“Um estrangeiro na Toponímia de: Amadora, Coimbra, Faro e Lisboa”

 

Há duas coisas infinitas: o Universo e a tolice dos Homens.

(Albert Einstein)

Albert EinsteinALBERT EINSTEIN, Cientista, nasceu na Alemanha, a 14-03-1879, e faleceu em Princeton (Estados Unidos da América), a 18-04-1955. Físico alemão de origem judaica. Einstein nasceu na Alemanha em uma família judaica não-observante. Seus pais, Hermann Einstein e Pauline Koch, casaram-se em 1876 e se estabeleceram na cidade de Ulm. Hermann tornou-se proprietário de um negócio de penas de colchões.

Quando Einstein tinha um ano, a família mudou-se para Munique. Com três anos de idade, Einstein apresentava dificuldades de fala. Aos seis, aprendeu a tocar violino, instrumento que o acompanharia ao longo da vida.

Aos 18 anos de idade entrou para a Escola Politécnica Federal da Suíça, prepranado-se aí para ser Professor de Física e Matemática. Naturalizou-se suíço em 1901, quando terminou o Curso.

Incapaz de arranjar emprego como Professor, foi trabalhar como Assistente Técnico no Departamento Suíço de Registo de Patentes. Nos tempos livres, além de preparar o Doutoramwnto, conseguido em 1905, foi desenvolvendo alguns dos seus trabalhos notáveis.

Em 1908 foi nomeado Assistente, em Berna. No ano seguinte era já Professor Extraordinário na Universidade de Zurique e, em 1911, passou a ter a seu cargo a Cdeira de Física Teórica na Universidade de Praga, regressando à Suíça no ano seguinte para ocupar um posto idêntico.

Voltou à Alemanha em 1914. Ocupou uma Cátedra na Universidade de Berlim, assumiu a direcção do Kalser Wilhelm Institute e reaquiriu a didadania.

Já era então, uma figura reconhecida internacionalmente no meio científico. Em 1905 apresentara a Teoria da Relatividade Restrita, admitindo a partir desse ano que todas as transformações de energia que se produzem nos átomos têm carácter quântico, dez anos mais tarde a Teoria da Relatividade Generalizada e formulou a equivalência entre a massa e a energia (E=mc2).

O seu prestígio foi crescendo, particularmente no decurso da década de 1920 (a qual iniciou recebendo o Prémio Nobel da Física, em 1921).

Profesiu inúmeras Conferências na Europa, América e Extremo Oriente. Recebeu Dotoramentos “Honoris Causa” de muitas Universidades e foi convidado a fazer parte das principais Academias Científicas do Mundo.

O seu trabalhos valeu-lhe, além do Nobel, numerosos Prémios, com destaque para a Copley Medal da Royal Society de Londres (1925) e a Franklin Medal do Franklin Institute.

Ficou em Berlim até 1933, ano em que renunciou à cidadania alemã por ser Judseu e emigrou para os Estados Unidos da América, onde assumiu as funções de Professor de Física Teórica na Universidade de Princeton. Em 1940 naturalizou-se norte-americano, reformando-se cinco anos depois.

No pós-Guerra, foi figura destacada do World Government Movement. Foi convidado para presidir ao Estado de Israel, mas recusou. Colaborou, todavia, com Chaim Weizmann na criação da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Casou duas vezes, primeiro em 1901, com Mileva Maritsch, de quem teve dois filhos. Depois do divórcio, uniu o seu destino, em 1917, ao de uma prima, Elsa Einstein. Enviuvou em 1936 e morreu 19 anos depois, em Princeton.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora; Coimbra; Faro; Lisboa (Freguesia de Benfica, Edital de 03-07-2008).

Fonte: “Grande Enciclopédia do Conhecimento” (6º Volume, Círculo de Leitores, Pág. 887)

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

 

Francisco Pereira de Moura, o mais mediático Economista do tempo do PREC, se fosse vivo, faria hoje 92 anos de idade.

 

Pereira de MouraFRANCISCO José Cruz PEREIRA DE MOURA, Professor e Político, natural de Lisboa, nasceu a 17-04-1925 e faleceu a 06-04-1998. Era filho de Diamantino Pereira de Moura e de Maria Lúcia Cruz Viiera Pereira de Moura.

Fez os seus Estudos Secundários no Liceu Pedro Nunes e frequentou, entre 1942 e 1945, o Curso de Engenharia Mecânica no Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa. Após interregno por motivos de saúde, matriculou-se no Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras (depois Instituto Superior de Economia e Instituto Superior de Economia e Gestão), Licenciadno-se em Finanças e Economia em 1949.

Doutorou-se em 1961, no mesmo Instituto, com a classificação de 19 valores.

No plano associativo, Pereira de Moura pertenceu à Juventude Universitária Católica (JUC), à Associação Académica dos Estudantes do Instituto Superior Técnico e à Associação Académica do ISCEF.

Foi ainda bolseiro do Centro de Estudos Económicos do Instituto Nacional de Estatísitca (1952), com vista à elaboração do estudo Estrutura da Economia Portuguesa, e do Gabinete de Estudos Corporativos (1954), neste último para preparar um texto sobre o funcionamento da economia corporativa portuguesa.

Professor no ISCEF, viria a ser Assistente da cadeira de Economia (1950-1957 e 1961-1970), Professor Auxiliar (1970-1972) e Professor Catedrático (1972). Leccionou também no Instituto de Serviço Social de Lisboa (1957-1968 e 1973-1974) e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas Ultramarinas (1962-1963), tendo sido Professor visitante na Universidade Estadual de São Paulo, Brasil, (1964), e na Universidade Eduardo Mondlane, em Moçambique (1977).

Colaborou ainda na estruturação do Gabinete de Estudos Corporativos e da sua revista (1950-1953) e foi consultor e director do Centro de Estudos de Economia Aplicada da Associação Industrial Portuguesa (1958-1967).

Em 25 de Novembro de 1957, após ter sido Secretário-Geral e principal organizador do II Congresso da Indústria Portuguesa, aí apresentando a comunicação «Estudo sobre a indústria portuguesa», e ter colaborado na organização do II Congresso dos Economistas Portugueses, que decorreu em simultâneo, foi Procurador à Câmara Corporativa nas VII e VII Legislaturas (1957-1961 e 1961-1965), integrando a 6ª Subsecção (Finanças e Economia Geral) da Secção de Interesses de Ordem Administrativa.

Após esta passagem pela Câmara Corporativa, Francisco Pereira de Moura afastar-se-ia progressivamente do regime de Salazar. Assim, integrou a Comissão Promotora do Voto (1968) e a Comissão Nacional de Socorros aos Presos Políticos (1971-1972) e foi candidato pela Comissão Democrática Eleitora (1969).

Participou também em várias manifestações contra a guerra colonial, como a «vigília da Capela do Rato», em 1973, aquando da celebração do Dia Mundial da Paz, de que resultaria a sua demissão da Universidade, e interveio no III Congresso da Oposição Democrática, também no ano de 1973. Já muito antes havia subscrito um abaixo-assinado de um grupo de católicos dirigido ao director do jornal Novidades, criticando a atitude dessa publicação face à campanha eleitoral de 1958, campanha essa que viria a considerar «tristíssimo fracasso para as possibilidades de evolução pacífica das coisas». Parece, aliás, terem sido as eleições de 1958 que levaram Pereira de Moura a perder a esperança «numa evolução pacífica para novas formas de política».

Durante a revolução de Abril de 1974, como dirigente do MDP/CDE, apoiou a Junta de Salvação Nacional, tendo ainda sido Ministro nos I, IV e V Governos Provisórios.

Regressou depois ao ISEG, onde foi Director do Departamento de Economia e do Conselho Directivo (1979-1980) e Presidente do Conselho Científico (1984-1986 e 1989-1990). Jubilou-se em 1995.

Em 1995 seria agraciado com o Oficialato da Ordem da Instrução Pública.

Obras principais: “Localização das Indústrias e Desenvolvimento Económico”, em 1961, “Lições de Economia”, de 1961, “Planeamento Industrial e Desenvolvimento Regional”, de 1967, “A Banca, o Estado Social e a Expansão dos Lucros”, de 1973.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada, Lisboa (Freguesia de Carnide, Edital de 15-06-2000), Seixal (Freguesia de Aldeia de Paio Pires).

Fonte: “Dicionário Biográfico Parlamentar, 1935-1974, (Volume II de M-Z), Direcção de Manuel Braga da Cruz e António Costa Pinto, Colecção Parlamento, Pág., 196, 197 e 198).

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 299 e 300).

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia~Nacional do Estado Novo (1945-1973). Um Dicionário”, (de Mário Matos e Lemos, Luís Reis Torgal, Coordenador, Colecção Parlamento, Edição da Assembleia da República, 1ª Edição, Lisboa, Outubro de 2009, Pág. 210).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 377)

Os CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, pretendo dar a conhecer.

cavalo-dos-ctt-antigoErnesto MADEIRA PINTO, foi o 2º Director-Geral dos Correios e Terlégrafos, exerceu o cargo de 1893 a 1899. Nasceu na Freguesia de Belém (Lisboa), a 07 de Junho de 1846, e faleceu na mesma cidade, a 13 de Fevereiro de 1921. Seu pai, Joaquim Maximiano Madeira Pinto, Oficial da Administrração Central do Correio de Lisboa, foi um dos muitos heróis apagados do período das nossas lutas liberais, em que sacrificou a tranquilidade e os haveres, atravessando longos anos de trabalhos e canceiras. Preso com a família durante o governo de D. Miguel, e sequestados os bens, passou de cadeia em cadeia, até que, conseguindo fugir, se refugiou em Lisboa, ocultando-se , primeiro em casa de um empregado do Paço e depois no Seminário dos Inglesinhos, donde finalmente conseguiu passagem, por mar, para o Porto, quando ali já se encontrava o exército libertador, em que se alistou. Fez toda a campanha da liberdade com entusiasmo e valentia, de que fazem prova os inúmeros louvores recebidos; e, finda aquela, pediu baixa, para se entrgar aos negócios particulares. Espírito irrequieto, não tardou a envover-se novamente nas lutas daquele agitado período que decorre de 1835 a 1851.

Mais de uma vez preso, só pôde fugir à cadeia, emigrando para o Brasil, em 1848, com sua mulher, D. Eleonida Rosa Mendes, e seu filho.

Regressando à Pátria, em virtude da amnistia de 1851, arruinado de saúde e de dinheiro, obteve o modesto emprego de Correio Assistente de Aldeia Galega (actual Montijo), donde mais tarde transitou para a Administração Central do Correio de Lisboa.

Foi casado com D. Maria Júlia Calvet de Sousa, sobrinha do Sub-Inspector Geral dos Correios, Conselheiro Pinto de Magalhães.

Foi, pois, neste ambiente de sobressaltos e de modéstia que nasceu e se criou Ernesto Madeira Pinto.

No Instituto Industrial de Lisboa obteve a preparação precisa para, apenas com 16 anos de idade, e mediante concurso, ser nomeado Mestre da Oficina de refinação de salitre e enxofre do Arsenal do Exército.

Em fins de 1864 muda de profissão, entrando como praticante da Estação de Correios de Lisboa, em cuja categoria se manteve cerca de treze anos. Em Junho de 1877, foi promovido a Oficial de 3ª Classe, e no ano imediato a Oficial de 2ª Classe.

Criado, pela reforma de 1880, o lugar de Inspector-Geral dos Correios, Madeira Pinto foi lembrado para o desempenhar, em atenção não só ao seu trabalho como membro da Comissão encarregada de elaborar a mesma reforma, mas ainda aos anteriores serviços prestados, e em especial ao estabelecimento das Repartições Postais Ambulantes e da Posta Rural no Distrito de Aveiro, etc.

Ainda em 1880 teve a nomeação de Professor do Curso Prático de Correios e Telégrafos, recentemente criado, e em Abril de 1884 recebeu o encargo de estudar a Posta Rural dos Distritos de Santarém, Leiria e Portalegre. Em Maio do mesmo ano foi nomeado para a Comissão Preparatória do Congresso Postal, e, pouco depois, para a Comissão que tinha por fim estudar a simplificação dos Serviços de Contabilidade dos Correuios, Telégrafos e Faróis.

Membro do Congresso Postal Internacional, de 1885, reunido em Lisboa, afirmou mais uma vez o profundo conhecimento da sua profissão.

Pela reorganização do Minbistério das Obras Públicas, levada a efeito pelo Ministro Emídio Navarro, em 1886, foi Ernesto Madeira Pinto escolhido, em 29 de Julho, para o lugar de Director-geral do Comércio e Indústria donde transitou, por decreto de 14 de Setembro de 1893, para o de Director-geral dos Correios e Telégrafos, por troca com o Conselheiro Guilhermino de Barros.

Seis anos apenas ocupou este posto. Regressando à Direcção-Geral do Comércio e Indústria em Setembro de 1899, aí se conservou até à sua aposentação, em Janeiro de 1912, depois de 50 anos de serviços públicos.

Logo no início das suas funções de Director-Geral dos Correios e Telégrafos, se criou, pelo decreto de 30 de Dezembro de 1893, o órgão oficial dos serviços, intitulado Boletim Telégrafo-Postal; e no ano imediato, por decreto de 28 de Janeiro, se estabeleceu no Instituto Industrial e Comercial de Lisboa o Curso dos Telégrafos, com o fim de preparar funcionários para os cargos dirigentes do quadro Telégrafo-Postal.

Em satisfação do decreto de 28 de Maio de 1896, assinou, em 30 do mesmo mês, um contrato com a Empresa Nacional de Navegação, relativo ao transporte de Encomendas Postais entre o Continente, Açores e Madeira e as Províncias Portuguesas da África Ocidental. Ainda neste ano de 1896 representou Portugal na Conferência Telegráfica de Budapeste.

No intuito de melhorar a arrumação dos serviços, definir atribuições e atender à situação menos favorecida de algumas categorias, foi, pelo decreto de 30 de Junho de 1898, largamente alterada a organização de 1892, no capítulo relativo ao pessoal.

Finalmente, a 28 de Setembro de 1898, dia do aniversário natalício dos reis D. Carlos e D. Amélia, assinava-se o diploma que instituía a Medalha de Correios e Telégrafos, destinada a galardoar os bons serviços e exemplar comportamento do pessoal.

Muitas vezes representou Portugal no estramngeiro, em Congressos de Correios e Telégrafos, de Trabalho, de Propriedade Industrial, de Agricultura, de Caminhos-de-Ferro, etc.

Desempenhou importantes comissões de serviço, dentro e fora do País, não só em assuntos próprios do seu Ministério, mas até em questões que se prendiam com a nossa dívida pública, marcando em todas as conjunturas as suas excepcionais faculdades de trabalho e de inteligência e a sua inexgotável actividade.

Madeira Pinto, recebeu a Carta de Conselho em 1885; foi Secretário-Geral do Ministério das Obras Públicas; membro dos Conselhos de Administração da Companhia dos Caimhos-de-Ferro de Benguela e da «Beira Railway», e exerceu as funções de Vogal do Conselho do Mercado Central de Produtos Agrícolas, etc.

Como político, militou desde muito novo no chamado Partido Histórico; e quando este Partido se transformou em Partido Progressista, acompanhou-o na evolução, continuando a servi-lo com a sua pena e com o seu entusiasmo sempre moço.

Em 1880 a Província de Moçambique elegeu-o Deputado, mas não chegou a tomar posse na Câmara, por ter sido nomeado Inspector-Geral dos Correios, já depois de eleito.

Voltou a ser eleito pelo Círculo de Mogadouro, em 1887, ainda pelo mesmo Círculo em 1889. No quadriénio de 1884-1888, foi Procurador substituto à Junta Geral do Distrito de Lisboa.

Além de inúmeros relatórios que redigiu, e ficaram nas diferentes Secretarias onde prestou serviço, e da farta colaboração política e literária nos jornais O País, órgão do Partido Progressista; O Progresso; Gazeta do Povo; Comércio de Portugal; Diário de Notícias; Actualidade, etc., reuniu e publicou num pequeno volume as suas lições do Curso dos Correios, sob o título – O Correio, origem e progresso das instituições postais em Portugal, (Lisboa, 1882), e ainda o Anuário Postal para o ano de 1872 e para o ano de 1878.

Tinha, entre outras, as distinções honoríficas seguintes: Comendador da Ordem de Carlos III, de Eapanha; Comemdador da Ordem de D. Carlos I, da Roménia; Oficial da Legião de Honra, de França; Grã-Cruz da Ordem de Isabel, a Católica, de Espanha, Oficial da Coroa de Carvalho, de Luxemburgo; Comendador da Ordem de Francisco José, de Áustria; Comendador dsa Ordem da Coroa, de Itália; Comendador da Ordem do Leão e Sol, da Pérsia; Comendador da Ordem de Santo Estanislau, da Rússia, Oficial da Instrução Pública, de França; e Grande Oficial de S. Maurício e S. Lázaro, de Itália.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

Faleceu ontem, dia 15-04-2017, o Escultor Alberto Carneiro, aqui ficam alguns apontamentos da sua biografia.

 

 

Alberto CarneiroALBERTO Almeida CARNEIRO, Escultor e Professor, nasceu na Freguesia de São Mamede do Coronado (Trofa), a 20-09-1937, e faleceu no Hospital de São João, no Porto, a 15-04-2017. Em 1947 iniciou a sua aprendizagem artística como imaginário, numa oficina de santeiro, na qual trabalhou durante 11 anos. Fez, entretanto, os estudos liceais, frequentando o ensino noturno na Escola de Artes Decorativas Soares dos Reis, no Porto, e na Escola António Arroio, em Lisboa.

Em 1961 voltou ao Porto para estudar Escultura na Escola Superior de Belas Artes do Porto. Depois de concluída a licenciatura em 1967, partiu no ano seguinte para Londres onde frequentou uma pós-graduação na Saint Martin’s School of Art (1968-1970). Aqui foi aluno do Escultor britânico Anthony Caro (1924-) e do seu mais famoso discípulo, Philip King (1934-). Entre 1975 e 1976, anos em que estudou as formas e os procedimentos estéticos resultantes do amanho da terra, foi bolseiro da Fundação Calouste Gulbenkian.

Estreou-se a expor ainda nos tempos de estudante: colectivamente, em 1963; a título individual, em 1967, na ESBAP. A sua actividade artística teve início na década de setenta. Foi Professor de Escultura na Escola Superior de Belas Artes do Porto (1972-1976), assumiu a direcção pedagógica e artística do Círculo de Artes Plásticas da Universidade de Coimbra (1972-1985) e leccionou na Faculdade de Arquictura da Universidade do Porto (1985-1994).

É autor e co-autor de textos e livros sobre Arte e Pedagogia e participou em cursos, debates e seminários sobre Arte e dinâmica corporal. Dedicou-se, também, ao estudo da Psicologia Profunda, do Zen, do Tantra e do Tao, matérias sobre as quais leccionou cursos, proferiu conferências e escreveu. Recebeu a influência da “poética da matéria”, do filósofo e ensaísta francês Gaston Bachelard (1884-1962).

Ao longo da sua carreira fez inúmeras viagens de estudo. Em 1968 viajou até à antiga Jugoslávia, Áustria e Alemanha. Nos anos setenta visitou Moçambique, Angola, Brasil e, pela primeira vez, Itália, país onde regressaria em muitas outras ocasiões. Na década seguinte prosseguiu o seu ciclo de viagens pela Europa (Jugoslávia, Bulgária, Turquia, Grécia, etc.), pelos Estados Unidos da América, por Marrocos, tendo passado uma temporada nas cidades de Praga e Budapeste. Nos anos noventa viajou pela Índia, Nepal, China e Japão, onde buscou o aprofundamento dos seus conhecimentos sobre o Hinduísmo, o Taoismo, as manifestações tântricas e Zen e Jardins.

Alberto Carneiro foi o grande impulsionador da criação do Museu Internacional de Escultura Contemporânea de Santo Tirso (MIEC), do qual é director artístico nacional. Criado oficialmente a 20 de Outubro de 1996, o Museu tem por base o espólio recebido dos simpósios internacionais de escultura contemporânea ao ar livre, realizados em Santo Tirso desde 1991.

A este Escultor foram atribuídos variados prémios e distinções, entre os quais se contam o Prémio Nacional de Escultura (1968), o Prémio Nacional de Artes Plásticas da Associação Internacional de Críticos de Arte (1985) e o Prémio de Artes do Casino da Póvoa (2007), galardão composto por uma recompensa pecuniária, pela aquisição de uma escultura do premiado (“Sinais e Sabedoria da Floresta”, de 2000-2001), e ainda pela publicação da monografia “Alberto Carneiro – Lição das Coisas”, com texto de Bernardo Pinto de Almeida e direção artística de Armando Alves.

Publicou ensaios como: Ideias e Projectos, 1971, Os 7 Rituais Estéticos Sobre Um Feixe de Vimes na Paisagem, 1976, A Floresta (livro-objecto), 1978, e Oriteiro (livro objecto), 1978.

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 126 E 127).

Fonte: “Universidade do Porto- Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto”

O Jornalista, Escritor e Professor, Mário Contumélias deixou-nos na passada Quinta-Feira, quando ainda tinha muito para escrever e ensinar.

 

Mário ContuméliasMÁRIO Manuel da Silva CONTUMÉLIAS, Jornalista, Escritor e Professor, nasceu em Setúbal, a 03-06-1938, e faleceu em Lisboa, a 13-04-2017. Jornalista, poeta e escritor, Mário Contumélias, autor de canções, foi seis vezes finalista do Festival RTP da Canção e de um da OTI, autor de canções como Largo do Coreto, que José Cid levou ao Festival da Canção em 1978, era também Investigador, Sociólogo e Pedagogo.

A carreira jornalística iniciou-a em O Século, onde fez parte da equipa que editou a revista Cinéfilo. De O Século transitou para o Diário de Notícias, onde foi Grande Repórter. Foi ainda chefe de redação do Correio da Manhã e fundador da segunda fase de O Século.

A carreira jornalística iniciou-a em O Século, onde fez parte da equipa que editou a revista Cinéfilo. De O Século transitou para o Diário de Notícias, onde foi Grande Repórter. Foi ainda Chefe de Redacção do Correio da Manhã e fundador da segunda fase de O Século.

Entre 1975 e 1976, foi Presidente do Sindicato de Jornalistas. Em 1989, deixou as redacções, tendo-se dedicado ao Ensino de Jornalismo e tornando-se assessor técnico de formação e formador do Centro Protocolar de Formação Profissional para Jornalistas (Cenjor), onde foi também coordenador pedagógico de Curso de Formação Geral em Jornalismo, durante cerca de 20 anos.

Mário Contumélias, que também é autor da letra da canção O Areias é um camelo, celebrizada por Suzy Paula, fundou e dirigiu empresas da comunicação, como Mediática e Idade Média.

Em 1999, Mário Contumélias deixou a vida empresarial para se dedicar em exclusivo ao ensino da Sociologia e Antropologia, tendo leccionado, até final de 2010, após o que passou a dedicar-se por inteiro à investigação em Ciências Sociais e às escritas documental e ficcional.

Na escrita de canções, contou, em particular, com a parceria de Manuel José Soares. Entre os cantores que gravaram e interpretaram canções de sua autoria contam-se José Cid, Florência, Teresa Silva Carvalho, Bric-à-Brac, Broa de Mel, Manuel José Soares e Zélia. Como autor de canções, foi seis vezes finalista do Festival RTP da Canção e de um da OTI.

O Comboio do Tua, interpretado por Florência, em 1979, Concerto Maior, com voz de Manuel José Soares, em 1980, Agosto em Lisboa, interpretado por Zélia, em 1980, e Daqui Deste País, cantado em 1981, pelos Bric-à-Brac, foram algumas das canções que apresentou a festivais da canção.

Mário Contunélias é autor de 29 livros, repartidos pelos géneros de poesia, literatura infantil, ficção, jornalismo e investigação em sociologia, entre outras áreas.

Entre os títulos de obras literárias publicadas por Mário Contumélias contam-se Uma Mão Cheia de Histórias (1985), O Ofício das Coisas (1986), Contos da Gaivota Barriguda (1987), O Pai Natal Aprendiz (1988), Versinhos de Brincar (1988), Conversas à Quinta-Feira (1991), Só as Emoções (2008), A Explicação do Sol (2008), Polícias à Portuguesa (2008) e Polícias à Portuguesa: Take 2 (2011). No ano passado publicou o seu último livro, a obra de poesia Sobre Pequenas Coisas.

Fonte: “Diário de Notícias”

No dia em passam 115 anos sobre o nascimento de Fernando Pessa, aqui fica a este grande Jornalista. “E Esta, Hein!”

 

 

Fernando Pessa1FERNANDO Luís de Oliveira PESSA, Jornalista e Locutor de Rádio e Televisão. Nasceu em Aveiro, a 15-04-1902, e faleceu em Lisboa, a 29-04-2002. Era filho de Adriano Luís de Oliveira Pessa, Médico e Militar, natural de Pombal, e de Guilhermina Cândida Pires, natural de Ansião. Frequentou a Universidade de Coimbra. Com o início da I Guerra mundial, pensou tornar-se oficial de Cavalaria e tentou ingressar na Academia Militar, então denominada Escola de Guerra. O seu ingresso na Academia nunca se veria a concretizar. Partiu para o Brasil, onde trabalhou numa companhia de seguros. Em 1934, regressou a Portugal e inscreveu-se  no concurso para admissão de locutores, da Emissora Nacional e Radiodifusão. Inesperadamente, acabou por ser um dos escolhidos e começou a trabalhar na rádio. Cinco anos depois partir para Inglaterra, onde trabalhou vários anos, primeiro na secção brasileira, depois na secção portuguesa da British Broadcasting Corporation (BBC), em Londres. Durante a II Guerra Mundial, continuou como locutor e repórter da BBC. Enquanto esteve emigrado em Inglaterra, Fernando Pessa conheceu Simone-Alice, uma brasileira também ao serviço da BBC, com quem continua casado. Em 1947, regressou a Portugal, e ao contrário do que estava à espera, não regressou á Emissora Nacional. Voltou então a Londres e trabalhou no ramo dos seguros, até 1950. Nesse ano, participou no Plano Marshall, fazendo sonorização de filmes, documentários e programas de rádio, em português. Em 1957, fez a primeira apresentação em directo dos funcionários da Radiotelevisão Portuguesa, que iniciava as suas emissões, a partir da Feira Popular, em Lisboa, actuais instalações da Fundação Calouste Gulbenkian. Manteve-se como colaborador da RTP e, sé em 1976, já com 74 anos, ingressou nos quadros da empresa da qual até hoje é funcionário. O seu trabalho foi sempre marcado pelo humor, mas com um grande sentido crítico também. Actualmente está reformado da sua actividade de jornalista, mas por vezes ainda produz algumas reportagens para o Telejornal.

Quase todos o conhecem pela célebre frase »E esta, hein!«, com que encerrava as suas reportagens acerca de problemas do quotidiano ou factos insólitos com que se deparava, sobretudo na cidade de Lisboa.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora; Aveiro; Cascais (Freguesia de São Domingos de Rana); Gondomar (Freguesia de Rio Tinto); Lisboa (Freguesia do Areeiro); Loures (Ifreguesias do Prior Velho e Unhos); Oeiras e Rio Maior.

Fonte: “Quem É Quem Portugueses Célebres, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 416).

Os CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, pretendo dar a conhecer.

cavalo-dos-ctt-antigoGUILHERMINO Augusto DE BARROS, foi o 2º Director-Geral dos Correios e 1º Director-Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis, exerceu o cargo de 1877 a 1893. Nasceu em Peso da Régua, em 1825, e faleceu em Lisboa, a 16 de Abril de 1900. Era filho de Francisco Manuel de Barros e de D. Maria Máxima de Barros, e irmão do Bispo de Cabo Verde D. Joaquim Augusto de Barros.

Matriculou-se muito novo na Universidade de Coimbra, onde fez com brilho a formatura em Direito, ao mesmo tempo que, com notável vocação, cultivava letras. Prosador esmeradíssimo e poeta inspirado, a sua individualidade literária principiou a afirmar-se em verdes anos.

Acabado o Curso, ingressou na carreira administrativa, como Secretário Geral do Governo Civil de Vila Real, lugar que serviu durante sesis anos e em cujo desempenho se afirmou o homem de trabalho e de inteligência clara que foi em toda a vida.

Deputado a primeira vez pelo círculo de Vila Real, finda a Legislatura teve o cargo de Governador Civil de Bragança, que deixou, para voltar à Câmara, eleito pela terra natal.

Serviu ainda como Governador Civil de Castelo Branco, e seguidamente retirou-se à vida privada, fixando residência em Lousa, Freguesia do Concelho de Castelo Branco (Beira Baixa), para se consagrar inteiramente às suas predilecções literárias. Mas a política é paixão avassaladora, que sobreleva a todas as outras, e a ela não se furtou o Dr. Guilhermino de Barros, aceitando o Governo Civil de Lisboa, em 1876.

Em virtude da aposentação do Conselheiro Eduardo Lessa, teve a nomeação de Director-Geral dos Correios, pelo decreto de 30 de Outubro de 1877, lugar que conservou até ir ocupar o lugar de Director-Geral do Comércio e Indústria, em 14 de Setembro de 1893.

A obra por ele produzida nesses 16 anos de Administração dos Serviços de Correios, pode chamar-se admirável. Espírito desempoeirado e progressivo, de grande poder de sugestão, congregou à sua volta apreciadíssimos elementos de trabalho de que nessa época dispunham os serviços, como Alfredo Pereira, Madeira Pinto, Baptista Lopes, e tantos outros, dando ao desenvolvimento dos Correios um notável impulso.

As instruções e circulares emanadas da sua pena elegante tiveram o condão de criar e estimular vontades, que o ajudaram na fatigante tarefa de levar os Serviços Postais Portugueses ao grau de perfeição a que subiram no seu tempo.

Em 1879 teve a presidência da Comissão encarregada de preparar a fusão dos dois Serviços de Correios e Telégrafos, até então sob Direcções distintas e independentes, fusão que veio a ser decretada no ano seguinte e de que resultou a sua nomeação de Director-Geral dos Correios e Telégrafos.

Com a unificação dos Serviços as instalações do Palácio da Calçada do Combro tornaram-se insuficientes para as Repartições da nova Direcção Geral dos Correios, Telégrafos e Faróis, pelo que esta se viu forçada a transferir-se, em Novembro de 1880, para o Palácio dos Condes de Valadares, junto às ruínas do Convento do Carmo, onde mais tarde funcionou o Liceu do Carmo. A Estação Central dos Correios abandonou também o edifício da Calçada do Combro, e veio a instalar-se no Terreiro do Paço, nos baixos do Ministério da Fazenda, em 01 de Março de 1881.

A Direcção-Geral conservou-se no Largo do Carmo até 1887, ano em que se mudou também para o Terreiro do Paço.

Em Setembro de 1881 fixou, como Director-Geral dos Correios e Telégrafos, as condições do concurso público para o estabelecimento e exploração de redes telefónicas nas Cidades de Lisboa e do Porto; e em Janeiro de 1882 assinava, no seu gabinete, o contrato que concedia à empresa «The Edison Gower Bell Telephone Company» o exclusivo do estabelecimento e exploração das referidas redes. Em Abril deste último ano inaugurou-se, sob a sua presidência, a rede telefónica de Lisboa, de início apenas com 22 números.

Representou Portugal nos Congressos Postais de Paris de 1878; de Viena, de 1891 e nas Conferências de Paris, de 1880 e Bruxelas de 1890.

Em 1885 reuniu em Lisboa o 3º Congresso Postal Universal, a que presidiu com elevado critério, inteligência e diplomacia.

Foi ao estrangeiro, em 1883, para adquirir faróis (os Serviços de Faróis, a cargo do Ministério da Marinha desde 1892, dependiam naquela época da Direcção-Geral dos Correios e Telégrafos), e em 1889 para colher elementos de estudo relativos ao estabelecimento de redes telefónicas, cabos subterrâneos e serviço pneumático.

Infelizmente sobrevieram-lhe, em 1893, algumas dificuldades de administração, que, por princípio de briosa intransigência, o levaram a pedir a troca de lugar com o Conselheiro Ernesto Madeira Pinto, Director-Geral do Comércio e Indústria. Por essa ocasião fez imprimir e distribuir a circular de despedida a todos os seus subordinados, onde agradece a colaboração de todos e resume o trabalho conseguido, com a ajuda de todos os colaboradores:

1º – Organização do Depósito dos Correios.

2º – Criação de 22 Estações sucursais dos Correios e Telégrafos de Lisboa, algumas no Porto e Coimbra.

3º- Tiragem de correspondências de madrugada em Lisboa.

4º – Cartões Postais.

5º – Bilhetes Postais.

6º Sobrescritos e cintas estampilhadas.

7º – Posta Rural.

8º – Repartições Postais Ambulantes.

9º – Encomendas postais.

10º- Assinatura de jornais e publicações periódicas.

11º- Cobrança de recibos, letras e obrigações.

12º- Entrega de conrrespondência registada em domicílio.

13º- Entrega de correspondência por próprio.

14º- Cartas com valor declarado.

15º- Caixas com valor declarado.

16º- Vales Telegráficos.

18º- Caixas exteriores de dia e noite nas ruas, ambulâncias e deligências.

19º- Marcos Postais.

20º- Aparelhos escreventes Hughes e todos os aparelhos telegráficos modernos.

21º- Muxseu, Biblioteca, Telegráfica de de Faróis.

22º- Projecto, estudo e construção de alguns faróis.

23º- Modificação no fabrico de fórmulas de franquia de que resultou grande economia para o Tesouro.

24º- História das Instiuições Postais, Telegráficas, de Faróis, Semaforos, Telegráficos e Sinos, etc., etc.

Nem todos os serviços por ele criados lograram o desenvolvimento previsto, e alguns mesmo ficaram apenas esboçados, como o Museu Postal, que não foi além duma reduzida colecção de objectos.

Dois brilhantes relatórios se devem à sua pena: o do ano económico de 1877-1878, precedido da continuação dos Correios Portugueses; e o do ano de 1889, precedido da continuação da História dos Correios e de uma Memória sobre Telégrafos e Faróis.

De regresso da viagem a Paris, em 1889, publicou um circunstanciado relatório concernente ao estudo das redes pneumáticas de Lisboa e Porto, das redes telefónicas, dos cabos submarinos dos Açores e subterrâneos de Lisboa e Porto, e à escolha do material de linhas e faróis.

À sua iniciativa se deve também a publicação do Dicionário Postal, de Baptista Lopes, dos Anuários Postais elaborados por Madeira Pinto, do Repositório Postal, etc. Mas não se julgue que o Conselheiro Guilhermino de Barros apagava o merecimdento dos seus colaboradores; antes, pelo contrário, ao coligir, no relatório de 1889, alguns documentos de elogioa feitos à sua obra, tece elogios aos seus colaboradores.

Além da profunda reorganização de 1880, referendada por Saraiva de Carvalho, que reuniu numa só Direcção-Geral os Serviços de Correios, de Telégrafos e de Faróis, ainda mais duas se publicaram no período da sua Administração: a de 1886 em que se alargaram os quadros de pessoal, e a de 1892 que, segundo o relatório que a antecede, teve em vista: definir os direitos do Estado e a extensão dos seus monopólios Telégrafo-Postais; reorganizar os quadros de pessoal, facilitando a execução dos serviços; desenvolver o ensino profissional e dar incentivo à instrução técnica do pessoal.

As modificações introduzidas nos serviços de Correios e Telégrafos por esta reorganização foram de notável alcance, e, nas linhas gerais, a sua estrutura passou quase intacta através de todas as reformas que, no decorrer dos anos, se lhe sucederam. A exploração de redes telefónicas por conta do Estado são já previstas neste Diploma, e a preparação técnica do pessoal mereceu-lhe cuidada atenção.

Dedicando-se à cultura das letras desde muito novo, escreveu no jornal de poesias O Bardo, que se publicou no Porto, de 1852 a 1854, e que teve por colaboradores Camilo Castelo Branco, Caldas, Soares de Passos, Rebelo da Silva, Lopes de Mendonça, Xavier Novais, entre outros, ao lado dos quais Guilhermino de Barros sustenttou o brilho da sua inspiração.

Além de inúmeros artigos e poesias dispersas no Instituto, de Coimbra, Novidades, de Lisboa, etc., deixou um encantador livro de versos Cantos fim do Século, (Lisboa, 1894), premiado pela Academia Real das Ciências, e um romance histórico, em 2 volumes, O Castelo de Monsanto.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Castelo Branco.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

Azinhal Abelho, um Escritor Alentejano que escreveu e divulgou o Alentejo real.

 

Azinhal AbelhoJoaquim AZINHAL ABELHO, Escrutor, nasceu na Freguesia de Orada (Borba), a 13-04-1911, e faleceu em Lisboa, a 20-01-1979. Homem de Teatro, Poeta, Ficcionista e Investigador de Etnologia Rural, particularmente no que se refere à região do Alentejo. Os seus levantamentos etnológicos caíram por vezes no folclorismo tradicionalista e no pitoresco, sem substracto efectivamente científico, na esteira de muitos dos apologistas do Estado Novo, em busca de raízes históricas pretendidamente assépticas, sem ideologia. Licenciado pela Faculdade de Letras de Lisboa, dedicou grande atenção aos temas populares susceptíveis de serem teatralizados, tendo compilado e dado à estampa várias peças de teatro de todo o País.

Fundou um grupo experimental, Teatro de Arco-da-Velha, que levou à cena teatro grego e alguns clássicos portugueses em espectáculos para operários, e, em 1955, fundou e dirigiu, com Orlando Vitorino, o Teatro d’Arte de Lisboa, utilizando as instalações do Teatro da Trindade, para o qual traduziu obras de Graham Greene (A Casa dos Vivos), Lorca (Yerma) e Tchekov (As Três Irmãs). Realizou para o cinema os filmes O Alentejo Não Tem Sombra, Para onde Vais, Maria; Eu Fui ao Jardim da Celeste e Fábula de Leitura.

Como Poeta e Ficcionista, os seus temas predilectos incidiam sobre a paisagem e costumes da sua província natal, dentro de um regionalismo folclorista, afinal prolongamento das suas investigações etnológicas. Colaborou na revista Mensagem (1938), dirigida por Telmo Felgueiras, onde publicou, no nº 4, uma «Exortação à Guerra» ao estilo futurista, e na revista 57; e dirigiu o jornal de poesia popular A Voz de Portugal. Foi ainda organizador dos cortejos do traje e históricos, realizados então na cidade de Évora, integrados em programas da feira de São João, certame tradicional da cidade. Pertenceu à Direcção da Associação de Defesa dos Direitos de Autor. Nos últimos anos dedicou-se ao desenho, retratando as fainas agrícolas e motivos religiosos.

Obras principais: Poesia: Solidão, Ai Dão, Ai Dão, (1935); Confidências dum Rapaz Provinciano, (1936); Canto Chão, (1942); Domingo Ilustrado, (1945); AB Cedário de Lisboa, (1947); Eu Fui Guadiana Abaixo, (1949); Os Anjos Cantam o Fado, (1961); Cancioneiro do Natal Português, (antologia, 1964); Sete Loas aos Ciganos, (1974); Cancioneiro do Vinho Português, (1978). Prosa: Badanais: Paisagens e Mootonia, (contos, 1938); Arraianos, (1955); Comoção Rural na Vida e Obra de António Sardinha, (1958); Elogio da Província, (etnografia lírica, 1959); Barros de Estremoz, (1964); Os da Orada, (histórias, 1964); A História de uma Azinheira, (1966); A Aventura da Cortiça, (1967); Lisboa num Cravo de Papel, (1968). Teatro: Glória ao Deus Menino, (auto, 1965); Teatro Popular Português, (antologia, sete volumes, 1968-1973).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica), de Borba (Freguesia de Orada).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América)

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 1º Volume, A-C, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 5)

Fonte: “Quem É Quem – Portugueses Célebres”, (Coordenação de Leonel Oliveira, Círculo de Leitores, Lisboa, 2008, Pág. 008).

Os CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, pretendo dar a conhecer.

cavalo-dos-ctt-antigoEDUARDO LESSA, foi o 6º Sub-Inspector e 1º Director-Geral dos Correios, exerceu o cargo de 1853 a 1877. Nasceu no Porto, em 1811, e faleceu em Lisboa, a 15 de Dezembro de 1890. Era filho de Duarte Lessa, um dos primeiros inscritos na Associação Patriótica – Synhedrio, que preparou e dirigiu a revolução de 1820, no Porto, e, mais tarde, Cônsul de Portugal em Liverpool. Foi casado com sua prima, D. Teresa Emília Pereira da Silva Lessa, e pai do falecido 1º Oficial dos Correios Artur Alberto Lessa, que chefiou os Serviços Postais da Cidade de Lisboa e se aposentou em 1910.

Eduardo Lessa, que frequentava o 4º ano de Medicina na Universidade de Edimburgo à data da morte do pai, interrompeu o curso por falta de meios; e, voltando a Portugal, ingressou na vida burocrática, por decreto de 16 de Julho de 1834, como 1º Oficial da Contadoria do Tribunal do Tesouro Público. Em Setembro de 1844 foi promovido a Chefe de Secção da Secretaria de Estado dos Negócios da Fazenda.

Seis anos mais tarde, em 1850, sendo então Chefe da 2ª Repartição da Direcção-Geral da Tesouraria do Ministério da Fazenda, teve carta do título do Conselho pelos serviços que prestou como Vogal da Comissão encarregada de apresentar a conta relativa ao subsídio da Divisão Auxiliar Portuguesa, que militou em Espanha nos anos de 1835 a 1837, e pelo zelo que empregou para se conluir satisfatoriamente a liquidação da mesma conta.

Como ficou dito no capítulo anterior, Eduardo Lessa, pelo Decreto de 15 de Outubro de 1851, entrou para a Comissão encarregada de estudar e propor a reforma dos Correios, datando dessa ocasião, ao que parece, a sua aproximação dos Serviços Postais.

Nomeado Sub-Inspector Geral dos Correios e Postas do Reino em 13 de Outubro de 1853, foi já sob a sua direcção que entrou em pleno vigor a reorganização de Outubro de 1852 e os subsequentes regulamentos.

Em princípios de 1855 restabeleceu a carreira da mala posta, que um elevado deficit de administração obrigara a suspender havia cerca de 50 anos. De início, a viagem não ia além de Coimbra; mas, à medida que se foi concluindo a estrada nova para norte desta cidade, alargou-se também o trajecto, até ficar finalmente assegurada, no começo de 1858, a ligação regular entre Lisboa e o Porto, para transporte de malas de correio e condução de passageiros.

Ao extinguir-se este serviço, em 1864, o pessoal compunha-se dum Director, 2 Oficiais subalternos, 4 Veterinários, 23 Feitores, 15 Cocheiros, com um Chefe que servia nos navios, 4 Sotas, 80 Moços de cavalariça, Carpinteiros e Serralheiros. O Serviço Postal era executado por 8 Condutores de malas.

O Correio partia então de Lisboa nos vapores da Companhia Tejo-Sado, e ia rio acima até ao Carregado, onde estavam instaladas as cocheiras, cavalariças, oficinas e habitação do pessoal da mala-posta.

O percurso até ao Porto, através de 23 estações, fazia-se em 34 horas, incluindo o tempo gasto nas quatro refeições que os viajantes tomavam pelo caminho – ceia nas Caldas da Rainha, almoço em Leiria, jantar em Coimbra e cei em Oliveira de Azeméis. A chegada ao Porto era às 6 da manhã.

O material compunha-se de 18 carruagens do tipo inglês, e o número de animais empregados subia a próximo de 300.

Com as malas no tejadilho cobertas com um encerado, cada carruagem transportava 8 passageiros, além do cocheiro e do condutor, e havia ainda lugar junto do Postilhão,para qualquer empregado da mala-posta ou do Correio que houvesse necessidade de seguir viagem.

Os preços da passagem para viajantes era de 45 réis por quilómetro em 1ª classe, e 30 réis, em 2ª classe; e para as bagagens 10 réis por quilómetro, não podendo cada passageiro levar mais de 30 quilos.

Sob a gerência de Eduardo Lessa, Portugal assinou as seguintes convenções postais: com a Inglaterra, em 1859; com Espanha, em 1862; com Itália, em 1863; com a Prússia, em 1864; com a França, em 1865; com a Inglaterra, em 1866; com a Espanha, em 1867; com a Bélgica, em 1868; com a Itália, em 1870; com a Alemanha, em 1872; com a Espanha, em 1873. Um tal número de acordos, no espaço de quinze anos, é índice seguro do desenvolvimento que os Correios tomaram neste período de administração.

Quando, pelo Decreto de 30 de Dezembro de 1864, se reorganizaram os Serviços e a Sub-Inspecção se transformou em Direcção-Geral dos Correios, o Conselheiro Eduardo Lessa teve a nomeação de Director-Geral.

Ao contrário do que secede hoje, em que qualquer funcionário, ao tomar posse de um cargo, se julga obrigado a maldizer o trabalho do antecessor, o Dr. Guilhermino de Barros, no seu apreciado relatório de 1877-1878, ao referir.se à obra do Director que o antecedeu, fá-lo por estas nobilíssimas palavras:

«Não podia deixar na sombra o Conselheiro Eduardo Lessa, que ocupou a lat posição de Chefe dos Correios e Postas do Reino.

Sucedendo a Sousa Pinto de Magalhães, foi o Conselheiro Lessa que executou a rfeforma de 1852, estabeleceu a mala-posta entre Lisboa e Porto, organizou o serviço de Correios, em relação aos caminhos-de-ferro e às primeiras Ambulâncias Postais, realizou Convenções com muitos dos países masi importantes da Europa, estabeleceu e desenvolveu a transmissão de pequenas somas de dinheiro por via de títulos ao portador, chamados vales, e representou o País no Congresso de Berne com dignidade. <Ainda no tempo da sua direcção se modificaram as taxas internas e externas diversas vezes, escreveram os regulamentos variados sobre diversos assuntos, se alargou a distribuição domiciliária a muitos pontos do Páis e regularizou a mesma adequadamente nos grandes centros de Lisboa e Porto, etc.

«A história imparcial e verdadeira não podia esquecer tais actos, e por isso grava, com o seu buril que a verdade dirige,os nomes dos beneméritos que hão-de ficar na memória da posteridade, seja gradioso ou modesto o serviço que desempenharam: um destes é o Conselheiro Eduardo Lessa».

Aposentou-se em 1877, em consequência de factos ocorridos na sua Direcção-Geral, que profundamente o abalaram.

António Macedo Mengo, praticante dos Correios de Lisboa, apenas com dois anos de serviço, publicou em 1869 um folheto intitulado O Serviço do Correio em Portugal, em que atacava o Conselheiro Eduardo Lessa no desempenho das funções de Director-Geral.

Estas acusações repetiram-se mais tarde na imprensa diária, com fúria de energúmeno, que a ninguém poupava, apontando faltas graves a diversos empregados e responsabilizando delas os superiores. De todo este barulho resultou a Portaria de 06 de Abril de 1872, que ordenava um inquérito ao serviço dos Correios.

Macedo Mengo, entusiasmado com os resultados da campanha, publicou, em princípios de 1873, outro folheto destinado a atear o incêndio com novas acusações, ao  mesmo tempo que provocava um conflito com um 1º Oficial, por motivos de serviço, ameaçando-o de lhe dar duas bengaladas. Este último facto, aliado, ao que parece, à falta de verdade de algumas afirmações, determinaram a sua demissão, em 14 de Agosto do mesmo ano.

Embora demitido, não desarmou o endiabrado praticante com o precalço sofrido e continuou a agitar a questão, que da imprensa passou ao Parlamento, onde serviu à maravilha como exploração política, de que se aproveitou, entre outros, o Deputado Barros e Cunha. Quando este político se encarregou da pasta das Obras Públicas, em 1877, no Ministério presidido pelo Marquês de Ávila, Mengo aproveitou o ensejo e apresentou-se-lhe a requerer a rfeadmissão no lugar de que fora demitido quantro anos antes; o Ministro, porém, esquecido da sua atitude como Deputado, parece não acolheu o pretendente com o entusiasmo que ele esperava, e este, não hesitando diante de nova diatribe, consagrou ao Ministro um folheto incorrecto e atrevido. Apesar disso (ou talvez por isso mesmo), em Decreto de 19 de Setembro de 1877 foi o ex-praticante reintegrado nos Correios.

Como era natural, o Conselheiro Eduardo Lessa, magoado com o que julgava uma descosideração, pediu a reforma; e, entregando os serviços ao Chefe da Repartição Central, Tito de Carvalho, retirou-se. Ao mesmo tempo, Macedo Mengo, embriagado com o triunfo alcançado, envia ao Ministro uma exposição ultra-insolente, emq ue declara não poder retomar o lugar enquanto o Conselheiro Lessa se conservar à frente da Direcção-Geral. Tinha esticado de mais a paciência do Ministro, que, como resposta, o torna a demitir por Decreto de 15 de Outubro.

O Conselheiro Eduardo Lessa, não obstante, mantém o pedido de aposentação, que lhe é concedido em 23 de Outubro e publicado no Diário do Governo de 31, juntamente com a demissão do insubordinado praticante.

Era Comendador da Ordem de Cristo; Cavaleiro da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa; Comendador da Ordem de Isabel, a Católica, de Espanha; de Leopoldo, da Bélgica; de S. Maurício e S. Lázaro, de Itália, de Francisco José, da Áustria.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

Faleceu ontem Maria Helena da Rocha Pereira, Professora e Investigadora de excelência.

 

Maria HelenaMARIA HELENA Monteiro DA ROCHA PEREIRA, Professora e Investigadora, natural da Freguesia de Cedofeita (Porto), nasceu a 03-09-1925 e faleceu a 10-04-2017. Era filha do Professor Alfredo da Rocha Pereira. Em 1947, Licenciou-se em Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde se Doutorou em 1956 e na qual ascendeu a Professora Catedrática em 1964, ficando titular da cadeira de Literatura Grega I, regendo concomitantemente História da Cultura Clássica. Desde 1983 leccionou também no Curso de Mestrado em Literaturas Clássicas.

Entre outros, exerceu os cargos de Directora do Instituto de Estudos Clássicos (1975-1979) e de Vice-Reitora da Universodade de Coimbra (1970-1971). Em 1973, assumiu a direcção da revista Biblos. Especialista em Literatura Grega, é também perita em Cerâmica Grega Antiga.

Durante a sua carreira académica estudou as influências clássicas na literatura e cultura portuguesas, analisando inúmeros poetas – de Camões a Pessoa, passando por Camilo e Torga, entre muitos outros.

O seu trabalho está recolhido nos volumes Temas Clássicos na Poesia Portuguesa(1972), Novos Ensaios sobre Temas Clássicos na Poesia Portuguesa (1982) e Portugal e a Herança Clássica e Outros Textos(2003).

O latim medieval também foi alvo da sua investigação, reunida no volume Pedro Hispano: Obras Médicas (1973), Vida e Milagres de São Rosendo (1970), Vida de Santa Senhorinha (1970) e Vida de São Teotónio (1987).

Em sua honra, a Fundação Engenheiro António de Almeida criou o prémio “Doutora Maria Helena da Rocha Pereira”, que visa galardoar uma dissertação de mestrado em estudos clássicos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

Obras principais: Concepções Helénicas de Felicidade no Além, de Homero a Platão, (1955); Hélade. Antologia da Cultura Grega, (6ª Edição, 1995); Sobre a Autenticidade do Fragmento 44 Diehl de Anacreonte, (1961); Greek Vases in Portugal, (1962); Novos Ensaios Sobrfe Temas Clássicos na Poesia Portuguesa, (1988); Estudos de História da Cultura Clássica, (Volume I, 7ª Edição, 1993, e Volume II, 2ª Edição 1990); Pausaniae Graeciae Descriptio, (edição crítica, três volumes, 2ª edição, 1989-1990).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 415).