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“Pessoas Vinculadas aos CTT”

CTTOs CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, que pretendo dar a conhecer.

9o-correio-mor-do-reinoLuís Vitório de Sousa da Mata Coutinho, foi o 9º CORREIO-MOR DO REINO, exerceu o cargo de 1696 a 1735. Nasceu, na Freguesia da Ajuda, em Lisboa,  a 26 de Outubro de 1688 e faleceu, no seu Solar da Mata de Loures, a 18 de Maio de 1735. Era filho de Duarte de Sousa da Mata Coutinho e de D. Isabel Caffaro; e como à data do falecimento do pai tinha apenas 8 anos de idade, a administração dos Serviços Postais ficou a cargo de sua mãe e tutora.

Foi fidalgo escudeiro da Casa Real com mil e quatrocentos e quarenta réis de moradia. Casou, em 1717, com D. Joana Catarina de Meneses, filha de João Gonçalves da Cãmara Coutinho, Almotacé-Mor do Reino, da qual houve, além do primogénito, José António da Mata de Sousa Coutinho, 10º Correio-Mor, , mais duas filhas, e um filho; Duarte de Sousa Coutinho, que foi Cavaleiro da Ordem de Malta. Teve ainda fora do matrimónio outro filho, também Duarte de Sousa Coutinho, a quem deu o cargo de Correio-Mor do Porto.

Durante a gerência de Luís Vitório, 9ª Correio-Mor e de sua mãe, foi impulsionado o desenvolvimento dos Serviços de Correios e foram celebrados entendimentos internacionais.

Portugal celebrou, em 1703, o Tratado de Methwen, que nos colocou inteiramente na dependência industrial da Inglaterra; e como consequência, as relações luso-britânicas multiplicaram-se por tal forma que a breve trecho se tornou necessário regular por acordo especial a troca de correspondência entre as duas Nações.

A 20 de Fevereiro de 1705, o Oficial Maior João Duarte da Costa, como representante do Correio-Mor, firmava em Londres, com os Grão-Mestres da Posta Inglesa, uma Convenção Postal em que a Inglaterra se obrigava a estabelecer à sua custa carreiras de paquetes entre os portos de Falmouth e Lisboa, e o Correio-Mor Português se comprometia ao pagamento de 600 mil réis por cada onça de cartas que recebesse daquela país, com o desconto de 10% para as despesas de distribuição.

Em 03 de Maio de 1718 estabeleceu-se também um acordo com o Correio espanhol, pelo qual se encarregava de entregar em Badajoz todas as cartas de Itália y demas partes del Norte, e de levar as cartas que jueren dirigidas a Itália, Flandres e demas partes del Norte. Por cada onça de correio recebido pagava o Correio português 1.000 réis.

Alvará de 15 de Dezembro de 1701, confirma os privilégios dos Mestres da Posta;

Alvará de 04 de Novembro de 1702, cria o Correio Ordinário para o Algarve e fixa, para este, o porte de cada carta em 40 réis;

Alvará de 03 de Março de 1703, determina que nenhum Almocreve das terras do Alentejo e das Comarcas de Évora, Beja e Ourique, aonde o Correio-Mor mandar peões ou estafetas, e em que põem Assistentes possa trazer nem levar cartas;

Alvará de 19 de Novembro de 1703, aumenta para vinte o número de Correios Privativos do Serviço Real, que até aí eram apenas de 12 uniddades. Cada Correio terá cincoenta réis de salário por dia, e pelas viagens, andando em vinte e coatro oras seis legoas vensera por cada huma sincoenta réis, dés legoas por cada huma oitenta réis, quinze legoas por cada huma cem réis e vinte legoas por cada huma sento e sincoenta réis. A Estações da Posta de Aldeiagalega a Elvas passam a ter 8 cavalos em vez de 4 como até então.

Decreto de 15 de Maio de 1704, concede so privilégios de Mestres de Postas aos que servem a linha de Posta de Lisboa à praça de Almeida, recentemente criada.

Decreto de 28 de Abril de 1705, estebelece novos direitos para pagamento das despesas que fazem os Correios do Serviço Postal, Postilhões e Mestres de Postas.

Lei de 05 de Dezembro de 1707, determina que não se possam dar cavalos de posta sem cédula do Correio-Mor.

Alvará de 14 de Setembro de 1716,manda que as cartas de Castela e doutros países estrangeiros, entradas pela fronteira de Badajoz, venham pela Posta, desta Cidade a Lisboa, onde devem chegar todos os Sábados. Em virtude da despesa que o novo sistema acarreta é autorizado o aumento de um vintém no porte de cada carta.

Ordem da Secretaria do Estado, de 14 de Julho de 1733, manda a todos os Ministros da Justiça do Reino que não embarguem nem detenham as cavalgaduras dos estafetas que conduzem malas do Correio, antes lhes prestem toda a ajuda e favor de que carecerem.

  1. Isabel Caffaro, como tutora de seu filho, ainda menor, nomeou Correio Assistente de Faro, por carta de 12 de Novembro de 1702,a José Freire de Andrade, Capitão de Ordenanças, e Cavaleiro da Ordem de Cristo.

Por volta de 1721, tendo falecido em Braga o Correio Assistente Simão da Cunha Pinto, Cavaleior professor da Ordem de Cristo e Tesoureiro do Arcebispo Primaz, entendeu o Prelado que poderia substituir o seu extinto servidor tanto no lugar de Tesoureiro como no de Correio Assistente, e nomeou pessoa da sua confiança para este último lugar.

Não se conformou, porém, o Correio-Mor com a intromissão do Arcebispo em assunto que não era das suas atribuições, não obstante o iato poder temporal que exercia na cidade, e, usando das prerrogativas que lhe conferiram as cartas do seu ofício, nomeou outro substituto do falecido Simão da Cunha. O Prelado bracarense não se julgou obrigado a aceitar como boas as razões de direito alegadas pelo funcionário nomeado por Lisboa e opôs-se a que tomasse posse do lugar. Daqui resultou longo litígio, que se debateu na capital, e que veio a resolver-se, como era de justiça, com plena satisfação para o Correio-Mor do Reino.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Bibliografia: “Assistentes do Correio-Mor do Reino em Viseu”, (por Godofredo Ferreira, Edição dos CTT, Lisboa 1960)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

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Faleceu, no passado dia 27, o Actor Carlos Santos.

carlos-santosCARLOS Alberto SANTOS, Actor, nasceu em Lisboa, a 04-10-1937, e faleceu no Hospital de Faro, a 27-11-2016. Carlos Santos, que ficou conhecido do público português pela participação em várias telenovelas portuguesas, preparava-se para casar com a também Actriz Amélia Videira, em Dezembro deste ano.

Com uma carreira de 53 anos, Carlos Santos estreou-se como Actor em 1963, tendo brilhado no Teatro, na Televisão e no Cinema. O desempenho no filme “Operação Outono”, sobre os últimos dias do General Humberto Delgado, valeu a Carlos Santos o prémio de melhor Actor de Cinema da Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) e o Prémio Sophia para melhor Actor, da Academia Portuguesa de Cinema, em 2013.

No cinema, Carlos Santos trabalhou com Luís Filipe Rocha, António de Macedo, Joaquim Leitão, José Fonseca e Costa e Leonel Vieira. Também fez parte do elenco do derradeiro filme de Fernando Lopes, “Em Câmara Lenta”.

Carlos Santos, que se estreou com José Viana no Teatro de Revista,  somou, nos últimos anos, participações em “Bem-vindos a Beirais”, “Vidas de sal”, “O bairro da fonte”, “Uma família açoriana”, “O teu olhar”, “Quando os lobos uivam”, “A viúva do enforcado”. “O julgamento”, “A capital”, “O amor desceu em paraquedas”, “Tudo isto é fado”, “Olhó passarinho”, “A banqueira do povo”, “A selva” e “Tarde demais” foram outros trabalhos em que Carlos Santos participou como Actor.

Fonte: “Jornal Correio da Manhã”

 

“PESSOAS VINCULADAS AOS CTT” .

8o-correio-mor-do-reinoOs CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento, a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, que pretendo dar a conhecer.

Duarte de Sousa da Mata Coutinho, foi o 8º CORREIO-MOR, exerceu o cargo de 1674 a 1696. Nasceu entre 1640 e 1647, e faleceu na Freguesia da Ajuda (Lisboa), a 08 de Novembro de 1696. Era filho do 7º Correio-Mor, Luís Gomes da Mata, a quem sucedeu no morgado e no ofício, e de D. Violante de Castro.

Fidalgo da Casa Real, como o pai e os avós, foi muito estimado na Corte pelas suas prendas, agrado e generosidade. Viajou largamente pela Europa, eparece mesmo que por algum tempo residiu na Corte de Turim, onde grangeou a estima do Rei da Sardenha Vítor Amadeu II.

Casou com D. Isabel de Caffaro, senhora notabilíssima estirpe e de largos haveres, que nasceu em Messina, a 15 de Março de 1661 e faleceu me Lisboa, a 27 de Novembro de 1743, filha de D. Tomás Caffaro, Barão de Gray, General de Artilharia e primeiro Senador da Cidade dre Messina.

Houve deste consórcio, além do primogénito, Luís Vitório de Sousa Mata Coutinho, 9º Correio-Mor, mais dois filhos e quatro filhas; e fora do matrimónio uma ninhada de bastardos.

Faleceu no seu Palácio do Bom Sucesso, junto ao recolhimento do mesmo nome, e foi sepultado no Convento de Santo António da Convalescença, à Cruz da Pedra.

Tem uma explicação a circunstância de este Correio-Mor não ser sepultado, como os antecessores, na Capela de Nossa Senhora da Pérsia, da Igreja dos Religiosos Agostinhos, da Graça, que o primeiro Mata comprara para a derradeira morada da família.

O Convento de Santo António da Convalescença foi fundado pelo Cónego Duarte Gomes da Mata em uma quinta que possuía no sítio da Cruz da Pedra, no Caminho de Benfica, e por ele doado, em 29 de Março de 1663, aos Frades Capuchos da Província de Santo António, para o utilizarem na convalescença dos doentes que das próximas Casas da Ordem viessem curar-se à Cidade.

Para a ajuda do sustento estabeleceu-lhe mil réis cada semana, e para a fábrica da Igreja mil réis por cada ano, como padroeiro e fundador, a Igreja e Capela-Mor para jazigo da família, ou das pessoas que ele entedesse. Pela morte do Cónego foi o padroeiro incluído no morgado dos Correios-Mores, onde se conservou até à abolição das Ordens Religiosas.

Em 08 de Setembro de 1746 presidiu o Correio-Mor de então, José António da Mata de Sousa Coutinho, ao lançamento da primeira pedra da nova Igreja, que veio a ser benzida solenemente, depois de concluída, em 12 de Junho de 1752.

De um inventário elaborado em 1785, sabe-se que a Igreja tinha nessa data, além do altar mor, mais quatro capelas: de Santana; de São João; de Nossa Senhora das Dores; e do Senhor Jesus da Paci~encia. Em 1822, o edifício, ainda muito bem conservado, tinha uma população de dez religiosos (oito sacerdotes e dois leigos), mas podia albergar quinze a dezasseis.

Extintos os Conventos, em 1834, foi este vendido, e transformado pelo comprador no palacete que aincda hoje ali existe; a Igreja, porém, conservou-se, mercê da piedade dos moradores do sítio, que se cotizaram para fazer face às despesas do culto, e só há poucos anos, depois do advento da República, ela foi profanada e o seu recheio leiloado.

No sítio da Igreja, está hoje (1963) um prédio com lojas e 5 andares. Nomeou testamenteiro a João Duarte da Costa, seu homem de confiança e Oficial-Maior dos Correios.

Da Administração de Duarte de Sousa da Mata Coutinho não ficou outro rasto além do Alvará de 20 de Junho de 1694, que confirmou os privilégios já conferidos aos Mestres de Postas pelos Diplomas anteriormente citados, de 1581 e de 1673, e os ampliou com outros novos: o de aposentadoria e o de trazerem espingardas, tanto eles, Mestres de Posta, como os seus Postilhões.

O Convento de Santo António da Convalescença, muito alterado ao longo dos tempos, localiza-se na Estrada de Benfica, nº 275, onde funcionou a Universidade Internacional, agora transformada em Instituto Superior Politécnico Internacional.

A Estrada de Benfica, actualmente, interrompida em vários locais e com designações diversas, começava no que é hoje o Largo de São Sebastião da Pedreira, englobava as actuais Ruas Dr. Nicolau Bettencourt e Professor Lima Basto, pertenceu às Freguesias de Benfica e de São Sebastião da Pedreira, pertence, desde 1959 à então, criada, Freguesia de São Domingos de Benfica.

Da administração de Duarte de Sousa da Mata Coutinho não ficou eotro rasto além do alvará de 20 de Junho de 1694, que confirmou os privilégios já conferidos aos Mestres de Postas pelos diplomas anteriormente citados, de 1581 e de 1673, e os ampliou com outros novos: o de aposentadoria e o de trazerem espingarda, tanto eles, Mestres de Posta, como os seus Postilhões.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Bibliografia: “Assistentes do Correio-Mor do Reino em Viseu”, (por Godofredo Ferreira, Edição dos CTT, Lisboa 1960)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

Arlindo de Carvalho, Compositor e Intérprete, faleceu ontem (26-11-2016)

 

arlindo-de-carvalhoARLINDO Duarte DE CARVALHO, Compositor e Cantos, nasceu na Freguesia da Soalheira (Fundão), a 27-04-1930, e faleceu no Hospital de Amadora-Sintra, a 26-11-2016. Frequentou a Escola Primária na sua terra natal. Estudou, depois, na Guarda, Castelo Branco e Coimbra. Nesta cidade completou o Magistério Primário, no ano de 1950.

Destacou-se no âmbito da Música Popular Portuguesa pelo estilo composicional que desenvolveu nas suas canções inspiradas no Folclore sobretudo da Beira Baixa.

Desde a sua infância mostrou uma grande vocação para a música. No convívio com os camponeses e trabalhadores rurais da Soalheira, da Campina da Idanha, da Serra da Estrela, desde criança aprendeu os seus cantares tradicionais que mais tarde iriam influenciar toda a sua obra musical, que é única no panorama musical português, pelas suas raízes profundamente beirãs.

A sua obra abrange estilos de música popular que vão desde o minhoto ao açoriano, com predominância da Beira, incluindo ainda canções para crianças, fados de Coimbra e outras de intervenção política.

Decidido a encontrar intérpretes para divulgar as suas canções, apresentou-as na Emissora Nacional. Seriam porém os Cantores Luís Piçarra e Gina Maria a integrar algumas delas no seu repertório. Foi na voz de Gina Maria que, ainda na década de 50, as canções Retaxo, Chapéu Preto e Castelo Branco, interpretadas na Rádio e em diversos espectáculos de variedades (como Serões para Trabalhadores), atingiram significativa popularidade, o que viabilizou a dedicação exclusiva à actividade de composição.

Em 1955 fixou-se em Lisboa, onde estudou Solfejo e Harmonia na Academia de Amadores de Música. Nesta mesma altura conheceu Amália Rodrigues, que viria a interpretar várias das suas composições, entre as quais Hortelã Mourisca, Fadinho Serrano; As Moças da Soalheira; As Meninas da Terceira e Longe Daqui.

De entre os autores deletra com que colaborou contams-e Nuno Gomes dos Santos, Hernâni Correia, Avelino Beirão, Eduardo Olímpio e José Vicente.

A sua postura contra a política do Estado Novo levou-o ao exílio. Entre 1965 e 1973 viveu na Bélgica, na França, em Inglaterra e na Alemanha. Continuou, no entanto, a compor para vários intérpretes com quem colaborara em Portugal.

Em França, estudou no Conservatório de Poitiers e foi Leitor da Língua Portuguesa no Liceu Henry IV, onde fuindou um pequno coro amador com os seus alunos, em que era solista.

Acompanhado por dois Guitarristas, chegou a actuar para a Televoisão rgional francesa. A sua estreia como Cantor surgii de modo inesperado. O que inicialmente se tratava de uma reunião com a Editora President (Paris) no sentido de convidar artistas portugueses que interpretavam as suas composições, acabou por se transformar numa audição bem-sucedida. Agradado com o que ouviu, o Director da Editora preferiu contratar um Artista português radicado em França a ter de convidar vários de Portugal.

A sua primeira actuação ocorreu em 1966 na Salle Wagram (Paris). Gravou também três fonogramas com canções originaus e outros êxitos portugueses. Na Alemanha participou, em vários espectáculos, actuando igualmente na Rádio e na Televisão.

Depois da Revolução de 25 de Abril de 1974, já em Portugal, actuou por todo o País em manifestaçõe se comícios do Partido Socialista que patrocinou a edição do LP Canções Para a Liberdade (1974). O seu empenho político levou-o a integrar as campanhas eleitorais do Partido Social-Democrata sueco para a eleição de Olof Palme (1969 e 1976) e a compor a canção Hino a Timor: A Vida Não é Uma Prisão 1999), que interpretou numa transmissão directa para Timor no primeiro dia de campanha eleitoral deste País.

Interpretadas por cantores portugueses e estrangeiros, muitas das suas canções foram interpretadas noutros países em várias línguas (inglês, japonês, sueco, húngaro, entre outras, para além do português). Pela sua popularidade, destacam-se as canções: Castelo Branco; Chapéu Preto; Trova da Guarda; Penamacor; O Comboio da Beira Baixa; Que Fazes Aí Lisboa; e Lisboa Cidade Sol.

Foi várias vezes galardoado com prémios por diversas entidades e na última vez que isso aconteceu foi agraciado com a medalha de honra da Sociedade Portuguesa de Autores, como reconhecimento pela sua valiosa obra de música de raiz popular e mais recentemente, em 7 de Novembro de 2011, também pela mesma sociedade, num grande espectáculo realizado na Aula Magna, em Lisboa, pelo seu contributo para o enriquecimento do fado em Lisboa.

O evento foi gravado pela RTP e foi transmitido em finais de Novembro, coincidindo com a data em que foi conhecido o resultado da candidatura do Fado a património imaterial da humanidade. Diamantina e José Carlos Malato apresentaram a “Homenagem ao Fado” cujo elenco fez subir ao palco os artistas mais representativos da criação e da interpretação do Fado em Portugal ao longo de décadas. Durante o espectáculo foram entregues troféus aos autores homenageados, entre eles Arlindo de Carvalho, e evocados os nomes dos autores e intérpretes já desaparecidos.

Fonte: “Junta de Freguesia de Vale da Senhora da Póvoa”

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 1º Volume, A-C, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 255 e 256)

O Actor Pedro Pinheiro, se fosse vivo, faria hoje 77 anos de idade

 

pedro-pinheiroJoaquim José PEDRO da Silva PINHEIRO, Actor, nasceu na Freguesia da Abrigada (Alenquer), a 27-11-1939, e faleceu no Hospital da CUF Descobertas, em Lisboa, a 13-11-2008. Descobre que quer ser Actor aos quatro anos de idade (com a visão do Amor de Perdição, de Lopes Ribeiro), mas só em 1962, com a entrada no Conservatório, cujo curso termina em 1965, essa opção ganha contornos reais.

Entretanto, para trás tinham ficado Estudos Liceais em Alenquer e Lisboa, Teatro amador na sua terra natal e um atribulado serviço  militar que o levara à Índia e fizera viver a queda dessa colónia portuguesa.

Em 1963, depois de uma passagem pela Casa da Comédia, estreia-se profissionalmente em O Mercador de Veneza, de Shakespeare (encenação de Couto Viana), na Companhia Nacional de Teatro, sediada no Teatro da Trindade. No ano seguinte faz peças infantis do Teatro do Gerifalto.

Após concluir o Conservatório, Pedro Pinheiro ingressa no Teatro da Estufa Fria, dirigido por Augusto Figueiredo. Passa depois para o Teatro Villaret, onde, na Companhia de Raul Solnado, faz, sucessivamente, Braço Direito Precisa-se, de Manuel Frederico Pressler, Desculpe Se o Matei, de Alec Coppel (1965), e A Guerra do Espanador, de Neil Simon (1966).

Em 1967 está no Teatro Nacional Popular (Teatro da Trindade), onde, entre outras peças, interpreta A Esposa Trocada, de Thomas Middleton (encenação de Francisco Ribeiro), e Não se Sabe Como, de Pirandello (encenação de Costa Ferreira), já em 1969. No ano seguinte vai para o Teatro Maria Matos para Tombo do Inferno, de Aquilino Ribeiro (encenação de Igrejas Caeiro), e A Relíquia, de Eça de Queirós/Luís Sttau Monteiro/Artur Ramos (encenação de Artur Ramos), em 1970.

No Teatro Variedades faz então O Contrato, de Francis Veber (encenação de Maria Helena Matos), antes de regressar ao Teatro Infantil na Companhia de Alexandre Vieira.

Em 1971 vamos encontrar Pedro Pinheiro na Casa da Comédia interpretando Uma Tartaruga Chamada Dostoievsky, de Arrabal (encenação de Herlânder Peyroteo). Em 1972 escreve e encena a peça infantil As Aventuras de Batatinha e Casacão.

Em 1975 funda, em regime de sociedade artística, o Teatro do Povo, que, instalado num teatro desmontável no Parque Eduardo VII, levou à cena vários espectáculos: Avenida da Liverdade, de Pedro Pinheiro (encenação do autor), Uma Canção no Pão, de Magalhães Júnior (encenação de Pedro Pinheiro),  O Meu Querido Jorge, de Pedro Pinheiro, segundo Molière (encenação de Pedro Pinheiro), e a peça infantil O Zé Maria, a D. Cigarra e a Senhora Formiga, de Pedro Pinheiro (encenação do autor). Em 1978 está em Guilherme e Marinela, de Viveca Melander (encenação de Ruy de Matos), no Cinema Satélite.

A revista como género teatral incita Pedro Pinheiro a experimentá-la. Escreve e encena Na Corda Bamba, que monta num circo, e Em Frente Marche, na Academia de Santo Amaro.

De parceria com José Jorge Letria escreve e interpreta, em 1981, Ai a Tola (encenação de Maria Dulce), na Sociedade Filarmónica da Amadora.

Em 1982 volta ao palco do Teatro da Trindade para O Processo de Jesus, de Diego Fabri (encenação de António de Cabo), em 1984-1985 escreve, encena e interpreta A Grande Viagem do Pai Natal e Os Sete Pecados Mortais. Ainda em 1985 funda o Talma, Teatro Popular que leva à cena, no Teatro da Trindade, O Regresso da Guerra, de Pedro Pinheiro, segundo textos de Ângelo Beolco (encenação de autor).

No cinema Pedro Pinheiro inicia-se com Uma Vontade Maior. Muito activo em teatro radiofónico, quer como intérprete quer como autor (várias dezenas de peças e folhetins), Pedro Pinheiro tem diversificado o seu trabalho por áreas tão diversas como recitais de poesia, autoria de fados e canções, teatro televisivo, programas infantis na RDP, espectáculos musicais, etc.

Ainda em televisão, para além de Os Malucos do Riso, da SIC, fez parte das novelas, Tudo Por Amor e Fascínios, e as séries Maré Alta, A Minha Família é uma Animação e Capitão Roby.

Publicou dois livros: “Histórias do Palhaço Casacão”, (edição de autor, 1972); “Memórias de Um Miúdo de Oito Anos”, (edição de autor, 1973). Foi galardoado com o Grande Prémio de Teatro Português, em 2000, com a peça “Encontro com a Rita Hayworth”.

Fonte: “Dicionário do Cinema Português 1962-1988” (Jorge Leitão Ramos)

“Personalidades vinculadas aos CTT”

CTTOs CTT, com este ou com outros nomes que foram tendo ao longo dos anos, tiveram, para o seu prestígio e engrandecimento,  a contribuição de muitas pessoas. São essas pessoas que, dentro da medida do possível, que pretendo dar a conhecer.

 

7o-correio-mor-do-reinoLUÍS GOMES DA MATA, foi o 7º CORREIO-MOR, exerceu o cargo de 1641 a 1674. Luís Gomes da Mata, nasceu no alvorocer do Século XVII, provavelmente em Lisboa, e faleceu na mesma Cidade no ano de 1674. Era filho de João Gomes da Mata e de D. Filipa Barbosa e sobrinho paterno de António Gomes da Mata Coronel, de quem herdou os opulentos morgados e o rendoso ofício, que já exercia interinamente nos últimos meses de vida do tio.

Por Cartas Régias de 24 de Maio e 26 de Outubro de 1657 obteve o cargo de Correio-Mor das Cartas do Mar, não obstante as Cortes de 1654 haverem representado ao Rei contra a existência deste ofício, que, diziam elas, não servia senão para cobrar portes execessivos.

A Rainha D. Luísa, Regente na menoridade do filho, D. Afonso VI, curando mais das necessidades do Tesouro do que das perlengas das Cortes, encartou Luís Gomdes da Mata no lugar, a troco de 8.000 cruzados que este ofereceu para as despesas da Guerra no Alentejo. Pelo novo cargo, que ficava anexado ao ofício de Correio-Mor do Reino e sujeito aos mesmos vínculos e sucessões, alcançava o exclusivo da expedição e recepção de correspondência por via marítima. O que equivale a dizer que ampliava os seus rendimentos.

Foi, como os antecessores, fidalgo da Casa d’El-Rei com mil e quatgrocentos réis de moradia, e como eles possuidor de fartos haveres, escolhendo para esposa D. Violante de Castro, filha de Lopo de Sousa Coutinho e de D. Joana de Castro. Com esta aliança matromonial não só entrou na família o apelido Sousa Coutinho que daí em diante sempre ostentaram dos descendentes, mas começou também para os Mata uma nova vida mais afastada daquela febre de negócio que caracterizou os seus antepassados, e mais próxima das elegâncias e ostentações mundanas.

Do casamento houve numerosa prole, da qual destacamos: Duarte de Sousa da Mata Coutinho, que foi o 8º Correio-Mor; D. Maria Madalena, que foi insígne Pintora, e D. Joana Margarida de Castro, que cultivou a Poesia.

A este período pertencem ainda os Diplomas seguintes:

Ratificação, em 20 de Dezembro de 1643, da carta de 1606, que confere ao Correio-Mor a propriedade dos lugares de Correios Assistentes do Porto, de Coimbra, de Braga e de Aveiro, que já existima anteriormente ao referido ano de 1606.

Alvará de 07 de Maio de 1647, que concede a Luís Gomes da Mata, como Correio-Mor, 20.000 réis anuais de mantimento, á custa da Fazenda Real.

Provisão de 01 de Junho de 1673, que estabelece os privilégios dos Mestres de Posta, para que nenhum Ministro da Justiça ou Fazenda, ou Oficial de Guerra entendesse com eles, fora do que estavam destinados, nem com seus postilhões, nem lhe tomassem os cavalos, nem os obrigassem a ser Soldados pagos, ou auxiliares, etc.

Existem indícios seguros de que nos 33 anos da administração de Luís Gomes da Mata se desenvolveu notavelmente a rede de Correios no País e nas Colónias. Da nomeação de Assistentes para algumas terras temos nós conhecimento exacto: Para o Algarve, em 20 de Dezembro de 1642, o Capitão Julião da Costa de Oliveira, que devia fixar a sua residência numa das três cidades: Faro, Lagos ou Tavira. Supomos que se instalou em Faro, e que foi o primeiro funcionário desta categoria que existiu na Província Algarvia.

Para o Rio de Janeiro, em 01 de Fevereiro de 1663, Alferes João Cavaleiro Cardoso.

Para Avis, em 24 de Fevereiro de 1645, Manuel Rodrigues da Vide.

Para o Faial, em 11 de Maio de 1663, o Capitão Sebastião Teixeira.

Para a Baía, em 06 de Junho de 1663, Bartolomeu Fragoso Cabral.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Bibliografia: “Assistentes do Correio-Mor do Reino em Viseu”, (por Godofredo Ferreira, Edição dos CTT, Lisboa 1960)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)

“Lisboa e os seus chafarizes”

chafariz-do-desterroEste (foto) é o Chafariz do Desterro, pelo menos é assim que a maior parte das pessoas o conhece, mas, este mesmo Chafariz, também já se chamou Chafariz do Intendente.

Construído, entre 1823 e 1824, no Largo do Intendente, junto à Fábrica de Cerâmica Viúva Lamego, manteve essa localização até 1917, quando por exigência do trânsito foi transferido para o presente local, na esquina da Rua do Desterro com frente para a Rua da Palma, daí, passar a ser conhecido por Chafariz do Desterro.

A ideia e os primeiros seforços para a sua edificação partiram do Intendente Geral da Polícia, os quais vieram a concretizar-se segundo projecto conjunto dos Arquitectos Henrique Guilherme de Oliveira e Honorato José Correia de Macedo e Sá.

Classificado como imóvel de Interesse Público, traduz um volume paralelipédico, em calcário branco, servido por duas bicas que vertem água para os respectivos tanques semicirculares, que enquadram um tanque central rectangular.

“O Poeta António Gedeão, se fosse vivo, faria hoje 110 anos de idade”

No dia em que faz 110 anos que nasceu António Gedeão, pseudónimo de António Rómulo Vasco da Gama de Carvalho, aqui fica, além da sua biografia, um dos seus poemas: Lágrima de Preta.

 

Lágrima de preta

Encontrei uma preta

que estava a chorar,

pedi-lhe uma lágrima

para a analisar.

 

Recolhi a lágrima

com todo o cuidado

num tubo de ensaio

bem esterilizado.

 

Olhei-a de um lado,

do outro e de frente:

tinha um ar de gota

muito transparente.

 

Mandei vir os ácidos,

as bases e os sais,

as drogas usadas

em casos que tais.

Ensaiei a frio,

experimentei ao lume,

de todas as vezes

deu-me o que é costume:

Nem sinais de negro,

nem vestígios de ódio.

Água (quase tudo)

e cloreto de sódio.

antonio-gedeaoANTÓNIO GEDEÃO, é o pseudónimo de António Rómulo Vasco da Gama de Carvalho. Natural de Lisboa, nasceu a 24-11-1906 e faleceu a 19-02-1997. Poeta e Professor. Era filho de José Avelino da Gama de Carvalho, natural de Tavira, (funcionário dos CTT, Correios Telégrafos e Telefones, anteriormente chamados de Correios Telégrafos e Faróis), e de Rosa das Dores Oliveira da Gama de Carvalho, natural de Faro. Fez a Instrução Primária no Colégio de Santa Maria, em Lisboa. Entre 1917 e 1925 estudou no Liceu Gil Vicente. Em 1925 matriculou-se no Curso Preparatório de Engenharia Militar da Faculdade de Ciências. Em 1928 mudou-se para o Porto, onde se matriculou no curso de Ciências Físico-Químicas, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, que concluiu em 1931. Licenciou-se em Ciências Físico-Químicas pela Universidade do Porto e dedicou-se ao ensino liceal, tendo sido professor metodólogo. Publicou estudos versando temas científicos, história da ciência e de instituições culturais, como “História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa”, de 1959, “O Sentido Científico em Bocage”, de 1965, “História do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra”, de 1978, “Relações entre Portugal e a Rússia no Século XVIII”, de 1979, e “A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos Séculos XVIII e XIX”, de 1981. Poeta com o pseudónimo de António Gedeão, surgiu com “Movimento Perpétuo”, de 1959. Reuniu toda a sua obra poética em “Poesias Completas”, de 1968, tendo publicado depois “Pemas Póstumos”, de 1983. Levou a ironia e o rigor científico aos moldes clássicos, dotando-os de frescura e certo sentido cósmico. Alguns dos seus textos poéticos foram aproveitados para músicas de intervenção, sendo os mais conhecidos a “Pedra Filosofal” e “Lágrima de uma Preta”. Em 1963, publicou a peça de teatro RTX 78/24 (1963) e, dez anos depois, a sua primeira obra de ficção, “A Poltrona e outras Novelas” (1973). No seu nonagésimo aniversário, António Gedeão foi alvo de uma homenagem nacional, tendo sido condecorado com a Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada. Obras principais: Poesia: Movimento Perpétuo, (1956); Teatro do Mundo, (1958); Máquina de Fogo, (1961); Linhas de Força, (1967); Poesias Completas, (1968, 7ª edição, 1978); Poemas Póstumos, (1983). Ficção: A Poltrona e outras Novelas, (1973). Teatro: RTX 78/24, (1963). Ensaio: História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa, 1761-1772, (1959); Apontamentos Sobre Martinho de Mendonça de Pina e Proença, 1693-1743, (1963); O Sentido Científico em Bocage, (1965); História do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra, (1978); Relações Entre Portugal e a Rússia no Século XVIII, (1979); A Actividade Pedagógica da Academia das Ciências de Lisboa nos Séculos XVIII e XIX, (1981); A Física Experimental em Portugal no Século XVIII, (1982); A História do Ensino em Portugal, (1986); A Astronomia em Portugal no Século XVIII, (1990). Obras de divulgação para jovens: Cadernos de Iniciação Científica, (volumes 1 a 8, 1979-1986); A História dos Balões, (1991).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia de Caparica); da Amadora; do Barreiro (Freguesia de Santo António da Charneca); de Beja; Cascais (Freguesias de Alcabideche, Cascais e São Domingos de Rana); de Chaves; de Coimbra; de Faro; de Gondomar (Freguesia de Fânzeres); de Lisboa (Freguesia de Marvila); de Matosinhos (Freguesia de Custóias); de Montemor-o-Novo; do Montijo; de Palmela (Freguesias de Palmela, Pinhal Novo e Quinta do Anjo); de Portimão; de Santarém (Freguesia de Amiais de Baixo); do Seixal (Freguesia de Corroios); de Setúbal; de Sintra (Freguesias de Queluz (Rua Rómulo de Carvalho), Rio de Mouro); de Vila Franca de Xira (Freguesia do Forte da Casa); e de Viseu.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Coordenação de Ilídio Rocha, Edição de Julho de 200, Pág. 263 e 264)

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, 2008, Pág. 134).

 

“Personalidades brasileiras na Toponímia Nacional”

Existe em Lisboa, uma Praça designada por João do Rio, que por acaso tem um pequeno, mas bonito Jardim, mas, quantos serão, daqueles que já desfrutaram do Jardim, saberão quem foi João do Rio?

 

Aqui ficam alguns dados biográficos deste Escritor e Jornalista brasileiro.

 

joao-do-rioJOÃO DO RIO é o pseudónimo de João Paulo Emílio Cristóvão dos Santos Coelho Barreto, natural do Rio de Janeiro (Brasil), nasceu a 05-08-1881 e faleceu a 23-06-1921. Foi um Escritor e Jornalista carioca, que entre vários pseudónimos que usou ficou mais conhecido com o de João do Rio, tendo nos seus quase 40 anos de vida publicado 20 volumes de contos e crónicas, sendo de destacar a rapidez da sua escrita e o seu talento de cronista da cidade, assumindo o art nouveau brasileiro. São obras suas As Religiões no Rio  (1905), A Alma Encantadora das Ruas  (1908), A profissão de Jacques Pedreira  (1910) ou Dentro da Noite (1910).

Ainda sob diversos pseudónimos, Paulo Barreto colaborou entre 1900 e 1903 com vários órgãos da imprensa carioca como O Paiz, O Dia, Correio Mercantil, O Tagarela e O Coió, tendo sido em 1903 que fez nascer João do Rio na Gazeta de Notícias, onde permaneceu até 1913.

Em Portugal, Paulo Barreto colaborou na revista Serões (1901-1911) e, com Graça Aranha dirigiu no Rio de Janeiro a revista Atlântida (1915 – 1920), enquanto em Lisboa eram directores João de Barros e Nuno Simões. Esta revista mensal, tal como a Orpheu, comemorou em 2105 o seu centenário, mas ao contrário da de Fernando Pessoa perfilhava um programa mais de conciliação do que de inovação.

Refira-se ainda que em 1920, Paulo Barreto fundou o jornal A Pátria, no qual procurou defender os interesses dos poveiros, pescadores portugueses oriundos sobretudo da Póvoa de Varzim que abasteciam de pescado o Rio de Janeiro e que, nessa época, se viram a braços com uma lei de nacionalização do governo brasileiro, que obrigava à naturalização para continuarem na profissão, não sendo assim de estranhar que a Póvoa de Varzim também tenha um arruamento denominado Rua Paulo Barreto.

Promoveu uma campanha para a aproximação dos povos de Portugal e do Brasil. O seu nome encontra-se consagrado na toponímia da cidade de Lisboa, Praça João do Rio, onde se encontra, um medalhão, por iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, inaugurado em 03-05-1950, uma obra de Álvaro de Brée.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Praça João do Rio, Freguesia do Areeiro, Edital de 29-07-1948); Póvoa de Varzim (Rua Paulo Barreto).

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

“Personalidades vinculadas aos CTT”

CTTPeríodo de 1606 a 1797, O Ofício do Correio-Mor, Propriedade da Família Mata.

 

6o-cooreio-mor-do-reinoANTÓNIO GOMES DA MATA Coronel, foi o 6º Correio-Mor, exerceu o cargo de 1607 a 1641. António Gomes da Mata Coronel, nasceu em Lisboa, em data que não foi possível apurar e faleceu a 30 de Dezembro de 1641. Era filho de Luís Gomes da Mata (5º Correio-Mor) e de D. Branca Antónia de Elvas.

Casou duas vezes; a primeira com D. Isabel Barbosa, e a segunda com D. Maria de Abranches, filha de D. João de Abranches, Senhor do Morgado de Almada, Comendador de Gondomar; e, não deixando descendência, foram os sobrinhos herdeiros da magnífica casa.

Sucedeu a seu pai no ofício de Correio-Mor, para a compra do qual havia concorrido com os 30.000 cruzados que o Rei lhe devia, e como a venda do mesmo ofício lhes fora feita sob o domínio dos Filipes, António Gomes da Mata obteve, depois da Restauração da Independência de Portugal, que D. João IV, por carta de 28 de Junho de 1641, lhe confirmasse a doação do lugar.

Mercê dos largos negócios a que se entregou, foi um dos portugueses mais endinheirados naquele tempo, e viveu com grande opulência no seu palácio de S. Mamede, onde abundavam tapeçarias, pratas e jóias de preço.Como homem riquíssimo, o seu nome aparece em todas as ocasiões que acontecimentos alegres ou desastrosos do País impõem a necessidade de reunir alguns milhares de cruzados.

Quando da subscrição organizada em 1624, para fazer face à despesa das operações militares de libertação da Cidade da Baía (Brasil), que os holandeses ocupavam, subscrição encabeçada pelo nome riquíssimo Duque de Bragança (pai do futuro Rei D. João IV) António Gomes da Mata inscreveu-se com 800$000 réis, quantia elevadíssima para aquela época.

Fez prova de nobreza, como descendente de Fernão Peres Coronel, de Segóvia, pelo que lhe foi passada carta de brasão de armas dos Matas e Coronéis, em 17 de Maio de 1634.

Foi fidalgo da Casa de El-Rei e uma das pessoas notáveis que esperaram Filipe II na fronteira do Caia, quando este monarca veio a Portugal, em 1619.

António Gomes da Mata, possuidor de grande fortuna, fez grandes doações, aos seus familiares e a algumas instituições. Entre essas piedosas doações; as Igrejas de São Mamede e Santo António de Lisboa; o Convento da Graça, o seu Jardim na Luz, a Carnide, para as Religiosas Carmelitas Descalças fundarem um Mosteiro etc. O Convento foi fundado, em 1642, pela Madre Micaela Margarida, filha do Imperador da Alemanha e sobrinha de D. João IV, em terrenos doados dois anos antes, por António Gomes da Mata, Correio-Mor do Reino. A casa religiosa recebeu, em 1650, a Infanta D. Maria, de tenra idade, com o propósito de ali ser educada, acabando por vestir o hábito das Carmelitas, no ano da morte do seu pai. A esta Infanta se deveu um novo impulso e conclusão das obras da parte conventual e da igreja (entre 1663 e 1667), assim como a ornamentação de todo o edifício com diversas pinturas, peças de ourivesaria e alfaias. Aqui se recolhiam muitas donzelas e viúvas pertencentes a famílias da nobreza da época e, depois da extinção das ordens religiosas, em 1834, permaneceu como recolhimento religioso até à morte da última freira em 1881. Actualmente, funciona como lar da terceira idade.

Todos estes legados pios, bem como a longa lista de deixas a parentes, capelães, amigos e servidores, no número dos quais figuram alguns empregados do Correio, saíram todos da suas fortuna livre, sem encargos para o morgado que recebera de seu pai e a que adicionou os morgados herdados de seus irmãos Pedro e Duarte e ainda um outro que instituiu.

Todos os quatro englobados num só, transmitiu-os a seu sobrinho Luís Gomes da Mata, juntamente com o cargo de Correio-Mor.

Tão grande era, porém, a sua fortuna além desses morgados, que depois de pagas e satisfeitas todas as obrigações testamentárias, ficou ainda um notável remanescente, composto de juros, casas, propriedades de raiz, jóias, diamantes e pérolas, dívida e penhores, de cujo usufruto instituiu universal herdeiro seu sobrinho, o Dr. Duarte Gomes da Mata, e da propriedade, em partes iguais, vinculadas em morgados, três sobrinhos seus. Um destes, António Gomes da Mata de Vasconcelos, neto de sua irmã D. Brites da Mata Coronel, e filho de Mem Rodrigues de Vasconcelos, pouco gozou da generosidade do tio, porque, algum tempo depois, foi morto com uma pedrada nas ruas da Cidade de Elvas, onde residia.

Muita gente se convenceu que essa morte fora instigada pelo irmão mais velho, André de Azevedo de Vasconcelos, por alcunha o Fole, para lher herdar o morgado, o que conseguiu depois de porfiadas demandas. Este André de Azevedo, pessoa muitíssimo rica de haveres e honrarias, mas, ao que parece, pobre de escrúpulos, a quem o tio igualmente havia contemplado no testamento, foi fugurante de um dos muitos episódios das nossas Campanhas da Restauração.

Ea Fole Governador Militar de Castelo de Vide e do Crato, quando o exército de D. João de Áustria se apresentou diante desta última praça, intimando-o a render-se. Tinha ele ali 800 infantes auxiliares e de ordenanças, que dispôs para defesa; porém, logo aos primeiros tiros os paisanos desampararam as muralhas; e quando alguns clérigos e frades começaram a tratar da capitulação, os castelhanos irromperam pela Vila, praticando violências. André de Azevedo e o seu Sargento-Mor Gonçalo Gonçalves de Chaves foram condenados à morte, por terem esperado as baterias de artilharia num lugar sem defesa, o que era contra as leis da guerra; mas alguns oficiais castelhanos, que haviam sido prisioneiros de André de Azevedo, quando da Batalha das Linhas de Elvas, e por ele tratados com atenções, intercederam em seu favor, e só o pobre Sargento-Mor foi arcabuzado.

Este Convento tem uma história. Madre Micaela Margarida de Santana, Carmelita Descalça no Convento das Albertas de Lisboa, filha natural do Imperador Matias da Alemanha, animada do piedoso desejo de dilatar o campo de actividade espiritual da sua Ordem, concebeu a ideia de fundar uma nova Casa Carmelita nas proximidades da Capital, e para isso falou à Duquesa de Mântua, D. Margarida de Áustria, Governadora de Portugal nesse ano de 1637, a qual carinhosamente acolheu os propósitos da Freira sua parenta e lhe prometeu o auxílio do seu valimento na obtenção das licenças régias e canónicas necessárias à nova fundação monástica. Não foi, contudo, fácil a tarefa obtê-las, pois a resistência que a Corte de Madrid opôs a tais pretenções, custou a Madre Micaela, um forte punhado de ouro; e quando alfim, afastados todos os embaraços, o coração lhe transbordava de alegria pela chegada da decantada autorização real, novos contratempos a forçam a não aceitar a casa e quinta que uma devota havia já oferecido para a instalação do novo Convento.

Outro devoto, Ambrósio de Sequeira Torres, acorre a salvar a situação, oferecendo uma casa e quinta em Benfica; mas, para utilizá-la, era frçoso fazer os muros da clausura e outros trabalhos de adaptação orçados em 1.000 cruzados, que a delosada Freira não tem, porque as suas reservas, as que possuía, consumira-as na compra das boas vontades da Corte de Madrid.

Restava-lhe apenas o recurso de esmolar entre as pessoas piedosas. Nesta conjuntura, inspirada por alguém de bom conselho, escreve ao riquíssimo Correio-Mor, a implorar-lhe auxílio, e com tanto acerto o faz, que este, excedendo a expectativa da mística Freira, oferece-lhe para a instituição do Convento um formoso e agradável jardim e uma das melhores casas de campo que para recreação e regalo havia nos contornos de Lisboa.

Entusiasmada a Duquesa de Mântua com a generosidade da dádiva, quer ir em pessoa, acompanhada das suas damas, verificar as condições que oferece a linda vivenda de Carnide; e como nesta ocasião António Gomes da Mata, retido no leito por doença, não pode acompanhar a Princesa na visita, delega em seu sobrinho, Cónego Duarte Gomes da Mata, o encargo de recebê-la com aquelas honras que a hierarquia da visitante exigiam e a prosápia dos Matas impunham. Do encargo se desempenhou o Cónego com tal galhardia, que Sua Alteza, ao regressar a Lisboa, louva Micaela Margarida não só as belezas do sítio, mas também a fidalguia com que fora recebida.

Tudo eram alegrias e louvores, quando uma nova dificuldade veo encher de nuvens o céu de felicidade em que se moviam todas estas piedosas almas; o Correio-Mor condicionava a oferta com a cláusula de que lhe seria permitido gravar as suas armas nas portadas do Convento para testemunho perpétuo da doação; e os Prelados da Ordem, alegamdo que isso traria como consequência a dificuldade de obter de futuro um padroeiro para o Convento, recusaram-lhe esse direito. Em troca ofereceram-lhe uma missa quotidiana por sua intenção, mas Gomes da Mata, apesar de piedoso, espiçado nos brios, insiste no seu propósito e não cede nem mesmo quando lhe oferecem o direito de apresentação de duas Freiras de véu preto, ameaçando cessar todos os entendimentos.

Chegado, por fim, a acordo com o Correio-Mor, acomodavam-se já as casas à clausura, quando se deu a Restauração do 1º de Dezembro de 1640, o que determinou nova aflição para a fundadora.

Solicita, porém, a ratificação da licença concedida pelo rei castelhano, D. João IV não põe obstáculo e confirma a instituição por decreto de 07 de Outubro de 1641.

A 25 de Março seguinte benze-se a Igreja, e a 30, três meses precisos após a morte do doador, ,Madre Micaela Margarida de Santana e mais seis companheiras instalam-se definitivamente na casa e jardim dos Matas, transformado no Convento de Santa Teresa.

Fonte: “Dos Correios-Mores do Reino aos Administradores Gerais dos Correios e Telégrafos”, (De Godofredo Ferreira, 2ª Edição, revista e aumentada, Lisboa, 1963)

Bibliografia: “Assistentes do Correio-Mor do Reino em Viseu”, (por Godofredo Ferreira, Edição dos CTT, Lisboa 1960)

Fonte: “Velhos Papéis do Correio”, (de Godofredo Ferreira, Editado pelos CTT, Edição de 1949)