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“Pelos Caminhos de Portugal”, com Mário Gil, que nos deixou no passado dia 07 de Dezembro.

 

Mário GilMário Gil, Músico, nasceu em São Paulo (Brasil), a 24-03-1941, e faleceu em Lisboa, a 07-12-2017. Radicado em Portugal desde há muitos anos, Mário Gil ficou conhecido por alguns sucessos populares, sendo de destacar o êxito: “Pelos Caminhos de Portugal”.

Mário Gil trocou o Brasil por Portugal depois de visitar a terra da mãe, em Bragança. Foi durante essa viagem que escreveu ‘Pelos Caminhos de Portugal’, canção em que descreve, em tom autobiográfico, diversos locais do País.

Para além da música, Mário Gil participou nas telenovelas “A Lenda da Garça” (RTP, 1999); e “Ganância”, (SIC, 2001).

Em 2003, Mário Gil, particpou no programa “Cabaret da Cpxa”, da SIC Radical, onde cantou, com Rui Unas, uma versão alternativa de “Pelos Caminhos de Portugal”.

Fonte: “Jornal Correio da Manhã”

Fonte: “Jornal Diário de Notícias”

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Mário Lindolfo, grande Repórter, Jornalista de coisas sérias e de outras bem humoradas e Argumentista, se fosse vivo, faria hoje, 76 anos de idade.

 

Mário LindolfoMÁRIO LINDOLFO Ramos Ferreira, Jornalista, nasceu em Lisboa, a 11-12-1941, e faleceu no Hospital de Torres Vedras, a 21-10-2014. Mário Lindolfo, foi um grande repórter e um muito bem-humorado jornalista e argumentista. Iniciou-se no Jornalismo em Lourenço Marques (actual Maputo), para onde foi em criança, tendo trabalhado nos jornais Diário de Notícias e Tempo.

Foi diretor-adjunto do semanário satírico “O Inimigo”, trabalhou no “Diário de Lourenço Marques”, no “Diário de Lisboa”, no “Sempre Fixe”, na revista “Notícia”, no “Expresso”, no “Pasquim”, no “Portugal Hoje” e na RTP, entre outros órgãos de comunicação.

De regresso a Portugal, ingressou nos quadros do “Sempre Fixe” como Repórter Fotográfico, de onde transitou para o “Diário de Lisboa”, na qualidade de Redactor, trabalhando ou colaborando também no “Tempo Económico”, “Século Ilustrado”, “Sempre Fixe”, “Portugal Hoje” e “Expresso”.

Tendo entrado em 1979 na RTP, onde se manteve até à passagem à reforma, e onde se destacou com grandes reportagens premiadas (“Bairro Negro”, em co-autoria com Carlos Narciso, Prémio Gazeta 1985) e documentários (“Viagem no Tempo, à Procura do Socialismo 1993, em co-autoria com Alípio de Freitas), como recorda o “Expresso” em linha.

Foi prémio Gazeta de Jornalismo de Televisão, em 1985, pela coautoria com Carlos Narciso da primeira reportagem na televisão pública sobre o racismo em Portugal. Intitulada “Bairro Negro”, a reportagem foi um trabalho na Pedreira dos Húngaros.

“Viagem no tempo, à Procura do Socialismo” foi um dos seus trabalhos também de grande destaque, concretizado em 1993. Um documentário feito a meias com o jornalista Alípio Freitas sobre o período pós 25 de abril, focando o movimento operário e as ideias socialistas em Portugal, dos finais do século XIX aos anos do PREC (1974/75).

Outra sua coautoria, desta feita com o ator Júlio César, passou quase despercebida mas marcou a teledramaturgia portuguesa. A série “O Cacilheiro do Amor”, com “um registo de humor pouco frequente, beirando o ‘nonsense'”, foi para o ar na RTP, em 1990. “Gala dos Bigodes de Ouro” (1991) e “Há Lobos na Aldeia” (1990) são outras duas suas realizações.

Entre a produção de Mário Lindolfo, cuja mulher, a jornalista e escritora Ângela Caires, faleceu em Agosto do ano passado, conta-se ainda a teledramaturgia, tendo co-assinado com o Actor Júlio César” a série “O Cacilheiro do Amor” (1970) e realizado designadamente “Há Lobos na Aldeia” (1990) e “Gala dos Bigodes de Ouro” (1991).

Fonte: “Sindicato dos Jornalistas”

Fonte: “Jornal Expresso, Edição de 21-10-2014”

Clotilde Rosa, Pioneira da Música Contemporânea em Portugal, deixou-nos há poucos dias, sem que a comunicação social tenha feito qualquer referência.

 

Clotilde RosaMaria CLTILDE Belo de Carvalho ROSA Franco, Compositora e Professora, nasceu em Queluz (Sintra), a 11-05-1930, e faleceu em Lisboa, a 24-11-2017. Compositora, Harpista e Professora. Cresceu no seio de uma família de forte tradição musical, sendo seu pai o Violinista e Tenor José Rosa (1895-1939) e sua mãe a Pianista e Harpista Branca de Belo de Carvalho Rosa (1906-1940). Teve as primeitas lições particulares de Piano aos dez anos de idade.

Em 1949 terminou o Curso Superior de Piano no Conservatório Nacional, onde foi aluna de Ivone Santos. Começou a estudar Harpa na mesma Instituição aos 12 anos de diade com Cecília Borba, finalizando o Curso Completo de Harpa em 1948, o instrumento a que se dedicou profissionalmente.

Recpmeçou os seus estudos em 1958, fazendo parte dos Menestréis de Lisboa dirigidos por Santiago Kastner, com quem estudou Baixo Cifrado Aplicado à Harpa e Interpretação de Música Antiga..

De 1960 a 1963 recebeu bolsas da Fundação Calouste Gulbenkian e do Governo Holandês pata estudar Harpa, a título particular, com Phia Berghout em Amesterdão. Ainda com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian prosseguiu os estudos de Harpa com Jacqueline Borot, em Paris (1964) e de realização de Baixo Cifrado com Hans Zingel, em Colónia (Alemanha), em 1967.

No Verão de 1962 Mário Falcão propôs-lhe a interpretação de Imagens Sonoras, uma peça pata duas Harpas composta por Jorge Peixinho, o que ocasionou a aproximação de Clotilde Rosa a este Compositor e à música erudita contemporânea.

No seu desenvolvimento musical foram também importantes os Cursos a que assistiu em Darmstadt a partir de 1963.

Durante os anos de 1960 pertenceu a um grupo de Músicos reunido por Jorge Peixinho, que deu origem em 1970 ao Grupo de Música Contemporânea de Lisboa.

Na continuação do seu interesse pela Música Antiga, formou, em fins dos anos 70, com Carlos Franco e Luísa de Vasconcelos, o Trio Antiqua.

Integrou a Orquestra Sinfónica do Porto e a Orquestra Sinfónica Nacional, ambas da Emissora Nacional, tendo colaborado com as Orquestras do Teatro Nacional de São Carlos e da Fundação Gulbenkian.

De 1987 a 1989 deu aulas de Análise e Técicas de Composição no Conservatório Nacional, transitando para a classe de Harpa, durante os anos de 1989 a 2000.

Nesta época introduziu repertório contemporrâneo no programa de estudos de Harpa. Integrou igualmente a Comissão Sectorial da Música Erudita da Sociedade Portuguesa de Autores.

Em 1974, a convite de Jorge Peixinho, participou na composição da obra colectiva In-con-sub-sequência.

Assumiu-se como Compositora em 1976 com a obra Encontro. Levada à Tribuna Internacional de Compositores de Paris por Joly Braga Santos e Nuno Barreiros, por proposta de Jorge Peixinho, a peça gravada na RDP, atingiu o 10º lugar ax aequo, entre 60 obras de 30 países.

Obteve o 1º Prémio no Concurso Nacional de Composição da Oficina Musical do Porto com Variantes I, para Flautista solo.

No domínio da Composição, frequentou as classes de Venceslau Pinto, entre 1943 e 1946 e de Jorge Croner de Vasconcelos, entre 1950 e 1952, assistiu a Aulas de Análise de Álvaro Salazar e de Luís de Pablo nos Cursos da Costa do Estoril, e trabalhou particularmente Composição com Jorhe Peixinho, entre 1976 e 1986 e Instrumentação com Carlos Franco, desde 1976.

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 4º Volume, P-Z, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 1147  e 1148)

“RUAS QUE JÁ TIVERAM OUTROS NOMES”

Sabia que a actual Rua da Prata, em Lisboa, na Freguesia de Santa Maria Maior (ex-Freguesias da Madalena e de São Nicolau), já se denominou por Rua Bela da Rainha?

 

Câmara Municipal de LisboaA actual Rua da Prata, nasceu em 1910 como Topónimo da Baixa Pombalina, através do Edital Camarário de 05-11-1910, o primeiro Edital relativo a Toponímia após a implantação da República em Portugalm substituindo a Rua Bela da Rainha que havia sido atribuída em 1760, pela Portaria Régia de 05-11-1760, também a primeira Portaria sobre Toponímia.

Pela primeira regulamentação Toponímica, o Decreto Régio de 05 de Novembro de 1760, foi estabelecida a denominação dos arruamentos localizados entre a Praça do Comércio e o Rossio, ao mesmo tempo que regularizava a distribuição dos ofícios e ramos do comércio. E na então Rua Bela da Rainha deviam ser arruados os Ourives da Prata e nas Lojas que sobejassem os Livreiros que antes viviam na sua vizinhança.

De acordo com o livro “Roteiro Geral da Posta Interna, Editado pela Administração dos Correios, Telégrafos e Telefones, 1ª Edição de 1947, nº 1214, esta Artéria pertencia ao Giro nº 63 e 63A do Livro I.

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

José Rodrigues Miguéis que, impedido, pelo Estado Novo, de Leccionar em Portugal, mais um português que teve de rumar ao estrangeiro, aqui recordado no dia em que passa mais um aniversário do seu nascimento.

 

José Rodrigues MiguéisJOSÉ Claudino RODRIGUES MIGUÉIS, Escritor e Professor, nasceu em Lisboa, a 09-12-1901, e faleceu em Nova Iorque (EUA). a 27-10-1980. Formado em Direito aos 23 anos, exerceu Advocacia e trabalhou como Professor do Ensino Secundário. Estudou pedagogia em Bruxelas e colaborou na revista Seara Nova. Em 1935, fixou-se nos EUA, onde foi redactor-associado das Selecções do Reader’s Gigest e Professor Universitário. –

Regressou a Portugal em 1957, mas ficou poucos anos. A sua obra é fortemente marcada pelas preocupações de ordem ética e pedagógica que estavam associadas à formação académica, pelos ideais republicanos de influência paterna, pelo próprio envolvimento na luta política de combate à ditadura, ao lado de José Gomes Ferreira, Irene Lisboa, Jaime Cortesão, Raúl Proença, Câmara Reis, António Sérgio e outros intelectuais do chamado Grupo da Seara Nova, e por uma diversificada experiência de exílio a que se viu obrigado depois de ter sido impedido de leccionar em Portugal.

Da sua obra, constam: “Páscoa Feliz” (1932 Prémio Casa da Imprensa), “Onde a Noite se Acaba”, em 1946, “Léah e Outras Histórias” (1958, Prémio Camilo Castelo Branco), “Uma Aventura Inquietante” (1959, obra que leançou em Portugal a ficção policial), “Um Homeme Sorri à Morte Com Meia Cara”, em 1959, “A Escola do Paraíso”, em 1960, “Gente de Terceira Classe”, em 1962, “Nikalai! Nikalai!”, em 1971, “A Múmia”, em 1971, “O Milagre Segundo Salomé”, em 1975 e as obras, editadas postumamente, “O Pão Não Cai do Céu”, em 1981, “Pass(ç)os Confusos”, em 1982, “Arroz do Céu”, em 1984, e “Idealista no Mundo Real”, em 1986. Numa escrita elegante e sugestiva, Rodrigues Miguéis recupera nos seus textos figuras e ambientes, numa profunda e subtil análise psicológica em que a comoção solidária do narrador reflecte uma preocupação ética do escritor. De grande realismo, descreve quadros típicos da vida lisboeta da sua juventude, explorando pormenores sugestivos. O contacto com a cultura anglo-saxónica reflecte-se em alguns elementos inovadores da sua técnica narrativa. Frequentes são também os temas da emigração e do exílio, conservando-se um fundo de sensibilidade lírica característica da literatura portuguesa. Foi um dos mais significativos escritores da sua geração.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora; Entroncamento; Gondomar (Freguesia de Rio Tinto); Lisboa (Edital de 01-06-1981); Matosinhos (Freguesia de Senhora da Hora); Odivelas (Freguesias de Famões e Ramada); Póvoa de Varzim; Seixal (Freguesia de Corroios); Sintra (Freguesia de Massamá).

Fonte: “Memórias da Resistência, Literatura Autobiográfica da Resistência ao Estado Novo, de António Ventura”.

Fonte: “Dicionário de Autores da Beira-Serra”, (de João Alves das Neves, Editora Dinalivro, 1ª Edição, Novembro de 2008, Pág. 201, 202 e 203).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 363).

Fernanda de Castro, a fundadora da Associação Nacional dos Parques Infantis, foi a primeira Mulher a ganhar o Prémio Literário Ricardo Malheiros da Academia de Ciências de Lisboa, aqui lembrada no dia em que passa mais um aniversário do seu nascimento.

Jardim Fernanda de CastroMaria FERNANDA Teles DE CASTRO e Quadros Ferro, Escritora, nasceu em Campo de Ourique (Lisboa), nasceu a 08-12-1900 e faleceu a 19-12-1994. Filha de um Oficial da Marinha, ficou órfão de mãe aos 12 anos de idade. Estudou em Portimão, Figueira da Foz e Lisboa, tendo frequentado, nesta cidade, os Liceus D. Maria Pia e Passos Manuel. Foi esposa e colaboradora do Jornalista António Ferro. Mãe do Escrotor António Quadtos e avó da Escritora Rita Ferro. Foi a fundadora da Associação Nacional dos Parques Infantis.

Depois de em 1922 casar com António Ferro passou a viver no nº 6 da que é hoje a Rua João Pereira da Rosa, no Bairro Alto, prédio onde também viveram Ofélia e Bernardo Marques, José Gomes Ferreira e Ingrid Hestnes, Oliveira Martins e sua mulher Vitória e, Ramalho Ortigão.

Fernanda de Castro concluiu o Curso do Liceu e, na década de vinte do Século passado passou a frequentar os salões literários de Lisboa como o de Veva de Lima, época em que se tornou amiga de Virgínia Vitorino, com quem colaborou num consultório de Grafologia para a revista ABC.

Aos 19 anos tornou-se Escritora de poesia, romances, peças de teatro e contos. O seu 1º livro foi de poesia, Ante-manhã (1919), e teve capa de Cottineli Telmo. Nesse mesmo ano ganhou o concurso de originais do Teatro Nacional com a peça Náufragos, que foi estreada em 1925. Em 1945, com o romance Maria da Lua foi a 1ª mulher a obter o prémio Ricardo Malheiros da Academia de Ciências de Lisboa. E em 1969 foi também galardoada com o Prémio Nacional de Poesia.

Publicou romances como “O Veneno do Sol”, (1928), novelas infantis como “As Aventuras de Mariazinha”, (1935), e “Mariazinha em África”, (1959), peças de teatro (algumas delas representadas com grande êxito, como “Náufragos”, (1925), e “Pedra do Lago”, (1942)), e principalmente poemas, tendo-se estreado com “Antemanhã” (1919).

Outros livros de poesia: “Danças de Roda” (1921), “Jardim” (1928), “Daquém e dalém-alma” (1935), “Exílio” (1952), “Altar sem Culto” (1954), “Asa no Espaço” (1955), “Poesia I e II (Prémio Nacional de Poesia em 1969), e “Urgencia” (1989). A sua poesia evoca os sonhos e ambições que quebram a rotina da vida, e, na última fase da sua produção, celebra o passado vivido com afecto e grandeza. Publicou ainda “Ao Fim da Memória: Memórias” (1906-1939-1936).

Fernanda de Castro traduziu ainda Rainer Maria Rilke, Katherine Mansfield, Pirandello, Ionesco, Valéry Larbaud, Sófocles, Henri Duveruois, Maurice Maeterlinck, e colaborou com o Diário de Lisboa, desde o seu 1º número, em 07 de Abril de 1921.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica);  Cascais (Freguesia de São Domingos de Rana); Lisboa (Freguesia de Belém, Edital de 30-07-1999 – Jardim Fernanda de Castro); Oeiras (Freguesia de Porto Salvo); Seixal (Freguesia da Amora); Sintra (Freguesia de Algueirão-Mem Martins).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Organizado pelo Instituto do Livro e das Bibliotecas, Coordenado por Ilídio Rocha, Publicações Europa América, Março de 1998, Pág. 52 e 53)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 139).

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

Mário Soares, um dos maiores Políticos Portugueses do Século XX, que marcou decisivamente o destino de Portugal na segunda metade do Século passado, aqui recordado, no dia em que, se fosse vivo, faria 93 anos de idade.

 

Mário SoaresMÁRIO Alberto Nobre Lopes SOARES, Político e Advogado, nasceu na Freguesia de Camões (Lisboa), a 07-12-1924, e faleceu no Hospital das Cruz Vermelha, em Lisboa, às 15h28, de 07-01-2017. Era filho do Padre Dr. João Lopes Soares (1887-31-07-1970) e de Elisa Nobre Baptista, doméstica. O Padre João Soares despadrou-se em 1927 e casou com Elisa Baptista em 1934. Casou em 22-09-1949 com a Actriz Maria de Jesus Barroso.

Estudou no Colégio Moderno, de que o seu pai era proprietário e de que veio a ser Professor e Director. Ali conheceu Álvaro Cunhal, que veio a ser seu Professor.

Mário Soares1Envolvido desde cedo na actividade política, aderiu à juventude Comunista em 1942, ano em que frequentou igualmente a Faculdade de Letras. Em 1943, ligou-se ao MUNAF (Movimento da Unidade Nacional Antifascista e, no ano seguinte, filiou-se no Partido Comunista Português (PCP), de que veio posteriormente a desligar-se. Pertenceu, em 1946, à comissão central do Movimento de Unidade Democrática (MUD), devendo-se-lhe a fundação do MUD-Juvenil.

Em 1949, apoiou a candidatura de Norton de Matos à presidência da República. Entretanto, concluiu em 1951 a licenciatura em Ciências Histórico-Filosóficas e, em 1957, formou-se em Direito. Foi, em 1958, um dos apoiantes da candidatura do general Humberto Delgado à presidência da República. Professor no Colégio Moderno (fundado por seu pai, João Soares), que também dirigiu, exerceu a advocacia, encarregando-se da defesa de presos políticos e prosseguindo a sua actividade política na oposição. Em 1961, foi redactor e signatário do Programa para a Democracia da República e, em 1964, um dos fundadores da Acção Socialista Portuguesa (ASP). Candidatou-se, em 1965 e 1969, a deputado pelas listas da oposição. Entretanto, a sua intervenção política conduziu-o à prisão pela PIDE, em 1968, sendo deportado para São Tomé e Píncipe. Entre 1970 e 1974 esteve exilado em França, exercendo actividade docente. Em 1973, num congresso realizado em Bad-Munstereiffel (Alemanha), a ASP converteu-se em Partido Socialista (PS), tornado-se Mário Soares o seu secretário-geral. Regressou a Portugal em 28 de Abril de 1974, no chamado »combioio da liberdade«. Foi então encarregado pela Junta de Salvação Nacional de obter o reconhecimento do novo regime democrático nas capitais europeias. Ministro dos Negócios Estrangeiros dos I, II e III governos provisórios e ministro sem pasta do IV governo provisório, esteve directamente envolvido nas negociações e acordos de descolonização. Entretanto, em 1975, sendo ministro sem pasta, demitiu-se por discordar da política do governo de Vasco Gonçalves, no que foi acompanhado pelos restantes elementos do PS que faziam parte do executivo, contribuindo assim para a crise surgida com a contestação à liderança do então primeiro-ministro. Mário Soares foi primeiro-ministro dos dois primeiros governos constitucionais (1976-1978) e, após o derrube do seu executivo, esteve na oposição entre 1978 e 1983. Nas eleições deste último ano, voltou a ocupar o cargo de Primeiro-Ministro, dirigindo o Governo de coligação PS-PSD conhecido como »bloco central«, num período de grave crise económica. Interveio na concretização do processo  de  adesão de Portugal à CEE, cujo tratado assinou em 1985.

Em 1986, deu início a um novo período da sua vida política, tornando-se o primeiro civil a ser eleito Presidente da República Portuguesa directamente (com 51,2% dos votos). Renunciou, então, aos cargos de Secretário-Geral do PS e de Deputado (para que fora eleito em todas as Legislaturas). Em 1991, voltando a candidatar-se, foi de novo eleito Presidente da República, com 70,4% dos votos. Findo o seu segundo mandato, em inícios de 1996, afirmou pretender retirar-se da vida política activa, tornando-se Presidente da recém-criada Fundação Mário Soares e da Comissão Mundial Independente dos Oceanos.

Mário Soares presenciou e protagonizou muitos dos principais acontecimentos da vida portuguesa dos últimos 50 anos. A sua capacidade de afirmação política e pessoal tornou-o o político português mais célebre e presigiado internacionalmente. Enquanto presidente da República, impôs um estilo próprio que, mesmo não lhe valendo uma apreciação unânime, marcou uma década e congregou fortes simpatias. Instituiu a chamada »presidência aberta«, estabelecendo, em diferentes cidades do país, a sua residência oficial durante períodos de visita à região circundante, no que considerava uma forma de melhor contactar com o país e com os seus problemas. Embora protagonizando alguma instabilidade entre a presidência e o governo do PSD, manteve boas relações com largos sectores da vida nacional e internacional, garantindo uma longevidade política invulgar. Eleito Presidente da Internacional Socialista em 1976, recebeu, em 1977, o Prémio Internacional dos Direitos do Homem e, em 1987, o Prémio Robert Schumann, pelo seu trabalho em prol da Europa.

Doutor Honoris Causa por várias universidades, entre as quais a Universidade de Coimbra, recebeu inúmeras condecorações dentro e fora de Portugal. Colaborou em jornais e revistas como a Seara Nova, O Tempo e o Modo e o jornal República.

De entre as obras que escreveu, destacam-se »A Juventude não Estão com o Estado Novo«, (1946), »Escritos Políticos«, (1969), »Portugal Amordaçado«, (1974), »Escritos do Exílio«, (1975) e os 10 volumes de »Intervenções« (1987 a 1996). Em 1999, Mário Soares aceitou o convite de António Guterres para encabeçar a lista do PS para o Parlamento Europeu (PE), com a legítima espectativa de vir a ser escolhido o seu presidente, com o apoio  dos socialista europeus. O cabeça de lsita do PS afirmou então que se candidatava ao PE por seu um convite europeísta. Apesar de ter sido eleito, a vitória eleitoral do Partido Popular Europeu impediu-o de ser escolhido para presidente do Parlamento Europeu, e a vitória do PS naõ se revelou tão esmagadora como se chegara a esperar.

Obras principais: Escritos Políticos, (1969); Le Portugal Baillonné: Un Témoignage, (Paris, 1972, editado em português com o título Portugal Amordaçado: Depoimento sobre os Anos do Fascismo, 1974); Democratização e Descolonização: Dez Meses no Governo Provisório, (1975); Portugal, Que Revolução? Diálogo com Dominique Pouchin, (1976); Crise e Clarificação, (1977); Intervenção, (10 volumes, 1987-1995); Soares, (três volumes, colige as entrevistas concedidas a Maria João Avillez, 1996-1997); Dois Anos Depois, (reúne entrevistas conduzidas por Mário Bettencort Resendes, 1998); O Mundo em Português: Um Diálogo, (diálogos com Fernando Henrique Cardoso, 1998).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes, Aljustrel (Freguesia de São João de Negrilhos), Amadora; Chaves, Figueira da Foz, Loures (Freguesia de Santa Iria de Azóia), Lousada (Freguesias de Boim, Lousada e Pias), Montemor-o-Velho (Freguesia de Pereira), Oeiras (Freguesia de Porto Salvo), Póvoa de Lanhoso, Vila Nova de Famalicão (Freguesia de Joane), Vila Pouca de Aguiar.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. V, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Coordenação de Ilídio Rocha, Publicações Europa América, Edição de Julho de 2000, Pág. 376 e 377).

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 378, 379, 380, 381, 382, 383, 384, 385 e 386).

Fonte: “Candidatos da Oposição à Assembleia~Nacional do Estado Novo (1945-1973). Um Dicionário”, (de Mário Matos e Lemos, Luís Reis Torgal, Coordenador, Colecção Parlamento, Edição da Assembleia da República, 1ª Edição, Lisboa, Outubro de 2009, Pág. 272, 273 e 274).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 494).

Engenheiro Caldeira Rodrigues, o 1º Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Lisboa, depois do 25 de Abril de 1974.

 

Caldeira RodriguesJoaquim Ângelo CALDEIRA RODRIGUES, Engenheiro e Político, nasceu em Torres Vedras, a 06-12-1925, e faleceu em Lisboa, a 28-12-2004. Prestigiado Engenheiro e activista da oposição à ditadura, revelando capacidades de activismo-cívico desde cedo, concluiu o Ensino Secundário já em Lisboa, no Liceu Camões, tirando 20 valores a Matemática. Era pai de Maria João Rodrigues, Professota Catedrática do ISCTE, que foi Ministra do Trabalho no primeiro Governo  de António Gueterres.

Ingressou no Instituto Superior Técnico, em 1942, onde desenvolveu o seu pendor activista no movimento associativo. Licenciado em Engenharia Civil no Instituto Superior Técnico, onde ingressou em 1942.

Caldeira Rodrigues foi fundador do MUD Juvenil e distinguiu-se  na opisão ao fascismo.  As suas actividades contra a ditadura levaram-no por duas vezes à prisão política. A primeira prisão, em Caxias, deu-se em 1947, na sequência da semana da Juventude. A segunda prisão foi em 1951. Caldeira Rodrigues encontra-se entre a cerca de meia centena de activistas que esperavam Maria Lamas no Aeroporto de Lisboa.

Foi o primeiro Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Lisboa, após o 25 de Abril de 1974. A sua carreira internacional desenvolveu-se, em 1962, ao ser um dos fundadores da Coba – Consultores para Obras, Barragens e Planeamento, de que foi primeiro Director e, depois, Administrador. Entre as obras públicas da sua responsabilidade destacam-se várias barragens, projectos de aproveitamento hidroeléctricos, hidroagrícola e hidroenergética em Portugal, Brasil, Moçambique, Costa Rica, Grécia e Espanha, os circuitos hidráulicos de refrigeração da Central do Carregado e da Central Térmica de Setúbal, o plano geral de abastecimento de água à região de Lisboa, o estudo de caracterização do sistema actual da exploração da EPAL.

Destacou-se na intervenção cívica e associativa, tendo desempenhado as funções de director e presidente da Associação Portuguesa de Projectistas e Consultores. Era pai de Maria João Rodrigues que foi ministra do Trabalho no primeiro governo de António Guterres, catedrática do ISCTE e responsável pela elaboração da Estratégia de Lisboa e consultora do ex-presidente da Comissão Europeia. O seu corpo repousa no cemitério de Torres Vedras.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de Alvalade, antiga Freguesia do Camo Grande, Edital de 23-04-2007, ex-Rua 2.2 à Rua António Albino Machado); Torres Vedras.

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

“Efemérides”

A 5 de dezembro de 1932, entra em vigor uma determinação do Governo Civil proibindo o trânsito pelas ruas da cidade de Lisboa a pessoas que se apresentem descalças. Já anteriormente o falecido comandante da polícia Ferreira do Amaral havia tomado a mesma providência mas o tempo foi passando e este costume, segundo o articulista do Diário de Lisboa, manteve-se «não apenas por miséria, mas sim por hábito […] oferecendo à maioria da população um espetáculo improprio duma capital». E mais adiante afirma: «Desta vez, porém, o caso muda de figura. Cada esquadra de Polícia nomeou um guarda para exercer rigorosa vigilância sobre os transeuntes, sendo condenadas a pagar uma multa de 67$50 as pessoas que transgredirem esta disposição».

Fonte: “Diário de Lisbioa, nº 3616, de 05 de Dezembro de 1932, 12º ano de opublicação”

“Efemérides”

Maternidade Alfredo da CostaA Maternidade Alfredo da Costa comemora hoje (05-12-2017), 85 anos de existência.

Este estabelecimento público  de saúde especializado em obstetícia localizado na Cidade de Lisboa. O seu nome é uma homenagem a Manuel Vicente Alfredo da Costa, pioneiro da obstetrícia em Portugal.