as opções políticas.

Aliás, a nacionalidade portuguesa foi-lhe concedida em 2004, uma mera formalidade para quem costumava dizer que sonhava frequentemente em português.

Entre as suas obras figuram também “Pequenos equívocos sem importância”, “Une baule pieno di gente”, “Os últimos três dias de Fernando Pessoa”, “A cabeça perdida de Damasceno Monteiro” e “Está a fazer-se cada vez mais tarde”.

Nos jornais italianos, franceses ou espanhóis, Antonio Tabucchi foi ainda um pensador do mundo que o rodeava, contra a xenofobia e o preconceito, em particular voz crítica da governação de Silvio Berlusconi. Em maio de 2008, no Unitá, Antonio Tabucchi mencionou os laços mafiosos de Renato Schifani, o advogado italiano que era um dos principais suportes políticos de Berlusconi. Repetia as informações que já eram conhecidas do público, precisando que o Presidente do Senado italiano tinha sido absolvido apesar das suspeitas.

Apesar destes cuidados, Schifani não hesitou em processar o escritor e o montante astronómico da indemnização pedida fez soar os alarmes da defesa da liberdade de imprensa.

Um conjunto de intelectuais lançou então um apelo em forma de petição a favor de Antonio Tabucchi. Entre os primeiros subscritores encontravam-se os cineastas Theo Angelopoulos, Costa-Gravas, os escritores Philip Roth, Jorge Semprun e Fernando Savater. Na origem do apelo estavam dois portugueses, António Lobo Antunes e Mário Soares.

Fonte: “esquerda.net”

Fonte: “Assembleia Municipal de Lisboa”

“Aureliano Lima, o Escultor Poeta”

 

Aureliano LimaAURELIANO LIMA, Escultor e Poeta, nasceu em Carregal do Sal, a 23-09-1916, e faleceu em Vila Nova de Gaia, a 15-12-1984. Desde muito cedo, a vida não foi fácil para quem trazia consigo a vocação de ser Escultor e Poeta. Estudou Em Oliveira do Hospital, para onde se mudou com os pais para Lagares da Beira, onde manteve residência durante vários anos.

Andou por Coimbra nos anos do surto neo-realista, em Curso que não concluiu na Escola de Avelar Brotero, e radicou-se em Gaia em 1959, onde faleceu em Dezembro de 1984.

A sua carreira desdobrou-se através de uma escultura de carácter classizante (retratos e bustos de Pascoaes, Torga, Antero, Afonso Duarte, Paulo Quintela, Mário Braga, Pessoa e outros), mas foi realmente um percursor no plano da «escultura em ferro», de tendência geométrica e abstracta, que passou a realizar nos fins de 1950. Foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian, em Paris, entre 1965 e 1968, tendo frequentado os Ateliers Szabo e chegando a participar numa exposição colectiva, em 1967, que reuniu obras de Henry Moore, Marini, Penalba e outros Escultores modernos.

Das obras de escultura de grandes proporções que pôde executar em mais de quarenta anos de trabalho, destacam-se o baixo-relevo em cimento na fachada do Teatro Alves Coelho (Arganil), as peças em bronze O Grito, 1981 (Nelas), A Homenagem, 1982 (Biblioteca Pública de Vila Nova de Gaia) e Monumento de Homenagem a Fernando Pessoa, 1983 (Santa Maria da Feira).

Colaborou em jornais e revistas literárias e não deixou de publicar regularmente os seus livros de poemas, revelando-se como um Poeta de tendência nitidamente rilkeana e desde cedo influenciado pelo estreito convívio mantido em Coimbra com Afonso Duarte, Eduardo Lourenço, Carlos de Oliveira e outros. Foi galardoado com o Prémio Galaico de Poesia. Colaborou em vários jornais e revistas literárias, como: Vértice, Seara Nova, Diário de Coimbra, Comércio do Porto, Jornal de Notícias e Diário de Lisboa.

Obras principais: Rio Subjacente, (1963); Os Círculos e os Sinais, (1974); Tempo de Dentro-Fora, (1975); O Homem Cinzento ou a Alquimia dos Números, (Prefácio de Fernando Guimarães, narrativa, 1975); Cântico e Eucalipto, (1978); Espelhos Paralelos, (1983); Ele e os Outros, (1983); Os Rios e os Lugares, (antologia poética organizada e prefaciada por Serafim Ferreira, 1985); O Leito e a Casa, (1986).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Carregal do Sal; Vila Nova de Gaia.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América)

Fonte: “Dicionário de Autores da Beira-Serra”, (de João Alves das Neves, Editora Dinalivro, 1ª Edição, Novembro de 2008, Pág. 159 e 160).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 301).

Leonor Pimentel, “A Portuguesa de Nápoles”

Leonor PimentelLEONOR da Fonseca PIMENTEL Chaves, Jornalista e Escritora, nasceu em Roma, a 13-01-1754, e foi enforcada, por motivos políticos, em Nápoles (Itália), a 20-09-1799. Leonor Pimentel, filha do aristocrata Henrique da Fonseca Pimentel, numa família que abandonou Portugal por oposição às políticas do Marquês de Pombal e partiu para Roma, de onde saiu em 1760 para se fixar em Nápoles, começou a fazer versos com 16 anos e em 1777 produziu “Il trunfo della virtu”, um drama dedicado ao Marquês de Pombal que ela admirava.

Quando a Cúria Romana rompeu com Portugal em 1760, o seu pai viu-se forçado a sair de Roma e fixou-se em Nápoles. Aí, começou Leonor a estudar com excelentes mestres, entre eles o famoso Apallanzani. De esmerada educação e grande beleza, chamou a atenção dos meios aristocrático e literário.

Logo em 1789 pronunciou-se abertamente pelos princípios da Revolução Francesa e tornou o seu salão o centro de reunião dos liberais e dos que se opunham à corte. Em 1798, o Rei refugiou-se na Sicília para evitar Napoleão e proclamou a República Partenopeia e, Leonor Pimental foi redactora do jornal da República,Il Monitore Napolitano”, que teve profunda influência na moderação das decisões do governo revolucionário da época, e tornou-se uma mulher pioneira na direcção de um jornal político. Quando a efémera República Napolitana caiu (1797-1799) Eleanora (como os italianos a tratam) foi acusada de traição e condenada à morte, por enforcamento, o qual teve lugar na Praça do Mercado de Nápoles.

Foi dama de honor da Rainha Maria Carolina, mulher de Fernando IV de Nápoles, mas entrou depois em conflito com a corte por se ter tornado republicana e liberal. As suas ideias levaram-na a pronunciar-se abertamente, em 1789, pela Revolução Francesa, e o seu salão, em Nápoles, tornou-se o ponto de reunião de liberais e dos que se opunham à monarquia. Quando os exércitos de Napoleão entraram em Nápoles e a família real foi obrigada a fugir, Leonor tomou parte nas actividades políticas da incipiente República Partenopeia e chegou a redactora do jornal oficial. Mas deu-se a queda da República e o regresso da monarquia, e Leonor foi acusada de traição e condenada à morte.

Falava e escrevia correctamente o português, e em toda a sua obra é manifesto o seu interesse por Portugal, não seu berço, mas, sua pátria de adopção, de onde era a sua família. Uma vez, que foi ao Teatro de São Carlos, o público pediu-lhe que cantasse a Marselhesa Napolitana, o que fez no meio de grande entusiasmo e ovação.

Escreveu artigos de carácter político e revolucionário em diversos jornais. Inspirou algumas personagens de escritores portugueses e estrangeiros, e a ela se refere Pinheiro Chagas no seu romance histórico “Duas Flores de Sangue”. Num filme mudo português “A Portuguesa de Nápoles”, era ela a figura principal. O seu nome figura no Pantheon dei Martiri.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de Belém, ex-Freguesia de São Francisco Xavier, Edital de 20-04-1988, antiga Rua 2 do Bairro de Caselas); Sintra (*Freguesia de São Pedro de Penaferrim)

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”