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“LISBOA E OS SEUS JARDINS”

Sabe onde fica o Jardim da Praça do Império?

 

 

Jardim da Praça do ImpérioJardim da Praça do Império, construído por altura da Exposição do Mundo Português, em 1940, evento comemorativo dos 800 anos da Independência de Portugal e dos 300 anos da Restauração da Independência, da autoria do Arquitecto Cottineli Telmo.

É também desta época a Fonte Luminosa existente no centro do Jardim.

O Jardim é composto por um conjunto de 30 brasões representando as armas das Cidades Capitais de Distrito de ortugal e das ex-províncias Ultramarinas, mais dois Escudos, o da Ordem de Avis e o da Ordem de Cristo. Existe ainda, um Relógio de Sol, sendo que, todos estes elementos são construídos em mosaico-cultura.

Os dois lagos no topo Sul do Jardim, encimados por dois imponentes grupos escultóricos, representando figuras míticas de dois cavalos com cauda de animais marinhos.

Na envolvente do Jardim encontra-se o Mostero dos Jerónimos e o Centro Cultural de Belém, Centro de Exposições e Espectáculos, o Planetário, o Museu de Marinha e o Padrão dos Descobrimentos.

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O Compositor Português Emmanuel Nunes, se fosse vivo, faria hoje 76 anos de idade.

 

Emmanuel NunesEMMANUEL Tito Rococa NUNES, Compositor, nasceu em Lisboa, a 31-08-1941, e faleceu num Hospital de Paris (França), a 02-09-2012. Criado numa família sem tradições musicais, foi por sua iniciativa que, pelos 12 anos de idade, iniciou estudos particulares de Solfejo e de Piano, constituindo progressivamente um conhecimento do repertório, cultivando uma prática auditiva quotidiana e frequentando, entre 1956 e 1963, as temporadas de ópera do Teatro Nacional de São Carlos.

Por influência paterna, candidatou-se em 1958 à Faculdade de Farmácia, onde, por duas vezes consecutivas, não conseguiu passar as provas de admissão. Efectuou ainda uma terceira tentativa na área científica, realizando sem sucesso os exames de admissão à Faculdade de Medicina.

Em 1959 conheceu Fernando Lopes-Graça, que o aceitou como aluno particular, frequentando simultaneamente os Cursos de Harmonia e Contraponto da Academia de Amadores de Música (AAM), na classe de Francine Benoît.

Ingressou mais tarde na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, onde estudou Filosofia Grega, Filologia Germânica e Linguística.

Aderiu entretanto ao PCP, exercendo, num quadro académico, uma acção de oposição ao regime que o levou a participar activamente no movimento estudantil que conduziu à greve de 1962. No Verão desse ano deslocou-se à URSS, por iniciativa do PCP, que procurava incentivar a sua formação ideológica.

Abandonou sem eguida as suas actividades partidárias «por razões ideológicas e de completa discordância, não só no plano político como, e essencialmente, num plano puramente filosófico»

Em 1961-1962 frequentou os Cursos de Louis Saguer na Academia de Amadores de Música, através dos quais teve um primeiro contacto com a Segunda Escola de Viena e com a linguagem serial. No ano seguinte efectuou uma viagem a Paris onde assistiu a concertos do Momaine Musical, recém-fundado por Pierre Boulez, partindo mais tarde para Darmstadt, com Jorge Peixinho; em 1964 voltaram ambos a Darmastadt seguindo depois para Munique, onde frequentaram um estágio de inciação à música electrónica e dirigido por Pousseur.

Viajaram em seguida para Veneza, onde, ao longo de dois meses, assistiram aos cursos de artes plásticas e literatura promovidos pela Fundação Cini, na Ilha de San Giorgio.

No memso ano estreou em Lisboa a sua primeira obra, para flauta, harpa, contrabaixo e percussões, que, apesar do entusiasmo da crítica, viria a queimar meses depois, em Paris.

Em 1964 instalou-se em Paris e, mais tarde, ecm Colónia onde, ao longo de dois anos, assistiu às master classes de Stockhausen, Pousseur e Berio, entre outros.

No Verão de 1967 regressou a Paris, onde, ao longo de três anos, viveu afastado do meio musical.

Entre 1969 e 1971 compôs as duas Litanies du Feu et de la Mer, revelando uma estética profundamente oposta a todo o movimento serial, baseada numa restrição voluntária do espaço cromático a cinco notas orincipais, a partir das quais é exclusivamente edificada toda a primeira metade da primeira peça, e cinco notas secundárias.

Inscreveu-se entretanto no Conservatório Superior de Paris, onde frequentou o Curso de Estética Musical de Marcel Beaufils.

Em 1971, a obtenção do Primeiro Prémio nesta disciplina permitiu-lhe iniciar um Doutoramento na Sorbonne com uma tese sobre a Segunda Cantata de Webern, sob a direcção pedagógica de Michel Guomar. Deste Doutoramento, que nunca chegaria a terminar, restam diversas partes redigidas nas quais se analisa a evolução da linguagem musical até Webern bem como as transformações estéticas que, no domínio da pintura em particular, se operaram no começo do Século XX.

A partir de 1974, iniciou uma carreira de pedagogo em França (Pau e Paris), na Alemanha (Breisgau) e nos Estados Unidos (Harvard). Desde 1989, colaborou regularmente com o Instituto de Investigação e Orientação Acústica/Música de Paris.

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 3º Volume, L-P, Pág. 915  e 916, Temas e Debates, Círculo de Leitores)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 388).

“LISBOA E OS SEUS JARDINS”

Sabe onde fica o Jardim da Alameda Roentgen?

 

Jardim Alameda RoentgenEste pequeno Jardim, localizado na Alameda Roentgen, Freguesia de Carnide, pedonal, ladeada por faixas relvadas e arborizadas, com pavimento propício a actividades recteativas. Tem Parque Infantil e Equipamentos de Fitness.

 

 

Wilhelm ROENTGEN, Cientista, natural de Lennep – Munique (Alemanha), nasceu em 1845 e faleceu em 1923. Foi o primeiro cientista laureado com o Prémio Nobel da Física, em 1901. Seis anos antes, durante uma investigação sobre os fenómenos ligados aos raios catódicos, observou que um «ecran« fluorescente, que se encontrava afastado, brilhava quando o tubo catódico funcionava, apesar de este se encontrar envolto em papel espesso e opaco. Concluíu que o fenómeno era devido a uma forma desconhecida de radiação, com elevado poder de penetração, a que deu o nome temporário de raios x.

O Jornalista e Político, Vítor da Cunha Rego, se fosse vivo, faria hoje 84 anos de idade.

 

Barcarena 0071VÍTOR José Costa DA CUNHA REGO, Jornalista e Político, nasceu em Oeiras, a 30-08-1933, e faleceu em Lisboa, a 11-01-2000. Era filho de José Pedroso da Cunha Rego e de Maria de Lourdes Antunes de Carvalho e Costa. Inteligente, culto e espírito crítico invulgares.

A paixão de quem queria »viver tudo como se fosse a primeira vez«. Mas também, o cepticismo, a coragem, e o desassobro nas palavras, por vezes cruéis, para os seus adversários. Tudo isto são facetas de Victor Cunha Rego. Para Victor Cunha Rego não havia ideologias »light«, nem notícias »soft«. Tudo era vivido com intensidade, até a solidão a que se remeteu antes mesmo de ser traído pela doença. Um agitador de consciências.

Esteve com Henrique Galvão, Camilo Mortágua e outros membros do Directório Revolucionário Ibérico de Libertação, do qual fez parte, no assalto ao Santa Maria. Antes, em 1958, ao lado de Urbano Tavares Rodrigues, José Manuel Tengarrinha, Vera Lagoa e outros da redacção do Diário Ilustrado foi um dos protagonistas da “única greve e demissão colectiva de que há memória na imprensa portuguesa”, nos tempos do fascismo. Esteve exilado no Brasil e na Jugoslávia. Ainda na oposição ao regime aproximou-se de Mário Soares.

Foi militante da Resistência Repúblicana e Socialista, da Acção Socialista Portuguesa e finalmente do Partido Socialista em 1973. Foi, aliás, o único partido onde militou. Frequentou os bastidores do poder como Chefe de Gabinete de Mário Soares, Ministro dos Negócios Estrangeiros, no primeiro Governo provisório em 1974, em 1976 foi Secretário de Estado adjunto do Primeiro Ministro e em 1977 ainda Mário Soares nomeia-o Embaixador em Espanha.

Nesta fase começa a aproximação a Sá Carneiro e ao projecto da AD, do qual foi um dos mentores mais entusiastas. Com Marcelo Rebelo de Sousa, José Miguel Júdice e Pedro Santana Lopes cria o projecto jornalístico o »Semanário«, destinado a dar os alicerces à AD e a pôr em causa o Bloco Central Soares/Mota Pinto. Foi, ainda, no tempo da AD Presidente da RTP, onde, como sempre tem acontecido, não resiste à tentação de usar a televisão do Estado para promover a candidatura de Soares Carneiro à Presidência da República.

Colaborou em inúmeras publicações entre as quais »Praxis« (Buenos Aires), entre 1958-1959, »Semanário« (Rio de Janeiro), entre 1959-1962, »Brasil Urgente« (São Paulo), entre 1963-1964, »Rivista Internazionale del Socialismo« (Roma), entre 1966-1967, e »L’Astrolabio« (Roma), em 1967. Produziu e escreveu o argumento do filme »Meninos do Tiétê« (São Paulo), em 1962, supervisionou a produção e foi autor do guião do documentário »Francisco Sá Carneiro«, (RTP1, em 1981.

Obras principais: Angola Através dos Tempos, (compilação, 1962); Liberdade para Portugal, (compilação em colaboração com Freidhelm Merz, 1976); Os Dias de Amanhã, (crónicas, 1999).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora; Lisboa (Freguesia da Charneca, Edital de 07-05-2001, era a antiga Rua C, troço Sul da Avenida 4); Oeiras (Freguesia de Barcarena).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. VI, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Publicações Europa América, Pág. 214, 215 e 216)

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 107).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 442).

“LISBOA E OS SEUS JARDINS”

Sabe onde fica o Jardim Bento Martins?

 

 

Jardim Bento MartinsJardim de residência, localizado na Quinta da Luz, Freguesia de Carnide. Este pequeno Jardim pretende homenagear a memória de António Bento Martins, grande amante do Teatro Amador e fundador do Grupo de Teatro de Carnide em 1959. O Jardim tem Parque Infantil.

 

 

António BENTO MARTINS, Actor e Encenador, nasceu em Castelo Branco, a 12-08-1932, e faleceu em Lisboa, a 01-09-1993. Desde os seus 17 anos que se interessava pelo Teatro, formando diversos grupos de Teatro de Amadores, entre os quais se destacam o Grupo de Teatro de Sacavém, da Bobadela, de Santa Iria, da EDP (empresa onde trabalhou), bem como grupos de Teatro de paróquia, e neles participava como Actor e Encenador. Em 1959, fundou o Grupo de Teatro de Carnide onde se manteve até ao seu falecimento, durante 34 anos.

Como Actor profissional integrou as companhias do Teatro de Ensaio de Lisboa, do Teatro da Estufa Fria e do Grupo de Teatro de Carnide.

Como Encenador levou a cena diversos géneros, para além de ter sido um aplicado estudioso do Teatro, participando em vários cursos de Director e Encenador, em Portugal, na Suíça e na antiga República Democrática Alemã, para além de ter realizado colóquios no âmbito da Secretaria de Estado da Cultura, do ex- FAOJ/Instituto da Juventude,

Bento Martins recebeu galardões no Festival de Teatro de Amadores de Lisboa (7 vezes), no Festival Internacional das Beiras, no Festival de Santarém (3 vezes) e, ainda, uma Medalha de Ouro do Teatgro da ex-RDA.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de Carnide, Jardim Bento Martins na Quinta da Luz, Edital de 17-02-1995)

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”.

António Bentes, “o rato atómico”, jogador de Futebol, a quem Manuel Alegre dedicou um poema, se fosse vivo, faria hoje 90 anos de idade.

 

António BentesANTÓNIO de Deus da Costa Matos BENTES de Oliveira, Desportista e Professor,nasceu na Freguesia de São João do Souto (Braga), a 29-08-1927, e faleceu em Coimbra, a 06-02-2003. Mas foi em Portalegre, para onde a sua família se mudou, que nasceu para o Futebol.

Iniciou-se numa equipa constituída só por alunos do Liceu de Portalegre (Associação Académica de Portalegre), tinha então 13 anos de idade.

Oficialmente, porém, o seu primeiro clube foi a Mocidade Portuguesa de Portalegre, na época de 1943/1944, mas depressa as suas exibições chamaram a atenção do Grupo Desportivo Portalegrense.

De pequena estatura -media apenas 1,67m foi um velocíssimo extremo-esquerdo da Académica de Coimbra, a “eterna” equipa dos estudantes, onde seria por isso conhecido como o “rato atómico“. Aos 18 anos, quando ali se estreou na Primeira Divisão, marcou logo 14 golos. Ficou então célebre o seu encontro com o Sporting, a quem brindou com três desses tentos. Diz-se que João Azevedo, o inesquecível e famoso guarda-redes dos leões, gritava para os seus defesas: – “Agarrem esse miúdo!”-

Aos 17 anos de idade foi chamado à Selecção de Portalegre; após o Verão de 1945, e depois de ter completado o 6º ano do Liceu, rumou a Coimbra. Inicialmente indicado para a equipa de juniores, foi surpreendentemente colocado na equipa principal, num jogo com a Naval, no dia 23 de Setembro de 1945. Nunca mais deixou o lugar, efectuando, como “ponta esquerda”, um total de 279 jogos, até ao último Domingo de Maio de 1956. Ficaria na história do Clube de Coimbra. Com apenas 18 anos de idade, foi chamado à Selecção Nacional. Totalizando 5 internacionalizações (3 na equipa A e 2 na equipa B).

António (Tótó) Bentes foi depois Professor do Ensino Primário (básico, como se diz hoje) e distinguiu-se sempre pelas suas qualidades humanas.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Coimbra.

Fonte: “Jornal Record, Edição de 07 de Fevereiro de 2003”

Fonte: “largodoscorreios.wordpress.com” (António Martinó de Azevedo Coutinho).

Nem tudo era só bota de elástico
havia alguém capaz de alguns repentes
a fuga para a frente e o fantástico
a festa e a alegria: havia o Bentes.
Ele fintava ele driblava ele ganhava
os jogos que ninguém nos consentia.
Era a Académica e a aventura era a palavra
que de súbito golo se fazia
quando corria pela esquerda e nos levava
nas jogadas da sua fantasia.

No tempo devagar ele era a pressa
trazia o imprevisto e o inesperado
um golo de pé esquerdo ou de cabeça
que virava o domingo e o resultado.

Ele avançava sem pedir licença
contra a rotina o tédio a vida anémica
era a ousadia e a diferença
ele era outra maneira – era a Académica.

Fosse o Porto, o Sporting, o Benfica,
ele era o que rompia.
De seus dribles nasciam as serpentes
como o poema o seu jogo não se explica
ele era a fantasia
ele era o Bentes

“LISBOA E OS SEUS JARDINS”

Sabe onde fica o Jardim da Quinta Barros?

 

Jardim da Quinta dos BarrosEste pequeno Jardim de Bairro, localiza-se na Azinhaga dos Barros, Freguesia de Alvalade (antes Freguesia do Campo Grande), é um espaço recente, numa zona bastante urbanizada. Possui um Quiosque com Esplanada e um Parque Infantil.

No dia em passam 530 anos sobre o nascimento do Poeta Sá de Miranda, deixamos aqui este pequeno tributo.

 

 

Sá de MirandaFrancisco de SÁ DE MIRANDA, Poeta, nasceu em Coimbra, a 28-08-1487, e faleceu na sua Quinta da Tapada, na Freguesia de Fiscal (Amares), a 15-03-1558. Era filho de Gonçalo Mendes de Sá e de Inês de Melo. De família fidalga, estudou nos Estudos Gerais de Alfama, onde terá eventualmente sido Professor. A prová-lo está o título de Doutor com que surge designado no Cancioneiro Geral de Garcia de Resende (1516), onde colaborou com poesias em português e em castelhano, como era habitual nos Escritores da época, e segundo os moldes tradicionais. Assim se comprova igualmente que frequentou os meios palacianos e a corte, onde conheceu Bernardim Ribeiro.

Em 1521, fez uma viagem a Itália, onde permaneceu até 1526. Contactou então com o Renascimento italiano e os novos cânones literários. Depois do seu regresso a Portugal, retirou-se para o Minho, onde se casou, em 1530. Afastou-se assim da corte, embora mantivesse convívio epistolar com grandes personalidades da época, entre os quais o próprio rei Dom João III.

Doente e atingido pelas mortes sucessivas de familiares – do filho primogénito em 1553, da mulher em 1555 – e de personalidades a quem estava ligado por fortes laços afectivos e culturais, como o príncipe Dom João, falecido em 1554, e o infante Dom Luís, em 1557, pensa-se que terá morrido em 1558, pois de Maio desse ano data a última referência à sua vida.

Como Escritor, Sá de Miranda teve uma acção fundamental na introdução, em Portugal, dos géneros poéticos e do ideário do Renascimento. Após a viagem a Itália, o Escritor passou a escrever, embora não exclusivamente, segundo os novos modelos. Sá de Miranda foi o introdutor, na literatura portuguesa, do soneto, do terceto, da oitava, de subgéneros poéticos como a canção, a carta, a écloga e a elegia, do métrico decassilábico e da comédia clássica. Outro aspecto importante da sua obra, que se prende sobretudo com o seu ideário, á a intenção moralizante, expressa sobretudo nas »Cartas« (1626), na »Écloga Basto« e em alguns sonetos. Criticando a vida sua contemporânea, Sá de Miranda revelou-se nostálgico do Portugal antigo, anterior á decadência dos costumes que o poeta detectava na vida cortesã e citadina (opondo-lhe a autenticidade e a liberdade da vida rústica, tema típico já da Antiguidade Clássica, particularmente na concepção horaciana da »aura mediocritas«, como na carta que escreveu ao seu amigo António Pereira, senhor de Basto, quando se retirou da corte para o campo). A mesma decadência estava, para Sá de Miranda, subjacente ao espírito que animava a expansão ultramarina portuguesa: a ambição do comércio, a guerra que afasta o Homem da natureza, a corrupção da corte (veja-se a Carta a seu irmão Mem de Sá). É também nas Cartas que aborda tópicos característicos da literatura renascentista; o desdém pela vulgaridade (Carta a El-rei Dom João III), a superioridade do culto das letras sobre o das armas (Carta a João Roiz de Sá Meneses), a necessidade da renovação pelo estudo dos modelos estrangeiros (Carta a João Roiz de Sá Meneses) e até o incitamento á composição de um poema heróico de assunto português (Carta a El-rei Dom João III). Sá de Miranda concebeu as primeiras comédias clássicas portuguesas (Estrangeiros e Vilhalpandos), cuja recepção pelo público, habitauado aos autos de Gil Vicent sobretudo), não foi das melhores. Se os aspectos criticados por Sá de Miranda e a sua intenção moralizadora o aproximam muito de Gil Vicente, o escritor afasta-se deste último pelas formas e o tom  em que vaza as suas críticas. Sá de Miranda deixou uma importante obra epistolográfica e uma série de éclogas, entre outros textos. A sua obra foi publicada postumamente, em 1595.

Influênciou decisivamente escritores seus contemporâneos e posteriores, como António Ferreira, Diogo Bernardes, Pêro Andrade de Caminha, Luís de Camões, Dom Francisco Manuel de Melo ou ainda, mais recentemente, Jorge de Sena, Gastão Cruz e Ruy Belo, entre outros, manifestando alguns textos destes autores nítida intertextualidade com textos mirandinos, sobretudo com o tão conhecido soneto »O Sol é Grande, caem co’a calmas as aves«.

Integrado na corrente humanista, Sá de Miranda é conhecido por introzir novas formas literárias, nomeadamente a medida nova – decassílabo – a comédia em prosa, e pelos valores morais que defendeu.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Cidade de Almada e Freguesia da Charneca de Caparica); Amadora; Amares (Freguesias de Carrazedo, Ferreiros, Fiscal e Vilela); Arouca; Caminha (Freguesia de Vila Praia de Âncora); Cascais (Freguesias dse Alcabideche e São Domingos de Rana); Coimbra; Entroncamento; Évora; Figueiró dos Vinhos; Gondomar (Freguesia de Rio Tinto); Ílhavo (Freguesia da Gafanha da Nazaré); Leiria; Lisboa (Freguesia de Alcântara); Loulé; Loures (Freguessia de Santo António dos Cavaleiros); Lousã (Vila das Lousã e Freguesia de Vilarinho); Odivelas (Freguesias de Odivelas e Ramada); Portimão (Freguesia de Alvor); Porto; Santa Maria da Feira (Freguesia de Arrifana); São João da Madeira; Seixal (Freguesias de Corroios e Seixal); Sesimbra (Freguesia da Quinta do Conde); Setúbal (Azeitão); Sintra (Freguesias de Agualva-Cacém, Algueirão-Mem Martins e Monte Abraão); Trofa; Viana do Castelo.

Em Valongo a Rua Sá de Miranda passou a designar-se Rua Doutor Nogueira dos Santos.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 26, Pág. 581, 582 e 583)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 365).

“LISBOA E OS SEUS JARDINS”

 

Sabe onde fica o Jardim da Quinta de Santa Clara?

 

Jardim Quinta de Santa ClaraJardim localizado na Estrada da Ameixoeira, Freguesia de Santa Clara. Antiga quinta de recreio do Século XVIII, foi doada à Câmara Municipal de Lisboa, entre 1974-1977 e depois recuperada e classificada como Jardim Público. Posteriormente, procederam-se a várias reformas, tentando seguir a sua traça original: o estilo barroco.

Possui muito interesse do ponto de vista artístico, onde se destaca um painel de azulejo com a figura de D. Celeste Tavares de Carvalho. Possui um quiosque e um parque infantil.

António Reis, Cineasta e Poeta, aqui lembrado no dia em que faria 90 anos de idade.

 

 

António ReisANTÓNIO Ferreira Gonçalves dos REIS, Cineasta e Poeta, nasceu em Valadares (Vila Nova de Gaia), a 27-08-1927, e faleceu em Lisboa, a 10-09-1991. Fez os estudos Secundários no Porto, a que se segue intensa formação autodidacta no domínio das Belas Artes.

Sócio do Cineclube do Porto, aí faz a sua aprendizagem do cinema, nos anos 50. Na década seguinte a poesia e o cinema começam a torna-lo conhecido nos meios intelectuais.

Foi assistente de Manoel de Oliveira em “Acto da Primavera” (1962), e escreveu os diálogos de “Mudar de Vida” (1966). Depois de ter sido empregado de escritório no Porto, fixou-se em Lisboa. Foi Professor de Cinema no Conservatório.

Dirigiu os filmes “Jaime” (1974), “Trás-os-Montes” (1976), e “Ana” (1982), todos de colaboração com Margarida Martins Cordeiro.

No campo das letras tem publicado ensaios em publicações como “Vértice”, “Notícias do Bloqueio”, “O Comércio do Porto” e “Jornal de Notícias” e deu a lume os volumes de poesia “Poemas Quotidianos” (1957), “Novos Poemas Quotidianos” (1960), e “Poemas Quotidianos” (inclui os livros precedentes), 1967.

Obras principais: Poesia: Chamas, (1947); Luz, (1948); Roda de Fogo, (1949); Ronda do Suão, (1949); Poemas do Escritório, (1951); Ode à Amizade, (1952); Poemas Quotidianos, (1957); Novos Poemas Quotidianos, (1960); Poemas Quotidianos, (reunião dos dois livros anteriores, acrescidos de alguns inéditos, 1967).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora; Oeiras (Freguesia de Porto Salvo), Sesimbra (Freguesia do Castelo), Sintra (Freguesia de São Pedro de Penaferrim).

Fonte: “Dicionário do Cinema Português 1962-1988”, (de Jorge Leitão Ramos, Editorial Caminho, 1989, Pág. 331 e 332)

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. V, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Coordenação de Ilídio Rocha, Edição de Julho de 200, Pág. 553 e 554)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 443).