“EFEMÉRIDES”

INEMO actul INEM (Instituto Nacional de Emergência Médica), faz hoje 52 anos de existência. Foi a 13 de Outubro de 1965, que os Ministérios do Interior e o da Saúde e Assistência criaram, em conjunto, um serviço de primeiros socorros e transporte de feridos.

Este serviço estava a cargo da Polícia de Segurança Pública, tendo ficado conhecido como o 115 por ser este o número telefónico utilizado para o chamar. Em sua substituição, é criado, a 22 de Novembro de 1971, no Ministério do Interior, o Serviço Nacional de Ambulâncias (SNA) com a função de prestar primeiros socorros a sinistrados e doentes, conduzindo-os, se necessário, a centros hospitalares.

Em 1981, o SNA foi transformado no INEM, na dependência do Ministério da Saúde.

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Luís de Freitas Branco, o criador das Ciências Musicais, na Toponímia.

 

Luís de Freitas BrancoLUÍS Maria da Costa DE FREITAS BRANCO, Compositor e Musicólogo, natural de Lisboa, nasceu a 12-10-1890 e faleceu a 27-11-1955. Criador das Ciências Musicais, Oriundo de uma família aristocrática madeirense, Luís de Freitas Branco descendia em linha directa do Marquês de Pombal, por via de sua mãe, Maria da Costa de Sousa Macedo. Seu pai, Fidélio de Freitas Branco, foi um alto funcionário da Coroa e Governador Civil de Évora, que privou de perto com o Rei D. Carlos, encontrando-se na sua comitiva aquando do regicídio de 1908, acontecimento que marcou profundamente a juventude do Compositor.

Luís de Freitas Branco não frequentou o Conservatório Nacional, nem o Ensino Oficial; à excepção de alguns anos no Liceu do Carmo, beneficiando de um Ensino doméstico ministrado por preceptores e professores particulares. Iniciou os seus estudos musicais com Timóteo da Silveira (Piano), Andrés Goñi (Violino); Augusto Machado (Harmonia) e Tomás Borba (Contraponto, Fuga e Instrumentação). A proximidade familiar com o meio musical permitiu-lhe trabalhar com Compositores estrangeiros de passagem por Lisboa, tendo aperfeiçoado os seus conhecimentos em Instrumentação com o Maestro Luigi Mancinelli, que dirigiu ópera no Teatro Nacional de São Carlos entre 1906 e 1907, e estudado Órgão e Composição com o Músico belga Désiré Pâque, Professor do Infante D. Manuel, que lhe deu a conhecer o legado teórico de Vincent d’Indy.

Em 1937, Luís de Freitas Branco apresentou ao ministro da Educação Nacional, Eduardo Bases para uma Nova Lei Orgânica do Conservatório Nacional de Música mesmo que sem esperanças por não se orientar pela política do Estado Novo e, na mesma época defendeu Fernando Lopes-Graça que se encontrava preso por razões políticas desde 1931. E a partir de 1939 será progressivamente afastado das diversas funções que detinha , sendo suspenso de docente no Conservatório na década de quarenta, mantendo contudo a colaboração com a Emissora Nacional até 1951, ano em que também foi afastado da rádio pelo facto de ter usado uma gravata vermelha no dia seguinte à morte do então Presidente da República, Óscar Carmona.

Nesse mesmo ano, escreveu duas canções revolucionárias de conteúdo claramente subversivo, sobre poemas de Fernando Mouga e José Gomes Ferreira e, começou a trabalhar numa ópera inspirada na luta de classes, A Voz da Terra, reveladora de uma aproximação romântica ao homem comum e ao universo dos neorrealistas. Em 1952, sucedeu a Tomás Borba na direcção artística da Academia de Amadores de Música.

As suas primeiras composições datam dos 9 amos de idade. De 1910 a 1915 aperfeiçoou-se no estrangeiro e a partir de 1916 exerceu profícua actividade docente no Conservatório Nacional de Lisboa, de que foi Subdirector. Em 1952 sucedeu a Tomás Borba na direcção artística da Academia de Amadores de Música. Fundou e dirigiu a revista “Arte Musical”, de 1929 a 1948, e foi director da Gazeta Musical. Compôs música coral sinfónica, orquestral, consertante, de câmara, de piano, de orgão, vocal e religiosa. A primeira fase da sua produção musical reflete as inovações harmónicas do impressionismo e do expressionismo. Na segunda fase a estas mesmas experiências vem juntar-se um neoclassicismo de raiz beethoveniana. O seu nome avulta entre os compositores portugueses do séc. XX.

Como crítico musical colaborou em periódicos como Diário Ilustrado,  Monarquia, Correio da Manhã, Diário de Notícias, Diário de Lisboa e O Século e, em 1929 fundou a revista Arte Musical, que dirigiu durante vinte anos.

Publicou obras teóricas como: “A Música em Portugal”, em 1928, “Acústica e História da Música”, em 1930, “Tratado de Harmonia”, em 1930, “Vida de Beethoven”, em 1943, e “A Personalidade de Beethoven”, em 1947.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Lisboa (Freguesia do Lumiar, , ex-Rua António Ferro, antes disso, era a Rua H à Alameda das Linhas de Torres, Edital de 28-07-1975); Moita (Freguesia de Alhos Vedros); Odivelas (Freguesia de Famões); Oeiras (Freguesia de Paço de Arcos); Seixal (Freguesias de Amora e Corroios); Sintra (Freguesias de Algueirão-Mem Martins e Queluz).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 11, Pág. 850 e 851)

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 1º Volume, A-C, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 157 e 158)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 102).

“Esquecidos da História”

 

Margot Dias é mais um exemplo do injusto esquecimento em que algumas das pessoas, que mais contribuiram para o panorama cultural português ficaram.

 

Margot DiasMARGOT Schmidt DIAS, Etnóloga e Etnomusicóloga, nasceu em Nuremberga (Alemanha), a 04-06-1908, e faleceu em Oeiras, a 26-11-2001. Obteve o diploma do Curso de Música da Academia Nacional de Música de Munique, tendo sido inicialmente pianista. Foi em 1940, no início da guerra, que Margot Schmidt, uma Pianista com uma carreira promissora à sua frente, obteve o Diploma do Curso Superior de Música da Academia Nacional de Música em Munique, conheceu António Jorge Dias, que na altura asegurava o Leitorado de Cultura Portuguesa na Universidade dessa cidade alemã.

Principiou a sua actividade de etnomusicóloga em Portugal, em 1948, enquanto bolseira do Instituto de Alta Cultura, na secção de Etnografia do Centro de Estudos e Etnologia Peninsular e, mais tarde, como investigadora do Centro de Estudos de Antropolgia Cultural, criado em 1962, em Lisboa, por Jorge Dias, com quem foi casada. O material em que baseia a maior parte da sua obra resulta das observações feitas em Portugal e ainda das viagens de investigação que levou a efeito entre 1957 e 1961 em Moçambique e Angola. Em Portugal, recolhe o cancioneiro incluído nos livros de Jorge Dias, “Rio de Onor, Comunitarismo Agro-Pastoril e Vilarinho da Furna: uma Aldeia Comunitária”. Em Moçambique trabalhou com Jorge Dias no estudo sobre a etnia Maconde, de que resultou a obra “Os Macondes de Moçambique”. Vai recolhendo dados sobre música, danças e instrumentos musicais e apresentando estudos e comunicações sobre o tema, de que resultará o livro “Instrumentos Musicais de Moçambique”. Colaborou na Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura com o artigo “Música”. É reconhecida mundialmente, entre os peritos da especialidade, como Etnomusicóloga do espaço moçambicano e, em particular, da cultura Maconde.

Obras principais: “Vilarinho da Furna: Uma Aldeia Comunitária – Cancioneiro”, (1948); “Rio de Onor, Comunitarismo Agro-Pastoril – Cancioneiro”, (1953); “A Recomenda das Almas como Elemento Cultural da área Luso-Brasileira” (colóquio, 1956); “Contribuição ao Estudo do Culto dos Mortos” (colóquio, 1957), “Aspectos Técnicos e Sociais da Olaria dos Chopes”, (1960); “Os Cânataros de Ir à Água dos Macondes”, (1962); “Preparação da Farinha de Mandioca Torrada”, (1962); “Técnicas Primitivas de Olaria com Referência Especial à África”, (1964); “Os Maganjas da Costa: Contribuição para o Estudo dos Sistemas de Parentesco nos Povos de Moçambique”, (1965); “Os Macondes de Moçambique”, (colóquio, 1970); “Arte Popular em Portugal, Ilhas Adjacentes e Ultramar”, (Volume III, Moçambique, 1972); “Musikgeschichte in Bildern: Ostafrika”, (1982), “Instrumentos Musicais em Moçambique”, (1986).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Publicações Europa América, Coordenação de Ilídio Rocha, Edição de Março de 1998, Pág. 347 e 348)

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 2º Volume, C-L, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Fevereiro de 2010, Pág. 378, 379 e 380)

Francisco Franco, um dos maiores Escultores do Século XX, autor do monumento ao Cristo Rei, que já não assistiu à sua inauguração.

 

Cristo ReiFRANCISCO FRANCO de Sousa Júnior, Escultor, nasceu no Funchal, a 09-10-1885, e faleceu em Lisboa, a 15-02-1955. Era filho de Francisco Franco de Sousa e de Maria Carolina de Sousa, e irmão do Pintor Henrique Franco. Fez os seus estudos na Academia de Belas-Artes de Lisboa (1900-1909), em Paris (1909-1914 e 1919-1922) e em Roma (1925).

Foi um Artista que marcou a sua época e introduziu alguns valores do modernismo na Escultura portuguesa. Conseguiu com o Monumento a Gonçalves Zarco (1928), exposto em Lisboa e inaugurado no Funchal dois anos mais tarde, impor-se no meio artístico. Requisitado por constantes encomendas, optou por uma carreira de Escultor oficial que, embora notável, o afastou de um percurso mais inovador, em termos de valores artísticos.

Alguns trabalhos mais pessoais deixam antever um gosto pela volumetria de grande escultura do renascimento italiano e pela arte francesa do Século XIX. Exemplos disso são o “Busto do Pintor Manuel Jardim e Torso de Mulher”, obras da sua fase inicial. Recuperando então valores mais naturalistas, deixou ainda assim um conjunto de obras com grande sentido de monumentalidade, espalhados por todo o país.

A estátua “Salazar”, presente na Exposição Universal de Paris de 1937, projectou-o internacionalmente. Exemplos da sua estatuária são obras como o “Infante”, exposto em Vincennes em 1931, a “Dona Leonor” (1935) nas Caldas da Rainha, “Dom Dinis e Dom João III”, em Coimbra, e a estátua equestre de “Dom João IV” (1940), em Vila Viçosa.

É da sua autoria o “Cristo- Rei” do monumento em Almada, visível de Lisboa. O já referido “Busto do Pintor Manuel Jardim e uma Cabeça de Criança” encontram-se expostos no Museu de Arte Contemporânea-Museu do Chiado.

Francisco Franco sofreu, nos últimos anos de vida, um desastre de viação que lhe fragilizou a saúde, vindo a falecer antes de assistir à inauguração da sua derradeira obra, o Cristo-Rei, que viria a ser inaugurado em Almada em 1959.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora, Funchal; Lisboa (Freguesia de São João de Brito, Edital de 27-04-1964); Matosinhos (Freguesia de Custóias); Oeiras; Seixal (Fregueisas de Corroios e Fernão Ferro); Sintra (Freguesia de Queluz).

Fonte: “Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa. Colecção de Desenho Antigo da Faculdade de Belas Artes de Lisboa (1830-1935). Elementos Biográficos dos Artistas da Colecção, Pág. 156 e 157; Alberto Cláudio Rodrigues Faria”

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 11, Pág. 786)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág.  232 e 233).

Vítor Damas, um dos melhores guarda-redes portugueses, adorado pelos leões e respeitado por todos os adversários, aqui recordado no dia em que, se fosse vivo, faria 70 anos de idade.

 

Vítor DamasVÍTOR Manuel Afonso DAMAS de Oliveira, Jogador de Futebol, nasceu em Lisboa, a 08-10-1947, e faleceu no Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, a 14-09-2003. Deu os primeiros pontapés numa bola no então Jardim do Largo do Leão, aos 14 anos de idade, um vizinho convenceu-o a ir aos treinos de captação do Sporting Clube de Portugal, ainda na Rua do Passadiço.

Vítor Damas sonhava ser avançado como os seus ídolos Peyroteo, Vasques e Travassos, mas começou como jodador leonino no posto de guarda-redes e, assim se sagrou Campeão Nacional de Juvenis logo na época de 1961/1962, com José Travassos (o Zé da Europa) como Treinador.

Foi novamente Campeão de Júniores na época de 1964/1965, tendo participado em 10 jogos na Selecção Nacoonal daquele escalão, e duas na Selecção de Esperanças.

Chegou à equipa principal do Sporting com 19 anos, fazendo a sua estreia a 12 de Fevereiro de 1967 num jogo no Estádio de Alvadade, em que o Sporting empatou 2-2 com o Futebol Clube do Porto. Tornou-se o titular da camisola nº 1, duas temporadas depois, sucedendo a Carvalho, mantendo-a até 1976 e, com a quela foi também capitão da Equipa.

Representou o Sporting Clube de Portugal, Rancing de Santander, Vitória de Guimarães e Portimonense. Foi duas vezes campeão nacional e venceu por três vezes a Taça de Portugal em representação do Sporting Clube de Portugal. Surgiu muito jovem na ribalta, quando, com 19 anos de idade, substituiu na baliza do Sporting o conceituado, guarda-redes «Carvalho», que fora um dos «magriços», um ano antes, no Mundial de 1966.

Vítor Damas envergou 743 vezes a camisola do Sporting, um número que mais nenhum outro futebolista do Clube ainda conseguiu. Participou em 417 jogos do Campeonato Nacional, 131 da Liga Espanhola e jogou 52 encontros de provas europeias de clubes, todos eles pelo Sporting – outro recorde ainda não batido. Foi duas vezes campeão nacional, conquistou três taças de Portugal e foi semifinalista da Taça das Taças, e envergou por 29 vezes a camisola das quinas.

Após ter integrado o lote de convocados para o Europeu de 1984, teve a mesma distinção dois anos depois no Mundial realizado no México. Nesse campeonato fez os seus últimos jogos pela Selecção «A». Abandonou a actividade em 1989, com 42 anos de idade.

Vítor Damas esteve 4 épocas ao serviço do Racing do Santander, entre 1976/1977 e 1979/1980, tendo disputado um total de 131 jogos do campeonato espanhol. Foi por indicação de Quinito que lá jogava e tornou-se um ídolo para os adeptos do Santander, sendo até considerado um dos melhores jogadores estrangeiros em Espanha.

Findo esse contrato regressou a Portugal para jogar nos vimaraneneses, nas épocas 1980/1981 e 1982/1983, com José Maroa Pedroto como Treinador, que há muito o desejava numa equipa sua e, assim voltou a convocar  para a Selecção Nacional. Doi anos depois Vítor Damas passou para o Portimonense (1983/1984), onde se cruzou com Manuel José, que o trouxe de volta para o Sporting, para mais 5 temporadas e onde terminou a sua carreira como jogador de futebol.

A despedida ofical de Vítor Damas como jogador do Sporting, aconteceu em 27 de Novembro de 1988, quando já cpntava 41 anos, num jogo frente ao Académico de Viseu, no Estádio do Fontelo, acontar para o Campeonato Nacional, quer terminou empatado por 2-2.

A 06 de Abril de 2003 o Sporting Clube de Portugal prestou homenagem a Vítor Damas numa cerimónia que antecedeu um jogo do Campeonato, por ter sido o jogador que mais vezes jogou no Estádio de Alvalade.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Cascais (Freguesia de Carcavelos); Lisboa (Freguesia do Lumiar, Edital de 10-04-2007

Fonte: “Jornal Diário de Notícias”

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

Falceu no passado dia 05 do corrente, o Escritor e Cineasta, António de Macedo. Aqui fica a nossa homenagem.

António de MacedoANTÓNIO  Luís Ernesto DE MACEDO, Escritor e Cineasta, natural de Lisboa, nasceu a 05-07-1931 e faleceu a 05-10-2017. Frequentou a Escola Superior de Belas Artes de Lisboa, onde se Licenciou em Arquitectura, em 1958. Fez, também, o Curso livre de Literaturas Clássicas e frequentou o Curso de Ciências Pedagógicas na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

Iniciou a sua carreira profissional na Câmara Municipal de Lisboa como Arquitecto, actividade que abandonou em 1964, tendo-se, depois, dedicado exclusivamente ao Cinema e à Literatura, assim como à pesquisa de música vanguardista.

Escreveu para o Teatro um ciclo de três peças “A Pomba”, publicada em 1983; “A Nova Ilusão”, de 1984; e “O Osso de Mafoma”, publicada em 1989, que, mantendo a sua autonomia, são unidas pelo questionamento sobre a forma de evolução, em sucessivos contextos históricos-sociais, num mesmo território, dos diferentes aspectos do confronto cristianismo esotério versus cristianimso dogmático. Na narrativa é um dos poucos autores contemporãneos de ficção científica, cujos caracteres específicos combina com as técnicas de perspectiva e plano de recorte quase cinematográfico.

As religiões comparadas, as tradições sotéricas, a história da filosofia e da estética audiovisual e a literatura fantástica são temas objecto de investigação e estudo desenvolvidos e abordados pelo autor em numerosos colóquios e publicações.

A sua filmografia inclui, entre Documentários, Programas de Televisão, Filmes de intervenção e longas-metragens, títulos como: Domingo à Tarde (de 1965, baseada no romance homónimo de Fernando Namora, um dos filmes fundadores do chamado Cinema Português); Nojo aos Cães (de 1970); A Promessa (de 1972); O Princípio da Sabedoria (de 1975); As Horas de Maria (de 1976); Os Abismos da Meia-Noite (de 1982); Os Emissários de Khalôm (de 1987); A Maldição de Marialva, (de 1989); e Chá Forte com Limão (de 1993).

Como Ensaísta é autor de: A Evolução Estética do Cinema (1959-1960); Da Essência da Libertação (1961); Instruções Iniciáticas (1999); Laboratório Mágico (2002); e O Neoprofetismo e a Nova Gnose (2003).

Como Ficcionista, é autor de obras como, por exemplo: O Limite de Rudzky (1992); Contos do Androthélys (1993); Sukphira & Lucyphur (1995); A Sonata de Cristal (1996); Erotosofia (1998); e O Cipreste Apaixonado (2000).

Paralelamente, António de Macedo dirigiu a colecção “Bibliotheca Phantástica”, da Editora Hugin, e leccionou, desde 1970, em diversas instituições de Ensino Superior e integrou a Comissão Coordenadora dos Encontros Internacionais de Ficção Científica & Fantástico de Cascais, de cujo evento foi também promotor.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Volume VI, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas; Publicações Europa-América, Coordenação de Ilídio Rocha, Publicado em Junho de 2001, Pág. 75, 76 e 77)

Fonte: “Infopédia – Dicionários Porto Editora”

No dia em que passam 124 anos sobre o nascimento de Maria Lamas, deixamos aqui a homenagem à Escritora e Jornalista, antifascista e defensora da igualdade de géneros.

 

Linda-a-Velha 125MARIA da Conceição Vassalo e Silva da Cunha LAMAS. Escritora e Jornalista, nasceu em Torres Novas, a 06-10-1893, e  faleceu em Lisboa, a 06-12-1983. Era filha de Manuel Caetano da Silva e de Maria da Conceição Vassalo, e era irmã do General Vassalo e Silva. Fez a Instrução Primária, na sua terra natal.

Aos 15 anos de idade deixou o Convento de Santa Teresa de Jesus e só no ano lectivo de 1922/1923, já adulta, fez o Curso Geral dos Liceus.

Em Março de 1991, com 17 anos, casou-se pelo Registo Civil com o Oficial de Cavalaria Republicano, Teófilo José Ribeiro da Fonseca (1886-1972), de quem se divorciou poucos anos depois, em 1919, ficando com as duas filhas do casal a cargo: Maria Emília Vassalo e Silva Ribeiro da Fonseca (1911-1990); e Manuela Vassalo e Silva Ribeiro da Fonseca (09/07/1913-1960).

Casou, em 1921, com o Oficial dos Correios e Telégrafos e Jornalista Monárquico Alfredo da Cunha Lamas (nascido em 1877), passando a usar este apelido. No ano seguinte nasceu a filha Maria Cândida e separou-se em 1936.

Na década de 1920 começou a trabalhar na Agência Americana de Notícias. Colaborou no jornal A Capital, inscreveu-se no Curso Geral dos Liceus e dedicou-se à escrita para crianças, publicando livros e assinando textos, contos e poesias sob opseudónimo de Rosa Silvestre.

Estreou-se no jornalismo, dirigindo e colaborando em secções infantis de alguns jornais, sob o pseudónimo de Rosa Silvestre, e publicou, em 1923, o volume “Humildes” (poesia). Directora do suplemento “Modas & Bordados”, do jornal “O Século”, a partir de 1926, cargo que ocupou durante cerca de 20 anos, envolveu-se na luta pelos direitos das mulheres, entretanto em conflitos com as autoridades nacionais, que a levaram, por diversas vezes, a ser presa pela PIDE. Em 1935, publicou “Para Além do Amor” e aderiu á Associação Feminina para a Paz. Veio depois a fazer parte do MUD juvenil e, em 1946, regressou à direcção do suplemento “Modas e Bordados”. Quatro anos mais tarde, ocupou o mesmo cargo na revista “Mulheres”, que conservou até à morte. Para além da sua obra como romancista e autora de literatura infantil, publicou estudos sobre a situação da mulher, como “As Mulheres do Meu País” (reportagem publicada em fascículos entre 1947 e 1950) e “A Mulher no Mundo” (1952). Escreveu ainda “O mundo dos Deuses e dos Heróis” (Mitologia Geral) (1959-1961). Foi eleita para o Conselho Mundial da Paz (1954).

Obras principais: Maria Cotovia, (contos, 1929); Aventuras de Cinco Irmãozinhos; A Estrela do Norte; O Caminho Luminoso, (1930); Para Além do Amor, (romance, 1935); A Ilha Verde, (1938); O Vale dos Encantos, (novela infantil, 1942); As Mulheres do Meu País, (1950); A Mulher do Mundo, (1952); Arquipélago da Madeira, (1956); O Mundo dos Deuses e dos Heróis. Mitologia Geral (2 volumes, 1959-1961); Mulheres contra Homens?, (1971). Era irmão do General Vassalo e Silva, último Governador da Índia, punido e ostracisado pelo fascismo e esquecido do regime democrático.

Em 1934, foi agraciada com o grau de Oficial da Ordem de Santiago da Espada pelo Presidente Óscar Carmona, por mérito cultural na acção em prol das mulheres.

Biografia Prisional: Presa por esta Directoria em 17-12-1949 para averiguações, tendo recolhido ao Depósito de Presos de Caxias. Posta à ordem dos Tribunais Criminais de Lisboa, em 23-12-1949. Restituída à liberdade em 24-12-1949, por ordem do 2º Juízo Criminal de Lisboa, por ter prestado a caução que lhe foi atribuída (50.000$00).

Presa por esta Directoria em 18-07-1950, para averiguações do nº 2 do Artigo 166 do Código Penal, tendo recolhido ao Depósito de Presos de Caxias.

Posta à ordem dos Tribunais Criminais de Lisboa, em 18-01-1951, sendo condenada à pena de seis meses de prisão correccional, dada por expiada com a prisão preventiva já sofrida e sete meses de multa a 5$00 por dia e 50000 de Imposto de Justiça.

Restituíúda à liberdade em 19-01-1951, por ordem do 2º Juízo Criminal de Lisboa, por ter expiado a pena a que foi condenada. Julgado extinto o procedimento criminal por acórdão do Tribunal Criminal de Lisboa.

Presa por esta Directoria, em 20-11-1953, para averiguações, tendo recolhido ao Depósitos de Presos de Caxias. Restituída à liberdade por ter prestado caução em 08-01-1955.

Alvo de sucessivas perseguições e prisões, exilou-se em Paris entre 1962 e 1969, onde apoiou os portugueses, emigrantes e políticos, que saíam do País. O Grand Hotel Saint-Michel, na Rua Cujas, 19, tornou-se local de passagem obrigatória para os oposicionistas.

Viveu intensamente os acontecimentos subsequentes à Revolução de Abril de 1974, participou no 1º de Maio de 1974 e aderiu, formalmente, ao Partido Comunista Português.

Entre as várias condecorações que recebeu, conta-se a Ordem da Liberdade, com que foi agraciada pelo Presidente da República Ramalho Eanes, em 1982.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Alcácer do Sal; Alcochete; Almada (Cidade de Almada e Freguesia da Charneca de Caparica); Amadora; Barreiro (Cidade do Barreiro e Freguesia de Santo António da Charneca); Beja; Benavente (Freguesia de Samora Correia); Cascais (Freguesias de Alcabideche, Parede e São Domingos de Rana); Coimbra; Coruche (Freguesia do Couço); Évora; Ferreira do Alentejo; Gondomar (Freguesia de São Pedro da Cova); Grândola; Lagos (Freguesia da Luz); Lisboa (Freguesia de Benfica); Loures (Freguesias de Apelação, Bobadela, Bucelas, Camarate, Loures, Pior Velho, Santa Iria da Azóia e Unhos); Maia; Moita (Freguesias de Alhos Vedros, Moita e Vale da Amoreira); Montemor-o-Novo; Montijo; Odivelas (Freguesias de Caneças, Famões, Odivelas, Olival Basto e Pontinha); Oeiras (Freguesia de Linda-a-velha); Ovar; Palmela (Freguesias de Pinhal Novo e Quinta do Anjo); Ponte de Sôr (Freguesia de Foros de Arrão); Portimão; Porto;  Santarém; Seixal (Freguesias da Arrentela e Corroios); Setúbal (Cidade de Setúbal e Azeitão); Sines; Sintra (Freguesias de Algueirão-Mem Martins e Rio de Mouro); Sobral de Monte Agraço); Tavira (Freguesia de Cabanas de Tavira); Torres Novas; Vila Franca de Xira (Freguesias de Alverca do Ribatejo, Forte da Casa, Vialonga e Vila Franca de Xira).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. III, Publicações Europa América)

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres, de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 660 e 661”.

Fonte: “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 14, Pág. 599.

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 290).

Recordamos aqui Joaquim Meirim que, se fosse vivo, faria hoje 82 anos de idade, um Treinador proscrito, mas que fez “escola” no futebol português.

Joaquim MeirimJOAQUIM Ribeiro MEIRIM, Treinador de Futebol, nasceu em Monção, a 05-10-1935, e faleceu em Lisboa, a 25-05-2001. Foi o Treinador mais controverso do futebol português. Num estádio de futebol, em dia de jogo, não se distingue o Engenheiro do trolha, tão idênticas  são as reacções dos dois profissionais sobre o que se passa no relvado, ideias como esta, proferidas por Joaquim Meirim ainda no início da sua carreira de Treinador, fizeram manchetes nos jornais desportivos da época (desde a passagem pela CUF e Varzim, nos finais dos anos 60 e princípios de 70) e venderam resmas e resmas de papel.

Tirado o Curso de Treinadores, em 1962, na Cruz Quebrada, no então INEF (actual Faculdade de Motricidade Humana), anos depois de uma estadia no Atlético como Jogador de futebol (ao mesmo tempo, com 16 anos, também nadava no Algés, estudava na Escola Ferreira Borges e trabalhava num escritório), protagonizava o seu primeiro caso polémico já como técnico da CUF, numa entrevista em que criticava os técnicos portugueses, descaramento que lhe custou 14 meses de suspensão de carteira profissional.

Joaquim Meirim foi um precursor da componente psicológica no interior das equipas de futebol, uma característica que elevou à condição de prioridade dentro da metodologia de treino. Treinador da moda e salvador de aflitos, suportou depois da Revolução dos Cravos, muitas «mordidelas de lacrau».

Politicamente incorrecto (alinhou sempre à esquerda no campo partidário), a sua coerência fechou-lhe muitas portas num mundo – o do Futebol, onde a verdade de hoje, muito provavelmente, é a mentira de amanhã.

Cidadão de corpo inteiro, que acostou a muitos portos do Mundo (esteve em mais de 60 países e viveu em outros seis- Suécia, Cuba, Brasil, Argentina, França e Moçambique). CUF, Varzim, Belenenses, Leixões, Salgueiros, Boavista e Estrela da Amadora, entre outros, conheceram de perto a matriz de um Treinador que apesar de cordialmente proscrito fez escola no futebol português

Fonte: “Mais Futebol”, (por Nuno Madureira)

Fonte: “Jornal Record”

Fonte: “Diário de Notícias”

Daniel Bacelar, um dos pioneiros do rock em Portugal, faleceu no passado di 29 de Setembro. Em jeito de homenagem, aqui fica um pouco da sua carreira como Músico.

 

Daniel BacelarDANIEL Eugénio de Sousa BACELAR, Músico, natural de Lisboa, nasceu a 26-05-1943 e faleceu a 29-09-2017. Cantor e Compositor. Daniel Bacelar foi um dos primeiros Músicos cultores do Rock’n’roll em Portugal, na linha do teen idol, movimento americano iniciado por Pat Boone, Paul Anka e Ricky Nelson.

Estreou-se, em 1960, no concu8rso Caloiros da Canção organziado pelo programa radiofónico Clube das Dez (Rádio Renascença). Vencedor da categoria de intérprete (voz), realizou a sua primeira gravação para a Editora Valentim de Carvalho, duas canções de sua autoria com arranjos de Jorge Machado, num fonograma partilhado com o Duo Os Conchas.

Num período em que os fonogramas de pop-rock começavam a surgir em Portugal e emque os bailes de estudantes constituíam os únicos espaços de performação para os novos estilos do rock, este EP com duas canções de Daniel Bacelar: Fui Louco Por Ti e Nunca, constituiu uma das primeiras manifestações dos estilos da pop music em Portugal, abrindo caminho para a gravação de outros Músicos como Zeca do Rock.

Compsitor de muitas canções que gravou, Daniel Bacelar contribuiu para a criação de um repertório rock em português.

Por imposição da Editora Marfer, Daniel Bacelar cantou também em espanhol (Mi Canción del Recuerdo), a par das canções em inglês.

Foi acompanhado pelo Conjunto de Jorge Machado, pelo Grupo Abril em Portugal e pelo Conjunto Gentlemen, formado pelos irmãos Claude (guitarra eléctrica) e Jorge Carp (baixo eléctrico, Jaime Queimado (guitarra eléctrica) e António Freitas Jr (bateria), que se tornou no Grupo acompanhador do Cantor.

O seu último fonograma, de 1967, no qual é acompanhado pelo Grupo Fliers, aproximava-se já dos estilos do rock psicadélico, de que é exemplo a canção I Wonder Why.

Funcionário da TAP desde 1965, deiuxou a carreira musical ainda antes do fim desse década, mas continuou a apresentar-se pontualmente na televisão. Em 1979, foi convidado do grupo Sheiks no prigrama Sheiks com Cobertura, onde cantou acompanhado pelo Grupo. Já na década de 90, integrou o núcleo fundador dda Associação Anos 60, apresentando-se em vários espectáculos.

Em Agosto de 2009, a cantora e compositora Rita Redshoes convidou Daniel Bacelar para cantar consigo “Lonesome Town”, um clássico dos anos 1950, de Ricky Nelson, na abertura do Festival dos Oceanos, em Belém, em Lisboa.

Também em 2009, o grupo brasileiro Autoramas resgatou uma canção de Daniel Bacelar para o seu repertório, “Se eu enlouquecer”, que se tornou num dos êxitos do seu EP “Brasil na CEE”.

Daniel Bacelar participou no documentário de Eduardo Morais “Meio Metro de Pedra”, a primeira produção independente sobre a contracultura do rock’n’roll português desde o final da década de 1950, produzido em 2011, e uma das suas últimas aparições públicas foi na apresentação do livro do jornalista Luís Pinheiro de Almeida “Biografia do ié-ié”, apresentado em 2014, em Lisboa.

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX”, (Direcção de Salwa Castelo-Branco, Temas e Debates, Edição do Círculo de Leitores, 1ª Edição de Janeiro de 2010, I Volume A-C, Pág. 95 e 96)

Fonte: “Jornal Diário de Notícias”

Recordamos hoje o Actor Carlos Santos que, se fosse vivo, faria hoje 80 anos de idade

 

carlos-santosCARLOS Alberto SANTOS, Actor, nasceu em Lisboa, a 04-10-1947, e faleceu no Hospital de Faro, a 27-11-2016. Carlos Santos, que ficou conhecido do público português pela participação em várias telenovelas portuguesas, preparava-se para casar com a também Actriz Amélia Videira, em Dezembro deste ano.

Com uma carreira de 53 anos, Carlos Santos estreou-se como Actor em 1963, tendo brilhado no Teatro, na Televisão e no Cinema. O desempenho no filme “Operação Outono”, sobre os últimos dias do General Humberto Delgado, valeu a Carlos Santos o prémio de melhor Actor de Cinema da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e o Prémio Sophia para melhor Actor, da Academia Portuguesa de Cinema, em 2013.

No cinema, Carlos Santos trabalhou com Luís Filipe Rocha, António de Macedo, Joaquim Leitão, José Fonseca e Costa e Leonel Vieira. Também fez parte do elenco do derradeiro filme de Fernando Lopes, “Em Câmara Lenta”.

Carlos Santos, que se estreou com José Viana no Teatro de Revista,  somou, nos últimos anos, participações em “Bem-vindos a Beirais”, “Vidas de sal”, “O bairro da fonte”, “Uma família açoriana”, “O teu olhar”, “Quando os lobos uivam”, “A viúva do enforcado”. “O julgamento”, “A capital”, “O amor desceu em paraquedas”, “Tudo isto é fado”, “Olhó passarinho”, “A banqueira do povo”, “A selva” e “Tarde demais” foram outros trabalhos em que Carlos Santos participou como Actor.

Participou, entre outras, nas seguintes Longas-Metragens: Rapazes de Táxis (1965 de Constantino Esteves); O Amor Desceu em Paraquedas (1968, de Constantino Esteves); A Santa Aliança (1980, de Eduardo Geada); Só Acontece aos Outros (1985, de Luís Filipe Costa); ; A Noite e a Madrugada (1986. De Artur Ramos): A maldição do Marialva (1991, de António de Macedo); Zona J (1998, de Leonel Vieira); Inferno (1999, de Joaquim Leitão); Trânsito Local (2000, de Fernando Augusto Rocha); ; Tarde Demais (2000, de José Nascimento); Aparelho Voador a Baixa Altitude (2002 de Solveig Nordlund); O Fascínio (2003, de José Fonseca e Costa); Os Lobos (2007, de José Nascimento); Em Câmara Lenta (2012, de Fernando Lopes); A Mãe é que Sabe (2016, de Nuno Rocha).

Fonte: “Jornal Correio da Manhã”