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Augusto da Costa Malheiro, mais conhecido por Alferes Malheiro, foi um dos “Heróis do 31 de Janeiro de 1891”

 

 

Alferes MalheiroAugusto Rodolfo da Costa Malheiro, conhecido apenas por Alferes Malheiro, Militar e Engenheiro, nasceu no Porto, a 19-01-1869, e faleceu em Lisboa, a 09-12-1924. Assentou praça a 08-09-1886. Após desempenhar um papel importante na insurreição de 31 de janeiro de 1891 o Alferes Malheiro teve de fugir para o Brasil, onde foi reconhecido como Capitão Honorário do Exército Brasileiro, teve na toponímia de Lisboa a consagração em dois locais distintos.

Foi um Oficial do Exército português desde 1886, que incorporado no Batalhão de Caçadores 9, teve um papel importante na insurreição de 31 de janeiro de 1891, no Porto, o primeiro movimento para implantação da República em Portugal. Gorada a revolta fugiu para Espanha e daí partiu de Vigo para o Brasil, tendo sido julgado como desertor por um Tribunal Militar. Instalou-se em Minas Gerais onde frequentou o curso de Engenharia e após o concluir envolveu-se na revolução brasileira surgindo na chefia dos alunos da Escola Militar com a intenção de pôr termo à acção dos revoltosos sob o comando de Saldanha da Gama. Foi ferido em combate e, fruto do reconhecimento do Governo brasileiro pelos serviços prestados tornou-se Capitão Honorário do exército brasileiro.

A sua reintegração no Exército Português foi decretada após a Proclamação da República, e dela teve conhecimento o Alferes Malheiro a 22 de novembro de 1910, na cidade da Baía, de onde escreveu uma carta de agradecimento ao então Ministro da Guerra, o General Correia Barreto, e ao Governo Provisório Republicano.

Regressado a Portugal, ocupou o posto de Capitão no Regimento de Infantaria 16. Insistiu em acompanhar o Batalhão Expedicionário a Angola como voluntário, durante a Primeira Guerra Mundial e no pós-guerra, comandou em 1919 a Coluna Negra, destinada a combater a Monarquia do Norte, em Monsanto e no Norte do País.

Deixou parte dos seus bens para o Centro Escolar Eleitoral Republicano Alferes Malheiro, que em 1910 tinha já uma Escola Primária, para ambos os sexos. Em 11 de Novembro de 1987, este Centro foi agraciado com a Comenda da Ordem da Liberdade, Grau Membro Honorário, pelo então Presidente da República, Dr. Mário Soares.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada; Beja; Lisboa (Freguesia de alvalade, Edutal de 08 de Junho de 1925, alterada pra outra Artéria, por Edital de 09 de Agosto de 1971); Matosinhos (Freguesia do Lavra); Porto (Freguesia de Santo Ildefonso). (Sempre como Alferes Malheiro).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 330).

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

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Carlos Duarte, um Actor pouco conhecido do público, recordado no dia em que, se fosse vivo, faria 91 anos de idade

 

 

Teatro Nacional Dona Matia IICARLOS DUARTE, Actor, natural de Lisboa, nasceu a 31-01-1927 e faleceu a 29-06-2000. Ainda aluno do Conservatório Nacional de Lisboa, estreou-se em 1944, no Teatro Nacional D. Maria II na peça Dulcineia ou a Última Aventura de D. Quixote. Neste mesmo ano transitou para o Teatro da Trindade para integrar a companhia dos Comediantes de Lisboa, dirigida por Francisco Ribeiro. Mais tarde, e paralelamente à actividade profissional, participou em vários espectáculos no Teatro Estúdio do Salitre, primeiro teatro experimental dirigido por Gino Saviotti. Representou aqui Uma Distinta Senhora, de Rodrigo de Melo e Curva do Céu, de Branquinho da Fonseca.

Regressa de novo ao Teatro Nacional onde colabora em diversas peças da companhia Rey Colaço-Robles Monteiro, destacando-se na peça Um Marido Ideal, de Óscar Wilde.

Integrou também diversas companhias de teatro, nomeadamente no Teatro Apolo, os Comediantes de Lisboa, onde colabora na Dama das Camélias, de Alexandre Dumas e na Comédia Alegre, que teve como primeira figura a actriz Laura Alves; no Teatro Monumental, onde faz parte do elenco da inauguração, com a opereta Três Valsas, de Marchand e Willemetz, com música de Strauss; Teatro do Povo (itinerante); no Teatro Avenida, em 1948 onde se encontrava os Comediantes de Lisboa, interpreta O Morgado de Fafe em Lisboa, de Camilo Castelo Branco.

Entra no Teatro do Salitre, em 1950, actuando novamente ao lado de Laura Alves; no Coliseu dos Recreios, faz toda a temporada de 1951 com a revista Lisboa é Coisa Boa; Teatro Variedades, Teatro Estúdio de Lisboa (dirigido por Luzia Maria Martins) e, no final dos anos 60, está no Teatro Popular de Lisboa (da Câmara Municipal de Lisboa, na Estufa Fria, com direcção de Augusto Figueiredo). Trabalhou na Rádio Televisão Portuguesa, no período em que esta se fazia em directo.

Em 1978 integrou o elenco residente do Teatro Nacional D. Maria II, onde participou, entre outras, nas seguintes peças: As Alegres Comadres de Windsor, O Príncipe Disfarçado, Rómulo o Grande, O Anúncio Feito a Maria, O Avejão, A Paixão do Mestre Afonso Domingues, Mãe Coragem e os Seus Filhos, Romance de Lobos e O Fidalgo Aprendiz.

O seu amplo e conceituado percurso artístico é ainda composto, entre outras, pelas seguintes produções teatrais: Noite de Reis, de William Shakespeare, para a RTP; A Idiota de Marcel, de Achard; Joana de Lorena, de Maxwel Anderson; Pomar das Cerejeiras, de Tchekov; Ceia dos Cardiais, de Júlio Dantas; D. Gil Vestido de Verde, de Tirso de Molina, para a RTP; O Arneiro, de F. de Barros, para a RTP; El-Rei Seleuco, de Gil Vicente, para a RTP; Um Dia de Vida, de Costa Ferreira; Ninho de Águias, de Carlos Selvagem; Nem Amantes nem Amigos, de Orlando Vitorino; Jacob e o Anjo, de José Régio; O Leão da Estrela; Barrabás, de Cherderode, para a RTP; O Inseparável, de Agustina Bessa Luiz; O Lugre, de Bernardo Santareno; O Carrasco, o enforcado e a forca, de Jack Richardson; A Curva, de Tankred Dorst; Querida Irmã, de André Roussin; O Avarento, de Molière, para a RTP; Os Porquinhos da Índia, de Yves Jamiaque; Pedra no Sapato, de Feydeau; Homem, escravo ou animal, de Vercors; Dentadinhas na Maçã (revista), de Eduardo Damas e Vilhena; Fan-Shen, de David Hare; O Escritório, de Vaclav Havel; O Crime do Padre Amaro, de Eça de Queirós; Os Maias, de Eça de Queirós; O Anúncio Feito a Maria, de Paul Claudel; Rei Lear, de W. Shakespeare; É Proibido Suicidar-se na Primavera, de Casona e Felizmente Há Luar, de Luís Sttau Monteiro.

O seu nime faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica – Rua Carlos Duarte).

Fonte: “O Grande Livro do Espectáculo”, (Personalidades Artísticas do Século XX, DE Luciano Reis, 1º Volume, Editado por Fonte da Palavra, 1ª Edição de Fevereiro de 2001, Pág. 343, 344 e 345).

“Não Fazem Parte da Toponímia, mas podiam, e mereciam fazer”. Isabel Oliveira e Ausenda Oliveira, mãe e filha, ambas Actrizes, naturais da Freguesia da Pocariça (Cantanhede), continuam desconhecidas na sua própria terra, apesar de, já há alguns anos, ter proposto o seu nome à Câmara Municipal de Cantanhede.

 

 

Teatro Nacional Dona Matia IIMaria ISABEL da Costa OLIVEIRA, Actriz, nasceu na Freguesia da Pocariça (Cantanhede), a 05-04-1867, e faleceu em Lisboa, a 06-04-1915. Conhecida na gíria teatral, por Isabel Tainha, por este ser o apelido dos seus avós, que também eram artistas.

Casou com o Actor Henrique de Oliveira (1865-1935), tendo nascido do casal os filhos: Ausenda, Cármen e Egídia de Oliveira (todas Actrizes) e o Violinisra Raul de Oliveira. Actuou no teatro ligeiro, no Teatro Príncipe Real, no Teatro da Rua dos Condes e no Teatro Avenida, onde alcançou êxito assinalável na interpretação das revistas P’ra Santanás e João José.

Depois de larga temporada ausente da cena, reapareceu no Teatro S. Luís, na revista ABC, onde, então, actuava sua filha Ausenda, em pleno êxito.

Convidada por Artur Duarte, foi à Alemanha, para a gravação de discos. Porém, em virtude da Primeira Grande Guerra (1914), teve de regressar a Portugal.

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres, de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 989”

Fonte: “O Grande Livro do Espectáculo”, (Personalidades Artísticas do Século XX, 2º Volume, de Luciano Reis, Editado por Fonte da Palavra, 1ª Edição, Outubro de 2011, Pág. 253)

 

AUSENDA DE OLIVEIRA, Actriz, nasceu na Freguesia da Pocariça (Cantanhede), a 20-04-1888, e faleceu em Lisboa, a 16-08-1960. Era filha de Henrique de Oliveira (Actor e Empresário, nascido a 30-04-1865 e falecido a 04-02-1935), e de Maria Isabel da Costa Oliveira, (Actriz, nascida na Pocariça, em 05-04-1867 e falecida em 06-04-1915).

Neta de artistas, irmã das actrizes Cármen e Egídia de Oliveira e sobrinha do actor José Vítor. Começou a representar muito cedo (aos 12 anos de idade). Em 1902, em Beja, fez inesperadamente a sua estreia, no papel de Serafina, no Moleiro de Alcalá, para substituir a artista titular, que trocara o palco pelo amor.

Fazia parte desta Companhia teatral, sua mãe, a actriz Isabel de Oliveira, conhecida na gíria teatral por Isabel Tainha, e o empresário era Eduardo Raposo. A mãe, possivelmente por ser artista, não desejava que Ausenda seguisse a mesma carreira e contrariava a vocação da filha. De tal modo Ausenda agradou, que a peça constituiu um êxito. “Nascera” uma artista com excepcionais qualidades. Em 1904, estreou-se, oficialmente no Teatro Avenida, de Lisboa, na opereta A Boneca. Fez parte dos elencos de outros teatros: Teatro D. Amélia, Teatro Politeama, Teatro Ginásio, etc.

Foi ao Brasil durante quatro épocas, ali se tornando admirada e popular. Criou vários papéis, principalmente no repertório do compositor Franz Lehar.

Salientam-se, entre outras, as operetas: Viúva Alegre; Eva; Princesa dos Dólares; Sonho de Valsa; Amores de Príncipe; Os Maridos Alegres; Duquesa de Bal Tabarin; Frasquita; Dama Roxa; Os Sinos de Corneville; A Rapioca; A Leiteira de Entre Arroios; O Milagre da Aldeia; A Priora Inglesa, etc. Como possuía boa voz, também cantou ópera: Cavalaria Rusticana e Boémia, tendo merecido aplausos da crítica. Dedicou-se, outrossim, à comédia, e neste género interpretou, entre outras peças: A Rainha de Biarritz e Mamã. Ausenda de Oliveira retirou-se da cena, quando a sua voz enfraqueceu, passando a viver modestamente, de uma pensão da Caixa de Reformados dos Artistas Teatrais.

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres, de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 986”

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 392).

Fonte: “O Grande Livro do Espectáculo”, (Personalidades Artísticas do Século XX, 2º Volume, de Luciano Reis, Editado por Fonte da Palavra, 1ª Edição, Outubro de 2011, Pág. 252)

José Manuel Soares ou simplesmente “Pepe”, um génio do futebol pouco conhecido do grande público. No dia em que passa mais um aniversário sobre o seu nascimento, aqui fica um pouco da sua curta vida.

 

PepeJOSÉ MANUEL SOARES Louro (PEPE), Desportista, natural de Lisboa, nasceu a 30-01-1908 e faleceu a 24-10-1931. Nasceu no seio de uma família muito pobre, no n.º 17 da Rua do Embaixador, em Belém, na zona ocidental de Lisboa. Era filho de Maria José da Silva Soares e Julião Soares Gomes, casal que viera da Covilhã na Beira Baixa, desde cedo que ganhou a alcunha de «Pepe», diminutivo de José, por influência dos muitos galegos radicados na zona.

Desde cedo que acompanhava o pai que com a sua carroça vendia hortaliça, batendo porta à porta, não só o bairro de Belém, mas também outras zonas mais “ricas” da cidade. A mãe tinha uma banca no Mercado de Belém, onde vendia fruta, e era com os poucos rendimentos que ambos conseguiam reunir que o casal alimentava Pepe e mais cinco irmãos.

Nessa mesma Rua do Embaixador vivia Artur José Pereira, a grande estrela do Sport Lisboa, o Cristiano Ronaldo do seu tempo, que mais tarde jogaria no Sporting e seria o fundador do Belenensesem 1919.

Praticante desde 1924, ingressou dois anos depois no Clube de Futebol Os Belenenses. Estreou-se, com 18 anos, frente ao Benfica. A 15 minutos do fim o Belenenses perdia por 4-1 mas o atleta comandou a reviravolta até aos 5-4 final, marcando o golo da vitória.

Seguiram-se vitórias sobre o Império e o Sporting que garantiram ao Belenenses o primeiro título de Campeão de Lisboa do seu palmarés. No Campeonato de Portugal o Belememses chegou à final que seria perdida para o Marítimo numa final polémica no Campo do Ameal no Porto.

Na época seguinte invertiam-se as coisas com o Belenenses a ficar em segundo lugar no Campeonato de Lisboa, atrás do Vitória de Setúbal, para depois vencer o Campeonato de Portugal batendo o Setúbal por 3×0 na final do Lumiar, conquistando o troféu pela primeira vez na história.

Internacional desde 16-03-1927 (tinha apenas 19 anos), alinhou 13  vezes pela Selecção Nacional, ao serviço da qual marcou sete golos. Foi o melhor marcador na época de 1929-1930. Num só jogo do campeonato marcou 10 golos.

Em 1928 Pepe fez parte da primeira equipa portuguesa de futebol a participar numa grande competição internacional, os Jogos Olímpicos de Amesterdão. Juntamente com outros grande nomes do futebol lusitano da época como António Roquete, Jorge Vieira, Vítor Silva ou Augusto Silva.

Estrela nos relvados, Pepe ia buscar o sustento ao emprego como Torneiro Mecânico no Centro de Aviação Naval. A 23 de Outubro de 1931 apresentou-se ao serviço e pouco depois sentiu-se mal. Transportado ao Hospital da Marinha, faleceu no dia seguinte vítima de hemorragias internas. A autópsia revelou uma intoxicação alimentar mas correram rumores de que tinha sido vítima de crime passional ou vingança desportiva.

Soube-se mais tarde que a mãe tinha sido responsável pelo envenenamento, cozinhando enchidos com potassa em vez de bicarbonato de soda.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de Santa Maria de Belém, Edital de 16-12-1992, ex-Impasse I à Rua Gonçalves Zarco).

Fonte: “Revista da Armada, Publicação Oficial da Marinha, nº 246, Ano XXII, Agosto de 1992”

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 29, Pág. 332)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 411).

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

“Pessoas Vinculadas aos C.T.T.”

 

 

CTTANTÓNIO DOS SANTOS, Funcionário dos CTT, natural da Freguesia de Pêro Moniz (Cadaval), onde nasceu a 31-10-1889. Oficial dos CTT. É autor de: O Telégrafo Hughes Duplo (estudo e descrição de uma modificação do Aparelho Hughes)

Co-autor de: A Guerra Luso-Africana (drama em verso, Lisboa, 1908, representada pelos autores na Casa Pia de Lisboa).

Tudo parece indicar que António dos Santos foi o iniciador da inovação do “DMO” aplicada ao Hughes e, mais tarde, ao Baudit, isto é, à primeira telegrafia de transmissão e recepção simultânea.

Fonte: “Dicionário de Autores Casapianos”, (de António Bernardo e José dos Santos Pinto, Biblioteca-Museu Luz Soriano, Ateneu Casapiano, Lisboa, Edição de 1982, Pág. 173)

Fonte: “Fundação Portuguguesa das Comunicações”

António José, ou António Lampreia, como por vezes assinava, é autor de dezenas e dezenas de canções que ainda hoje ouvimos nas rádios, mas poucos ser ao os que sabem quem foi António José. Aqui fica esta pequeníssima homenagem, no dia em que, se fosse vivo, faria 89 anos de idade.

 

 

ANTÓNIO JOSÉ Lopes Lampreia, Autor de Canções, nasceu em Setúbal, a 29-01-1929, e faleceu em Lisboa, a 20-12-2003. António José, autor de letras, um dos mais prolíficos autores no âmbito da Música Ligeira desde a década de 1960.

Aos 10 anos de idade fixou-se com a família em Lisboa, onde estabeleceu o seu primeiro contacto com o cinema, particularmente com os filmes musicais americanos. Ainda na infância criava letras em português para as canções em inglês que conhecia do cinema.

Trabalhando desde a adolescência, completou o segundo ano da Escola Comercial e tentou mais tarde enveredar pela carreira de cantor.

Em 1956 inscreveu-se no Centro de Preparação de Artistas da Rádio Emissora Nacional (EN), onde conheceu Artur Garcia, António Calvário, Simone de Oliveira, Madalena Iglésias e Maria de Fátima Bravo, entre outros, Cantores com os quais viria a colaborar posteriormente.

Integrou o elenco de variedades da Emissora Nacional e o Quarteto Scalabis do Clube Radiofómico de Portugal, tendo actuado e gravado fonogramas a partir de um repertório de canções estrangeiras para as quais escreveu letras em português, tendo como referências as letras de Linhares Barbosa, Frederico de Brito, Silva Tavares, Aníbal Nazaré e José Galhardo.

Escreveu centenas de poemas que foram musicados por numerosos Compositores e cantados por por Artistas portugueses e alguns brasileiros, como: Amália Rodrigues, Tony de Matos, Marco Paulo, Agostinho dos Santos e Fafá de Belém. Também Adamo, Juan Manuel Serrat e Júlio Iglesias cantaram versões suas quando gravaram em português. Em festivais da canção, dentro e fora do país, arrancou dezenas de prémios e vários foram os discos de ouro com letras suas.

António José também escreveu para Marchas Populares de quase todos os bairros, vencendo a Grande Marcha de Lisboa em 1994 e 1997 (Lisboa de Ver o Mar com música de Ferrer Trindade e Lisboa de Pé no Chão com música de Jorge Costa Pinto).

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 2º Volume, C-L, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Fevereiro de 2010, Pág. 663 e 664)

Faleceu ontem, Edmundo Pedro, talvez o último “tarrafalista” e, creio que, o mais novo dos presos políticos do Tarrafal. Grande lutador pela liberdade, grance combatente do Estado Novo. Aqui fica a nossa admiração por Homens como foi Edmundo Pedro.

 

Edmundo PedroEDMUNDO PEDRO, Políco, nasceu na Freguesia do Samouco (Alcochete), a 08-11-1918, e faleceu em Lisboa, a 27-01-2018. Era filho de Gabriel Pedro e de Margarida Tavares Fernandes Ervedoso. Foi Operário e Correspondente Comercial, entre muitas outras ocupações. Aderiu à Federação das Juventudes Comunistas em 1931. Foi preso pela primeira vez no ano seguinte, com 15 anos de idade, por estar a preparar uma greve nas Oficinas do Arsenal do Alfeite. Libertado um ano depois, começou a organizar movimentos de agitação e de propaganda nas Escolas Industriais. Voltou a ser detido em 1936, passando pelas prisões do Aljube, Peniche e Caxias, antes de embarcar para o Tarrafal, em Cabo Verde. Era o mais jovem prisioneiro político daquele campo de concentração.

Regressou 10 anos depois, numa altura em que fora suspenso do Partido Comunista Português (PCP) pelo facto de ter encetado uma fuga sem autorização.

Entre 1962 e 1965, conheceu mais de uma vez as paredes da prisão, depois de ter participado no assalto ao Quartel de Beja.

Depois do 25 de Abril de 1974, aderiu ao Partido Socialista (PS), foi eleito Deputado à Assembleia da República na I e na III Legislaturas. Pelo meio, uma passagem pela Presidência da Rádio Televisão Portuguesa (RTP), altura em que voltou a ser preso, acusado sem fundamento de estar a armazenar material de guerra. Estava, isso sim, a juntar as armas que tinham sido entregues ao PS no «Verão Qunte» de 1975 e que, agora, o Exército mandava devolver. Foi absolvido meio ano depois.

Alguns anos depois, regressou ao Parlamento, na V Legislatura, mas em regime de substituição.

A seguir ao 25 de Abril de 1974, foi membro do Secretariado Nacional do Partido Socialista. Durante o PREC, foi encarregado pelo General Galvão de Figueiredo de entregar armas ao PS.

Apesar dos seus antecedentes políticos, esteve ligado ao Movimento Democrático de Libertação de Portugal.

Foi Presidente do Conselho de Administração da Rádio Televisão Portuguesa (RTP), a partir de 1977, em substituição do Capitão Tomás Rosa.

Recebeu o grau de Grande Oficial da Ordem da Liberdade em 10-06-1994.

Fonte: “Dicionário do 25 de Abril”; (Verde Fauna, Rubra Flor, de John Andrade, Editora Nova Arrancada, Sociedade Editora, S.A.. 1ª Edição, Setembro de 2002, Pág. 296).

Gomes Teixeira, Professor e Cientista Português, aqui recordado no dia em que passam 167 anos sobre o seu nascimento.

 

Gomes TeixeiraFrancisco GOMES TEIXEIRA, Professor, Matemático e Cientísta, nasceu na Freguesia de São Cosmado (Armamar), a 28-01-1851, e faleceu no Porto, a 08-02-1933. Era filho de Manuel Gomes Teixeira, comerciante, e de Maria Madalena Machado. Eram seus irmãos, Pedro, Engenheiro Militar, e Sebastião, negociante na referida povoação.

Fez os primeiros estudos na Escola da localidade. Frequentou o Ensino Secundário no Liceu de 2ª Classe de Lamego. Em simultâneo foi aluno, no Colégio do Padre Roseira, das disciplinas necessárias para a carreira eclesiástica e deslocava-se com regularidade ao Colégio de S. Bento, sediado em Coimbra, tendo conluído o Curso Liceal completo (Ciências e Letras).

Matriculou-se nos Cursos de Filosofia e de Matemática da Universidade de Coimbra, em Outubro de 1869 e 1870, respectivamente. Nesse estabelecimento de ensino obteve os graus de Bacharel em Filosofia (04-06-1872) e em Matemática (15-07-1873), de Licenciado em Matemática com 20 valores (08-01-1875) e de Doutor em Matemática, com a classificação máxima (18-07-1875).

Gomes Teixeira iniciou a sua carreira docente a 20 de Dezembro de 1876 ao ser admitido como Lente substituto da cadeira de Cálculo Diferencial, na Faculdade de Matemática da Universidade de Coimbra, onde permaneceu até 1881, ocasião em que passou a Lente Catedrático da referida disciplina, conservando-se nesse cargo por dois anos.

Em 1883, requereu a sua transferência para a Academia Politécnica do Porto, onde foi admitido no ano seguinttte, como Catedrático da cadeira correspondente.

Em 1883 foi nomeado Lente da Academia Politécnica do Porto e seu Director; de 1911 a 1918 foi Reitor da Universidade do Porto, ficando depois seu Reitor honorário.

Tornou-se membro de diversas Academias científicas portuguesas e estrangeiras. Em Portugal, foi sócio da Academia das Ciências de Lisboa (30-06-1876), da Associação dos Engenheiros Civis Portugueses (20-05-1922), da Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto (25-05-1922), do Centro Comercial do Porto (03-06-1922), da Associação Académica do Porto (30-04-1926), do Instituto de Coimbra (09-07-1923) e da Sociedade Martins Sarmento. No estrangeiro, foi membro da Academia Pontífícia Romana dos Novos Linces, da Sociedade das Ciências Físicas e Naturais de Bordéus, da Sociedade Real das Ciências de Liège, da Sociedade Científica de Bruxelas, da Sociedade Real Boémia das Ciências de Praga, da Academia das Ciências Exctas Físicas e Naturais de Madrid (28-03-1889), da Academia Imperial de Halle, da Sociedade António Alzate do México, da Sociedade Nacional de Ciências Naturais e Matemáticas de Cherbourg,  da Real Academia das Ciências e Artes de Barcelona e do Círculo Matemático de Palermo. Era ainda membro honorário da Faculdade de Ciências de Lima (Peru) e das Sociedades Matemáticas de Madrid, Cracóvia e Moscovo.

Na qualidade de Professor e Investigador em Ciências Matemáticas, Gomes Teixeira ocupou diversos cargos nacionais e internacionais. Assim, foi Vogal do Conselho Superior de Instrução Pública (1907) e Presidente Honorário da Associação Portuguesa para o Progresso das Ciências (1917). Foi também nomeado para a Junta Orientadora dos Estudos, pelo Ministro da Instrução Pública, António Sérgio (Dezembro de 1922). Exerceu ainda as funções de Director e, posteriormente, Director Honorário do Instituto de Investigação de História das Matemáticas (1929) e de Presidente do Núcleo Portuense da Associação Internacional das Ciências. Além disso, foi Vogal da Comissão Internacional do Ensino Matemático e da Comissão Permanente Internacional do Repertório Bibliográfico das Ciências Matemáticas. Integrou também, na condição de Vogal, a Comissão do Patronato do Ensino da Matemática; a Comissão de Intercâmbio Universitário Franco-Português e a Secção portuguesa do Instituto de Cooperação Intelectual da Sociedade das Nações.

A par da investigação científica e da docência, Gomes Teixeira teve uma participação activa na vida política do Porto e da Nação. Foi Vereador do executivo camarário portuense (1893-1895), mas já antes ocupara cadeira em São Bento.

Foi pela primeira vez eleito Deputado para a Legislatura de 1879, pelo círculo de Armamar, nas listas afectas ao Partido Regenerador. Durante este mandato, integrou as Comissões Parlamentares de Verificação de Poderes. Da Fazenda, de Instrução Pública e de Estatística. Voltou a integrar a Câmara dos Deputados na Legislatura de 1882-1884, eleito pelo círculo de Armamar. Ao longo deste exercício fez parte das Comissões Parlamentares da Fazenda (1882), de Instrução Superior e Especial (1882, 1883), de Estatística (1882, 1883), do Orçamento (1883, 1884), e da Comissão Especial para Reforma da Lei Eleitoral (1883).

Ao longo da sua vida, Gomes Teixeira foi inúmeras vezes distinguido pelo seu trabalho, como Investigador e como Professor, quer em Portugal, quer no estrangeiro. Assim, foi-lhe atribuído o Prémio D. Luís I da Academia das Ciências de Lisboa, pelo estudo intitulado Curso de Análise Infinitesimal, Cálculo Diferencial (08-12-1888). A Academia Real das Ciências Exactas, Físicas e Naturais de Madrid distinguiu a sua memória Sobre o Desenvolvimento das Funções em Série (1893) e o seu Tratado de las Curvas Especiales Notables (1897).O mesmo trabalho recebeu o Prémio de Filosofia e História das Ciências do Instituto de França (20-04-1900). Seguiu-se o Prémio Binoux de História das Ciências de Paris (1917). Gomes Teixeira foi também homenageado pela Academia Portuense 81921) e pela Faculdade Técnica da Universidade do Porto (1922). Foi ainda designado Professor Honoris Causa em Ciências, pelas Faculdades de Ciências da Universidade Central de Madrid (1922), da Universidade de Toulouse (1923) e de Santiago do Chile (1923).

Gomes Teixeira recebeu diversos títulos horíficos, a saber: Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago (28-06-1907); a Carta de Conselho de D. Luís I; a Grã-Cruz de Isabel a Católica, de Espanha; a Grã-Cruz de Afonso XII (1919); as Insígnias da Legião de Honra de França (21-07-1923) e a Comenda de S. Gregório Magno (28-04-1925).

Em 1877 fundou o Jornal de Ciências Matemáticas e Astronómicas, que dirigiu até 1932. Graças aos seus 20 trabalhos científicos de alta valia mereceu ser considerado no seu tempo o mais notável Matemático da Península Ibérica.

Obras principais: Curso de Análise Infinitésimal. Cálculo Diferencial, (1887-1892, em dois volumes); Sobre o Desenvolvimento das Funções em Série, (1897); Tratado de las Curvas Especiales Notables Tanto Planas Como Alabeadas, (1900); Obras Sobre Matemática, (1904-1915, em sete volumes). Entre 1926 e 1933 publicou quatro volumes dedicados aos Santuários de Montanha (Impressões de Viagens), à Apoteose de S. Francisco de Assis, a Santo António de Lisboa e a Uma Santa e Uma Sábia, neste último associando Santa Clara de Assis e a grande matemática Sofia Kovalewsky.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Armamar; Barreiro; Lisboa (Freguesia de Campo de Ourique, ex-Freguesia de Santo Condestável); Matosinhos (Freguesias de Custóias e Senhora da Hora); Oeiras (Freguesia de Carnaxide); Porto; Setúbal; Trofa.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 12, Pág. 541 e 542)

Fonte: “Dicionário Biográfico Parlamentar, 1834-1910”, (Vol III, de N-Z), (Coordenação de Maria Filomena Mónica, Colecção Parlamento” (Pág. 890, 891, 892 e 893).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 507).

Maria Violante Vieira, quantos portugueses saberão quem foi esta Senhora? Maria Violante Vieira, foi a fundadora do Comité Português para a UNICEF. Aqui recordada no dia em que passa 19 anos sobre o seu desaparecimento.

 

 

UnicefMARIA VIOLANTE VIEIRA, Humanista, natural de Lisboa, nasceu a 01-11-1915 e faleceu a 27-01-1997. Licenciada em Filologia Germânica, pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, foi, durante um breve período, Professora no Colégio Inglês, actividade que abandonou após a morte do pai, para se ocupar das firmas da família, especialmente da Papelaria Progresso à frente da qual se manteve durante várias décadas.

Foi no desempenho dessas funções que, no início dos anos 70, uma deslocação ao estrangeiro para participar numa feira internacional lhe proporcionou um primeiro contacto com os Cartões de Natal da UNICEF, que, desde logo, quis trazer para Portugal. Estabelecidos os primeiros contactos com a UNICEF, juntamente com um grupo de cidadãos empenhados em contribuir para a causa das crianças mais desprotegidas do mundo, cria a Associação “Amigos da UNICEF”, que pouco tempo depois termina as suas funções dando lugar ao Comité Nacional para a UNICEF. Empenhou-se profundamente na defesa e aplicação dos Direitos da Criança.

Em 10 de Abril de 1979, foi criado o Comité Português para a UNICEF, do qual, Maria Violante Vieira assumiu a sua Presidência, sendo sob a sua direcção, que o Comité teve grande desenvolvimento como acções de recolha de fundos para apoio aos programas da UNICEF em todo o mundo, aumentando de forma significativa a venda de cartões de Natal e criando Delegações do Comité em vários pontos do país, como atraiu, pelas acções de divulgação desenvolvidas, doações espontâneas para aqueles programas.

Durante o período que se manteve na Presidência do Comité Português para a UNICEF, a aplicação dos Direitos da Criança foi uma preocupação constante de Maria Violante Vieira, tendo, nesse âmbito, o Comité produzido e divulgado, com a elaboração de outros organismos, nomeadamente o Ministério da Educação, materiais destinados a dar um maior conhecimento dos Direitos da Criança.

Maria Violante Vieira foi condecorada em Março de 1997, a título póstumo, pelo Presidente da República, Dr. Mário Soares, com a Comenda da Ordem do Infante.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de Benfica).

“Sabe Quem Foi “O Pecinha?” Isto é para os que gostam de futebol.

 

MamudMAMUD BEN ALI, Desportista e Alfaiate, conhecido no futebol pela alcunha de “Pecinha”, nasceu em Moçambique, a 13-09-1939, e faleceu no Hospital de Abrantes, a 17-01-2018. Veio para Portugal jogar Futebol para o Belenenses em 1961, passou ainda pelo Peniche, tendo chegado ao União de Tomar em 1964. Clube pelo qualse sagrou Campeão Distrital e Campeão Nacional da III Divisão, na temporada de 1964/1965, tendo integrado também o plantel que alcançou, na época de 1967/1968, pela primeira vez, a promoção à I Divisão Nacional.

Alfaiate de profissão, tendo mantido uma Alfaiataria aberta, na Rua dos Moinhos, até aos anos 80.

Fonte: “Médiotejo.Net”