“Efemérides”

 

Batalha de AlmosterPassam hoje 184 anos sobre a Batalha de Almoster. A Batalha de Almoster, também conhecida por Batalha de Santa Maria ou Batalha da Ponte de Santa Maria, por se ter desenrolado nesse lugar da Freguesia de Almoster, Concelho de Santarém.

Esta batalha travada entre as tropas liberais, comandandas pelo Marechal Saldanha, e as forças absolutistas que, dirigidas pelo General Lemos, se encaminhavam para Lisboa.

Esta Batalha constituiu um dos mais importamtes acontecimentos militares das Lutas Liberais, pois correspondeu à queda definitiva da resistência miguelista.

Em Santarém, na Freguesia de Almoster existe uma Artéria com a designação de: Rua Batalha de Almoster.

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Recordamos hoje a grande Bailarina, que foi Isabel Santa Rosa que, se fosse viva, faria hoje 87 anos de idade.

 

Isabel Santa RosaISABEL SANTA ROSA Félix, Bailarina, nasceu em Marrocos, a 18-02-1931, e faleceu em  Lisboa. a 16-09-2001. Filha de pais emigrados em Casablanca, estudou no Conservatório local com a Professora russa Mentine Patti. Foi uma figura fundamental do Ballet Gulbenkian ao longo dos primeiros doze anos de eistência da Companhia. Com uma formação clássica e simultaneamente dotada de um lirismo extremamente delicado, Isabel Santa Rosa foi a grande «prima bailarina» portuguesa dos anos 60 e 70. Pertencendo ao elenco do Ballet Gulbenkian desde a sua criação, em 1965, foi aqui que brilhou intrepretando os papéis principais do reportório clássico que a Companhia então apresentava com frequência: Lago dos Cisnes (2º acto), As Sílfides, As Bodas de Aurora, Quebra-Nozes.

Formou com Armando Jorge o grande par clássico do Ballet Gulbenkian. Isabel Santa Rosa, soube fazer com empenho e profissionalismo a «viagem» para o reportório contemporâneo, que a partir dos anos 70 o Ballet Gulbenkian começou a cultivar. Nesta área foi, sobretudo, em obras de Carlos Trincheiras, então coreógrafo da Companhia, que Isabel Santa Rosa exibiu os seus talentos; obras como: Arquipélago Inter-Rupto ou Lamentos, foi precisamente com Lamentos que, em Junho de 1976, num espectáculo efectuado no Anfiteatro de Ar Livre da Fundação Gulbenkian, Isabel Santa Rosa fez a sua última aparição como bailarina principal do Ballet Gulbenkian.

No Verão de 77 deixou o Ballet Gulbenkian – então com a categoria de “Bailarina Principal Convidada” – para exercer o cargo de Sub-Directora do Ballet do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, então dirigido por Jorge Garcia (temporada de 1978/79). Volta ao Brasil como Mestra-de-Bailado do “Grupo Corpo”, de Belo Horizonte e depois do “Grupo de Dança do Palácio das Artes”, da mesma cidade. A partir de 1981 estabeleceu-se na cidade de Curitiba/Paraná, onde exerceu, até 1993, as funções de Mestra-de-Bailado do Ballet do Teatro Guaíra (BTG). Em Janeiro de 1994 regressou a Portugal para assumir as funções de Directora Artística da Companhia Nacional de Bailado, cargo que deixou no Verão de 1996.

Em Outubro de 1977 voltará, episodicamente, a esta Companhia, como artista convidada, para interpretar uma nova coreografia de Carlos Trincheiras: Enigmas – Memória de Uma Tragédia Grega, com inspiração no Édipo de Sófocles.

O seu nome faz parte da Toponínia de: Seixal (Aldeia de Paio Pires).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 469).

Recordamos hoje, José Morgado, Professor, Matemático e Investigador, que foi mais uma das vítimas do Estado Novo, se fosse vivo, faria hoje 97 anos de idade.

José MorgadoJOSÉ Cardoso MORGADO Júnior, Professor e Investigador, nasceu na Freguesia de Pegarinhos (Alijó), a 17-02-1921, e faleceu no Porto, a 08-10-2003. Fez a Escola Primária em Pegarinhos, e o primeiro e segundo anos do Liceu em Favaios, que fica a uns 19Kms da sua aldeia natal. Não se tendo inscrito no terceiro ano do Liceu, por a família não poder arcar com as despesas necessárias, já que a localidade mais próxima onde o poderia fazer era Vila Real, a uns 60Kms de Pegarinhos, foram alguns dos Professores que se encarregaram de tratar pessoalmente de garantir que o adolescente José Morgado prosseguisse os seus estudos, pois tinha-se revelado já um aluno excepcional, não apenas nesta ou aquela disciplina, mas em todas, como escreve aquele que seria o seu Professor de Filosofia em Vila Real, Sant’anna Dionísio.

José Morgado fez os seus Estudos Superiores na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, tendo-se Licenciado em Ciências Matemáticas no ano de 1944. Além de serem anos de guerra, o período em que foi estudante na Universidade foi também um momento singular na história da Ciência e da Matemática em Portugal. O grande obreiro da verdadeira revolução ao que então teve lugar foi António Aniceto Ribeiro Monteiro, que fundou em 1937 a única revista sobrevivente destinada à publicação de trabalhos de investigação em Matemática, a Portugaliæ Mathematica e impulsionou a criação da Gazeta de Matemática, da Sociedade Portuguesa de Matemática, do Centro de Estudos Matemáticos de Lisboa e da Junta de Investigação Matemática.

Seguindo o exemplo de António Monteiro, Ruy Luís Gomes fundou em 1941 o Centro de Estudos Matemáticos do Porto onde António Monteiro foi chamado a colaborar logo nas suas primeiras actividades. Foi em todo este contexto de uma geração verdadeiramente excepcional em toda a história da Matemática em Portugal que José Morgado estudou e conviveu. Foram anos cheios de actividade e entusiasmo a que a repressão do Estado Novo veio por termo. Nas palavras de José Morgado:

Estas actividades funcionavam no Laboratório de Física da Faculdade de Ciências de Lisboa, mas […] o fascismo desencadeou, em 1947, uma grande ofensiva contra os trabalhadores científicos e contra as universidades.

Começa aqui um longo interregno na vida de José Morgado durante o qual, segundo o seu Curriculum Vitæ. Entre o seu afastamento do ensino oficial em 1947 e a sua partida para o Brasil em 1960, como Professor contratado, viveu de lições particulares de Matemáticas Gerais, Cálculo Infinitesimal, Álgebra, Geometria Descritiva, Geometria Projectiva e outras disciplinas matemáticas, para estudantes do Instituto Superior de Agronomia, do Instituto Superior Técnico e da Faculdade de Ciências de Lisboa, até Outubro de 1958, tendo, em seguida, fixado a sua residência no Porto, onde deu lições particulares para estudantes da Faculdade de Economia e da Faculdade de Ciências do Porto, desde Novembro de 1958 até Dezembro de 1959.

Foi talvez nesta longa experiência de contacto directo com estudantes que se desenvolveram as notáveis qualidades pedagógicas de José Morgado e que desde logo o tornaram um explicador popular como mais tarde o viriam a tornar um professor excepcional. Segundo a sua viúva, Dra. Maria Helena Vinhas Novais, estes 13 anos de actividade docente particular foram interrompidos por períodos na prisão com o objectivo de coarctar a sua actividade política. O que ganhava como explicador não só lhe permitia viver com algum desafogo como pagar as dívidas contraídas durante os períodos de reclusão.

Foi na prisão que escreveu o segundo trabalho que consta da sua lista de publicações [12], o que se apresenta como o primeiro volume de um livro sobre reticulados, publicado pela Junta de Investigação Matemática em 1956. Trata-se, provavelmente, das notas de um curso que gostaria de ter dado.

Foi demitido por razões políticas em Junho de 1947, juntamente com outros Professores como Bento de Jesus Caraça, Ruy Luís Gomes, Mário Silva, Zaluar Nunes e Remy Freire. Em Janeiro de 1960 foi contratado como professor de Matemática da Universidade de Pernambuco, Brasil, onde teve uma actuação destacada. Em 1967, conjuntamente com Ruy Luís Gomes, iniciou os cursos de Mestrado em Matemática no Instituto de Matemática da Universidade Federal de Pernambuco. Em Outubro de 1974 foi, por despacho do Ministro da Educação e Cultura, reintegrado no lugar de assistente, além do quadro, do Insituto Superior de Agronomia, da Universidade Técnica de Lisboa. Em Novembro de 1974 foi nomeado professor catedrático de Matemática Pura da Faculdade de Ciências do Porto. Atingoi o limite de idade em 17 de Fevereiro de 1991, mas continuou a leccionar até Setembro de 1998. Em 19 de Fevereiro de 1999 foi alvo de uma homenagem da Universidade do Porto. O Professor José Morgado tem mais de uma centena de trabalhos publicados, essencialmente nas áreas de Álgebra e História da Matemática.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Sobreda – Rua José Morgado).

Fonte: “Instituto Camões – Centro Virtual Camões”, (por Jorge Almeida e António Marchiavelo)

Recordamos hoje, o Professor e Geógrafo Orlando Ribeiro, considerado o criador da Geografia Moderna em Portugal.

 

Orlando RibeiroORLANDO da Cunha RIBEIRO, Professor e Geógrafo, nasceu em Lisboa, a 16-02-1911, e faleceu na Amadora, a 17-11-1997. Geógrafo, Historiador e Etnógrafo. Professor Universitário. Passou a sua infância fora de Lisboa, principalmente nos arredores de Almada e em Viseu, onde tomou o gosto pelo campo. Fez os estudos Secundários no Liceu Passos Manuel, em Lisboa, cidade em cuja Universidade se licenciaria em História e em Geografia (1932), tendo ali sido discípulo de Leite de Vasconcelos e David Lopes. Em 1936, Doutorou-se em Geografia, pela Universidade de Lisboa, com a tese A Arrábida: Esboço Geográfico. Foi Leitor na Sorbonne (1937-1940), Professor de Geografia na Universidade de Coimbra (1941-1943) e na de Lisboa (1943-1971), ensinaria ainda no Colégio de França e na Sorbonne, bem como em outras Universidades de França, do Brasil, de Espanha e do Canadá. Na Universidade do Rio de Janeiro dirigiu um Curso de Altos Estudos Geográficos (1956) e, integrado nos 1º e 2º Cursos de Férias da Universidade de Lisboa no Ultramar, ensinou Geografia em Luanda e Lourenço Marques (1960 e 1961).

Durante a sua estada na Universidade de Coimbra, criou ali o Centro de Estudos Geográficos, de que foi o primeiro Director (1942-1943), iniciativa que repetiu na Universidade de Lisboa (1943), sendo também aí o primeiro Director. Deste último Centro haveria de sair a revista geográfica Finisterra.

Em 1960, conheceu na Suécia, num congresso, Suzanne Daveau, que fora Professora de Geografia no Senegal e ensinava então em França. Em 1965, Suzanne abandonou a sua carreira em França e casou com o português de quem passou a ser um dos principais colaboradores.

Para além de ser membro de numerosas instituições científicas portuguesas e estrangeiras, era Doutor Honoris Causa por cinco Universidades. Para Raquel Soeiro de Brito, trata-se do «primeiro nome da Geografia moderna portuguesa», pois, justifica, antes dele, a Geografia era sobretudo a descrição da paisagem. Ele acrescentou a interpretação». Tendo revolucionado a Geografia em Portugal, nomeadamente com a sua obra fundamental, Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico (1945), acabou, como afirma José Mattoso, com o «chavão da unidade nacional que foi e continua a ser um mito». «Um dos vultos mais notáveis da cultura portuguesa do Século XX», como afirma Carlos Alberto Medeiros, é autor de mais de três centenas de títulos, vários dos quais traduzidos em alemão, castelhano, francês, inglês e italiano e que abrangem não só a Geografia mas também a História, a Etnologia, a Pedagogia e o próprio trabalho de investigação científica.

Inédita, ainda, a sua obra poética, que, a avaliar pelos escassos inéditos que em 1995 permitiu que fossem revelados, não desmerecerá nada da científica, a qual, aliás, reflecte frequentemente o Poeta e o Humanista. Para além de ter trabalhos dispersos por nunerosas revistas científicas, portuguesas e estrangeiras, colaborou no Dicionário de História de Portugal, dirigido por Joel Serrão, com artigos fundamentais de que se destacam os que se referem à Formação de Portugal e ao Povoamento. Partindo do esboço constituído pelo volume Portugal, publicado em Espanha em 1955 e incluído na obra Geografia de España y Portugal, Orlando Ribeiro, de colaboração com sua mulher e com o Professor alemão Hermann Lautensach, publicou, em 1987-1991, uma Geografia de Portugal, que já vai na 3ª edição e constitui a chave de ouro da sua extraordinária obra científica.

Obras principais: A Arrábida: Esboço Geográfico, (1935); Villages et Communautés Rurales au Portugal, (1939); Contribuição para o Estudo do Pastoreio na Serra da Estrela, (1941); Expressão da Terra Portuguesa, (1945); Portugal, o Mediterrâneo e o Atlêncito, (1945, 3ª edição revista e actualizada, 1967, edição iliustrada por Jorge de Barros, 1993); L’ILe de Mad´`ere: Étude Geographique, (1949); Le Portugal Central, (1949); A Ilha do Fogo e as Suas Erupções, (Prémio Abílio Lopes do Rego, 1954 e 1960); Geografia de España y Portugal, (volume Portugal, 1955); São Paulo, Metrópole do Brasil, (1955), Veneza, (1956); Atitude e Explicação da Geografia Humana, (1957); Geografia e Civilização: Temas Portugueses, (1961); Aspectos e Problemas da Expansão Portuguesa, (1962); Problemas da Universidade, (1964); Acerca de Alguns Conceitos Fundamentais da Investigação Científica, (1965); Rigor e Reflexão na Ciência Moderna, (1966); O Mediterrâneo: Ambiente e Tradição, (1968); Ensaios de Geografia Humana e Regional, (Prémio Nacional do Ensaio, 1970); Variações Sobre Temas da Ciência, (1970); Introdução Geográfica à História de Portugal, (1977); A Colonização de Angola e o Seu Fracasso, (1981); Ciência e Humanismo, (1983); Iniciação em Geografia Humana, (1986); Introdução ao Estudo da Geografia Regional, (1987); Geografia de Portugal, (em colaboração com Suzanne Daveau e Hermann Lautensach), Volume I: A Posição Geográfica e o Território, (1987); Volume 2: O Ritmo Climático e a Paisagem, (1988); Volume III: o Povo Português, (1989); Volume IV: A Vida Económica e Social, (1991).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Cascais (Freguesia de Cascais); Lisboa (Freguesia do Lumiar, Edital de 15-12-1997); Oeiras (Freguesia de Porto Salvo); Palmela (Freguesia de Pinhal Novo); Porto; Setúbal; Tavira; Vila Nova de Gaia.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Volume IV, Organiado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Coordenação de Ilídio Rocha, Editado por Publicações Europa América, Edição de Março de 1998, Pág. 474, 475, 476 e 477).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 452).

Natália Nunes deixou-nos no passado dia 13 de Fevereiro. Natália Nunes foi Escritora, Defensora dos Direitos das Mulheres, Antifascista e era viúva do Professor Rómulo de Carvalho, mais conhecido por António Gedeão (Poeta)

 

Natália NunesMaria NATÁLIA Paiva NUNES da Gama Carvalho, Escritora, nasceu em Lisboa, a 18-11-1921, e faleceu na Ericeira (Mafra), a 13-02-2018. Ficcionista, tradutora e Bibliotecária-Arquivista. Foi casada com o Professor Rómulo de Carvalho (Poeta António Gedeão). Licenciada em Ciências Histórico-Filosóficas pela Universidade de Lisboa, em 1948, concluiu em 1956 o Curso de Bibliotecário-Arquivista.

Resistente antifascista durante os anos de ditadura, membro da Direcção da Sociedade Portuguesa de Escritores, encerrada pela PIDE, polícia política do regime, em 1965, Natália Nunes era “considerada unanimemente uma das jovens mais bonitas da capital”, como a definiu o seu marido, o Escritor e Pedagogo Rómulo de Carvalho (1906-1997), conhecido Poeta António Gedeão.

Trabalhou como Conservadora na Torre do Tombo (1957-1968), passando neste último ano a ser Bibliotecária da Escola Nacional de Belas Artes, cargo em que se manteve até à aposentação em 1987. Pelo seu trabalho nas áreas da Biblioteconomia e da Arquivística, recebeu, em 1977, o «Prémio da Associação Portuguesa de Arquivistas e Documentalistas».

Como prosadora, estreia-se em 1952 com Horas Vivas: Memória da Minha Infância. Afirmar-se-á, segundo Óscar Lopes, como «um dos mais típicos casos de revolta contra a ética repressora da liberdade feminina burguesa» com o romance Regresso ao Caos (1960) e a novela O Caso Zulmira L (1967), dois livros de referência na sua não pequena obra. Com a farsa burlesca Cabeça de Abóbora (1970), ensaia com êxito o teatro.

A partir de 1952 colabora em várias revistas e em jornais: Contra-Vento, Cronos, A Esfera, Revista Portuguesa de Psicologia, Seara Nova, Vértice, A Capital, Diário de Lisboa, Diário de Notícias, Diário Popular, JL: Jornal de Letras, Artes e Ideias, Jornal de Notícias, O Primeiro de Janeiro, com crónica e ensaio.

Colaborou igualmente em A Condição da Mulher Portuguesa, 1968; Situação da Arte: Inquérito junto de Artistas da Língua Portuguesa, 1968; A Mulher na Sociedade Contemporânea: Colóquio na Associação dos Alunos da Faculdade de Direito, Lisboa, 1969.

Traduziu numerosas obras de Dostievski e de Tolstoi e ainda: Os Eslavos, de Roger Portal; Tratado de História das Religiões, de Mircea Eliade (em colaboração); Não se Nasce Soldado, de Konstantin Simonov; Jamais, de Elsa Triolet; Pequenas Misérias da Vida Conjugal, de Balzac; A Bastarda, de Violete de Leduc. Fez parte da última Direcção da Sociedade dos Escritores Portugueses, em 1965, e da Direcção da Associação Portuguesa de Escritores em 1978-1979.

Obras principais: Memórias e Viagens: Horas Vivas: Memória da Minha Infância, (1952); Uma Portuguesa em Paris: Notas de Viagem, (1956); Memórias da Escola Antiga, (1981). Ficção: Autobiografia de Uma Mulher Romântica, (romance, 1955); A Mosca Verde e Outros Contos, (1957); Regresso ao Caos, (romance, 1960); Assembleia de Mulheres, (romance, 1965); O Caso Zulmira L, (novela, 1967); Ao Menos Um Hipopótamo, (conto, 1967); A Nuvem: História de Amor, (1971); Da Natureza das Coisas, (contos, 1985); As Velhas Senhoras e Outros Contos, (1992); Vénus Turbulenta, (1997). Teatro: Cabeça de Abóbora, (farsa, 1970). Estudos: As Batalhas Que Nós Perdemos, (sobre as obras de Augusto Abelaira, José Cardoso Pires e Raul Brandão, 1974); Confrarias, Irmandades e Mordomias, (1976); A Ressurreição das Florestas, (sobre a obra de ficção de Carlos de Oliveira, 1997).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Volume V, Publicações Europa América”.

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres, de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 978”

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 388 e 389).

Fonte: “Antifascistas da Resistência”, (por Helena Pato)

Wittnich Carrisso, Professor e Investigador que faleceu ao serviço da ciência, recordado no dia em que passa mais um aniversário sobre o seu nascimento.

 

CarrissoLuís WITTNICH CARRISSO, Professor e Investigador, nasceu na Figueira da Foz, a 14-02-1866, e faleceu no deserto de Moçâmedes (Angola), a 14-06-1937. Era filho de Inácio Augusto Carrisso e de Leopoldina Neumier Wittnich Carrisso. Terminou os Estudos Secundários no Colégio Liceu Figueirense e transitou para a Universidade de Coimbra. Durante a sua infância, para além da língua materna (alemã), teve formação na língua francesa, que veio a dominar na perfeição, uma mais-valia que usou para se relacionar com a comunidade científica internacional.

Botânico, Professor da Universidade de Coimbra, Procurador à Câmara Corporativa entre 1935 e 1938 como representante dos municípios urbanos do Continente (23ª Secção). Inscreveu-se em 1904 no curso de Filosofia da Universidade de Coimbra, frequentando igualmente o curso de Medicina. Concluiu a Licenciatura em Filosofia em 1910, a que se segue o Doutoramento sobre o estudo do plâncton na costa de Portugal, apresentado em 1911. Neste ano, inicia a actividade docente na recém-criada Faculdade de Ciências daquela Universidade, aí permanecendo até á data da sua morte como Professor de várias cadeiras da área da Biologia e da Botânica. Após 1917, desempenhou cargos de gestão académica e direcção científica, começando pelo de Secretário da Faculdade de Ciências (1917-1919), da qual foi posteriormente Director. Entre Dezembro de 1930 e Março de 1931, foi nomeado Reitor Interino da Universidade de Coimbra.

Foi o principal impulsionador do Instituto Botânico Júlio Henriques, o qual dirigiu até 1937, ocupando ainda os cargos directivos no Museu-Laboratório Botânicos e no Jardim Botânico, todos eles anexos à Faculdade de Ciências. Em associação mais ou menos directa à docência universitária, Wittnich Carrisso encontra-se ligado à reorganização e ao crescimento da sociedade broteriana, em particular ao boletim por ela editado na área das Ciências da Natureza. Durante a República assumiu pontualmente a presidência da Câmara Municipal de Coimbra, presidindo também à Junta de Construções do Ensino Secundário e Técnico e à Comissão de Obras da Cidade Universitária, ou desempenhando vários cargos de representação e consultoria em missões científicas de iniciativa governamental. Em finais dos anos vinte, organizou uma série de viagens de levantamento e estudos botânicos da flora de Angola, dirigindo as equipas de professores e estudantes da Faculdade de Ciências que, em 1927, 1929 e 1937, partiram para a região de Moçâmedes. Morreu devido a síncope cardíaca no deserto de Moçâmedes pouco depois do início da terceira missão de estudo.

No plano das práticas e da reflexão de índole educacional, Wittnich Carrisso distinguiu-se essencialmente por iniciativas tomadas no âmbito da investigação científica e da chamada “extensão universitária”. Em ambos os casos tratou-se de legitimar e potenciar as competências pedagógicas e científicas da docência universitária e, pontualmente, também ao ensino liceal, partindo de uma concepção crítica  relativamente às práticas correntes, que, segundo ele, se não deveriam esgotar nos meros exercícios teóricos e repetitivos usuais.

Condecorado com a Ordem de Sant’Iago da Espada, Cavaleiro da Ordem de Leopoldo II da Bélgica, Cavaleiro da Legião de Honra, Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública em 01 de Setembro de 1937.

Era membro da Sociedade de Geografia de Lisboa, do Conselho do Império Colonial, da Sociedade de Ciências Naturais, da Société de Biologie de Paris, da Société Botanique de France, da Société Bio-Géographique de Paris, da Société Botanique e da Société de Physique et d’Histoire Naturelle de Genève, da Société Botanique Suisse, do Institut Colonial International de Bruxelles, etc.

De 1909 a 1937, o Dr. Wittnich Carrisso publicou 29 trabalhos biológicos, históricos, biográficos, entre outros. Foi um dos pilares da Sociedade Broteriana na época pós Júlio Henriques, reestruturando-a, assegurando a continuidade do “Boletim da Sociedade Broteriana”, com o início da 2.ª Série, e fundando a revista “Memórias da Sociedade Broterina”, em 1930. Durante a sua presidência, a Sociedade Broteriana foi uma instituição activa e produtiva, ao serviço da Ciência e da Botânica.

Era um homem dedicado à ciência, um botânico dedicado, os seus trabalhos conquistaram o respeito e a admiração por todo o Mundo. Tornou-se num eminente professor da Universidade de Coimbra e um notável cientista português. Ao longo da sua vida ocupou muitos cargos de relevo: Secretário da Faculdade de Ciências (1917-1919); Director do Museu e Laboratório Botânicos (1919-1922); Director do Jardim Botânico (1919-1922); Reitor interino da Universidade de Coimbra (1930-1931); Director do Instituto Botânico (até 1937); Presidente da Câmara Municipal de Coimbra; Presidente da Comissão de Obras da Cidade Universitária; Presidente da Junta de Construção do Ensino Secundário e Técnico.

Representou Portugal em diversos congressos e conferências internacionais. Tomou parte em diversos Congressos Internacionais de Botânica. O seu gosto pela ecologia era conhecido e o Governo Português nomeou-o delegado à Conferência Internacional para a Protecção da Fauna e Flora de África (Londres, 1933). Representou a Universidade de Coimbra nas festas comemorativas do IV Centenário do Colégio de França (1931) e nas do III Centenário do Museu Nacional de História Natural de Paris e Academia Francesa (1935).

A grandeza das suas qualidades humanas e científicas foi reconhecido ao mais alto nível, tendo sido apadrinhado com condecorações prestigiantes. Foi Grande Oficial da Ordem de S. Tiago de Espada, Cavaleiro da Legião de Honra e, postumamente, foi-lhe concedida a Grã-Cruz da Ordem de Instrução Pública.

Entre os volumes publicados merece realce o seu apenas iniciado »Conspectus Florae Angolensis«, em 1937. Deu ainda a lume: »A Missão Académica a Angola, os Seus Objectivos e Resultados«, em 1932, »Função Colonial das Missões Religiosas«, em 1933, e »Ocupação Científica das Colónias Portuguesas«, em 1934.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Figueira da Foz; Seixal.

Fonte: “Dicionário de Educadores Portugueses”, (Direcção de António Nóvoa, Edições Asa)

Fonte: “Dicionário Biográfico Parlamentar, 1935-1974, (Volume I de A-L), Direcção de Manuel Braga da Cruz e António Costa Pinto, Colecção Parlamento, Pág. 355 e 356).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 129).

No “Dia Mundial da Rádio”, recordamos Abílio Nunes um dos “Pioneiros” da Rádio em Portugal.

 

 

 

Abílko Nunes dos SantosABÍLIO Nunes DOS SANTOS Júnior, Industria e Comerciante, natural de Lisboa, nasceu a 01-01-1892 e faleceu em 1970. Homem de larga visão e um perfeccionista foi um dos pioneiros da Telefonia em Portugal, proprietário da Estação P1AA – Rádio Lisboa que iniciou a s suas emissões no Outono de 1924, se bem que até Março do ano seguinte as emissões se mantivessem irregulares e experimentais. Este posto estava instalado na Rua do Carmo nas instalações dos «Grandes Armazéns do Chiado» – propriedade do seu pai, Abílio Nunes dos Santos – sendo que «Os Grandes Armazéns do Chiado» eram representantes, em Portugal, dos rádios Phillips e R.C.A..

Como era preciso criar a necessidade de recectores para os venderem, criando para isso uma maior, e melhor, oferta de Telefonia Sem Fios e uma vez que as emissões estrangeiras chegavam a Portugal muito deficitariamente e nem sempre era possível serem ouvidas devido às enormes interferências de aparelhos elétricos industriais, foi sua ideia criar um posto próprio de emissão. Assim, a emissão que foi feita a 01 de Março de 1925, inaugurou, a era das emissões regulares de Rádio em Portugal.

Nos primeiros tempos de emissão o indicativo de chamada era 2P1AA – Rádio Lisboa” mas este posto foi forçado a fechar portas a 07 de Maio de 1925, por Decreto da Administração Geral dos Correios e Telégrafos que mandou selar todos os postos emissores. Num período de grande instabilidade política e social, o Governo desconfiava que as Estações de Radiodifusão existentes poderiam ter enviado notícias falsas para o estrangeiro sobre a tentativa de golpe militar de 18 de Abril. Embora fosse possível voltar a emitir a partir de 02 de julho, o Posto P1AA só voltaria às emissões em Outubro de 1925, substituído pelo Posto CT1 AA, que se tornou a mais famosa Rádio dos anos 20 e 30, pioneira em muitos aspectos, e por isso talvez a mais conhecida de todas. Esta Emissora é considerada como a primeira verdadeira Rádio em Portugal, pois funcionava em moldes muito semelhantes aos que viriam a surgir nos anos 40. A CT1 AA chegou, inclusive, a ter equipamento americano a funcionar ainda antes das revistas europeias da especialidade anunciarem a descoberta deste material.

Efectivamente, em 25 de Outubro de 1925, pelas 20 horas, iniciam-se as emissões regulares em Onda Média nas instalações do estúdio 3, situado na Rua do Carmo. As emissões, em Onda Média, destinavam-se a Portugal, sendo conhecida como CT1 AA- Rádio Portugal.

Não estando satisfeito com o material que se encontrava à venda em Portugal deslocou-se aos Estados Unidos, onde adquiriu o que de mais moderno existia para Emissoras de Rádio.

Ao regressar a Portugal ampliou as instalações da CT1 AA que se instalou na Avenida António Augusto de Aguiar, n.º 144. Uma distância de 400 metros separava os estúdios dos emissores e era percorrida por cabos aéreos que faziam as ligações necessárias. A estação emissora tinha linhas permanentes nas salas Portugal e Algarve da Sociedade de Geografia e também nos Teatros Variedades, Maria Vitória e Almeida Garrett.

Ao tomar conhecimento de que o Estado português se preparava para montar uma estação emissora de radiodifusão, Abílio Nunes dos Santos Júnior decide encerrar a sua estação. Este pioneiro achou que o seu dever patriótico de dotar o País de uma verdadeira Estação de Rádio tinha chegado ao fim e, efetivamente, as emissões da CT1 AA – Rádio Portugal, em Onda Média, terminam em 1934.

Alguns dos aparelhos foram vendidos à, então criada, Emissora Nacional e outros a Varela Santos que não os podendo manter acabou por os vender a Américo dos Santos, o proprietário da Rádio Graça – uma popular Estação Emissora de Lisboa. Entre 1926 e 1938 funciona também a Rádio Colonial, propriedade também de Abílio dos Santos Júnior. O Emissor de Onda Curta destinava-se a emissões para as Colónias Ultramarinas, América e Europa. O indicativo era, em 1926, CT1AA-Rádio Colonial. Os programas da Rádio Colonial eram diferentes dos da Rádio Portugal e ao encerrar as emissões para Portugal, em Onda Média, Abílio Santos continuou a emitir em Onda Curta até achar que o País já estava dotado de uma Estação Nacional para os portugueses espalhados pelo mundo. Com o encerramento desta Rádio, Abílio dos Santos Júnior não se desfez, porém, de todo o equipamento que possuía continuando nas horas vagas a ter como passatempo a rádio escuta. t

Abílio dos Santos Nunes Júnior, foi condecoardo com o Grau de Comendadpor da Ordem do Mérito – Classe de Mérito Industrial, por Decreto de concessão publicado em 05 de Outubro de 1951.

Fonte: “Arquivo da Presidência da República”

Deixou-nos, no passado Domingo, Raul Hestnes Ferreira, um grande Arquitecto Português que, também, deixou a sua marca no “Projecto SAAL”.

 

Raul Hestnes FerreiraRAUL HESTNES FERREIRA, Arquitecto, natural de Lisboa, nasceu a 24-11-1931 e faleceu a 11-02-2018. Era filho do Poeta e Antifascista José Gomes Ferreira e de Ingrid Hestnes, de origem Norueguesa, e neto de Alexandre Ferreira, fundador dos “Inválidos do Comércio”. Arquitecto Português, cursou Arquitectura no Porto, Helsínquia e Lisboa, onde concluiu os seus estudos em 1961. Partiu para os Estados Unidos da América, onde frequentou a Universidade de Yale e das Pensilvânia, obtendo o Mestrado em Arquitectura em 1963, sob o magistério de Louis Kahn.

A sua obra arquitectónica é marcada perlo período da sua formação, época em que começava a surgir alguma crítica aos modelos dos Mestres do Modernismo, abrindo o campo para outro tipo de influências, como o trabalho de Alvar Aalto, com o qual teve contacto durante a sua estadia na Escandinávia. Com o desejo de experimentar novo tipo de influências e com a ideia de que os modeklos da Bauhaus começavam a esgotar o seu próprio desenvolvimento, parte para os Estados Unidos da América onde viria a trabalhar com aquele que ainda hoje assume como a sua maior influência, o Arquitecto Louis Kahn, cujo legado é bastante visível nas obras por si  concebidas.

Negando os princípios radicais do Movimento Moderno, retoma o gosto, até então preterido, do uso de conceitos geométricos (simetria, proporções clássicas) que começam por se maifestar na sua composição das plantas do projecto de arquitectura, prosseguindo uma composição do alçado, onde a repetição dos mesmos jogos de aberturas retoma uma certa ênfase monumental. Do mesmo modo, não pretende com a sua arquitectura constgituir referências inéditas na pasisagem, antes fazer uso de formas e processos construitivos tradicionais (como arcos e abóbodas e expressões dos materiais empregues, que revelam influências de Kahn) e qeu participam na integração do edifício no local. Exemplo disso é a Escola Secundária da Quinta de Marrocos, em Lisboa, actulmente Escola José Gomes Ferreira, construída entre 1976 e 1980, que vai sofrer influências do Magistério Primário do Arquitecto Adães Bermudes, situado a uma centena de metros, onde explora uma composição e onde ao purismo formal do exterior corresponde uma sucessão de espaços que os jogos de luz, por intermédio de claraboias, conseguem diversificar.

Raul Hestnes Ferreira desenvolveu muitas das suas obras na Capital, tendo projectado por exemplo a Biblioteca de Marvila, o novo edifício do ISCTE — IUL (Instituto Universitário de Lisboa), a Faculdade de Farmácia da Universidade de Lisboa e a Escola Secundária de Benfica, nomeada Escola Secundária José Gomes Ferreira em homenagem ao seu pai.

Além dos projectos na Capital, o Arquitecto, que venceu o prestigiado Prémio Municipal Valmor em 2002 pelo seu contributo arquitectónico para a Cidade, desenhou ainda espaços como a Casa da Cultura e da Juventude de Beja. Esteve também envolvido na remodelação e recuperação do Café Martinho da Arcada, em Lisboa, e do Museu de Évora. Em 2007 recebeu o Doutoramento Honoris Causa pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra.

Além do importante Prémio Valmor, o Arquiteto nascido em Lisboa — também Professor Universitário, leccionando na Universidade de Coimbra, no ISCTE, na Cooperativa de Artes Artísticas Árvore (Porto) e na Escola de Belas-Artes, onde se formou — venceu ainda o Prémio Nacional de Arquitectura e Urbanismo da AICA (1982) e o Prémio Nacional de Arquitectura da A.A.P., em 1993.

Em 2016 foi homenageado pela Universidade Lusófona, com uma exposição que revisitava as maquetes de algumas das suas obras mais marcantes e apresentava fotografias (de Luís Pavão) e uma curta-metragem (intitulada “A Encomenda” e realizada por Manuel Graça Dias) que tinha o Arquicteto como protagonista. “A Encomenda” havia sido filmada na Casa de Albarraque, em Rio de Mouro, Sintra, que fora projectada em 1960 por Raúl Hestnes para alojar o seu pai (foi, aliás, a sua primeira grande obra).

De salientar ainda a sua participação no Programa SAAL, do Sul, onde retomou um processo que já se encontrava em curso, com a generalidade de todos os processos do SAAL, e que viria a dar origem à Quinta das Fonsecas, em Lisboa, entre 1975 e 1983, apenas parcialmente construída. Estre projecto nega claramente os pressupostos modernos no acto de construir cidade, pois, apesar de se estabelecer uma periferia, retoma o modelo do edifício em estreita relação com a rua tradicional.

Fonte: “Infopédia – Dicionários Porto Editora”

Fontre: “Jornal Observador”

Fonte: “Jornal Público”

Recordamos hoje o Escritor Nuno Bragança, no dia em que, se fosse vivo, faria 89 anos de idade, “Nuno Bragança, um aristocrata que praticou boxe”

 

Nuno BragançaNUNO Manuel Maria Caupers de BRAGANÇA, Escritor, natural de Lisboa, nasceu a 12-02-1929 e faleceu a 07-02-1985. Era filho de D. Manuel Libânio Alfredo de Bragança e de Margarida Street Caupers. Descendente de uma família da alta aristocracia portuguesa, a Casa de Lafões, ramo dos Bragança, descendente do rei D. Pedro II, sendo seu pai, D. Manuel de Bragança, neto do 3.º Duque de Lafões e sua mãe, Maria Margarida Street Caupers, proveniente de uma família de ascendência austríaca descendente de João Valentim Caupers, médico da rainha D. Mariana de Áustria, mulher de D. João V.

Frequentou o Curso de Agronomia, em Lisboa, mudando depois para Direito, concluiu o curso de Direito em 1958. Chamado para o Fundo de Desenvolvimento de Mão de Obra, colaborou na organização do Serviço Nacional de Emprego.

Em 1968, foi para Paris exercer as funções de Delegado Português na OCDE e, posteriormente, de Consultor para a elaboração de um estudo sobe os problemas de emprego nos países membros subdesnvolvidos, tendo regressado a Portugal em 1973. Colaborou em jornais e revistas, nomeadamente “O Tempo e o Modo”, “Seara Nova” e “Vértice”.

No campo cinematográfico foi dirigente cineclubista, autor de diálogos e crítico de filmes. Como ficcionista revelou-se com o romance “A Noite e o Riso” (1969). Seguiu-se-lhe o romance “Directa” (1977), “Square Tolstoi” (1981), e “Do Fim do Mundo” (1990). Situa-se na corrente novelística portuguesa que utilizou influências surrealistas de pesquisas linguísticas para fazer uma sátira da burguesia lisboeta, ainda presa a mitos ultrapassados.

Praticante de Boxe e pioneiro da caça submarina em Portugal, foi co-fundador do CPAS (Centro Português de Actividades Subaquáticas). Esteve ligado ao cinema como crítico de filmes e guionista. São dele os diálogos do filme português “Verdes Anos”, realizado em 1963 por Paulo Rocha.

A 9 de Junho de 1998 foi agraciado, a título póstumo, com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada.

Obras principais: A Noite e o Riso, (1969); Directa, (1977); Square Tolstoi, (1981); Estação, (1984); Do Fim do Mundo, (1990).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica), Lisboa (Freguesia de São Francisco Xavier, Edital de 03-11-1986, era a antiga Rua A à Rua Tristão Vaz); Oeiras (Freguesia de Porto Salvo); Porto; Seixal (Freguesias de Corroios e Seixal); Sesimbra.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Volume V, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Publicações Europa América, Coordenação de Ilídio Rocha, Edição de Julho de 2000, Pág. 653 e 654).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 101).

Amélia Vieira, Actriz Portuguesa, não faz parte da Toponímia Nacional, mas podia e merecia fazer.

 

Teatro Nacional Dona Matia IIAMÉLIA VIEIRA Santos, Actriz e Bailarina, nasceu na Freguesia de Santa Engrácia, em Lisboa, a 17-01-1850 e faleceu a 09-01-1928. Foi casada com o Actor José Carlos Santos e mãe do Actor Carlos Santos. Iniciou a sua actividade teatral, tinha apenas sete anos de idade, no palco do Teatro S. Carlos, onde ingressou no corpo de bailarinas. Numa época em que a célebre Ristori actuava nesse teatro, foi distribuido a Amélia Vieira o papel de um dos filhos de “Medeia”. Ao mesmo tempo que seguia o curso de bailarina no Conservatório, armava teatrinhos de sala e organizava com as suas condiscípulas.

Num teatro particular dos Inglesinhos conseguiu o seu primeiro êxito, representando na comédia “A Porta Falsa” o papel de criado. Entrou então para a Classe de Declamação do Conservatório, tendo tido como Mestres Alfredo de Melo e Duarte de Sá. Estreou-se depois, como Actriz no Teatro da Ilha de S. Miguel (Açores) e aí representou quase todo o repertório de Manuel Rey.

Regressando a Lisboa, foi contratada por Isidoro, ingressou no elenco do Teatro Variedades, donde passou, em 1869, para o Teatro do Príncipe Real, gerido, nesse tempo, pelo grande Actor José Carlos Santos. Data dessa época o período áureo da sua vida teatral. Começou Amélia Vieira por marcar em cada papel, um novo triunfo e a definir acentuadamente o seu processo muito pessoal.

Quando José Carlos Santos, seu companheiro e Mestre foi Empresário do Teatro D. Maria II. Amélia Vieira já era uma Actriz conceituada. Aí encarnou com extraordinário sucesso as personagens femininas das peças “Homens de Mármore”; “Camões do Rossio”; “Cora ou a Escravatura”; “Visconde de Algirão”; “Morgadinha de Val-Flor”; “Júlia”; “Marquês de Villemer”; “Cláudia”; “Tartufo”; “Solteironas”; etc. Passando depois para o Teatro Ginásio e daí para o os Teatros da Rua dos Condes e Recreios, a plateia lisboeta teve ainda ensejo de a aplaudir no Saltimbanco e noutras peças como “Avó”; “Judeu Errante”; “Duas Órfãs”, “Ladrões de Lisboa”; “Linda de Chamounix”; “A Irmã do Cego”; “A Taberna”; “Anjo da Meia Noite” e “Leitora”.

A doença de José Carlos Santos afastou-a dos palcos, a que só voltou depois da morte do grande artista, em 1886. Voltou ao Teatro do Príncipe Real e em épocas sucessivas de 1886 a 1897, nesse teatro e percorrendo em “Tornées” as nossa províncias e o Brasil marcou o momento supremo da sua brilhantíssima carreira.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 35, Pág. 227 e 228).