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“Vítor Santos, Jornalista Desportivo”

 

Vítor Santos, se fosse vivo, faria hoje 93 anos de idade. Grande Jornalista Desportivo, embora não tivesse feito parte dos fundadores do jornal A Bola, foi o grande impulsionador para o prestígio do jornal.

É pena que Alenquer, sua terra natal, não o tenha consagrado na Toponímia, embora existem lá as Piscinas Municipais, com a designação de Piscinas Vítor Santos.

 

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VÍTOR Gonçalves dos SANTOS, Jornalista, nasceu na Freguesia de Triana (Alenquer), a 31-05-1923, e faleceu em Lisboa, a 21-12-1990. Não tendo sido fundador do jornal A Bola, foi quem a potenciou para a actual dimensão. O histórico chefe de redacção foi uma das grandes figuras do desporto português. Vitor Santos entrou para A Bola em 01 de Novembro de 1950, como colaborador, cinco dias depois escreveu o seu primeiro artigo: a crónica do Benfica-Oriental. Subiu rapidamente, passando a redactor a 01 de Outubro de 1954, deixando então o Instituto Superior de Agronomia, onde chegou ao 3º ano.

O seu primeiro artigo n’ A Bola foi a crónica do Benfica-Oriental e, tornou-se redactor a 1 de Outubro de 1954, deixando então o Instituto Superior de Agronomia, onde chegara ao 3.º ano, tendo como colegas da redacção Carlos Pinhão, Aurélio Márcio e Silva Resende. Igualmente bem cedo o fundador Cândido de Oliveira o convidou a ocupar o cargo de chefe de redação da “equipa da Queimada” – por referência a estar sediada no nº 23 da Travessa da Queimada -, iniciando uma brilhante carreira no jornalismo português.

Cândido de Oliveira convidou-o a ocupar o cargo de Chefe de Redacção de A Bola, iniciando brilhante carreira no jornalismo português.

Também ainda hoje este jornalista é recordado na Académica por ter sido quem denominou essa equipa como “Pardalitos do Choupal”, na sua crónica ao jogo da vitória sobre o Benfica por 3 a 1 na época de 1961/1962. Vítor Santos foi ainda fundador com Alves dos Santos, Artur Agostinho, Mário Zambujal, Fernando Soromenho, Manuel Mota, Vítor Sérgio, Mário Cília, Vasco Resende, Carlos Pinhão, e, Aurélio Márcio, em 1966, do CNID – Clube Nacional de Imprensa Desportiva que institui um prémio com o seu nome para distinguir uma jovem promessa da imprensa escrita desportiva.

Em 1886 foi distinguido pelo Presidente da República  com a Medalha de Mérito Desportivo e em 1990 com a Comenda da Ordem do Infante. Recebeu igualmente, a Bola de Ouro, troféu que tem o apoio cultural da FIFA e que distingue os principais nomes do jornalismo.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de Carnide, Edital de 15-02-1991, ex- Rua B da Urbanização da Horta Nova); Sintra (Freguesia de Algueirão-Mem Martins).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 473).

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O Actor Carlos Otero, se fosse vivo, faria hoje 100 anos de idade.

 

Quantos serão os portugueses que saibam quem foi Carlos Otero? Carlos Otero foi um Actor português que a partir da década de 1950 fez carreira internacional, nomeadamente em Espanha.

 

No dia em que se comemoram 100 anos do seu nascimento, aqui ficam alguns traços biográficos.

 

Carlos OteroCARLOS dos Santos Pereira OTERO, , Actor, nasceu em Lisboa, a 30-05-1916, e faleceu em Ibiza (Espanha), a 13-06-1979. Começou por fazer teatro de amadores.

Estreou-se em Lobos da Serra, 1942, e depois de intervir em algumas películas luso-espanholas (Viela, 1947, Fuego, 1949, etc), fixou-se em espanha, radicando-se em Barcelona a partir de 1950. Interpretou mais de 30 filmes ao lado de artistas de renome internaiconal, como Sarita Montiel, Rafael e Raf Valone.

Participou também em algumas películas norte-americanas rodadas em Espanha. Actuou ainda na televisão espanhola.

Participou, entre outros, nos seguintes filmes e séries: Pátio das Cantigas (1942); Lobos da Serra (1942); Cais do Sodré (1946); Os Vizinhos do rés-do-chão (1947); Rua Sem Sol (1947); Fogo! (1949); ; Brigada Criminal (1950); Bajo el Cielo de Astúrias (1951); Dulce Nombre (1952); Almes en Peligro (1952); Persecución en Madrid (1952); La danza del corazón (1952); Mercado Prohibido (1952); La Montana sin ley (1953); Hay un camino a la derecha (1953); Fantasia Española (1953); La hija del mar (1953); El Presidio (1954); El Coyote (1955); El golfo que vio uma estrella (1955); Nunca es demasiado tarde (1956); A Justiça do Mascarado (1956); Veraneo en España (1956); La Melodia Misteriosa (1956); Tormento d’Amore (1956); Juanillo, papá y mamã (1957); Sendas Marcadas (1957); Mañana (1957); Distrito Quinto (1958); Sentencia contra una mujer (1960); Isola Bella (1961); Poly (1961); Maria Rosa (1965); Dolar de Fogo (1966); O Implacável Col de Gringo (1966); Quando Tu Não Estás (1966); Os Longos Dias da Vingança (1967); o Regresso de Um Ídolo (1968); Essa Mulher (1969); A Cólera de Trinity (1970); Pastel de Sangue (1971); Aborto Criminal (1973).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Amadora (**); Seixal (Freguesia de Corroios).

Fonte: “O Grande Livro dos Portugueses”, (Círculo de Leitores, 1990, Pág. 389)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 397).

Palmira Bastos, nasceu há 151 anos

 

“As Árvores morrem de pé”, mas os Artistas não morrem. Aqui ficam alguns traços biográficos da grande Actriz que foi Palmira Bastos.

 

Palmira Bastos (n)PALMIRA Martinez de Sousa BASTOSs, Actriz, nasceu na Freguesia de Aldeia Gavinha (Alenquer), a 30-05-1865, e faleceu em Lisboa, a 10-05-1967. Era filha de artistas espanhóis que actuavam numa modesta companhia ambulante. A Mãe era de Valhadolid e o pai de Santiago de Compostela). Durante a sua carreira artística, que se estendeu por três quartos de século, ocupou ininterruptamente um lugar de primeiro plano na cena portuguesa.

Estreou-se em “O Reino das Mulheres”, de E. Blum, a 18-08-1890, no Teatro da Rua dos Condes, com o empresário Sousa Bastos, com quem casou a 01-06-1894 (viúva desde 1911, veio a casar com Actor-Cantor Almeida Cruz).

Revelou logo, grandes qualidades para acena. Foi seu Professor de Canto Augusto Machado.

Trabalhou em diversos Teatros: no Teatro Nacional de D. Maria, na Companhia Rosas e Brasão, com a qual fez a primeira digressão artística, em 1893, tendo sido acompanhada por sua mãe, em companhias de opereta, dos empresários Sousa Bastos, Afonso Taveira, Luís Galhardo e Armando de Vasconcelos, realizou largas temporadas no Teatro D. Amélia, onde criou vários papéis, nas fantasias Vénus e Viagens de Guliver, em 1905 e 1906.

Palmira BastosDesde 1931 a 1967, pertenceu ao elenco da Companhia Amélia Rey Colaço, que actuava no Teatro Nacional D. Maria II, onde representou com grande êxito o repertório daquela empresa, sendo uma das primeiras figuras, não só daquele Teatro mas da cena portuguesa. Foi uma Artista genérica na opereta, na comédia, no drama e na revista. Em todos estes géneros se distinguiu.

Representou nos principais palcos portugueses, no Continente e nas Ilhas Adjacentes, e percorreu o Brasil, em digressões artísticas. Em 1960, Palmira Bastos foi convidada a visitar o Brasil, onde, naquele país irmão, lhe tributaram uma impressionante homenagem. No seu regresso, em 25-10-1960, no Teatro D. Maria II, foi-lhe, igualmente, prestada, em cena aberta, uma calorosa homenagem, à qual assistiu o Ministro da Educação Nacional. Anteriormente, recebeu notáveis testemunhos de apreço pelo seu valor artístico.

A sua última actuação foi em 15-12-1966 na peça “O Ciclone”. Com aptidão não só para o drama e a comédia mas também para opereta e a revista, ocupou durante décadas um dos primeiros lugares da cena Portuguesa. Para o cinema mudo interpretou o filme “O Destino”, em 1922, de G.Pallu.

No Teatro Nacional, após melindrosa operação a que foi submetida; no Teatro de Sá da Bandeira, no Porto, pelos críticos teatrais desta cidade. No Museu João de Deus, em Lisboa. O Lisbon Courier, associando-se a esta homenagem, dedicou-lhe a seguinte quadra: Palmira, quer dizer teatro puro/ Mais nobre, porque é todo singeleza/Palmira, quer dizer: mas uma quina/Na bandeira da Arte Portuguesa.

Contracenou com os melhores Artistas, como os Rosas, Brasão, António Pinheiro, Santos Melo, Carlos Santos, Ferreira da Silva, Ângela Pinto, Adelina Abranches, Rosa Damasceno e tantos outros grandes do Teatro Português.

É difícil enumerar as peças em que criou papéis extraordinários; no entanto, devemos salientar: Maria Antonieta; Feiticeira; Tá-Mar; Honra; Frei Luís de Sousa; Inquisidor; Zá-Zá; Dama das Camélias; Leonor Teles; Electra; Miss Ba; O Leque de Lady Windermere, etc.

Assinale-se, também, a sua brilhante actuação no teatro musicado, nas interpretações de: A Boneca; Tição Negro; Galo de Oiro; Tim-Tim por Tim-Tim; Solar dos Barrigas; ABC; Burro do Sr. Alcaide; Sal e Pimenta; Cigana; Gata Borralheira; Noite e Dia; Perichole; Barba Azul, etc.

Palmira Bastos foi também uma inteligente ensaiadora, directora de empresa teatral, encenadora, etc.

Actuou no cinema mudo, na películoa O Destino, produzida pela Invicta Filmes, do Porto.

Foi distinguida com o Prémio Lucinda Simões 1965, pela seu ainterpretação na peça Ciclone.

Em 1959, o Governo português concedeu-lhe a Comenda da Ordem de Sant’Iago. Na festa de homenagem que lhe foi prestada em 30-05-1965, o Chefe do Estado condecorou-a com a Comenda da Ordem de Cristo.

Em 22-09-1962, a sua terra natal, Aldeia Gavinha, prestou-lhe uma expressiva homenagem, atribuindo o nome de Palmira Bastos ao largo fronteiro à casa em que nasceu.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Alenquer; Almada (Cidade de Almada e Freguesia da Charneca de Caparica); Amadora; Barreiro (Freguesia do Lavradio); Beja; Caldas da Rainha; Cascais (Freguesia de São Domingos de Rana); Évora; Lisboa (Freguesia de Marvila); Loures (Freguesias da Portela e São João da Talha); Matosinhos (Freguesia da Senhora da Hora); Moita (Freguesias de Alhos Vedros e Baixa da Banheira); Montijo; Odivelas (Freguesias de Odivelas, Pontinha, Póvoa de Santo Adrião e Ramada); Oeiras (Freguesia de Queijas); Seixal (Freguesia da Torre da Marinha); Sintra (Freguesia de Monte Abraão); Vila Franca de Xira (Freguesias de Forte da Casa e Póvoa de Santa Iria).

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres”, (de Américo Lopes de Oliveira, Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 121, 122 e 123).

Fonte: “Dicionário do Cinema Português 1895-1961” (de Jorge Leitão Ramos, Editorial Caminho, 1ª Edição, Outubro de 2012, Pág. 46, 47, 48, 49, 50 e 51)

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 1º Volume, A-C, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 131 e 132)

Fonte: “Quem É Quem”, (Portugueses Célebres, Círculo de Leitores, Edição de 2008, Pág. 85).

O Fado ficou mais pobre, faleceu Vicente da Câmara

 

Dom Vicente da Câmara deixou-nos, mas a “moda das tranças pretas” vai continuar.

 

Vicente da CâmaraVICENTE Maria do Carmo de Noronha DA CÂMARA, Fadista, nasceu no Alto de Santa Catarina, em Lisboa, nasceu a 07-05-1928 e faleceu a 28-05-2016. Descendente de uma antiga família cujas raízes remontam a João Gonçalves Zarco. Era filho de Maria Edite e Jão Luís da Câmara, Jornalista e Locutor na Emissora Nacional, começou a interessar-se pelo Fado ouvindo os discos de João do Carmo de Noronha, seu tio-avô, e assistindo aos ensaios de sua tia, Maria Teresa de Noronha, na casa dos seus avós maternos.

Entre 1946 e 1950 cantou com maior regularidade, apresentando-se em Casas de Fado (Adega Mesquita, Adega Machado e Adega da Lucília) e aprendeu Guitarra de forma autodidacta, a fim de poder acompanhar-se.

Em 1948 ganhou um concurso organziado pela Emissora Nacional, o que possibilitou a sua actuação em diversos programas dessa Emissora (Serões para Trabalhadores, entre outros) e a sua profissionalização. Nesse período centrou a sua carreira em programas de Rádio e em espectáculos, tendo gravado o seu primeiro fonograma (Fado das Caldas, 1948).

Manteve o emprego como Inspector numa Companhia Petrolífera, o que condicionou a sua carreira, em especial na regularidade das actuações.

Por motivos profissionais, fixou-se em Angola (1950-1951), interrompendo a sua carreira enquanto intérprete. Quando regressou a Portugal, retomou a actividade artística nos mesmos moldes (espectáculos e programas de Rádio), passando também a actuar na RTP a partir de finais da década de 50.

Em 1951 apresentou um programa na Rádio Renascença intitulado Antigamente Era Assim, no qual interpretava Fado de Coimbra de João Bagão sobre letra de Leonel Neves, sendo acompanhado à Guitarra pelo Compositor.

Nessa década começou a escrever letras e a compor fados, integrando alguns destes nos seus fonogramas.

Em 1964 participou no filme A Última Pega, no qual canta uma desgarrada com Fernando Farinha.

A década de 80 foi marcada pela contribuição para o lançamento da carreira artística do seu filho José da Câmara e pelo início de actuações no estrangeiro como África do Sul, Alemanha, Bélgica, Brasil, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos da América, França, Holanda, Luxemburgo,Malásia eMoçambique.

O seu repertório era primeiramente constituído por fados estróficos (como o Fado Ginguinha, popularizado com o texto intitulado A moda das tranças pretas, um dos maiores sucessos da sua carreira) e fados-canção, com temática associada à Tauromaquia e ao Ribatejo, bem como ao Fado e à Guitarra.

Progressivamente esse repertório perdeu importância, passando a privilegar poemas mais intimistas (de sua autoria e de Maria de Jesus Facco Viana, entre outros) sobre fados compostos por si.

A actividade enquanto Compositor veio a ocupar um lugar cada vez mais importante spo longo da sua carreira. De destacar foram as suas actuações no III Festival Internacional dos Açores (1986), no Festival de Macau (1990) e o espectáculo comemorativo dos 40 anos de carreira (Tivoli, 1989).

Recebeu o 1º Prémio num concurso da Emissora Nacional (1948) e o Prémio Carreira (atribuído na Grande Noite do Fado, 1998), pelos 50 anos de carreira.

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 1º Volume, A-C, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Janeiro de 2010, Pág. 208)

Ventura Abrantes, o grande responsável pela criação da Feira do Livro de Lisboa.

Ventura Abrantes, que um dia falarei dele mais pormenorizadamente, foi o criador da Feira do Livro de Lisboa.

Feira do LivroA primeira Feira do Livro em Portugal, realizou-se no Rossio, em Lisboa. O evento aconteceu a 29 de Maio de 1931, com a presença do Presidente da República, General Óscar Carmona, o Ministro da Instrução Pública, Gustavo Cordeiro.

 Ventura Abrantes, Secretário da Associação dos Livreiros, foi o grande impulsionador desta ideia. A iniciativa foi da Associação dos Livreiros e surgiu integrada nas Festas da Cidade de Lisboa.

O Poeta José Craveirinha, se fosse vivo, faria hoje 94 anos de idade.

 

José Craveirinha, o grande Poeta da língua portuguesa, aqui ficam alguns traços biográficos e um pequeno poema de sua autoria.

 

“Um Home Não Chora”

 

Acreditava naquela história

do homem que não chora.

Eu julgava-me um homem.

Na adolescência

meus filmes de aventuras

punham-me muito longe de ser cobarde

na arrogante criancice de herói de ferro

Agora tremo.

E agora choro

Como um homem treme

Como chora um homem!

 

José CraveirinhaJOSÉ João CRAVEIRINHA, Poeta, nasceu em Maputo (Ex-Lourenço Marques, Moçambique), a 28-05-1922, e faleceu na África do Sul, a 05-02-2003. Filho de pai branco (algarvio) e de mãe negra (ronga). Sendo o pai um modesto funcionário e, ao tempo da opção, já reformado, José Craveirinha teve de ser sacrificado, ficando pela Instrução Primária, para que seu irmão mais velho fizesse o Liceu. Mas Craveirinha, que então já tinha lido muito, influenciado por seu pai, grande apaixonado de Zola, Vitor Hugo e Junqueiro, passa a fazer em casa o curso que o irmão fazia no Liceu, acompanhando as lições que este ia tendo. Assim, os seus professores foram-no sem saber ou sabendo-o só mais tarde.

Iniciou a sua actividade jornalística no Brado Africano, mas veio a colaborar depois no Notícias, onde foi também revisor, na Tribuna, no Notícias da Beira, na Voz de Moçambique e no Cooperador de Moçambique. Neste último publicou uma série de artigos ensaísticos sobre folclore moçambicano que constituem uma importante contribuição para o tema.

Mas foi na poesia que Craveirinha se revelou como um destacado caso nas letras de língua portuguesa, afirmando-se «a incomensurável distância, o maior poeta africano de expressão portuguesa» (Rui Knopli). Estrear-se-ia como poeta, também no Brado Africano de Lourenço Marques, em 1955, seguindo-se a publicação de poemas seus no Itinerário da mesma cidade e em jornais e revistas de Angola, Portugal (nomeadamente em Mensagem, da Casa dos Estudantes do Império) e Brasil, principalmente. Figura em todas as antologia de poesia africana de líbgua portuguesa que desde então se publicaram e também em muitas antologias de poesia africana de todas as línguas. A sua estreia em livro deu-se com Chigubo, editado em Lisboa, em 1964, pela Casa dos Estudantes do Império e logo apreendido pela PIDE, que o utilizou como prova nos processos de que foi vítima durante o período em que esteve preso (1965 a 1969). Antes, em 1962, uma colectânea de peomas seus com o título de Manifesto obtivera o Prémio Alexandre Dáskalos da Casa dos Estudantes do Império. Obteria depois numerosos prémios em Moçambique, Itália (o Prémio Nacional de Poesia e outros) e Brasil, além do Prémio Lotus da Associação de Escritores Afro-Asiáticos, de cujo Júri passou depois a fazer parte. Foi o Prémio Camões de 1991. Está traduzido em várias línguas, e é grande a relação de estudos que à sua poesia foram dedicados. Usou também os nomes: Nuno Pessoa, Mário Vieira, J.C., J. Cravo e José Cravo.

Obras princpais: Chigubo, (1964); Cântico a um Dio di Catrame, (Milão, edição bilingue, 1966); Karingana ua Karingana, 81974); Cela 1, (1981); Maria, (1988); Hamina e Outros Contos, (1997).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Aljezur, Moita (Freguesia do Vale da Amoreira) e Seixal (Freguesia da Amora).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Volume V, Organizado pelo Instituto Português do Livro e das Bibliotecas, Publicações Europa América, Coordenação de Ilídio Rocha, 1ª Edição, Julho de 2000, Pág. 194 e 195).

Luzia Maria Martins, se fosse viva, faria hoje, 89 anos de idade.

 

Luzia Maria Martins, considerada por muitos, a mãe do teatro independente português. Aqui ficam alguns traços biográficos no dia em que passam 89 anos sobre o seu nascimento.

 

SD Benfica 0037LUZIA MARIA MARTINS, Encenadora, Dramaturga e Actriz, natural de Lisboa, nasceu a 27-05-1927 e faleceu a 13-09-2000. Era filha do Cenógrafo Reinaldo Martins. Foi uma grande figura do teatro português, destacando-se como Encenadora, Dramaturga e Actriz. O seu primeiro palco foi o Politeama que pisou aos 6 anos de idade e, aos 26 anos abalou para Londres, porque Portugal «era uma chatice» e, nessa cidade estudou Teatro ao mesmo tempo que trabalhava para a BBC, como Locutora e Produtora das Secções Portuguesa e Brasileira.

Voltou a Portugal 11 anos depois com a também Actriz Helena Félix, com quem e mais Valentina Trigo de Sousa, fundou no Teatro Vasco Santana na Feira Popular de Lisboa, a Companhia Teatro Estúdio de Lisboa (TEL), a primeira de Teatro Independente de Lisboa, através do qual deu a conhecer novos autores contemporâneos, particularmente anglo-saxónicos que ela própria traduziu, conjunto de que salientamos Arnold Wesker, David Storey, Edward Bond, Giraudoux, John Osborne, Marguerite Duras, Maxwell Anderson, Peter Shaffer, Rafael Alberti, Roger Vitrac, Strindberg, Tchekov, Terence Rattigan, Thornton Wilder, Vaclav Havel e ainda, os portuguesesSttau Monteiro, Fernando Luso  Soares ePrista Monteiro.

Luzia Maria Martins usou também várias obras da sua autoria, a primeira das quais, o drama narrativo «Bocage, Alma Sem Medo», estreado com êxito em 1967 e logo proibido pela Comissão de Censura. Seus foram também o espectáculo baseado em Shakespeare – «Anatomia duma história de Amor» (1969), a adaptação do «Cândido» de Voltaire (1973), a crónica «Lisboa 1972-74» (1974) onde apareceu pela primeira vez a canção Uma Gaivota Voava, Voava cantada por Ermelinda Duarte, «Trapos e Rendas» (1975), «Tema e Variações» (1978) sobre a vida de Raul Brandão, «Quando a Banda Tocar» (1979) e «O Homem que julgava ser Camões» (1980).

Com a extinção do TEL em 1991, Luzia Maria Martins ainda regressou ao palco do D. Maria II, em Abril de 1998, para interpretar o monólogo «Frida e a Casa Azul» , dedicado à pintora Frida Kahlo.

Ao longo da sua carreira, a Encenadora recebeu diversos galardões como o Pémio António Pinheiro, em 1969, para o melhor Encenador do Ano ou o Prémio da Crítica, pela sua encenação de “Lar”, de David Storey, atribuído em 1970.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de São Domingos de Benfica, Edital de 26-06-2001, ex-Rua C à Rua Virgílio Correia), Seixal (Freguesia de Fernão Ferro), Sintra (Freguesia de Algueirão-Mem Martins).

Fonte: “Dicionário de Mulheres Célebres”, (de Américo Lopes de Oliveira, Eitado por Lello & Irmão Editores, Edição de 1981, Pág. 857)

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”

Manuel Teixeira Gomes, o Presidente que Salazar “obrigou” a falecer na Argélia.

 

Manuel Teixeira Gomes, nasceu faz hoje 156 anos,  foi Presidente da República, mais é conhecido como Escritor. Obrigado, pela ditadura, a viver exilado, faleceu na Argélia.

 

Manuel Teixeira GomesMANUEL TEIXEIRA GOMES, Político e Escritor, nasceu em Portimão, a 27-05-1860, e faleceu em Bougie  (Argélia), a 18-10-1941. Filho de José Libânio Gomes e de Maria da Glória Teixeira. Neto, pelo lado paterno, de um combatente de Waterloo, Manuel Gomes Xavier, Oficial do Exército napoleónico. Estudou em Portimão, no Colégio de S. Luís Gonzaga, até aos 10 anos de idade, em que transitou para o Seminário de Coimbra, onde fez aprofundados estudos clássicos e os preparatórios de Medicina. Não havia, porém, de completar este curso, preferindo à frequência regular das aulas uma descabelada boémia literária, a insistente leitura nas Bibliotecas e a descoberta de Museus e Monumentos.

Durante a sua juventude, conviveu com Escritores como João de Deus, Sampaio Bruno, Fialho de Almeida e António Patrício. Embora tentasse ainda os estudos universitários, acabou por se dedicar á actividade comercial na empresa familiar, o que acabou por lhe proporcionar inúmeras viagens fora do país.

Após a implantação da República, em 1910, tornou-se Diplomata. Foi nomeado Ministro de Portugal em Londres (1911-1918 e 1919-1923).

A sua carreira política culminou, em 1923, com o cargo de Presidente da República, que ocupou durante um período de dois anos. Resignou do cargo devido à impossibilidade de reconciliar os democratas.

Perante o quadro de efervescência política, social e militar, se nos lembrarmos das greves e das tentativas de tomada do poder, de que são exemplo os acontecimentos militares de 18 de Abril de 1925, Teixeira Gomes sentindo, por um lado, que as forças republicanas estão cada vez mais isoladas e desunidas, e, por outro, que não dispõe de poderes para poder intervir no quadro legal imposto pela Constituição, resigna do seu mandato, em 11 de Dezembro de 1925.

Em 17 de Dezembro, embarca no paquete grego Zeus, não regressando mais em vida a Portugal. Passou então a viver na Argélia, onde veio a falecer.

A obra de Teixeira Gomes, que se estendeu por vários géneros (ficção, crónica, pequenos textos aforísticos e anotações), reflecte de forma viva a sociedade da sua época, por vezes com intuitos de crítica social. Com aproximações ao Simbolismo, ao Decadentismo, a um certo Classicismo, a sua obra está marcada por um desejo epicurista de experiência e representação de aspectos sensorias, pelo sentido da fruição do prazer e da vida. Aproxima-se do esteticismo pela recusa da crueza realista, comprazendo-se no olhar irónico ou num certo lirismo impressionista. Assumindo uma postura aristocrática, Teixeira Gomes compraz-se em anotações eróticas, mantendo uma serenidade que tem as suas raízes na Antiguidade Clássica.

Entre as suas obras, contam-se: »Inventário de Junho« (1899), »Cartas sem Moral Nenhuma« (1903), »Agosto Azul« (1904), »Sabina Freire« (1905, teatro), »Gente Singular« (1909, contos), »Cartas a Columbano« (1932), »Novelas Eróticas« (1935), »Carnaval Literário« (1938), e »Maria Adelaide« (1938, novela).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Albufeira; Almada; Amadora; Beja (Freguesia da Cabeça Gorda); Fafe (Freguesia de Regadas); Faro; Lagoa (Freguesia de Ferragudo); Lagos; Lisboa (Freguesia de Marvila); Loulé; Loures (Freguesia de Sacavém); Matosinhos (Freguesia de Custóias); Mirandela; Moita (Freguesia do Vale da Amoreira); Odivelas (Freguesia da Ramada); Oeiras (Freguesia de Carnaxide); Portimão; Santarém; Seixal (Freguesia da Amora); Silves (Freguesias de Algoz e São Bartolomeu de Messines); Tavira; Vendas Novas; Vila Nova de Famalicão; Vila Nova de Gaia.

Fonte: “Quem Foi Quem?, 200 Algarvios do Século XX”, (de Glória Maria Marreiros, Edições Colibri, 1ª Edição, Dezembro de 2000, Pág. 237, 238, 239 e 240)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 255).

“Efemérides”

Faz hoje 53 anos sobre a criação da OUA (Organização da Unidade Africana), mas, a julgar pela prática, muitos dos objectivos ainda não foram alcançados.

OUAA 25 de Maio de 1963, os chefes de Estado africanos e do Malgaxe, reunidos em Adis Abeba, capital da Etiópia, decidem fundar a OUA – Organização da Unidade Africana, tendo por objectivo «promover a unidade e a solidariedade dos Estados africanos e de Madagáscar; coordenar e intensificar a sua colaboração e esforços para uma vida melhor dos povos africanos; defender a sua soberania e integridade territorial e independência; eliminar de África toda as formas de colonialismo e promover a cooperação internacional».

Fonte: “Diário de Lisboa, nº 14527, de 25-05-1963

“Efemérides”

Faz hoje 243 anos que foi extinta a lei que criou, em Portugal, a existência de cristãos-novos e cristãos-velhos.

 

Cristãos-NovosCRISTÃOS-NOVOS, designação dada em Portugal, no final do Século XV, aos recém-convertidos ao cristianismo provenientes de meio judaicos.

Esta designação nasceu com a lei da expulsão dos que praticavam o judaísmo,promulgada em 1496.

Para poderem permanecer em Portugal, muitos judeus foram baptizados (muitos desles por uma questão de sobrevivência e não pela fé), passando deste modo a haver cristãos-novos e cristão-velhos.

Essa lei vigorou até 1773. De facto a 25 de Maio de 1773, no reinado de D. José I, é publicada a carta de lei que extingue, a distinção entre cristãos-novos e cristãos-velhos.