Archive for Dezembro, 2015|Monthly archive page

Amélia Carvalheira, Escultora de Presépios, faz hoje 17 anos que nos deixou

 

Avenidas Novas 0001.JPGMaria AMÉLIA CARVALHEIRA da Silva, Escultora, nasceu na Freguesia de Gondarém (Vila Nova de Cerveira), a 05-09-1904, e faleceu em Lisboa, a 31-12-1998. Filha de José António Silva e de Perpétua Maria de Jesus Costa Carvalheira.

Até 1950 assinou as suas obras com o pseudónimo Quinha. Com a estátua São João de Deus recebeu, em 1949, o Prémio Manuel Pereira.

Fez exposições individuais em 1949 e 1985. Participou na I Bienal de São Paulo, na exposição comemorativa de São Francisco Xavier realizada em Goa, em 1952, e noutras que tiveram lugar no Brasil e em Moçambique. Dedicada sobretudo à escultura religiosa, são plenas de singeleza e graças as suas interpretações de Nossa Senhora de Fátima, como a que se encontra no Seminário da Torre, em Soutelo (Vila Verde).

É no entanto em Fátima que o seu trabalho e o seu talento atingem uma maior notoriedade e visibilidade, sobretudo nas seis estátuas na Colunata de Fátima, sendo elas “Santa Teresa de Ávila”, “São João da Cruz”, “São Simão Stock”, “Santo Afonso Maria de Legória”, “Santo Inácio de Loyola” e “São Francisco de Sales”, em mármore e com cerca de dois metros e meio de altura, além de diversas outras na Capela do Verbo Divino e nos Valinhos, em Fátima, e da estátua do beato Nunes na fachada da Igreja de Santo Condestável, em Lisboa.

Em Linhó (Sintra), na Casa das Irmãs Doroteias podemos encontrar um “São José e o Menino” em mármore, com metro e meio de altura, existem trabalhos seus noutros locais, como: Pinheiro da Cruz, na Colónia Penal, em Coimbra, em Faro, no Porto, etc. Na via pública de Gondarém, terra que a viu nascer, podemos observar um “Cruzeiro” e uma “Nossa Senhora das Três Ave-Marias”, ambas em bronze e um baixo-relevo denominado “Os Emigrantes”. Ainda em Gondarém, mas na capela, um “Presépio” miniatura e uma “Via-Sacra”. A marcar a sua residência ficou um “São José”, em pedra.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de ex-Nossa Senhora de Fátima, actual Freguesia das Avenidas Novas, Edital de 23-09-2004), Vila Nova de Cerveira (Freguesia de Gondarém).

Fonte: “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 28, Pág. 827)

Fonte: Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág.  129 e 130).

Nota: “Placa Toponímica” respeita à designação existente na Freguesia das Avenidas Novas, antiga Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, em Lisboa).

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Ilda Aurora, a primeira mulher a ser Meteorologista em Portugal

“Os Esquecidos da História”

Ilda Aurora, Engenheira Geógrafa, se fosse viva, faria hoje 97 anos, foi a primeira mulher, em Portugal, a ser Meteorologista em Portugal. Dirigiu e ajudou a criar a Estação Meteorológica de Pedras Rubras.

 

Aqui fica uma pequena homenagem, para dar a conhecer aos que não sabem e, lembrar, aos que tendo sabido, já esqueceram.

Ilda AuroraILDA AURORA Pinheiro de Moura Machado, nasceu no Porto, a 30-12-1918, e faleceu em Lisboa, a 11-05-2000. Filha de Belmira Cardoso Pinheiro e de António dos Santos Moura, ambos Professores Primários. Depois de cursar a Escola Primária com os pais, frequentou o Liceu Carolina Michaelis, no Porto, que naquela altura apenas admitia meninas. No final do curso liceal recebeu o prémio anualmente atribuído aos melhores alunos. Ao mesmo tempo frequentava o Conservatório de Música que, por sua vez, aceitava meninos e meninas, vindo a completar os cursos de Canto, Piano e Composição com elevadas composições. Ao terminar o liceu, inscreveu-se na Faculdade, na Universidade do Porto, onde fez os primeiros três anos de Matemática. Transferiu-se, depois, para a Universidade de Coimbra, onde concluiu as licenciaturas em Matemática e Engenharia Geográfica. Entretanto, formou-se também em Ciências Pedagógicas.

Aos 22 anos de idade, após a conclusão do Curso de Música, obteve uma bolsa de estudo para prosseguir a carreira musical como cantora em Itália. Todavia, as guerras que alastravam a Europa impediram-na de concretizar esse sonho.

O início da sua vida profissional foi muito dificultado. Viu a admissão ser-lhe recusada em varias instituições, alegando os motivos mais diversos, desde o facto de possuir habilitações a mais, ou simplesmente por não serem admitidas mulheres. Após várias diligências consegiu um lugar para dar aulas de Matemática no Colégio de Nossa Senhora de Lurdes, no Porto.

Tornou-se membro do Sindicato dos Engenheiros Geógrafos e, posteriormente, foi contactada para chefiar uma equipa na Empresa Nacional de Estudos Técnicos, com sede em Lisboa, que se ocupava do levantamento topográfico das vilas e cidades portuguesas. Os quadros dessa empresa eram constituídos só por homens, e incluía aviadores que fotografavam os locais e desenhadores especializados que, com base nos dados recolhidos, faziam a concepção dos mapas. Devido à guerra a empresa fechou e, Ilda Aurora que vivia no Colégio das Doroteias, em Lisboa, passou a viver só de algumas explicações que dava no seu alojamento das Doroteias.

Ilda Aurora deslocou-se à Direcção Geral da Aeronáutica Civil onde lhe foi permitido frequentar um estágio dirigido a Meteorologistas a decorrer na Faculdade de Ciências de Lisboa. Assim iniciou a carreira profissional como Meteorologista, tendo permanecido como primeira e única Meteorologista em Portugal durante 17 anos. Em 1946, ao ser criado o Serviço Metereológico Nacional, foi transferida para a cidade do Porto, com a finalidade de organizar a Estação Metereológica de Pedras Rubras, na qual se manteve até 1951.

De novo em Lisboa, continuou o seu percurso profissional, tendo assumido, a partir de Janeiro de 1983, o cargo de Chefe de Divisão de Meteorologia Marítima no Instituto de Meteorologia e Geofísica. Aposentou-se em 1997, quando contava 70 anos de idade.

Ilda Aurora integrava o Grupo Coral “O Tempo Canta”, do Instituto, para cuja fundação, em Maio de 1986, dera um importante contributo. Ilda Aurora é autora das seguintes obras: Estudo das Probabilidades de Poluição do Estuário do Sado pelos esgotos da Fábrica da Socel (2 volumes, 1961); O Clima em Portugal – Características do Clima da Costa de Portugal de Interesse para a Navegação Marítima (co-autoria), Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica, Lisboa, 1988

Fonte: “Dicionário no Feminino, Séculos XIX-XX”, (Direcção de Zília Osório de Castro e João Esteves; Coordenação de António Ferreira de Sousa, Ilda Soares de Abreu e Maria Emília Stone, Editado por Livros Horizonte, Edição de Março de 2005, Pág. 401 e 402)

Faz hoje 100 anos que a Escritora Cláudia de Campos faleceu

 

Cláudia de Campos, Escritora, Jornalista e Feminista, merece ser lembrada no centenário da sua morte.

Cláudia camposCláudia de Campos, Escritora, nasceu em Sines, a 28-01-1859, e faleceu em Lisboa, a 30-12-1916. Filha de Francisco António de Campos, Industrial, que a mandou educar no estrangeiro (Inglaterra), e Maria Augusta da Palma de Campos. Pertencendo a uma rica família alentejana, foi educada em Inglaterra, facto que muito marcou todos os seus gostos e preferências literárias e que constituiu também, segundo o seu ponto de vista, uma espécie de defeito. Integrou os movimentos pacifistas e feministas da 1ª década do Século XX, tendo feito parte, em 1906, da direcção da Secção Feminista da Liga Portuguesa da Paz e, em finais desse mesmo ano, foi eleita Vogal do Comité Português da agremiação francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes.

Escritora Siniense, figura famosa da cultura de Sines, na sua época teve uma projecção considerável na sociedade lisboeta, privou com figuras ilustres e aristocratas das mais conceituadas famílias, como o Duque de Albuquerque, seu grande admirador, tinha relações de amizade com nomes sonantes da Academia das Ciências de Lisboa e dos Salões Literários do Casino.

Colaborou no Almanaque das Senhoras (1892, 1893, 1896 e 1898); na revista A Sociedade de Futuro (1902-1904), onde foi biografada por Olga de Morais Sarmento da Silveira; no Jornal da Mulher, com um capítulo do estudo sobrfe Shelly; e no Jornal das Senhoras (1904-1905). Usou os pesudónimos de Carmen Silva e de Colette.

Foi intelectual inovadora e ensaísta, tendo-se estreado com o volume de pequenos contos »Rindo«, (contos, 1892); a que se seguiram, »O Último Amor«, (romance, 1892); »Mulheres«, »A Esfinge« , »A Baronesa de Stael, »O Duque de Palmela«, e o polémico »Elle«, livro cujos personagens, citando o Doutor Arnaldo Soledade, analisados por doutos conhecedores da época, não passavam de figuras de Sines. Mulher de vasta erudição, interessou-se sobretudo pelos estudos ingleses, tendo deixado um manuscrito intitulado »Shelley«, poeta amigo do grande Lord Byron, nome maior das letras inglesas.

Faleceu em Lisboa, a 30 de Dezembro de 1916, como se tratasse duma desconhecida, devido a ter deixado de publicar e ao isolamento a que se impôs. A Semeadora, órgão da Associação de Propaganda Feminist<a, assinalou o facto, sublinhando que «as letras portuguesas acabam de perder uma grande Escritora e talvez por ser uma em vez de um, os jornais deram a notícia da sua morte em meia dúzia de palavras de chapa, junto aos anúncios das mortes de todos os anónimos» (A Semeadora, nº 20, p. 3, col. 3).

O nome de Cláudia de Campos faz parte da Toponímia de: Sines.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. III, Publicações Europa América)

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres”, (de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 193)

Fonte: “Dicionário no Feminino, Séculos XIX-XX”, (Direcção de Zília Osório de Castro e João Esteves; Coordenação de António Ferreira de Sousa, Ilda Soares de Abreu e Maria Emília Stone, Editado por Livros Horizonte, Edição de Março de 2005, Pág. 220 e 221)

O Escritor Alves Redol, se fosse vivo, faria hoje 104 anos de idade.

 

Alves Redol, grande Escritor do neo-realismo português, que antes do 25 de Abrilde 1974 estava  ostracizado, a sua obra merece ser lida (ou relida); aqui fica uma pequena biografia com os títulos das suas obras mais significativas.

Caxias 1345António ALVES REDOL, nasceu em Vila Franca de Xira, a 29-12-1911, e faleceu na Freguesia do Campo Grande (Lisboa), a 29-11-1969. Era filho de António Redol da Cruz e de Inocência Alves. Romancista e dramaturgo, expoente cimeiro do movimento neo-realista em Portugal, cujo início oficial há quem faça coincidir com a edição do seu primeiro romance, Gaibéus (1940), descrição da vida e da luta das gentes do Ribatejo. Para além das temáticas e da abordagem socializante das suas obras, Alves Redol é em si mesmo uma personagem exemplar num movimento literário cuja ambição maior era fazer uma arte do povo para o povo: filho de um pequeno comerciante ribatejano que lhe consegue dar, como máxima habilitação literária, um curso comercial feito em Lisboa, embarca com cerca de 17 anos de idade para Angola, tendtando aliviar a crise financeira familiar. Depois de três anos de dificuldades, desemprego prolongado, doença, volta à Metrópole, onde acaba por encontrar um emprego em Lisboa, fazendo todos os dias o caminho de ida e volta para Vila Franca de Xira. Ao longo da vida, a part do empenhamento sociopolítico e da sua prolífica carreira de escritor e homem de letras, as actividades profissionais irão variar entre o ramo editorial, o betão prefabricado, a publicidade. A sua obra, enquanto produto de um conceito de arte últil que visava promover o exame e a crítica das estruturas sociais, deixa, segundo Alberto Ferreira, «de se subordinar à forma e às categorias estéticas burguesas para proclamar a universalidade do conteúdo como elemento criativo de uma arte progressista». Talvez devido a esta relativa despreocupação formal, a imagem que críticos e historiadores da literatura dão de Alves Redol é a de um autor desigual nos seus empreendimentos literários. A opinião e o respeito são no entanto unânimes na apreciação da sua grande capacidade e rigor de observação, da sua autenticidade. Unânime é também o considerar Barranco de Cegos (1961) como a obra maior do autor, para além da importância inaugural de Gaibéus. Paradoxalmente, Barranco de Cegos constitui uma excepção na obra de Alves Redol, ao tomar por objecto a história de uma família de grandes proprietários ribatejanos, deixando em fundo as movimentações das massas populares.

Obras principais: Glória: Uma Aldeia do Ribatejo, (ensaio etnográfico, 1938); Gaibéus, (romance, 1940); Nasci com Passaporte de Turista, (contos, 1940); Marés, (romance, 1941); Avieiros, (romance, 1942); Fanga, (romance, 1943); Anúncio, (romance, 1945); Porto Manso, (romance, 1946); Forja, (tragédia, 1948); Horizonte Cerrado, (romance, Ciclo Port Wine, Prémio Ricardo Malheiros, 1949); Os Homens e as Sombras, (romance, Ciclo Port Wine, 1953); Olhos de Água, (1954); A Vida Mágica da Sementinha: Uma Breve História do Trigo, (infantil, 1956); A Barca dos Sete Lemes, (1958); Uma Fenda na Muralha, (romance, 1959); O Cavalo Espantado, (romance, 1960); Barranco de Cegos, (1961); Constantino, Guardador de Vacas de de Sonhos, (infantil, 1962); Histórias Afluentes, (1963); O Muro Branco, (romance, 1966); Teatro I (Forja e Maria Emília, 1966); Teatro II (O Destino Morreu de Repente, 1967); Teatro III (Fronteira Fechada, 1972); Os Reinegros, (romance, 1974, edição póstuma de um livro probido pela censura).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes; Albufeira; Alcácer do Sal; Almada (Cidade de Almada e Freguesias da Charneca de Caparica e Sobreda); Amadora; Azambuja (Vila da Azambuja e Freguesia de Maçussa); Barreiro (Cidade do Barreiro e Freguesias de Palhais e Santo António da Charneca); Beja; Benavente (Freguesia de Samora Correia); Cartaxo (Freguesias de Valda e Vila Chã de Ourique); Cascais (Freguesias de Alcabideche, Cascais e São Domingos de Rana); Castro Verde; Coimbra; Coruche (Freguesia do Couço); Entroncamento; Estremoz; Évora; Faro; Ferreira do Alentejo; Gondomar; Grândola; Lisboa (Freguesia de São João de Deus, Edital de 30-12-1974, era a antiga Rua Sinel de Cordes); Loures (Freguesias de Camarate, Loures, Santa Iria da Azóia, Santo António dos Cavaleiros, São João da Talha, São Julião do Tojal e Unhos); Maia; Mangualde; Marinha Grande (Marinha Grande e Vieira de Leiria); Matosinhos (Freguesia de Leça do Balio); Mértola; Moita (Freguesias de Alhos Vedros, Baixa da Banheira e Moita); Montemor-o-Novo; Montijo; Nazaré; Odivelas (Freguesias de Caneças, Famões, Odivelas, Póvoa de Santo Adrião e Ramada); Oeiras (Freguesias de Carnaxide, Caxias e Porto Salvo); Palmela (Freguesias de Palmela e Pinhal Novo); Ponte de Sôr (Freguesia de Foros de Arrão); Portimão; Porto; Sabugal; Salvaterra de Magos (Freguesias de Glória do Ribatejo e Marinhais); Santa Maria da Feira (Freguesias de Arrifana e Fiães); Santarém; Seixal ( Freguesias de Aldeia de Paio Pires, Amora, Corroios e Seixal); Serpa (Freguesia de Pias); Sesimbra (Freguesia de Quinta do Conde); Setúbal (Cidade de Setúbal e Azeitão); Sintra (Cidade de Agualva- Cacém e Freguesias de Algueirão-Mem Martins, Belas, Monte Abraão e Rio de Mouro); Tomar; Trofa (Freguesias de São Mamede do Coronado, São Martinho do Bougado e São Romão do Coronado); Valongo (Freguesia de Ermesinde); Vila Franca de Xira (Freguesias de Castanheira do Ribatejo, Forte da Casa, Póvoa de Santa Iria, São João dos Montes, Vialonga e Vila Franca de Xira); Vila Nova de Gaia; Vila Real de Santo António.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, Publicações Europa América, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Leituras, Coordenação de Ilídio Rocha, Edição de 1997, Pág. 472 e 473)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 441).

Nota: A “Placa Toponímica” é do Largo Alves Redol, em Caxias.

O Cineasta Fernando Lopes, se fosse vivo, faria hoje, 80 anos de idade.

Os Esquecidos da História

Fernando Lopes, grande Cineasta que, além do muito que fez pelo Cinema em Portugal, foi também o grande dinamizador do, então, chamado 2º Canal da RTP, bem se pode dizer que é mais um dos esquecidos da História, a juntar a muitos outros.

Aqui deixo uma sugestão para que, pelo menos em Alvaiázere, terra onde nasceu, Ourém, terra onde viveu e Lisboa, terra onde viveu e trabalhou, se possam lembrar de o consignar na Toponímia.

Fernando lopesFernando Lopes Marques, nasceu na Freguesia de Maçãs de Dona Maria (Alvaiázere), a 28-12-1935, e faleceu em Lisboa, a 02-05-2012. Fez a Escola Primária em Vila Nova de Ourém e, aos 12 anos, vem para Lisboa.

De origens humildes, Fernando Lopes começa a trabalhar nessa idade, estudando à noite. Tira o Curso Comercial e cursa o Instituto Industrial.

Interessou-se por cinema como espectador, sendo sócio do Cineclube Imagem. Ingressando na RTP em 1957, começou a ganhar experiência como assistente de montagem. Na qualidade de bolseiro do Fundo de Cinema Nacional, partiu para Londres, em 1959, onde aprendeu Realização na London School of Film Technique. Em 1960, realizou o seu primeiro trabalho, a curta-metragem As Pedras e o Tempo. Até 1963, permaneceu na RTP como realizador, ocupando-se também com publicidade. Em 1964, rodou o seu primeiro filme de fundo, Belarmino, tornando-se, a partir daí, um dos mais importantes cineastas da geração do Cinema Novo. Em 1965, efectuou um estágio em Hollywood durante três meses.

Fundou, juntamente com outros cineastas, a Média Filmes, onde produziu a sua segunda longa-metragem, Uma Abelha na Chuva, baseada num romance de Carlos de Oliveira e rodada em 1969.

Em 1970, Fernando Lopes foi o primeiro Presidente da Direção do Centro Português de Cinema e, em 1973, tornou-se director da revista Cinéfilo. Em 1979, começou a dirigir o departamento de co-produções internacionais da RTP.

Na sua filmografia, destacam-se: As Pedras e o Tempo (curta-metragem, 1961), As Palavras e Os Fios (1962); O Voo da Amizade, (1962); Belarmino (1964), Rota do Regresso, (1964); Vermelho, Amarelo e Verde, (1966); Uma Abelha na Chuva (1972), Nós por Cá Todos Bem (1978), Lisboa (1979), Crónica dos Bons Malandros (1984, um apreciável sucesso junto do público), Matar Saudades (1987), O Fio do Horizonte (1993), O Delfim (2001), Lá Fora (2004) e 98 Octanas (2006); Ela Por Ela, (2006); Os Sorrisos do Destino, (2009); Em Câmara Lenta, (2012).

Fonte: “Dicionário do Cinema Português (1962-1988), de Jorge Leitão Ramos, Editora Caminho, Pág. 228, 229 e 230”.

Fonte: “Fernando Lopes. In Infopédia [Em linha]. Porto: Porto Editora, 2003-2012. [Consult. 2012-05-12]”

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 309 e 310).

José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, se fosse vivo, faria hoje 114 anos.

Às vezes é preciso dizer:

Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
– Sei que não vou por aí!

(José Régio in “Poemas de Deus e do Diabo”)

Carnaxide 0039

I

JOSÉ RÉGIO é o pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, Escritor e Professor, natural de Vila do Conde, onde nasceu a 17-09-1901 e faleceu a 22-12-1969, e onde viveu até completar o quinto ano do liceu, após o que continuou a estudar no Porto. Era filho de José Maria Pereira Sobrinho e de Maria da Conceição dos Reis, ambos naturais de Vila do Conde. José Régio, pesudónimo de José Maria dos Reis Pereira, publicou, em Vila do Conde, nos jornais O Democrático e República, os seus primeiros versos.

Aos 18 anos, foi para Coimbra, onde se licenciou  em Filologia Românica (1925), com a tese »As Correntes e as Individualidades da Moderna Poesia Portuguesa«. Esta foi pouco apreciada, sobretudo pela valorização que nela fazia de dois poetas então quase desconhecidos, Mário de Sá-Carneiro e Fernando Pessoa. Esta tese, refundida, veio a ser publicada com o título »Pequena História da Moderna Poesia Portuguesa« (1941).

Com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões fundou, em 1927, a revista Presença (cujo primeiro número saiu a 10 de Março, vindo a publicar-se, embora sem regularidade, durante 13 anos), que marcou o segundo Modernismo português e de que José Régio foi o principal impulsionador e ideólogo. Para além da sua colaboração assídua nesta revista, deixou também textos dispersos por publicações como a Seara Nova, Ler, O Comércio do Porto e o Diário de Notícias. No mesmo ano iniciou a sua vida profissional como Professor de Liceu, primeiro no Porto (apenas alguns meses) e, a partir de 1928, em Portalegre, onde permaneceu mais de trinta anos. Só em 1967 regressou a Vila do Conde, onde morreu dois anos mais tarde.

Participou activamente na vida pública, fazendo aprte da comissão concelhia de Vila do Conde do Movimento de  Unidade Democrática (MUD), apoiando o General Norton de Matos na sua candidatura à presidência da República e, mais tarde, a candidatura do General Humberto Delgado. Integrou ainda a Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (CEUD), nas eleições de 1969.

Como escritor, José Régio dedicou-se ao romance, ao teatro, à poesia e ao ensaio. Centrais, na sua obra, são as problemáticas do conflito entre Deus e o Homem, o indivíduo e a sociedade, numa análise crítica das relações humanas e da solidão, do dilaceramento interior perante a relação entre o espírito e a carne e a ânsia humana do absoluto. Levando a cabo uma auto-análise e uma introspecção constantes, a sua obra é fortemente marcada pelo tom psicologista e, simultaneamente, por um misticismo inquieto que se revela em motivos como o angelismo ou a redenção no sofrimento. A sua poesia, de grande tensão lírica e dramática, apresenta-se frequentemente como uma espécie de diálogo entre níveis diferentes da consciência. A mesma intensidade psicológica, aliada a um sentido de crítica social, tem lugar na ficção. Como ensaísta, dedicou-se ao estudo de autores como Camões, Raul Brandão e Florbela Espanca.

Na revista Presença assinou um edictorial »Literatura Viva«, que constituiu uma espécie de manifesto dos autores ligados a este órgão do segundo Modernismo português, defendendo a necessidade de uma arte viva e não livresca, que reflectisse a profundidade e a originalidade virgens dos seus autores.

Estreou-se, em 1925, com o volume de poesia »Poemas de Deus e do Diabo«, a que se seguiram »Biografia«, (1929, poesia), »Jogo da Cabra-Cega«, (1934, primeiro romance), »As Encruzilhadas de Deus«, (1936, livro de poesia e tido como a sua obra-prima), »O Primeiro Volume de Teatro«: »Jacob e Anjo e Três Máscaras«, (1940), »Davam Grandes Passeios aos Domingos«, (novela publicada em 1941 e incluída, em 1946, em Histórias de Mulheres), »Fado«, (1941, livro de poesia com desenhos do irmão Júlio, principal ilustrador da sua obra), »O Príncipe com Orelhas de Burro«, (1942, romance), »A Velha Casa«, (obra inacabada, mas de que chegaram a sair os volumes Uma Gota de Sangue, em 1945, As Raízes do Futuro, em 1947, Os Avisos do Destino, em 1953, As Monstruosidades Vulgares, em 1960 e As Vidas São Vidas, em 1966), »Mas Deus é Grande«, (1945, poesia), »Benilde ou a Virgem-Mãe«, (1947, peça de teatro adaptada ao cinema, em 1974, por Manoel de Oliveira), »El-Rei Sebastião«, (1949, poema espectacular em três actos), »A Salvação do Mundo«, (1954, trágicomédia em três actos), »A Chaga do Lado«, (1954, sátiras e epigramas), »Três Peças em Um Acto: Três Máscaras, O Meu Caso e Mário ou Eu Próprio-O Outro«, (1957). »O Filho do Homem«, (1961), «Há Mais Mundos«, (1962, livro de contos, pelo qual recebeu o Grande Prémio de Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores), »Cântico Suspenso«, (1968, poesia), e, a título póstumo, »Música Ligeira«, (1970, poesia), »Colheita da Tarde«, (1971, poesia), e »Confissão Dum Homem Religioso«, (1971, obra de reflexão). Na sua obra ensaística, destacam-se ainda os »Três Ensaios Sobre Arte«, (1967), que reúnem textos publicados anteriormente, e »Páginas de Doutrina e Crítica da Presença«, recolha feita por Alberto Serpa, relativamente à colaboração de José Régio na Presença (1977). Partilhou ainda, com o irmão Júlio, o gosto pelas artes plásticas, tendo chegado a desenhar uma capa para a Persença  e feito os oito desenhos que, a partir da 5ª edição, ilustram os »Poemas de Deus e do Diabo«. É considerado, por alguns, como um dos vultos mais significativos da moderna literatura portuguesa. Recebeu, em 1961, o Prémio Diário de Notícias e, postumamente, em 1970, o Prémio Nacional de Poesia, pelo conjunto da sua obra poética. As suas casas de Vila do Conde e de Portalegre são hoje Museus.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Abrantes; Albufeira; Alcochete (Freguesia de São Francisco); Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Amadora; Beja; Borba; Braga; Bragança; Cartaxo (Freguesia de Vila Chã de Ourique); Cascais (Freguesias de Alcabideche, Carcavelos, Parede e São Domingos de Rana); Coimbra; Entroncamento; Évora; Fafe (Freguesia de Regadas); Gondomar (Freguesias de Rio Tinto e Valbom); Guimarães (Freguesia de Serzedelo); Lisboa (Freguesia de Marvila, Edital de 30-07-1997); Loures (Freguesias de Bobadela, Santão Antão do Tojal, Santo António dos Cavaleiros e Unhos); Maia; Mangualde; Marvão (Freguesia de Beirã); Matosinhos (Freguesia da Senhora da Hora); Moita (Freguesias de Alhos Vedros, Baixa da Banheira e Vale da Amoreira); Montemor-o-Novo; Odivelas (Freguesias de Famões, Odivelas e Ramada); Oeiras (Fregueasias de Carnaxide e Oeiras); Oliveira do Hospital; Ovar; Palmela (Freguesias de Palmela, Pinhal Novo e Quinta do Anjo); Ponte de Sor (Vila de Ponte de Sor e Freguesia de Foros de Arrão); Portalegre; Porto; Póvoa de Varzim; Santa Maria da Feira (Freguesias de Arrifana e Fiães); São João da Madeira; Seixal (Freguesias da Amora, Corroios, Fernão Ferro e Seixal); Setúbal (Cidade de Setúbal e Azeitão); Sintra (Freguesias de Agualva, Algueirão-Mem Martins, Massamá e Rio de Mouro); Trofa (Freguesias de São Mamede do Coronado, São Romão do Coronado e Trofa); Valongo (Freguesia de Ermesinde); Vila do Conde (Cidade de Vila do Conde e Freguesias de Arcos, Árvore, Mindelo, Retorta e Vilar de Pinheiro); Vila Franca de Xira (Freguesias de Alverca do Ribatejo, Póvoa de Santa Iria, Vialonga e Vila Franca de Xira); Vila Nova de Gaia.

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. IV, , Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Coordenação de Ilídio Rocha, Edição de Março de 1998, Publicações Europa América, Pág. 111, 112, 113, 114 e 115)

Fonte: “Quem É Quem Portugueses Célebres, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 441).

Luthgarda de Caires e o “Natal dos Hospitais”

lutgardaÀ semelhança dos anos anteriores, a RTP deverá transmitir hoje, o “Natal dos Hospitais”. É uma boa iniciativa que muito contribui para animar um pouco os doentes, nomeadamente os que estão internados, só é pena que, ao longo destes anos, em que o programa é transmitido, nunca ninguém tenha feito referência ao nome de Luthgarda de Caires, a pessoa que teve a iniciativa de criar o programa “Natal dos Hospitais”.

Aqui ficam alguns dados biográficos desta Senhora.

Luthgarda Guimarães de Caires, Escritora, nasceu em Vila Real de Santo António, a 15-11-1873, e faleceu em Lisboa, a 30-03-1935. Filha de Maria Teresa de Barros Guimarães e de José Rodrigues Guimarães. Órfã de mãe, casa muito cedo com um jovem de apelido Coelho, de quem tem a filha Clotilde, cuja morte precoce Luthgarda de Caires há-de chorar em poesia pela vida inteira. Luthgarda de Caires cedo revelara capacidades artísticas, dotada para a música, tocava harpa, cítara, violino, piano e órgão. Tinha dicção perfeita e uma voz maravilhosa, de timbre suave, que lhe permitia interpretar as mais variadas melodias, algumas expressamente escritas para si. Revoltada com o resultado de uma intervenção cirúrgica à garganta, que definitivamente a impossibilitou de cantar, diz-se que, sob esse sentimento, escreveu o romance O Doutor Vampiro (1923), cujo médico protagonista é retratado como a mais vil das criaturas. Outras obras: Glicínias, Papoilas (poesia), A Dança do Destino (contos), A Revolta (adaptação em verso de «par la Révolte» de Nelly Roussel), O Doutor Vampiro (romance), Pombas Feridas (poesia), A Bandeira Portuguesa (poesia), Sombras e Cinzas (poesia dedicada à memória de sua mãe e de sua filha Clotilde), Nossa Senhora de Lurdes (poesia), Árvores Benditas (poesia), Águas Passadas (poesia), A Lenda de Guiomar (prosa), O Vagabundo (poema lírico com música de Júlia Oceano Pereira), Palácio das Três Estrelas (literatura infantil), e Violetas (poesia). Em 1923 obteve o primeiro prémio nos Jogos Florais de Ceuta, com o poema «Florinha das Ruas», que se tornou a poesia preferida das declamadoras da época. Do Brasil, nas comemorações do Centenário da Independência 1922-1923, recebeu medalha de prata, pela totalidade da sua obra literária. Escreveu em vários jornais e revistas nacionais. Escreveu «Sinos da Aldeia», «Campina Alentejana», «Canção do Lar», e «Canção do Passado», poemas musicados pelo maestro italiano Alberto Sarti, que viveu alguns anos em Lisboa.

Convidada em 1911, pelo Ministro da Justiça, de então, a propor melhorias de carácter social, ocupou-se, em vários artigos, da situação jurídica da mulher e de problemas prisionais, neste último domínio conseguiu a abolição da máscara penitenciária e do regime do silêncio, bem como o aperfeiçoamento das condições higiénicas das prisões das mulheres. Interessava-se especialmente pelas crianças doentes internadas no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa. Para elas comprava e pedia brinquedos que regularmente lhes entregava.

Com o mesmo espírito de solidariedade, criou, em 1924, «O Natal dos Hospitais», que se mantém até aos nossos dias, sem que muitos artistas que nele participam, e dos espectadores que vêem os espectáculos pela televisão, saibam ou se lembrem que foi da generosidade e sentido de justiça de Luthgarda de Caires, que a ideia e a obra nasceram. Ela foi a precursora da Liga dos Amigos dos Hospitais.

De colaboração com Vieira Natividade e Virgínia Vitorino, escreveu a obra Inês.Para o Teatro, traduziu a peça em verso, de N. Roussell, intitulada: A Revolta. Fez o libreto da ópera Vagamundo, com a música de Rui Coelho, que foi levada à cena em 1914, e depois em 1931, com a música de D. Júlia Oceana Pereira, a favor dos Hospitais de Trás-os-Montes e do Aasilo de Cegos António Feliciano de Castilho.

Deixou por publicar, os seguintes manuscritos: Anoitecendo (versos); Árvores Benditas (prosa); Águas Passadas (novela); Lenda de Guimer (teatro) e Nossa Senhora de Lurdes (prosa).

Obras principais: Glicínias, (versos, 1910); Bandeira Portugeusa, (versos, 1910); Dança do Destino, (contos, 1911); Papoilas, (versos, 1912); Pombas Feridas, (versos e contos, 1914); Sombras e Cinzas, (versos, 1916); Doutor Vampiro, (romance, 1912); Violetas, (versos, 1922); Cavalinho Branco e Palácio das Três Estrelas, (literatura infantil, 1930).

Em 1931, foi agraciada pelo Governo com a Ordem do Oficialato da Benemerência.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Vila Real de Santo António (Freguesias de Vila Nova da Cacela e Vila Real de Santo António).

Fonte: “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 5, Pág. 416)

Fonte: “Quem Foi Quem?, 200 Algarvios do Século XX”, (de Glória Maria Marreiros, Edições Colibri, 1ª Edição Dezembro de 2000, Pág. 116, 117, 119 e 120))

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres, de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 185 e 186”

Thilo Krasmann, um alemão que muito contribuiu para o enriquecimento da cultura portuguesa, na Toponímia de Sintra.

Sintra 1258A cultura portuguesa, nomeadamente no campo musical, muito deve a este alemão, radicado desde a década de 50, bem merece ser lembrado.

Georg THILO KRASMANN, Músico, nasceu em Bremen (Alemanha), a 16-04-1933, e faleceu em Portimão, a 11-03-2004. Director de Orquestra, Orquestrador, Arranjador, Compositor e Multi-Instrumentista (acordeão, piano, harmónica, contrabaixo e baixo eléctrico).

Thilo Krasmann, foi um dos principais protagonistas no âmbito da música ligeira em Portugal, a par de Jorge Machado, Shegundo Galarza, José Calvário e Pedro Osório.

Os seus arranjor e orquestrações, a par das várias funções que desempenhou na Indústria Discográfica e na Televisão. Foram decisivos para o desenvolvimento da música ligeira em Portugal nas últimas quatro décadas do Século XX.

Filho de pais Pianistas, sendo a mãe Professora de Canto, Piano e Acordeão, foi a partir da observação das suas aulas que teve o primeiro contacto com a música.

Durante a II Guerra Mundial, devido aos intensivos bombardeamentos em Bremen, a sua família passou a residir numa pequena casa na província. A mãe recomeçou as lições de piano, escrevia música e formava e ensaiava grupos corais.

Por sua iniciativa, começou a aprendizagem de acordeão e piano em meados da década de 40. Após completar o Ensino Secundário, cerca de 1948, optou por escolher a carreira musical, pelo que ingressou no Curso de Professor de Acordeão da Academia Hohner, Escola do fabricante de instrumentos musicais sediada em Trössingen, mos arredores de Bremen. Durante este período colaborou na secção de partituras da Academia, i integrou vários grupos musicais que animavam bailes e festas particulares, tendo começado a tocar contrabaixo, instrumento pelo qual desenvolveu um interesse especial.

Datam também deste período os seus primeiros arranjos para um grupo que constituiu: o Thilo Krasmann Combo.

Em 1957, através do fabricante Hohner, surgiu a oportunidade de trabalhar no estrangeiro enquanto Professor dos instrumentos do fabricante, vindo a fixar-se em Lisboa, onde já residia Siegfried Sugg, um antigo colega da Academia, com quem colaborou como Professor de Acordeão na Escola Hohner até ao início da década de 60.

Posteriormente, desenvolveu uma estrutura de ensino na Loja de instrumentos musicais Gouveia Machado, destacando-se entre os seus alunos Raul Mendes.

Paralelamente, começou a tocar no Conjunto Hélder Martins (contrabaixo e acordeão), que actuava nas boites Canoa e Capa. A intensa actividade neste Conjunto levou-o a deixar o ensino, dedicando-se exclusivamente à prática de instrumentista, e iniciando a sua actividade como arranjador, o que foi determinante para a criação do seu próprio Conjunto, Thilo’s Combo (1962-1969). Com o grupo inaugurou a Boite Porão da Nau, onde actuou regularmente num período em que a  música gravada não era ainda utilizada nestes espaços.

Acompanhou também vários intérpertes (Mara Abrantes, Paula Ribas, António Calvário, Simone de Oliveira, Tony de Matos, Duo Ouro Negro, entre outros.

Em 1969, com a dissolução do Thilo’s Combo, integrou a equipa do telegrama televisivo Zip-Zip dirigindo uma pequena Orquestra, o que marcou o início do desenvolvimento de uma carreira como Director Musical, quer em programas de Televisão, quer na produção discográfica para as editoras Philips, Zip-Zip e Movirplay, constituindo grupos acompanhadores e eleborando arranjos e orquestrações para vários intérpretes (Paulo de Carvalho, Carlos Mendes, Adriano Correia de Oliveira, José Barata Moura, Francisco Fanhais, Tonicha, Carlos do Carmo, entre outros).

Da mesma forma que começou a ser solicitado para conceber e interpretar os momentos musicais de programas de Televisão, veio a desempenhar, devido à eficácia da sua produção musical, a função de consultor e produtor de vários programas televisivos como: Nicolau no País das Maravilhas (1975), onde se destacou a música da rábula Sr. Feliz e Sr. Contente (com textos de César de Oliveira), e A Feira (1977).

Em conjunto com Nicolau Breyner fundou a empresa independente Edipim, na Abrunheira (Sintra), estrutura que realizou o primeiro talk-show da Televisão Portuguesa, Directíssimo (1978), seguido por outros programas como Tal & Qual (1979) e Eu Show Nico (1980). Este programa humorístico da autoria de César de Oliveira, Rogério Bracinha, Thilo Krasmann e Nicolau Breyner integrou a mininovela Moita Carrasco, uma sátira à hegemonia das telenovelas brasileiras, que constituiu o embrião da primeira telenovela portuguesa, Vila Faia (1982), concebida pela Edipim.

Enquanto orquestrador venceu sesis edições do Festival RTP da Canção (1976, 1978, 1979, 1994, 1995 e 1997), o que o tornou um dos orquestradores com maior sucesso no evento, para o qual arranjou e orquestrou de zenas de canções.

De 1995 a 2003 fez parte dos corpos gerentes da Sociedade Portuguesa de Autores, primeiro como membro suplente da Direcção para a área da música, e depois como membro do Conselho Fiscal.

Thilo Krasmann encontrava-se afastado da sua actividade há muito tempo devido a problemas de saúde e a viver em Portimão, ondre se encontrava a recupar de uma operação cirúrgica.

Recebeu o Prémio da Casa da Imprensa em 1970 pelo seu contributo para a valorização da música portuguesa.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Sintra (Freguesia de São Pedro de Penaferrim *).

Fonte: “Infopédia – Dicionários Porto Editora”

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 2º Volume, C-L, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 674, 675 e 676)

Nota: O nome de Thilo Krasmann, faz parte da Toponímia da Abrunheira, Freguesia de São Pedro de Penaferrim (Sintra), por proposta minha, para o arruamento onde estava a Edipim, que ainda não tinha nome. (18).

Sidónio Pais, o Presidente-Rei, faz hoje 97 anos que foi assassinado na Estação de Comboios do Rossio, em Lisboa.

sidonioSIDÓNIO Bernardino Cardoso da Silva PAIS, nasceu em Caminha, a 01-05-1872, e faleceu em Lisboa, a 14-12-1918. Era filho de Sidónio Alberto de Marrocos Pais (Escrivão de Direito e Tabelião) e de Rita Cardoso da Silva Pais, e irmão de Alberto da Silva Pais e de António da Silva Pais.

Concluiu o Liceu em Viana do Castelo e seguiu para Coimbra, em 1887, onde concluiu Matemática com brilhantismo, depois de concluir o Curso, na Universidade de Coimbra, leccionou, como Professor Catedrático, a disciplina de Cálculo Diferencial e Integral.

Iniciou a sua actividade política nos Parlamentos e nos Executivos da I República, sendo Ministro do Fomento e das Finanças entre 1911 e 1912. Passou vários anos em Berlim, onde foi Ministro de Portugal até 1916. Data dessa altura a sua simpatia pela Alemanha e a sua oposição à entrada de Portugal na I Guerra Mundial ao lado dos aliados.

Regressado ao País, liderou o golpe militar que levou o seu nome e que derrubou o Governo da União Sagrada, partidário do esforço de guerra português.

Instaurando uma Ditadura Militar, governou o país entre Dezembro de 1917 e Dezembro de 1918 sem, no entanto, debelar a crise em que o encontrou, nem conseguir resolver os problemas decorrentes da participação no conflito mundial. De forte vocação para a chefia carismática, Sidónio tentou criar um regime à sua medida, que designou por República Nova, por oposição à República Velha.

Sidónio Pais modifica a lei eleitoral, sem sequer se dar ao trabalho de consultar o Congresso e é eleito Presidente da República por sufrágio directo dos cidadãos eleitores, obtendo, em 28 de Abril de 1918, 470 831 votos. Foi proclamado em 09 de Maio do mesmo ano.

Num curto e conturbado consulado, promulgou legislação variada e introduziu o sufrágio universal, fazendo-se eleger Presidente da República em Abril de 1918.

Exerceu o poder de forma autoritária e repressiva, tendência que se acentuou à medida que cresceu a sua impopularidade, provocada pela crise económica e social e pelas nunerosas perdas de vidas portuguesas na frente de batalha europeia nesse ano de 1918 (na Batalha de La Lys).

Atraindo a oposição dos principais partidos republicanos, da imprensa e dos meios operários, a base de apoio do sidonismo enfraqueceu e deslocou-se cada vez mais para a direita monárquica e católica.

Publicou as obras Theoria dos Erros das Observações, Série de Números, e Força e Movimento. Pertenceu à Maçonaria, tendo sido iniciado, em 1911, na Loja Estrela de Alva com o nome simbólico de Carlyle mas abandonou os trabalhos maçónicos logo no ano seguinte.

Em 5 de Dezembro, Sidónio sofre um primeiro atentado, durante a cerimónia da condecoração dos sobreviventes do Augusto de Castilho, do qual consegue escapar ileso.

Não conseguiu escapar ao segundo, levado a cabo por José Júlio da Costa que o abateu a tiro, na Estação do Rossio, em 14 de Dezembro de 1918.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Barcelos; Beja (Freguesia de Cabeça Gorda); Bombarral (Freguesia de Vale Covo);  Cadaval (Freguesia da Vermelha); Caminha (Freguesias de Caminha e Vilarelho); Cascais (Freguesia de São Domingos de Rana); Castelo Branco; Figueira da Foz; Funchal; Gondomar; Lisboa (Freguesia de São Sebastião da Pedreira); Maia; Mangualde; Mirandela; Monforte (Freguesia de Vaiamonte); Murtosa; Nisa; Odivelas; Oeiras; Pinhel; Pombal; Ponte de Sôr (Freguesia de Foros de Arrão); Portimão; Porto; Santo Tirso (Freguesia de Roriz); Serpa (Freguesia de Pias); Sesimbra (Freguesia da Quinta do Conde); Sintra (Freguesias de Rio de Mouro e São Pedro de Penaferrim); Vila Flor; Vila Franca de Xira (Freguesia de Vialonga); Vila Nova de Gaia (Cidade de Vila Nova de Gaia e Freguesia de Pedroso); Vouzela.

Fonte: “Parlamentares e Ministros da 1ª Republica, (1910-1926”, (Coordenação de A. H. Oliveira Marques, Edições Afrontamento, Colecção Parlamento, Pág. 334 e 335)

Simões de Almeida (Tio), autor da Estátua ao Duque da Terceira, na Praça do mesmo nome, em Lisboa, faz hoje 89 anos que faleceu

Duque da TerceiraJosé SIMÕES DE ALMEIDA Júnior, Escultor, nasceu em Figueiró dos Vinhos, A 24-04-1844, e faleceu em Lisboa, A 13-12-1926. Era vulgarmente conhecido por Simões de Almeida (Tio).

Concluído o Curso na Escola de Belas-Artes de Lisboa, em 1865, estagiou em França até 1870 e em Roma de 1870 a 1872. Professor de Desenho na Escola de Belas-Artes de Lisboa, formou uma notável plêiade de artistas. Entre as suas obras avulta a estátua Puberdade, premiada em Paris, de linhas suaves e emotiva graciosidade. O seu Anjo da Vitória, no Monumento aos Restauradores, em Lisboa, foi considerado por Ribeiro Cristino a mais bela estátua feminina portuguesa. É autor de diversas obras monumentais, como a de José Estevão, em Aveiro, e a do Duque da Terceira, em Lisboa.

Outras obras suas: Safo, Saltibanco, Dona Inês de Castro e, Dom Sebastião lendo os Lusíadas. Neoclássico, tinha um apurado sentido da harmonia das formas.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Amadora; Lisboa (Freguesia de São Domingos de Benfica, Edital de 14-05-1979, ex-Impasse 3 da Urbanização do Bairro D. Leonor); Matosinhos (Freguesia de Custóias); Seixal (Freguesias de Corroios e Fernão Ferro); Sintra (Freguesia de Queluz).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 29, Pág. 64 e 65)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 30).