Arquivo por Autor

Recordamos hoje Teófilo Braga, Escritor, Político e Professor, no dia em passa mais um aniversário do seu nascimento.

 

 

Estrela 0219Joaquim TEÓFILO Fernandes BRAGA, Escritor, Político e Professor, nasceu em Ponta Delgada, a 24-02-1843, e faleceu em Lisboa, a 26-01-1924. Filho de um Professor Liceal e de uma senhora da melhor aristocracia açoriana, a sua infância e adolescência foram marcadas por vicissitudes que lhe moldaram o carácter. Órfão de mãe aos 3 anos de idade, Teófilo encontrou na madrasta uma hostilidade constante, que lhe tornava penoso o ambiente familiar.

Obrigado a depender de si mesmo e debatendo-se com prementes necessidades económicas, empregou-se como Tipógrafo numa oficina local, onde ele próprio compôs o seu primeiro livro de versos, apropriadamente intitulado Folhas Verdes (1860), que havia publicado aos 15 anos em periódicos da terra. O seu carácter tenaz e combativo forma-se nesta fase da sua vida, que exigia horizontes culturais mais amplos.

Estudou Direito em Coimbra a partir de 1861, juntando-se a alguns dos principais elementos da Geração de 70, grupo de intelectuais que, insurgindo-se contra o Ultra-Romantismo e o estado da nação, se envolveu na Questão Coimbrã.

Organizou as comemorações do Centenário de Luís de Camões em 1880, aplicação do projecto positivista de substituir o culto a Deus e aos santos pelo culto aos «grandes homens».

Eleito várias vezes para o directório do Partido Republicano Português, redigiu mesmo o seu programa (1891). Foi também frequentemente candidato a Deputado. O único lugar público que alcançou, porém, foi o de Vereador da Câmara Municipal de Lisboa (1887). Nas vésperas do 05 de Outubro, era Presidente do Directório do Partido Republicano Português.

Como político, Teófilo Braga foi um dos subscritores das Conferências Democráticas do Casino Lisbonense (1871) e, assumiu os cargos de Vereador da Câmara Municipal de Lisboa (de 1886 a 1890) e, de membro do Diretório do Partido Republicano Português (desde 1890), do qual era Presidente aquando da implantação da República, pelo que apesar de eleito Deputado por Lisboa nas eleições de 28 de Agosto de 1910 foi o nomeado para presidir ao primeiro Governo Provisório saído da revolução de 5 de Outubro de 1910, sendo no seu governo que foram escolhidos a Bandeira Nacional (29 de Novembro de 1910) e A Portuguesa como Hino Nacional. Após a aprovação da Constituição foi deputado e, a 29 de Maio de 1915, passou a ser Presidente da República, até 4 de Agosto do mesmo ano.

Foi Regente da cadeira de Literaturas Modernas no curso Superior de Letras, em Lisboa. Militante do Partido Republicano e presidente do governo provisório, logo a seguir á proclamação da República, em 1910, foi Presidente da República, embora por pouco tempo e provisoriamente, em 1915.

A sua formação marca-se por um positivismo e anticlaricalismo que determinaram os seus trabalhos teóricos de análise da cultura portuguesa. Ficou conhecido sobretudo pelos seus estudos literários. Procurou, à luz dos seus princípios teóricos e filosóficos, analisar e interpretar, nas suas múltiplas facetas, a história da literatura e da cultura portuguesas. As suas obras são dominadas por fórmulas pretensamente científicas, precipitando-se em conclusões baseadas em dados biográficos que ele pretende exactos. No entanto, a sua obra é, ainda hoje, tida como fértil e sugestiva no campo dos estudos literários.

É também importante o seu contributo para a análise da poesia popular e das tradições portuguesas. No panfleto intitulado “Teocracias Literárias” (1861), incluído na Questão Coimbrã, ridiculariza António Feliciano de Castilho. Encontram-se, na sua obra, “As Teocracias Literárias, Relance Sobre o Estado Actual da Literatura Portuguesa” (1865), “História da Poesia Popular Portuguesa” (1867), “Cancioneiro Popular” (1867), “Romanceiro Geral” (1867), “História da Poesia Moderna em Portugal” (1869), “História da Literatura Portuguesa” (1870-1918), “História do Teatro Português” (1870-1871), “Teoria da História da Literautura Portuguesa” (1872), “Manual da História da Literatura Portuguesa” (1875), “Traços Gerais da Filosofia Positivista” (1877), “Bocage Sua Vida e Época” (1877), “Parnaso Português Moderno” (1877), “História do Romantismo em Portugal” (1880), “Contos Tradicionais do Povo Português” (1883), “Sistemas de Sociologia” (1884), “O Povo Português Nos Seus Costumes, Crenças e Tradições” (1885), “Camões e o Sentimento Nacional” (1891), “História da Universidade de Coimbra” (1892-1902) e “As Modernas Ideias da Literatura Portuguesa” (1892). A nível poético escreveu “Folhas Verdes” (1859), “Visão dos Tempos” (1864), “Tempestades Sonoras” (1864), “Torrentes” (1869) e “Miragens Seculares” (1884) e no campo da ficção, “Os Contos Fantásticos” (1865).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Alandroal, Albufeira, Alenquer, Almada (Freguesias de Almada e Charneca de Caparica), Almeirim (Freguesia de Benfica do Ribatejo), Alpiarça, Amadora, Beja, Benavente (Freguesia de Samora Correia), Braga, Bragança, Cascais (Freguesias da Parede e São Domingos de Rana), Coimbra, Fafe (Freguesia de Regadas), Faro, Figueiró dos Vinhos, Góis, Gondomar (Freguesia de Rio Tinto), Guimarães (Freguesia de São João Baptista Airão), Lagoa, Lisboa (ex-Freguesia da Lapa, actual Freguesia da Estrela, Edital de 25-02-1926, antes, chamada Travessa de Santa Gertrudes), Loures (Freguesias de Loures, Portela e São João da Talha), Maia, Melgaço, Mértola, Mira, Mirandela, Moimenta da Beira, Moita (Freguesias de Alhos Vedros, Moita e Sarilhos Pequenos), Montemor-o-Novo (Freguesias de Montemor-o-Novo e Santiago do Escoural), Montijo, Nazaré, Odivelas (Freguesias de Famões, Odivelas e Ramada), Oeiras (Freguesias de Barcarena, Oeiras e Porto Salvo), Olhão (Freguesias da Fuzeta e Olhão), Ourém (Freguesias de Caxarias e Ourém), Ovar, Penela (Freguesia de Espinhal), Pinhel, Ponta Delgada, Portel, Portimão, Sabugal, Salvaterra de Magos (Freguesia de Muge), Santa Maria da Feira (Freguesia de Arrifana), Santarém, Santiago do Cacém (Freguesia do Cercal), São Brás de Alportel, Seixal (Freguesia de Aldeia de Paio Pires), Sesimbra (Freguesias de Sesimbra e Quinta do Conde), Setúbal, Sines, Sintra (Freguesia de Casal de Cambra), Torres Vedras, Trofa (Freguesias de São Mamede do Coronado e Trofa), Valongo (Freguesias de Campo, Ermesinde e Valongo), Vendas Novas, Viana do Alentejo, Vidigueira (Freguesia de Pedrógão), Vila Franca de Xira (Freguesias de Alhandra e Alverca do Ribatejo), Vila Franca do Campo, Vila Nova de Famalicão (Freguesia de Calendário), Vila Real de Santo António.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. II, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto Português do Livro e da Leitura, Coordenado por Eugénio Lisboa, 1990, Pág. 253, 254, 255, 256 e 257)

Fonte: “Dicionário Biográfico Parlamentar, 1834-1910”, (Vol I, de A-C), Coordenação de Maria Filomena Mónica, Colecção Parlamento” (Pág. 434).

Fonte: “Parlamentares e Ministros da 1ª República” (1910-1926); (Coordenação de A. H. Oliveira Marques, Colecção Parlamento; Edições Afrontamento, Pág. 124 e 125)

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 1º Volume, A-C, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 156 e 157)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág.  100).

Anúncios

Deixou-nos ontem (22-02-2018), o Padre Luso-Holandês, Dâmaso Lambers, que veio para Portugal contrariado e acabou por se naturalizar português.

 

Dâmaso LambersHermano Nicolau Maria Lambers, conhecido por DÂMASO LAMBERS, Padre, nasceu na Holanda, a 09-06-1930, e faleceu no Hospital da Ordem Terceira, em Lisboa, a 22-02-2018. Numa Holanda ainda a viver a Primavera depois da Primeira Guerra Mundial. Nada fazia prever as nuvens negras que em breve viriam estragar os bons tempos, semeando morte e destruição. Nada fazia prever que um dia seria conhecido como Dâmaso e que passaria grande parte da vida atrás das grades, pregando numa língua estranha, num país desconhecido.

O Padre Dâmaso Lambers, Sacerdote luso-holandês que dedicou a sua vida à pastoral nas prisões em Portugal, como Capelão, e voz histórica da Rádio Renascença.

Tinha 10 anos quando os nazis invadiram o seu país. O resto da infância e princípio da adolescência foram-lhe roubados pelos soldados alemães, os mesmos que apareciam de vez em quando na Igreja onde os Lambers iam à missa. Na Igreja estavam lado-a-lado com o inimigo, eram irmãos na fé, mas depois não havia misturas.

Ainda decorria a guerra quando manifestou interesse em ser Padre, mas os Seminários tinham sido bombardeados depois de ocupados pelos alemães. Foi orientado por alguns Padres da Congregação a que mais tarde se juntou, os Sacerdotes da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e de Maria, tendo sido ordenado em 1955, aos 25 anos. Adotou o nome Dâmaso e foi assim que passou a ser conhecido o resto da vida.

Ordenado Sacerdote em 1955, sonhava trabalhar nas longínquas Ilhas Cook (Polinésia), mas acabou por ser enviado para Portugal, aonde chegou no início de 1957. e foi com desagrado que em 1957 recebeu ordens para rumar a Portugal, onde o Cardeal Cerejeira pedia mais Padres holandeses para as missões populares. Mas obedeceu, como toda a vida faria com os seus superiores, incluindo com o Cardeal Cerejeira, a pedido de quem até se naturalizou português em 1962, uma decisão que foi mal recebida pelo seu pai, que o encarou e início como uma renúncia à sua identidade holandesa.

Esteve algum tempo na Paróquia da Penha de França, como Coadjutor. Entre 1959 e 1960, aquando da visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, pregou missões populares pela cidade de Lisboa. A partir de 1959, intensificou o seu ministério de visita aos reclusos. Em 1960, com o Padre João Gonçalves, lançou os Cursilhos de Cristandade, em Portugal. Em 1966, o Cardeal-Patriarca nomeou-o Capelão Prisional do Linhó. Em 1982, foi nomeado coordenador nacional da assistência religiosa nas cadeias portuguesas. Em 1987, fundou a Associação «O Companheiro», de ajuda à inserção social das pessoas reclusas e ex-reclusas. Colabora com a Rádio Renascença desde 1976, e ainda hoje mantém no ar dois programas diários: Caminhos da Vida, na Renascença, e Boa Noite, na Rádio SIM

Este País para onde veio contrariado acabaria por o conquistar. Conheceu e tornou-se amigo de Monsenhor Lopes da Cruz, fundador da Renascença, e a sua colaboração com a Emissora Católica durou o resto da sua vida.

Mas a sua grande vocação ainda estava para se revelar. Em 1959 deu uma conferência na Prisão Feminina de Tires e correu tão bem que o convidaram para dar mais, noutras prisões. Acabou por perceber que para poder ajudar os reclusos teria de se identificar totalmente com eles, oferecer-se totalmente a eles. “Para se meter no mundo dos presos é preciso renunciar a nós mesmos”. Primeiro como Visitador, depois como Capelão, ficou conhecido como o Padre das Prisões.

Ajudou incontáveis homens e mulheres, amava-os a todos plenamente. Não lhe chegava levar-lhes Cristo à prisão, ajudá-los com bens ou até com o dinheiro que tinha com ele – pois como recordou mais tarde um ex-recluso, havia muitos que se aproveitavam da sua bondade – e por isso fundou “O Companheiro” com a ajuda de alguns amigos, em 1987. A organização ainda existe e dedica-se a ajudar ex-reclusos a reintegrar-se na sociedade. Até ao fim da vida acontecia irem ter com ele na rua homens de quem já não se lembrava, a querer agradecer-lhe tudo o que tinha feito por eles.

O seu trabalho de capelania levou-o a Roma, foi recebido em audiência por João Paulo II, com quem falou alguns minutos. O que ouviu tocou-o profundamente, nunca o esqueceu, mas também garantiu que nunca o partilharia com ninguém.

Em 2010, foi condecorado pelo Presidente da República, com o grau de Grande Oficial da Ordem de Mérito.

Fonte: “Rádio Renascença”

Fonte: “Agência Ecclesia”

Recordamos hoje a grande Actriz Rosa Damasceno, no dia em passa mais um aniversário sobre o seu nascimento.

 

Rosa DamascenoROSA Angélica DAMASCENO Rosado, Actriz, nasceu na Freguesia de São Pedro da Cova (Gondomar), a 23-02-1849, e faleceu na Freguesia do Gradil (Mafra), a 05-10-1904. Seu pai era militar; e quando faleceu, veio Rosa com sua mãe para o Alentejo, e entrou corno Actriz numa Companhia Ambulante, dirigida por um antigo Actor e Empresário, chamado Lopes. Percorreu com a Companhia diversos Teatros da Província, agradando sempre muito, até que Marcolino Pinto Ribeiro, antigo Actor do Teatro de D. Maria II, vendo-a representar, tão entusiasmado ficou que lhe aconselhou e à mãe, viessem para Lisboa porque a novel Actriz tinha bastante mérito para fazer uma carreira artística distinta Marcolino apresentou-a então ao Comissário Régio, o Dr. Luís da Costa Pereira, que a admitiu, e lhe deu um pequeno papel, escriturando-a ás noites, como se usava muitas vezes nessas época.

Não obstante dificuldades levantadas, o Comissário, como ela ia recomendada, admitiu-a, dando-lhe um pepal insignificante. Apesar dessa insignificância do papel, teve tal êxito, que o Empresário Francisco Palha, que assistia ao espectáculo, lhe propôs um vantajoso contrato para actuar no Teatro da Trindade, que então abria as suas portas (30-11-1867), com a estreia de duas peças A Mãe dos Pobres e O Xerez da Viscondessa.

A carreira triunfal de Rosa Damasceno estava iniciada. Outros êxitos se sucederam, na interpretação das peças: Família Benoiton; Conspiração na Aldeia; Sr. Procópio Baeta; As Pupilas do Sr. Reitor; Boa Desforra; Última Moda; Casamento Singular; As Amazonas de Tormes; Outros; Copas; Espadas e Paus; O Avarento; O Baile da Condessa; O Barba-Azul e A Gata Borralheira. Mais tarde, com a adjudicação do Teatro D. Maria II, à empresa Biester, Brasão e Cª, à qual Rosa Damasceno pertencia, deu-se um incidente, na récita de abertura, com a peça Corte da Aldeia.

A artista foi assobiada, por lhe ser atribuída responsabilidade na preterição do Actor José Carlos dos Santos, no concurso de adjudicação. O público habituou-se, depois, à nova empresa teatral, e aplaudiu-a na interpretação das peças: Amigo Fritz; A Mantilha de Renda; João Thommeray; Madtugada; O Tio Milhões; Os Velhos; O Alfageme de Santarém; O Marquês de Villemer; Sociedade Onde a Gente Se Aborrece; Os Fidalgos da Casa Mourisca; O Duque de Viseu; Varina; Cigana; Arlesiana; Abade Constantino; D. Afonso VI; Alcácer Quibir; O Íntimo; O Amigo das Mulheres; Leonor Teles; Hamlet; etc.

Em 1891, casou com o Actor Eduardo Brasão, tendo passado, depois, a fazer parte do elenco da Companhia Rosas e Brasão, que actuou, durante muito tempo, no Teatro D. Amélia. Aí representou, sempre com o mesmo brilho, as peças: O Que Morreu de Amor; Maridos de Leontina; Amor de Mãe; Meia-Noite; Degeneradas; Corrida do Facho; Castelo Histórico; O Outro Eu; Pouca Sorte; A Cruz da Esmola; Segredo de Confissão, etc. A última peça que representou foi O Adversário.

Visitou, em digressão artística, o Brasil duas vezes, ali sendo recebida com verdadeiro entusiasmo. Reunia muitos atributos que a notabilizavam: formosura, elegância, distinção, inteligência, bom timbre de voz, dicção impecável. Estudava os papéis com a maior atenção e cumpria pontualmente as suas obrigações. Tem o seu nome ligado ao Teatro da Cidade de Santarém. Foi, outrossim, dado o seu nome a uma Rua de Lisboa, no chamado Bairro dos Actores (Freguesia de São Jorge de Arroios).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Cascais (Freguesia de São Domingos de Rana); Gondomar (Freguesia de São Pedro da Cova); Lisboa (Freguesia de São Jorge de Arroios); Seixal (Freguesia de Fernão Ferro)

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres”, (Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão, Editores).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 185).

Fonte: “O Grande Livro do Espectáculo”, (Personalidades Artísticas do Século XX, de Luciano Reis, 1º Volume, Editado por Fonte da Palavra, 1ª Edição de Fevereiro de 2001, Pág. 325 e 326)

“Pessoas vinculadas aos C.T.T.”

 

CTTANTÓNIO LOPES FONTINHA, Carteiro, natural de Piódão (Arganil), nasceu a 13-08-1938 e faleceu a 15-12-2017. Era filho de António Lopes e de Maria da Encarnação, ambos agricultores. O pai era o mestre do lagar e também era pedreiro. A mãe “tratava dos animais – dos porcos, do gadito – e cultivava milho, batatas e feijão”.

António aprendeu “as primeiras letras com o senhor padre Ilídio dos Santos Portugal” e com um senhor chamado António da Silva, mais conhecido por Marujo. Fez a quarta classe e foi para o Seminário na Figueira da Foz, até ao segundo ano.

Depois andou “no Piódão a trabalhar para ganhar alguma coisita”. Ajudou a montar telefones, trabalhou nos Serviços Florestais, a arrancar pinheiros para abrir a estrada, até que foi para a tropa. Regressou à Figueira da Foz para o serviço militar. Quando saiu da tropa, voltou para as estradas. Foi em 1959 e 1960. Esteve no Quartel de Artilharia Pesada N.º 3, onde agora é a Universidade Internacional.

Já depois de estar casado, inscreveu-se nos Correios, estagiou em Côja durante 15 dias, masi tarde foi chamado para a Freguesia de Pomares, onde permaneceu um mês, transferido para a Freguesia de Pomares, onde esteve 28 anos, até se reformar.

Fonte: “QREN – Aldeias de Memória”, (História de Vida de António Lopes Fontinha, registada em 17-09-2008, por Hugo Pereira e Carla Aguiar)

 

Recordamos hoje, José Travassos, um dos “Cinco Violinos” com que o Sporting Clube de Portugal dominou o futebol português nas décadas de 40 e 50 do Século XX.

 

Lumiar 2393JOSÉ António Barreto TRAVASSOS, Desportista, nasceu em Lisboa, a 22-02-1926, e faleceu em Lagos, a 12-02-2002. José Travassos, também conhecido por “Zé da Europa”, foi o primeiro jogador português a fazer parte de uma Selecção Europeia. Este momento mágico aconteceu em 1955, mais precisamente na tarde de 13 de Agosto, em Belfast. Integrado numa equipa recheada de estrelas mundiais, jogou no seu grande estilo perante a equipa da Grã-Bretanha, contribuindo para a vitória por 4-1.

Este reconhecimento internacional sem precedentes no futebol português marcou a sua brilhante carreira começada no Grupo Desportivo da CUF (Companhia União Fabril), onde muito jovem, com apenas 16 anos dce idade, foi trabalhar para os Estaleiros. Desde logo notabilizou-se pelas suas fintas, espírito ofensivo e fortes remates.

Travassos transitou para o Sporting Clube de Portugal em 1946, clube onde já era Atleta velocista. Alinhou pela primeira vez num jogo particular, que se realizou em 08 de Setembro, contra o Vitória Futebol Clube, de Setúbal.

Travassos formou com Albano, Jesus Correia, Vasques e Peyroteo o famoso quinteto do Sporting Clube de Portugal, denominado “Cinco Violinos”, que entre os meados da década de 40 e 50 dominou o futebol nacional, tornando-se no primeiro clube português a conquistar quatro campeonatos seguidos.

No notável palmarés de Travassos, contam-se oito Campeonatos Nacionais, duas Taças de Portugal, 249 jogos no Campeonato, num total de 457 e 172 golos, dos quais faz parte o famoso golo que marcou no seu primeiro jogo contra o Futebol Clube do Porto, num remate dce moinho, que ficou imortalizado no filme “O Leão da Estrela”.

Este grande Desportista, um dos maiores jogadores da história do Sporting e do futebol nacional, legou-nos também um exemplo de camaradagem, de “fair-play” e de destreza, que marcou gerações.

Contou 35 internacionalizações integrado na equipa das quinas.

O seu nome faz parte da Toponímia de: (Freguesia do Lumiar, Edital 257/2013, de 20 de Dezembro de 2013); Odivelas (Freguesia de Famões).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 515).

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

Madame Valle, foi uma Costureira Portuguesa, conhecida e reconhecida no estrangeiro. Em Portugal haverá muita gente que sabe quem foi?

 

CostureirasMaria da Piedade da Silva Valle, conhecida como MADAME VALLE, Costureira, nasceu na Freguesia de Rio de Moinhos (Abrantes), a 28-09-1896, e faleceu em Lisboa, a 12-07-1987. Com apenas 8 anos de idade, em 1903, começa a fazer vestidos para as suas bonecas. É em 1914, quando vem a Lisboa com a sua mãe e vê as raparigas com caixas de modistas, que decide a sua profissão. Trabalha como aprendiza numa modista que era fornecedora da Casa Lopes & Maia, em 1916. Abre a sua própria casa em 1924, na Rua Pascoal de Melo, nº 9, r/c, em Lisboa, em pleno coração das Avenidas Novas.

Em 1927, transfere o seu Atelier para a actual Praça Marquês de Pombal, onde fica hoje o Hotel Fénix, sendo assim, a primeira comerciante a estabelecer-se nesta Praça. No início, o seu Atelier era apena num dos r/c; mais tarde adquiriu o do lado. A partir dessa altura, um r/c estava destinado à costura e à confecção das toilettes e o outro era para as provas e onde iam as clientes fazer as suas encomendas. A inauguração das instalações acontece a 04 de Abril de 1928, com a apresentação da colecção dessa Primavera, constituída por modelos franceses e da própria Madame Valle. Durante o desfile foi servido um chá, facto que era comum acontecer durantes os desfiles de moda em Portugal. Madame Valle chegou a ter a trabalhar no seu Atelier cerca de 40 costureiras.

Madame Valle foi a primeira Modista Criadora de Moda Portuguesa a aparecer na imprensa no período de 1914 a 1929, excluindo-se as grandes casas comerciais de moda que também apresentavam criações próprias e as que apresentavam as das casas de Alta-costura francesa. O seu nome surgiu pela primeira vez na imprensa em 1928, numa série de artigos, nos periódicos Eva, ABC e Modas & Bordados e continuou a figurar durante muitos anos.

Em 1928, Madame Valle distinguiu-se pelos seus desfiles de moda no Salão de Elegância Feminina e Artes Decorativas. Foi também neste ano que Madame Valle terá sido contactada por Hortense Luz (1900-1984), Artista de Teatro de Revista e sua amiga, com quem se encontrava frequentemente no Conservatório Nacional, e por Corina Freire (1897-1975) , também outra Artista do Teatro de Revista, para quem criou o guarda-roupa da revista Rambóia (1928), estreada no Teatro Maria Vitória em 1928. Foi então esse guarda-roupa confeccionado no seu Atelier, sob figurinos de José Barbosa (1900-1977) , vestindo Hortense Luz, Madame Madame Valle, para além de dirigir o funcionamento normal do Atelier, ia entre duas a quatro vezes por ano a Paris para ver o que por lá se passava no domínio da moda, até porque a disponibilidade de informação em Portugal era muito escassa. Essas viagens de actualização permitiam-lhe contactos com casas com a de Jacques Fath (1912-1954), Chanel (1883- 1971), Worth (1825-1895), Jacques Heim, Lanvin, Maggy Rouff, entre outros.

O Atelier de Madame Valle tinha manequins exclusivas das mais diversas nacionalidades: alemãs, suíças, espanholas, francesas, italianas e também portuguesas. Estas manequins eram treinadas pela própria Costureira, segundo a sua experiência em contacto com as passerelles internacionais. Ocasionalmente, uma ou outra acompanhava-a a Paris para ver in loco como as outras profissionais desfilavam. Todas estas Modelos especializadas não faziam outra coisa senão apresentar as colecções criadas por esta Costureira para o início de cada temporada e desfilar sempre que a cliente, ou o potencial comprador, o exigia. Essas Manequins invariavelmente faziam passagens não só nos salões do seu Atelier como no Palácio Foz, no antigo Hotel Avis, no Palace da Curia, no Astoria de Coimbra, no Coliseum de Paris e noutros locais.

A equipa de Madame Valle era constituída, nessa época, por um número aproximadamente de vinte e quatro pessoas, entre Manequins, Aprendizas e Costureiras. A 30 de Outubro de 1938 apresenta modelos no Grande Hotel do Porto. Em Lisboa, por sua vez, tiveram lugar os desfiles das duas temporadas. No ano seguinte, em 1939, no mesmo Hotel, Madame Valle apresenta a colecção Primavera/Verão que incluía modelos da sua autoria e das casas francesas, Philippe et Gaston, Moyneux, Nina Ricci e Lucien Lelong. Nesse ano, também teve lugar em Lisboa, a apresentação das colecções das suas temporadas.

Em 1953, participa num desfile nos Estados Unidos da América, com um modelo a que deu o nome de “Lisboa Antiga” inspirado no traje das varinas. Madame Valle soube também marcar presença com as suas criações, tal como faziam os nomes da Alta-costura francesa em Long Camp, nos eventos desportivos que se realizavam em Lisboa. Assiste à recepção da Rainha Isabel II, de Inglaterra, em 1957, a convite de Salazar, com que tinha relações de respeitosa amizade e trocava impressões pessoais sobre a moda. No artigo de Alexandre Honrado podemos verificar que Madame Valle lhe confessara que durante as férias de Salazar, os dois trocavam impressões sobre os modelos que se estavam a usar. O Presidente do Conselho de Ministros recomendava-lhe que “vigiasse os decotes, não exagerasse os arrebiques e insistia na necessidade de criações nacionais baseadas nas raízes portuguesas”.

Em 1967, a modista inaugurou, a 25 de Fevereiro, o Hotel D. Carlos, em Lisboa, por si mandado construir – local onde reservou o 9º andar para sua residência, ali vivendo até ao fim dos seus dias.

Em Maio de 1982 realizou um desfile no Hotel Dom Carlos, retrospectiva das suas criações de moda, que veio a ser o seu último contacto com a imprensa. Nos modelos de Madame Valle de 1982, havia neles um estilo, uma originalidade, um desafio, uma mistura de moda francesa e uma orientação portuguesa. Quando se procurou encontrar referências da moda francesa dos anos 60, imaginou-se Balenciaga, pelas paletas das cores, linhas e pormenores.

Em Maio de 1986, efectuou a escritura dos Estatutos da Fundação Valle, por si criada, Fundação que, após a sua morte, foi continuada por seu filho Humberto.

Durante a nossa investigação indagámos se ainda poderia existir esta fundação, mas sem sucesso. Sabemos que seu filho Humberto teria ainda a fundação activa após a morte da mãe, ocorrida em 1987, contudo, após o seu falecimento, em 2012513 , talvez a fundação tenha sido cessada.

Madame Valle – Maria de Piedade da Silva Valle – acaba por falecer a 12 de Julho de 1987, em Lisboa, na sua residência, Hotel Dom Carlos, e por sua expressa vontade, veste o vestido criado por si em 1957, com o qual assistiu à recepção à Rainha Isabel II de Inglaterra. Madame Valle foi uma Costureira muito conceituada na época, vestiu a alta sociedade lisboeta. O trabalho foi a sua vida. Uma vida que fica na história da moda em Portugal.

Fonte: “Universidade de Lisboa – Faculdade de Letras”, (A Moda e As Modistas em Portugal durante o Estado Novo – As Mudanças do Pós-Guerra, por Alexandra Weber Ramaos Reis Gameiro – Dissertação orientada pela Prof.ª Doutora Clara Moura Soares, especialmente elaborada para a obtenção do grau de Mestre em Arte, Património e Teoria do Restauro 2017)

Recordamos hoje, no dia em que faria 76 anos de idade, Medeiros Ferreira, Historiador, Professor e Político que muito contribuiu para a adesão de Portugual à, então, CEE.

 

Medeiros FerreiraJosé Manuel de MEDEIROS FERREIRA, Político e Professor, nasceu no Funchal, a 20-02-1942, e faleceu no Hospital da Cruz Vermelha (Lisboa), a 18-03-2014. Oriundo de São Miguel (Açores). Completou os estudos Liceais em Ponta Delgada e depois frequentou o Curso de Filosofia da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Em 1961-1962, foi Vice-Presidente da Comissão Pró-Associação dessa Faculdade e, por indicação das Associações de Estudantes, fez parte do Conselho Académico que dirigiu a Comissão Administrativa das Obras Circum-Escolares.

Participou activamente na crise académica de 1962, tendo sido eleito nesse ano Secretário-Geral da RIA (Reuniões Inter-Associações), cargo que desempenhava quando foi preso pela PIDE.

Colaborou em diversos jornais estudantis, entre os quais O Mocho e Letras 65, e foi membro do Movimento Sindical Estudantil e das Juntas Patrióticas – Frente Patriótica de Libertação Nacional.

Em 1965, o ano da candidatura a Deputado, foi expulso de todas as Universidades Portuguesas por um período de três anos, pelo que se exilou em Genebra, obtendo o estatuto de refugiado político e em cuja Universidade se Licenciou em História Moderna e Contemporânea, tendo sido galardoado com o Prémio Gustavo Ador de História (1972).

Em 1971, foi um dos fundadores, juntamente com Eurico Figueiredo, António Barreto, Carlos Almeida e Manuel Lucena, da revista de oposição Polémica.

Entre 1972 e 1974, foi Assistente da Faculté des Sciences Économiques et Sociales da Universidade pela qual se Licenciara, mas mantinha-se atento à vida política portuguesa e, assim, em 1973, para o III Congresso da Oposição Democrática, realizado nesse ano em Aveiro, de 04 a 08 de Abril, enviou uma tese, intitulada «Da Necessidade de um Plano para a Nação». Nesta tese, previa um papel inicial para as Forças Armadas no derrube da ditadura e apontava as metas de um programa político da fórmula «Descolonizar, Democratizar, Socializar e Desenvolver».

Depois do 25 de Abril de 1974, já membro da Comissão Política do Partido Socialista, foi Deputado à Assembleia Constituinte e, depois, à Assembleia da República, nas I, IV, VII, VIII e IX Legislaturas, tendo desempenhado funções nas Comissões Parlamentares de Defesa Nacional e de Economia e Finanças e de Presidente da Comissão Parlamentar de Negócios Estrangeiros (1985) e da Comissão Parlamentar de Assuntos Europeus (VII Legislatura).

Entretanto, publicara, com António Bvarreto, o «Manisfesto Reformador», no qual se apresentavam reformas para a Constituição de 1976, entre as quais a flexibilização da economia e da introdução do refrendo.

Presidiu à Delegação Parlamentar à Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa na VIII Legislatura e, na Legislatura seguinte, foi eleito, pela Assembleia da República membro do Conselho Superior de Defesa Nacional.

Foi Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros no VI Governo Provisório e Ministro dos Negócios Estrangeiros no I Governo Constitucional.

Em 1978, Medeiros Ferreira e outros elementos da ala direita e reformista do Partido Socialista (PS), como António Barreto e Francisco Sousa Tavares, saíram do PS para criar no Movimento Reformador ou Movimento dos Reformadores que em 1979 se juntaria à Aliança Democrática (AD) de Sá Carneiro. Em 1981 acabaria por retirar o apoio à AD.

Em 1985, apoiou a criação do Partido Renovador Democrático (PRD), vindo a ser um dos seus nomes mais conhecidos. Voltaria, contudo, ao PS.

Em 1985, foi fundador do Partido Renovador Democrático (PRD). Deputado ao Parlamento Europeu entre 1986 e 1989, Deputado Honorário do Conselho da Europa, Doutorou-se em História pela Universidade Nova de Lisboa, em 1991, e é autor de vasta obra de carácter histórico e político, sendo, actualmente, Professor Associaado naquela Universidade.

A 13 de Julho de 1981, foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem do Infante D. Henrique e, em 1989, com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.

De entre os seus trabalhos, destacam-se: Da Necessidade de um Plano para a Nação (Lisboa, 1973); Elementos para a Política Externa do Estado Democrático, (Lisboa, 1981); Estudos Estratégicos e Relações Internacionais, (Lisboa, 1981); Ensaio Histórico sobre a Revolução do 25 de Abril, (Lisboa, 1983); A Posição de Portugal no Mundo, (Lisboa, 1988); O Comportamento Político dos Militares, (Lisboa, 1992); Portugal na Conferência da Paz, (Lisboa, 1992); Portugal em Transe, (Lisboa, 1994); A Nova Era Europeia, (Lisboa, 1999); Com os Açores no Dobrar do Século, (Lisboa, 1999); Cinco Regimes na Política Internacional, (Lisboa, 2006); Fundação Calouste Gulbenkian – Cinquenta Anos – A Instituição, (Lisboa, 2007).

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia~Nacional do Estado Novo (1945-1973). Um Dicionário”, (de Mário Matos e Lemos, Luís Reis Torgal, Coordenador, Colecção Parlamento, Edição da Assembleia da República, 1ª Edição, Lisboa, Outubro de 2009, Pág. 167 e 168).

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 229 e 230).

Recordamos hoje o Médico José Reis Júnior, pioneiro no estudo da Geriatria a nível nacional e internacional.

 

Reis JúniorJOSÉ António dos REIS JÚNIOR, Médico, nasceu em Lagos, a 20-02-1908, e faleceu em Lisboa, a 17-04-2012. Residente em Lisboa há 86 anos, foi pioneiro da Geriatria nacional e internacional, destacou-se pelo seu percurso escolar e universitário.

Filho de um pequeno empreiteiro da construção civil e de uma professora do ensino primário, aos cinco anos de idade muda-se para a casa histórica, a qual foi sede da Comissão Municipal dos Descobrimentos de Lagos.

Até 1918 frequenta a escola primária, concluindo com distinção o 2º grau, actual 4º ano, sendo sempre o 1º classificado dos 6 aos 10 anos. Dos 11 aos 13 anos iniciou a aprendizagem prática na farmácia da igreja do Compromisso Marítimo e aos 13 anos exerce as funções no notário de Lagos.

Aos 17 anos decide estudar medicina, tendo completado 7 anos liceais em apenas 2 anos, dos 17 aos 19. De Outubro de 1925 a Julho de 1926 prepara-se para o exame do 2º ano liceal, no Liceu de Faro. Foi aprovado com distinção, tendo estudado os primeiros dois anos do liceu em 10 meses e quase sozinho. No ano seguinte, com o mesmo método autodidacta submete-se ao 5º ano liceal em Faro, sendo igualmente aprovado com distinção, estudando mais três anos do liceu em 10 meses. O exame do 7 º ano foi realizado em Beja onde obtém a nota mais elevada nessa época de exames.

Em Novembro de 1927 chega pela primeira vez a Lisboa e matricula-se na Faculdade de Ciências nos preparatórios do Curso de Medicina. Em 1934, Licenciou-se em Medicina e Cirurgia pela Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. De 1936-1939 foi Interno de Medicina dos Hospitais Civis de Lisboa. Exerceu clínica geral de 1935 a 1995. Tem o Curso de Geriatria pela Universidade de Columbia, EUA (1951).

Foi Co-fundador e Membro do Conselho Directivo da International Association of Gerontology – IAG (1950-1989). Com efeito, foi um dos 100 Médicos fundadores da IAG aquando do I Congresso Internacional realizado em 1950, em Liège, na Bélgica. Iniciou a sua actividade em clínica privada geriátrica em 1950.

É Presidente Honorário da Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia (SPGG, secção da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa). Foi fundador da Citécnica – organização para o progresso da ciência e da tecnologia desde 1958. Fundador e Director do jornal semanal «Notícias Médicas», desde 1971, sendo pioneiro do jornalismo médico desde 1958. Editor de Anuários originais sobre a saúde, medicina e medicamentos desde 1992. Participou e apresentou trabalhos nos diversos congressos mundiais da IAG. Foi galardoado com prémios internacionais e nacionais de Geriatria. Foi autor do primeiro tratado de medicina geriátrica publicado na literatura médica da Península Ibérica e América Latina (1967), que mereceu duas reedições em 1978 e em 2002, com o nome «Medicina Geriátrica: Prevenção, Tratamento e Reabiliação». Organiza e preside a Congressos e a Jornadas de Geriatria e de diversas outras especialidades.

Desde 1980 que implementa a formação médica contínua em Portugal. É membro do Conselho Científico de revistas de Geriatria nacional e internacionais. A sua actividade incide na Geriatria com publicação de livros, organização e participação em Congressos Nacionais e da IAG e no jornalismo médico, com edições de Informação e Formação Médica Contínua do jornal «Notícias Médicas». Instituiu o Prémio de Educação Dr. José Reis Júnior, premiando os melhores alunos do 12.º ano das Escolas Secundárias de Lagos, desde 1995. Criou a FEG – Fundação para a Educação e a Geriatria Dr. José Reis Jr. (1998). Foi instituído pela SPGG o Prémio de Geriatria “Dr. José Reis Jr” bianual (1994). Foi autor da autobiografia “Uma Vida. Uma História. Um Século” (1994). Recebeu o Prémio “Nunes Corrêa – Verdades de Faria” da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (1994). Foi distinguido com a Medalha de Ouro de Serviços Distintos do Ministério da Saúde (1998).

Foi fundador, em 1951, da Sociedade Portuguesa de Geriatria e Gerontologia, de que era seu Presidente Honorário.

Foi igualmente fundador e editor de várias publicações médicas, entre as quais o semanário “Notícias Médicas”.

Durante mais de 65 anos exerceu clínica em Lisboa, nos bairros da Ajuda, Belém, Alcântara e outros.

Em Lagos, são de destacar os Prémios de Educação, uma prática iniciada por este ilustre lacobrigense, em 1994, que instituiu no concelho a atribuição dos Prémios de Educação Dr. José Reis Júnior, com o objetivo de distinguir os melhores alunos do 12º ano das escolas secundárias locais, premiar o seu mérito e incentivá-los a prosseguirem os estudos noutros níveis, bem como motivar os restantes colegas a seguirem o seu exemplo de trabalho e dedicação.

Foi distinguido pela Ordem dos Médicos, na sua sede em Lisboa, em 2005. É ainda Membro das seguintes organizações: International Association of Gerontology, New York Academy of Sciences, American Association for the Advancement of Sciences, American Association for Cancer Research, Real Academia de Medicina y Cirurgia de Galícia, Gerontology Society of America, Sociedad Española de Geriatria y Gerontologia e Associação Portuguesa de Formação Médica Contínua.

Foi condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Mérito. Em Fevereiro de 2008, a Câmara Municipal de Lagos deliberou, por unanimidade, agraciar o Dr. José António dos Reis Júnior com o Louvor Público Municipal –Grau Ouro.

Nesse mesmo ano o Município volta a prestar-lhe homenagem quando, em agosto, a Câmara Municipal de Lagos atribuiu, em vida (pela primeira vez na história do concelho), uma placa toponímica – Rua Dr. José António dos Reis Júnior (Médico Pioneiro de Geriatria), a uma artéria da Freguesia de São Sebastião, mais concretamente, no Pavilhão Municipal de Lagos.

Esta atribuição, de caráter excecional, foi inserida na Comemoração do 100º aniversário deste conceituado médico, e contou, na altura, com a presença do mesmo e de vários familiares, amigos e convidados que não quiseram deixar de estrar presentes neste importante momento.

O corpo de José Reis Júnior estará até sexta-feira de manhã, dia 20 de abril, na Capela Mortuária da Igreja Paroquial de Nossa Senhora da Ajuda (Igreja da Boa Hora) em Lisboa.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lagos (Rua Doutor José Reis Júnior).

Fonte: “Portimonense Sporting Clube”

Fonte: “Câmara Municipal de Lagos”

“Pessoas Vinculadas aos C.T.T.”

 

 

 

CTTJoão António LEDO DE FARIA, Funcionário dos CTT, nasceu em Estremoz, em 1829, e faleceu em Lisboa, em 1906. Exerceu na sua terra natal o cargo de Administrador dos Correios (C.T.T.).

Estabeleceu-se depois em Lisboa, onde prestou serviços na Direcção-Geral, ascendendo, pela sua grande competência em assuntos postais, ao elevado cargo de Inspector-Geral dos Correios, cargo que foi extinto, mas de que conservou sempre as honras.

Foi condecorado com a Comenda da Torre-e-Espada, distinção que lhe foi conferida pela Rainha D. Maria II em 1847, por serviços prestados fazendo parte do Batalhão de Voluntários de Estremoz, salientando-se na defesa da sua Praça.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 10, Pág. 917 e 918)

Nicolau Copérnico, um Astrónomo revolucionário, para a sua época, recordado no dia em que passam 545 anos sobre o seu nascimento

 

CopérnicoNicolaus Copernicus, aportuguesado para NICOLAU COPÉRNICO, Cientista, nasceu em Torun (Polónia), a 19-02-1473, e faleceu em Frauenburg (Polónia), a 24-05-1543. Era filho de um abastado mercador e estudou Matemática e Astronomia com Brudzewo na Universidade de Cracóvia. Fundou, em Frauenburg, um Observatório Astronómico (denominado Cúria Copernica).

Depois destes estudos foi para Itália, onde leccionou Matemática entre os anos de 1496 e 1501 em Bolonha e em Roma. Em 1504 Doutorou-se em Medicina em Ferrara, tendo depois regressado à Polónia. Entre 1505 e 1611 viveu no castelo de Heilsberg com o seu tio e entre 1517 e 1522 dedicou-se a actividades diversas que se estenderam da administração de propriedades a representação política.

Nicolau Copérnico demonstrou a existência de dois movimentos dos planetas (sobre si mesmos e em torno do Sol). Alguns meses antes de morrer, saiu das prensas de Nuremberga o seu célebre trabalho Das Revoluções dos Corpos Celestes (ou De Recolutionibus Orbium Coelestium Libri), tendo-o dedicado ao Papa Paulo III. Copérnico acreditava que o Sol, e não a Terra, estava no centro do Sistema Solar, opondo-se assim às doutrinas sustentadas pela Igreja do seu tempo e à Física de Aristóteles, por ela sustentada.

Esta obra foi contudo salvaguardada inicialmente pelo prefácio de Andreas Osiander, que dizia ser o conteúdo apenas uma exposição de um método matemático que poderia auxiliar no cálculo das posições planetárias, que poderia ser fiável, e não uma teoria incontestável.

Durante trinta anos desenvolveu estudos sobre hipóteses segundo as quais a rotação e movimento orbital da Terra seriam responsáveis pelo movimento aparente dos outros corpos celestes.

Os problemas com a Igreja Católica advieram das ilações de cariz filosófico retiradas por Giordano Bruno, um antigo Frade Dominicano queimado pela heresia panteísta dos seus pensamentos.

Outra obra relevante deste Astrónomo é a Dissertatio de Optima Monetae Cudendade Ratione, de 1526.

Fonte: “Infopédia – Dicionários Porto Editora”