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“Quem Foi Quem na Toponímia de Cantanhede”

 

Câmara Municipal de CantanhedeANTÓNIO LIMA FRAGOSO, Compositor e Pianista, natural na Freguesia da Pocariça (Cantanhede), nasceu a 17-06-1897 e faleceu a 13-10-1918. Faleceu vítima de pneumónica apenas acabado o curso de Piano no Conservatório Nacional de Lisboa. Era uma das mais promissoras esperanças da música portuguesa.

As primeiras noções musicais foram-lhe transmitidas pelo seu tio, António dos Santos Tovin, Médico e Músico amador.

Depois da Instrução Primária foi viver para o Porto a fim de frequentar o Liceu, onde prosseguiu os estudos musicais, especialmente de Piano, com o Professor Ernesto Maia. Frequentou ainda o Curso Superior de Comércio, para satisfazer os desejos da família, mas acabou por abandoná-lo dois anos depois.

Fixou-se em Lisboa e inscreveu-se no Conservatório Nacional, onde estudou com Tomás Borba (Harmona), Luís de Freitas Branco (Acompanhamento e Leitura de Partituras) e Marcos Garin (Piano) (1914-1918.

Apresentou-se pela primeira vez em público na Acacemia de Amadores de Música a 16 de Maio de 1916, num concerto integralmente preenchido com obras suas.

Compôs, para piano: Três Peças do Século XVIII, Canção e Dança Portuguesa, Dança Popular, Suite, Sete Prelúdios, Sonata, Dois Nocturnos, etc. Outras composições: Trio (piano, violino e violoncelo), Suite Romântica (violino e piano), Toadas da Minha Terra (canto e piano) e Canções do Sol Poente (com poemas de António Correia de Oliveira.

A Par de influências do impressionismo francês, há na sua música forte personalidade poética de raiz nacional.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Almada (Freguesia da Charneca de Caparica); Cantanhede.

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 15, Pág. 101 e 102)

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX, II Volume C-L”, (Direcção de Salwa Castelo-Branco, Edição do Círculo de Leitores, Temas e Debates, 1ª Edição, Fevereiro de 2010, Pág. 517 e 518).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 230).

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Recordamos hoje, Carlos Baeta Neves, Professor e Investigador, Fundador da LPN – Liga de Protecção da Natureza.

 

Baeta NevesCARLOS Manuel Leitão BAETA NEVES, Professor e Investigador, nasceu em Lisboa, a 31-07-1916, e faleceu na Parede (Cascais), a 02-07-1992. Silvicultor e Professor Universitário. Em 1938 Licenciou-se em Silvicultura no Instituto Superior de Agronomia, onde a partir de 1945, foi Entomologista e Ecólogo. Professor do Instituto Superior de Agronomia, com importante obra científica no domínio da Entomologia, distinguiu-se pela sua intensa actividade militante na defesa do Património Natural.

Assim, fundou a Liga de Protecção da Natureza, em 1948 e foi um acérrimo defensor dos valores naturais da Serra da Arrábida, tendo, neste campo publicado numerosos trabalhos. A sua acção foi decisiva para a criação do Parque Natural da Arrábida, de cuja Comissão foi o primeiro Presidente.

Carlos Baeta Neves publicou cerca de 200 trabalhos de carácter científico e cerca de 850 de divulgação, sempre sobre os temas de Silvicultura, Entomologia Florestal, Cinegética e História Florestal, Aquícola e Cinegética.

A sua actividade profissional desenvolveu-se do seguinte modo: Elaborou os planos de arborização das serras Amarela, Peneda e Suajo (Perímetro Florestal K do «Plano de Povoamento Florestal de 1938») e colaborou na organização de outros planos de arborização na Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas (1938-1939). Chefiou o Laboratório da Secção Entomológica do Laboratório de Biologia Florestal, em Coimbra (1939- 1940) e em Lisboa (1940-1945). Realizou uma conferência na Sociedade de Ciências Agronómicas intitulada «A propósito do estudo da Entomologia em Portugal» (1941). Participou no XI Congresso de Ciências Naturais, Lisboa (1941) onde apresentou uma tese. Organizou a luta contra o «Bóstricos», praga dos pinhais (1942); elaborou umas instruções e realizou duas palestras sobre o combate à praga, uma na Emissora Nacional e outra em Oleiros. Colaborou na luta contra a Lymantria díspar L., praga dos montados de sobro, realizando reconhecimentos e ensaios de campo, estudos bibliográficos e laboratoriais e representando à Junta Nacional da Cortiça na «Comissão de ataque à Lymantria» (1942-1949). Concorreu ao 4º Congresso da Associação Portuguesa para o Progresso das Ciências, realizado no Porto em 1952, apresentando uma tese. Concorreu ao 1º Congresso Nacional de Ciências Agrárias, realizado em Lisboa em 1942, apresentando quatro teses, uma em colaboração com F. Azevedo e Silva. Estudou a possibilidade, quanto à existência da matéria-prima, da transferência para a Metrópole de uma fábrica de extractos taninosos existente em África, para o que elaborou um relatório (1943).

Concorreu ao 1º Congresso Regional de Mem Martins, Rinchoa e Mercês, apresentando um tese. Deslocou-se a Espanha como bolseiro do Instituto para a Alta Cultura para visitar os centros de investigação e ensino de Entomologia (2 meses, 1945 e 1946), visitando também os povoamentos de Pinus sylvestris da Serra do Guadarrama e os montados da região de Badajós, a Estação Alpina do Instituto, Escuelas Especiales de Ingenieros de Montes e de Ingenieros Agronomos e a Estação Central de Fitopatologia, tendo trabalhado especialmente no Instituto Español de Entomologia de Madrid. Colaborou ativamente na «Campanha de Proteção do Sobreiro» (1946), tendo realizado duas palestras na Emissora Nacional. Realizou uma palestra no Instituto de Assistência Social (1946). Concorreu ao II Congresso Ribatejano (1948), apresentando uma tese. Realizou um reconhecimento geral do estado do descortiçamento dos sobreiros ao Norte do Tejo (1946), apresentando na Junta Nacional da Cortiça uma relatório que foi em grande parte publicado no Boletim da Junta da Cortiça, nº 98, Dezembro, 1946, pp. 58, nº 99, Janeiro de 1947, pp. 111 e nº 100, Fevereiro, 1947, pp. 166. Estudou alguns aspetos da doença dos sobreiros no Vale do Tejo, organizando um inquérito à lavoura e fazendo um reconhecimento geral sobre a área abrangida pela doença, apresentando à Junta Nacional da Cortiça, em 1947 e 1948, os relatórios respetivos. Tomou parte na I Reunião Botânica Peninsular realizada no Gerez (1948), tendo apresentado uma comunicação no Symposium. Fundou a Liga para a Protecção da Natureza (1948). Passou a desempenhar o cargo de entomologista do Jardim Colonial (1948-1951). Realizou uma conferência na Sociedade de Geografia de Lisboa, intitulada «Harmonias da Natureza» (1948). Foi eleito Secretário da Sociedade de Ciências Agronómicas (1948-1949). Realizou uma conferência na Sociedade de Geografia de Lisboa intitulada «Parques e Reservas», 1949. Apresentou uma comunicação à «Conferência Técnica Internacional para a Protecção da Natureza», reunida em Lake Sucess (U. S. A., 1949). Estudou de novo a possibilidade, quanto a matérias-primas, da instalação em Portugal de uma fábrica de extractos taninosos e tem-se mantido até à data como técnico Florestal da Sociedade de Extractos Tanantes, organizada em 1952 e de que é Vice-Presidente da Assembleia Geral. Visitou a Madeira a convite do Grémio dos Exportadores de Frutas e Produtos Hortícolas e presidiu nessa altura à I Conferência da Liga para a Protecção da Natureza, realizada no Funchal 1950), e visitou então as florestas espontâneas das serras da Madeira.

Encarregado pela Direcção-Geral dos Serviços Industriais de visitar as plantações de acácias e eucaliptos taninosos no Norte de África (Marrocos, protectorado francês e espanhol), visitou também as florestas de «Cedrus atlântica» (Atlas), de «Quercus Suber» (Mamora, Larache, etc.) e de «Abies pinsapo» (Riff) e Estação de Experimentação Florestal, Estação de Agricultura, Instituto Cherifram, Estação Agronómica e Serviço de Defesa dos Vegetais (1950) do protectorado francês. Visitou as plantações de eucaliptos da região de Huelva, para estudar a possibilidade de abastecimento futuro de uma fábrica de extractos taninosos e de papel de Barcelona (1950). Acompanhou uma excursão de alunos do Instituto Superior de Agronomia a Espanha, visitando as novas instalações do Instituto Florestal de Investigaciones y Experiencias, as instalações da Serra do Guadarrama da Escola Especial de Ingenieros de Montes e o Instituto de Genética, Edafologia, Fisiologia Vegetal e Farmacognosia (1951). Foi encarregado pela Direcção do Jardim Colonial de estudar, em colaboração com os engenheiros-agrónomos J. P. Cancela da Fonseca e J. P Pereira Amaro, os prejuízos causadospelos insectos do amendoim importado da Guiné (1951). Voltou à Madeira, a convite da Câmara Municipal do Funchal, para realizar o estudo da melhor orientação técnica a dar à exploração florestal dos Montados do Barreiro e do Pisão, tendo em vista o melhor abastecimento de água do Funchal (1952). Apresentou à Fazenda Pública diversos pareceres, elaborados a pedido do Exmº Senhor Diretor-Geral, sobre Monserrate, Matinha de Queluz, arvoredos do Palácio de Sintra e Penha Longa (1951-1952). Em colaboração com os engenheiros-agrónomos J. P. Pereira Amaro e J. P. Cancela da Fonseca concorreu ao I Congresso Nacional da Marinha Mercante, apresentando uma tese em conjunto sobre as primeiras inspecções entomológicas de porões de navios realizadas em Portugal (1952). Realizou uma conferência na Sociedade de Ciências Agronómicas, a convite da Direcção, sobre os últimos progressos da Entomologia Agrícola em Portugal (1952). Realizou uma conferência na Casa do Alentejo sobre a cultura das plantas taninosas (1952). Foi encarregado pela Junta Nacional das Frutas e Grémio de Exportadores de Produtos Hortícolas do Algarve de orientar o estudo e combate às Traças dos Figos do Algarve, realizado em colaboração com o Engenheiro-agrónomo J. Franqueira (1953 a 1955). Tem orientado os estudos sobre os problemas de defesa fitossanitária do amendoim importado da Guiné e outros produtos do Ultramar, trabalhos subsidiados pela Junta das Missões Geográficas e de Investigações do Ultramar e realizados, a partir de 1953, no Instituto Superior de Agronomia. Realizou uma conferência no Instituto de Investigação Científica Bento da Rocha Cabral, a convite da Direcção, sobre a Entomologia dos produtos alimentares e industriais armazenados (1953). Tem orientado o estudo da defesa fitossanitária dos produtos armazenados, de origem metropolitana, a partir de 1954, em colaboração com a Repartição dos

Serviços Fitopatológicos da Direcção-Geral dos Serviços Agrícolas do Ministério da Economia. Foi convidado para fazer parte das Secções de Proteção da Natureza e de Biogeografia da Sociedade de Geografia de Lisboa, tendo sido Vice-Presidente da primeira (1954-55). Foi convidado para apresentar uma comunicação ao «Simpósium» nº 4 da Secção de Entomologia Florestal do X Congresso Internacional de Entomologia, a realizar em Montreal em Agosto de 1956. Faz parte duma comissão de engenheiros-silvicultores, eleita para tratar dos problemas da classe. Mantém desde «Gafa» a colaboração na «Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira» em toda a Entomologia. Colaborou em numerosas revistas e jornais divulgando assuntos de carácter técnico e científico, nomeadamente no campo da Silvicultura, Entomologia Florestal, Cinegética e Proteção da Natureza e é redator florestal da «Gazeta das Aldeias» desde 1947 e consultor florestal da mesma desde 1955. Orientou a elaboração de 55 Relatórios Finais dos alunos tirocinantes de Agronomia e Silvicultura, alguns dos quais versam assuntos tratados pela primeira vez em Portugal, tendo dado assim oportunidade a numerosas observações originais nos campos da Entomologia Agrícola e Florestal, Fauna do Solo Florestal e da Cinegética. Dedicou-se especialmente ao estudo do inventário da Entomofauna Florestal portuguesa.

Carlos Baeta Neves, pertenceu às seguintes Sociedades Cioentíficas: Sociedade de Ciências (Secretário na Direcção eleita em 1948 e membro da Comissão da «Revista Agronómica»). Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais (da Comissão de Excursões e Visitas eleita em 1952). Liga para a Proteção da Natureza (fundador, presidente da 1ª e 2ª direções, vicepresidente da 3ª direcção, presidente do Conselho Técnico da 4ª direcção e vicepresidente da 5ª direcção e representante desta última no Conselho Técnico). Sociedade Broteriana. Instituto de Sintra. Sociedade de Geografia de Lisboa. Ligue Suisse pour la Protection de la Nature.

Obras principais: Introdução à Entomologia Florestal Portuguesa, 1950, A Protecção da Natureza, 1955, e A Natureza e a Humanidade em Perigo, 1970, em dois volumes. Recebeu em 1989 o prémio “Johann Wolfgang vom Goethe”, atribuído a quem mais se distinguisse na defesa da Natureza e da paisagem na Europa.

Foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem de Instrução Pública em 1990 e com a Grã-Cruz de Mérito Agrícola e Industrial (Classe de Mérito Agrícola) em 1991. Recebeu em 1989 o prémio “Johann Wolfgang von Goethe”, atribuído a quem mais se distinguisse na defesa da Natureza na Europa.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Setúbal (Rua Professor Carlos Baeta Neves).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 383)

Fonte: “ISA – Instituto Superior de Agronomia”

“Quem Foi Quem na Toponímia de Campo Maior”

 

Câmara Municipal de Campo MaiorLOURENÇO Caldeira da Gama Lobo CAYOLA, Jornalista, Militar e Político, nasceu em Campo Maior, a 21-06-1863, e faleceu em Lisboa, a 31-07-1935. Era filho de Maria do Carmo da Gama Lobo Cayola e de Manuel Caldeira Cayola.

A formação de grau secundário concretiza-a no Colégio Militar, seguindo-se a frequência da Escola Politécnica no início dos anos oitenta e, em simultâneo, a frequência do curso na Escola do Exército. Após a conclusão do curso de oficial e até à proclamação da República, sendo um militar de carreira, envolve-se na actividade política e jornalística. A sua actividade jornalística começou aos 17 anos de idade, na Escola Politécnica onde fundou A Justiça. Durante a sua carreira militar viveu em Elvas tendo, por isso, sido jornalista no Elvense e no Correio Elvense. Causou tal impacto com os seus artigos que, em 1893, José Luciano de Castro o convidou a ingressar no Correio da Noite (no qual veio a ser Director), em Lisboa, onde foi responsável pelas crónicas parlamentares e onde demonstrou uma veia crítica muito acesa (de tal forma que, no dia 11-09-1905, entrou em duelo de espada com Barbosa Colen, do Novidades). Mais tarde foi articulista, crítico literário e desempenhou também cargos re responsabilidade editorial no Diário de Notícias.

Foi eleito Deputado em 1897, pelo círculo uninominal de Fronteira, e foi sucessivamente eleito até 1910 (foi sempre eleito por círculos uninominais do Alentejo (Avis e Portalegre). Exercendo funções parlamentares como representante do Partido Progressista. Nessa qualidade, elabora diversos relatórios no quadro de “governos progressistas”, colabora na imprensa lisboeta e participa, no âmbito da instituição militar ou da Sociedade de Geografia, em múltiplas iniciativas relacionadas com o colonialismo e os movimentos cívicos nacionalistas que, de modo mais ou menos directo, se associam à exaltação dos sentimentos patrióticos. Com a República, cessa quaisquer funções políticas oficiais, embora não participe declaradamente nos movimentos monárquicos de oposição, o que eventualmente também contribui para que regularmente participe nas negociações com os governos republicanos para as reformas da Escola 1919-1920 e 1926.

Veio a aderir à União Nacional de Salazar. Foi colaborador no Boletim Geral das Colónias, dirigido por seu filho Júlio Cayola, e efectuou diversas conferências sobre temas coloniais na Sociedade de Geografia de Lisboa e na Escola Politécnica. Pertenceu à administração da Companhia do Niassa e foi adjunto da direcção da CP.

Possuía as Comendas das Ordens de Sant’Iago da Espada e de Carlos III, de Espanha, era Oficial da Legião de Honra e Cavaleiro e Grande Oficial da Ordem Militar de São Bento de Avis e da Ordem de Cristo.

Publicou dois livros de memórias: Revivendo o Passado, (1929) e Cenas Delidas pelo Tempo, (1934), além de diversos romances e novelas, e travou amizade com Escritores de nomeada como Trindade Coelho, Marcelino Mesquita e Maria Amália Vaz de Carvalho.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Campo Maior, Sintra (Freguesia de São Pedro de Penaferrim).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. II, Publicações Europa América)

Fonte: “Ideologia e Propaganda Colonial no Estado Novo: Da Agência Geral das Colónias À Agência Geral do Ultramar, 1924-1974, José Luís Lima Garcia”.

Fonte: “Dicionário Biográfico Parlamentar, 1834-1910”, (Vol I, de A-C), Coordenação de Maria Filomena Mónica, Colecção Parlamento” (Pág. 522, 523 e 524).

A poucos dias de iniciar mais uma edição da Volta a Portugal em Bicicleta, recordamos o Jornalista Serafim Ferreira, que acompanhou, durante muitos anos, esta prova.

 

Serafim FerreiraSERAFIM FERREIRA, Jornalista, nasceu na Freguesia do Bonfim (Porto), a 30-07-1941, e faleceu no Hospital Santos Silva, em Vila Nova de Gaia, a 27-04-2010. Serafim Ferreira, esteve ligado ao Jornal de Notícias cerca de 35 anos. Serafim Ferreira entrou na empresa, como Estagiário, em 1965 e no ano seguinte foi promovido a Repórter. Conquistou o título de Redactor em 1970.

Ascendeu a Chefe da Secção Desportiva do Jornal de Notícias, em 1978, na qual se destacou, tal como os ex-directores Frederico Martins Mendes e Freitas Cruz, que também se notabilizaram na secção de Desporto do JN.

Começou a profissão em 1965 no “Jornal de Notícias”. Em 1985 saiu do JN para fundar e dirigir o jornal “O Jogo”. Regressou às origens em Agosto de 1992, mantendo-se no JN até se reformar.

Amante das actividades desportivas, Serafim Ferreira fica intimamente ligado ao desenvolvimento do ciclismo em Portugal. Foi Director da Volta a Portugal em Bicicleta nos vários anos em que a competição foi organizada pelo Jornal de Notícias. Destacou-se igualmente como Director do Grande Prémio JN, Sport Notícias, Grande Prémio O Jogo e Volta a Portugal do Futuro.

Sócio do SJ desde 17 de Março 1966, tinha o n.º 100 de associado. O funeral, com missa de corpo presente, realiza-se amanhã, quarta-feira, às 15 horas, na Igreja Nova do Candal, concelho de Vila Nova de Gaia. Segue depois para o cemitério de Canidelo.

Fonte: “Sindicato dos Jornalistas”

Fonte: “JON – Jornal de Notícias”

“Quem Foi Quem na Toponímia de: Caminha”

 

 

Câmara Municipal de CaminhaARTUR Fernandes FÃO, Músico, natural da Freguesia de Vila Praia de Âncora (Caminha), nasceu a 29-04-1894 e faleceu a 09-11-1963. Era filho de Constantino Fernandes Fão, Músico amador e irmão de Joaquim Fernandes Fão. Regente, Violinista, Compositor e Pedagogo. Foi o carismático Regente da Banda da Armada, que dirigiu durante mais de três décadas.

Com o pai e o irmão iniciou a aprendizagem musical de Solfejo e prática em vários instrumentos, em especial o Violino.

Em 1910 alistou-se no Exército e em 1912 ingressou como Claretinista da Banda de Música da Guarda Nacional Republicana, na época dirigida pelo seu irmão Joaquim.

Frequentou, simultaneamente, o Conservatório Nacional, onde cursou Violino, Contraponto, Fuga e Composição. Recebeu ainda lições de Piano, História da Música, Música de Câmara e Classe de Orquestra. Nesta última teve oportunidade de dirigir obras suas, entre as quais um Esboço Sinfónico, que apresentou como exame de fim de Curso e dedicou a António Eduardo da Costa Ferreira, seu Professor.

A 16 de Agosto de 1920 foi nomeado Regente da então Banda de Música do Corpo de Marinheiros da Armada, formação que dirigiu até 02 de Dezembro de 1955, e em que se notabilizou pelo desenvolvimento qualitativo que imprimiu à formação. Durante a sua regência, a Banda da Armada, para além dos concertos periódicos nas unidades de Marinha, passou a actuar por todo o País.

Das apresentações no estrangeiro destacou-se a viagem oficial ao Brasil (Setembro de 1922), em que Artur Fão acompanhou o Presidente da República António José de Almeida a bordo do navio Porto no âmbito das comemorações do I Centenário da Independência do Brasil, diriginmdo a Banda em vários concertos, tanto em apresentações ao ar livre, como em salas de espectáulo (Teatros) na Cidade do Rio de Janeiro.

Em 1926, com o então Director do Conservatório Nacional, Viana da Mota, estabeleceu um acordo entre as duas instituições, que transferiu os exames musicais de promoção dos Músicos da Banda da Armada para o Conservatório Nacional, prática que se prolongou ao longo do Século XX, e que beneficiou a carreira dos Músicos Militares, conferindo elevados padrões de exigência ao exercício da profissão.

Artur Fão, notabilizou-se também como Violinista. Integrou a Orquestra Sinfónica Pirtuguesa dirigida por Pedro Blanch, a Orquestra de Ópera de São Carlos (primeiro Violinista) e a Orquestra Sinfónica de Lisboa.

Simultaneamente à regência da Banda da Armada, estreou-se como Director de Orquestra Sinfónica de Lisboa, que o seu irmão dirigiu regularmente durante a década de 20.

Enquanto Compositor, para além da obra para a Banda, escreveu várias obras para Canto, com acompanhamento de Orquestra e Piano, tendo algumas delas sido executadas pelas Orquestras Sinfónicas de Pedro Blanch e David de Sousa.

Escreveu obras de carácter didáctico, elaboradas primeiramente para o ensino na Banda da Armada, que foram adoptadas no Conservatório Nacional e, posteriormente, por outras Escolas, Conservatórios e Academias de todo o País, tenmdo sido mantidas nos programas oficiais do ensino especializado de música até ao final do Século, nomeadamente Solfejo (1ª, 2ª e 3ª partes); Exercícios de Entoação, Teoria Musical (editado com a indicação de «Oficialmente adoptado pelo Conservatório Nacional, Secção de Música, por despacho Ministerial de 04 de Novembro de 1937»); Canto Coral (34 canções harmonizadas a 4 vozes. Publicou ainda, em 1955, o Compêndio de Exercícios para a Caixa de Guerra e Clarins.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Caminha (Freguesia de Vila Praia de Âncora – Rua Artur Fão).

Fonte: “Enciclopédia da Música em Portugal no Século XX” (Direcção de Salwa Castelo-Branco, 2º Volume, C-L, Temas e Debates, Círculo de Leitores, 1ª Edição, Fevereiro de 2010, Pág. 457 e 458)

“Recordamos hoje, Alfredo Cortês, o Escritor que critica severamente, através das suas peças teatrais, a sociedade burguesa e capitalista de Lisboa, dos primeiros anos do Século XX”

 

Alfredo CortêsALFREDO Ferreira CORTÊS, Escritor e Juiz, nasceu em Estremoz, a 29-07-1880, e faleceu em Oliveira de Azeméis, a 07-04-1946. Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra e seguiu a carreira da Magistratura. Em 1929 e 1930 exerceu o cargo de Juiz de Investigação criminal em Angola. Depois de ter exercido em África, durante algum tempo, o cargo de Juiz de Instrução Criminal, fixou-se em Lisboa.

Profundo conhecedor da técnica teatral, Alfredo Cortês pretendia com as suas peças denunciar os vícios de uma sociedade decadente e retratar ambientes, usos e situações regionais.

Estreia-se com a peça »Zilda« (1921), situada no meio da alta burguesia, a que se segue »O Lodo« (1923), cuja acção decorre num bordel. Em ambas disseca minuciosamente todos os podres de uma sociedade que se dizia moralista mas que se encontrava já em acentuada decadência.

Faz de seguida uma incursão, sem grande convicção, pelo drama histórico em verso, com »À La Fé« (1924), a que se seguem »Lourdes« (1927), peça de ressonâncias autobiográficas, »O Ouro« (1928), E »Domus« (1931).

Muda então de registo e escreve a sua peça mais experimental, »Gladiadores« (1934), sátira política e social arrojada que não foi compreendida pelo público conservador da época. Depois desta experiência mal sucedida, envereda por outros rumos, recriando ambientes regionais nas peças »Tá-Mar« (1936), e »Saias« (1939).

Regressa aos dramas de crítica social e à vivência urbana nas suas últimas peças, »Bâton« (1939), e »Lá-Lás« (1944), onde critica severamente a sociedade burguesa e capitalista de Lisboa. A primeira delas foi representada só postumamente, em 1946, pela companhia Os Comediantes de Lisboa.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Estremoz; Lisboa (Freguesia de Alvalade).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. III, Organizado pelo Instituto da Biblioteca Nacional e do Livro, Coordenação de Eugénio Lisboa, Publicações Europa América, Edição de 1990, Pág. 230)

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 164).

“Quem Foi Quem na Toponímia de Câmara de Lobos”

 

Câmara Municipal de Câmara de LobosVASCO DOS REIS GONÇALVES, Médico, nasceu em Câmara de Lobos, a 25-03-1914, e faleceu no Funchal, a 24-04-2005. Era filho de Manuel Augusto Gonçalves e de Maria Lídia Gonçalves. Era neto paterno de Francisco Gonçalves dos Reis e de Maria Natália Gonçalves e neto materno de Roque Gonçalves e de Maria Petronila Gonçalves.

Casou na Igreja de São Pedro, no dia 21 de Janeiro de 1950, com Mécia Maria Gouveia de França Reis Gonçalves (falecida em Outubro de 2005), natural do Porto Moniz, filha do Professor Francisco dos Anjos França e de D. Alda Baptista Homem de Gouveia França, de quem teve descendência.

Foi Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Câmara de Lobos. Ainda que tendo participado numa sessão camarária de 1 de Agosto de 1945, é apenas nomeado para o cargo de Presidente da Câmara Municipal, por Alvará de 24 de Agosto de 1945, tomando posse, ao que parece, no dia 3 de Setembro, datando do dia 12 do mesmo mês e ano o registo da primeira acta da Câmara, onde o seu nome consta como Presidente.

Manteve-se na Presidência da Câmara até 18 de Abril de 1959, altura em que é substituído por António Prócoro de Macedo Júnior, em virtude de ter ultrapassado o período, permitindo por lei, para permanecer ininterruptamente à frente da presidência da Câmara. Regressa à liderança da Câmara em Junho de 1973, onde se mantém até 2 de Outubro de 1974.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Câmara de Lobos (Rua Doutor Vasco dos Reis Gonçalves).

Fonte: “Câmara de Lobos – Dicionário Corográfico”

Recordamos hoje, Ferreira da Silva, o Professor, o Cientista e o Pedagogo, no dia em que passa mais um aniversário sobre o seu nascimento.

 

Ferreira da SilvaAntónio Joaquim FERREIRA DA SILVA, Professor e Cientista, nasceu na Freguesia de Cucujães (Oliveira de Azeméis), a 28-07-1853, e faleceu na Freguesia de Santiago de Riba Ul (Oliveira de Azeméis), a 23-08-1923. Era filho de António Joaquim da Silva e de Margarida Emília Ferreira da Silva.

António Joaquim Ferreira da Silva nasceu a 28 de julho de 1853 numa cela do mosteiro beneditino de Cucujães, concelho de Oliveira de Azeméis, de cujas propriedades o pai era procurador. Foi o filho mais velho de António Joaquim Ferreira da Silva, natural de Santiago de Riba-Ul, e de D. Margarida Emília Ferreira da Silva (1828-1914), originária do lugar da Manta, no mesmo concelho. Era parente do casal de atores Alfredo Ferreira da Silva (1859-1923) e Virgínia (1850-1922) e de Rui Luís Gomes (1905-1984), matemático e primeiro reitor da U.Porto após a Revolução de 25 de abril de 1974.

Concluídos os estudos primários em 1865, António Ferreira da Silva foi viver para o Porto, onde frequentou o curso dos liceus. No ano letivo de 1870-1871 fez as cadeiras de Química e Zoologia na Academia Politécnica do Porto, disciplinas do Instituto Industrial e o 1.º ano Teológico do Seminário Episcopal. Depois de abandonados os Estudos Eclesiásticos, ingressou na Universidade de Coimbra (1871-1872) onde obteve o grau de Bacharel em Filosofia Natural no ano de 1876. Mais tarde, Doutorou-se em Ciências Físico-Químicas e em Farmácia pelas faculdades de Ciências e de Farmácia da Universidade do Porto, em 1918 e 1922, respectivamente.

Durante o seu percurso académico recebeu diversos prémios e accessits; destoou a classificação obtida na disciplina de Botânica, que gerou uma polémica jornalística conhecida como “A questão dos RR“.

Foi no Porto que iniciou uma longa e bem-sucedida carreira de professor e cientista, após ter concorrido ao lugar de lente substituto da secção de Filosofia da Academia Politécnica do Porto com a apresentação da tese “Estudo sobre as Classificações Químicas dos Compostos Orgânicos” em 1877. Foi nomeado lente substituto da 7.ª, 8.ª, 9.ª e 10.ª cadeira por decreto de 24 de maio de 1877 e carta régia de 17 de julho do mesmo ano, tomando posse do lugar a 28 de maio. Promovido a lente proprietário da 8.ª cadeira por decreto de 20 de maio de 1880 e carta régia de 4 de novembro, Ferreira da Silva tomou posse a 18 de junho desse ano. A 19 de março de 1884 passou a assegurar a regência da 9.ª cadeira e a da 8.ª – Química orgânica e analítica – depois da reforma da Academia, por decreto de 23 de setembro de 1885. Entre 1902 e 1911, Ferreira da Silva lecionou a 4.ª cadeira daEscola de Farmácia do Porto – Química Legal e Sanitária. Em 1911, ano da fundação da Universidade do Porto, Ferreira da Silva foi nomeado professor ordinário do grupo de Química da Secção de Ciências Físico-Químicas, regendo os cursos de Química Orgânica, Analítica e preparatória para os cursos de Medicina. Foi, também, diretor da Faculdade de Ciências. A oração de sapiência que proferiu na cerimónia de abertura do ano letivo de 1911-12 subordinou-se ao tema “A importância e dignidade da Ciência.“.

Ferreira da Silva foi Vice-reitor da Universidade do Porto entre 16 de fevereiro de 1918 e 29 de outubro de 1921. Praticamente em simultâneo, lecionou a cadeira de Toxicologia nas faculdades de Medicina e de Farmácia da Universidade do Porto entre o ano letivo de 1918-19 e 1922-23.

Em 1880, António Ferreira da Silva foi encarregado pela Câmara Municipal do Porto de analisar as águas do rio Sousa, trabalho que resultou na publicação do relatório “As águas do rio Sousa e os mananciais das fontes do Porto” em 1881 e que esteve na origem de uma polémica que levou Ferreira da Silva a escrever o opúsculo “Réplicas aos meus críticos“.

Em 1882, Ferreira da Silva foi convidado a instalar o Laboratório Municipal de Química, projeto da Câmara Municipal do Porto com data de 1881, integrado no “Plano de melhoramentos da cidade” e inspirado no Laboratório Municipal de Paris. Nomeado diretor do Laboratório a 10 de janeiro de 1883, foi aqui que Ferreira da Silva realizou os seus grandes trabalhos de Química – entre 1884 (data da abertura ao público do laboratório) e 1907 (data do seu encerramento). Em 1905, Ferreira da Silva fundou a “Revista de Química pura e aplicada“com Alberto Aguiar eJosé Pereira Salgado, que mais tarde veio a ser o boletim da Sociedade de Química Portuguesa (convertida na Sociedade Portuguesa de Química e Física em 1926), instituição à qual também se associou.

A excelência do seu trabalho científico foi reconhecida dentro e fora de portas e teve resultados práticos de grande alcance. O domínio que deteve da Toxicologia foi decisivo para a condenação, em 1890, de Vicente Urbino de Freitas (1849-1913), médico e lente da Escola Médico-Cirúrgica do Porto que protagonizou o mediático “Crime da Rua da Flores“, acusado de envenenar com alcaloides diversos membros da família da sua mulher.

De igual modo como especialista, Ferreira da Silva participou na polémica levantada pelo Laboratório de Análises do Rio de Janeiro que, em 1894, deu os vinhos portugueses como salicilados. Presidiu à Comissão de Estudo e Unificação dos Métodos de Análise dos Vinhos, Azeites e Vinagres (1895-1902) e à entidade que a sucedeu, a Comissão Técnica dos Métodos Químico-analíticos, entre 1904 e 1913 e 1918 e 1923. É desta época a sua obra “Análise dos vinhos elementares e autênticos da circunscrição do Norte de Portugal“.

Em simultâneo, interessou-se por questões de higiene na cidade do Porto, que o levaram a escrever a “Contribuição para a higiene da Cidade do Porto” (1889).
Nesse ano foi nomeado Químico-analista e membro do Conselho Médico-legal da 2.ª Circunscrição do Porto e, depois da reforma dos serviços, professor de Toxicologia Forense do Curso Superior de Medicina Legal do Porto. Ferreira da Silva foi, ainda, diretor dos serviços de investigação da “pureza química e do poder iluminante do Gás de iluminação” da Câmara Municipal do Porto.

Em 1900, Ferreira da Silva foi novamente envolvido na polémica levantada pelo Laboratório de Análises do Rio de Janeiro. Analisou as amostras de vinho recebidas e concluiu que o ácido salicílico que elas continham se devia à localização geográfica das vinhas. Os resultados das análises foram comunicados à Sociedade de Química de França e à Academia de Ciências de Paris e publicados em diversas notas e opúsculos. Por este serviço prestado, Ferreira da Silva foi agraciado com o título de Conselheiro de Sua Majestade e de sócio honorário da Associação Comercial do Porto e da Associação Central de Agricultura Portuguesa.

Por essa altura, foi convidado pelo Fomento Comercial dos Produtos Agrícolas para avaliar o vinho do Porto, produto que estava a ser objeto de críticas no mercado brasileiro. O resultado do seu estudo foi publicado no opúsculo “O Comércio de vinhos do Porto nos mercados do Brasil em 1911“.

Ao longo da sua carreira, Ferreira da Silva publicou numerosos trabalhos sobre Química aplicada à Higiene, Alimentação e Hidrologia – artigos em revistas, discursos, relatórios e comunicações em congressos. Foi, também, autor de livros didáticos e de ensaios de literatura religiosa.

Ferreira da Silva foi membro de diversas sociedades científicas e comissões científicas internacionais. Representou Portugal nos congressos de Viena de Áustria (1898), de Paris (1900), de Berlim (1903), de Roma (1906), de Bruxelas (1909) e de Londres (1909). Durante os últimos anos de vida, trabalhou no Laboratório da Faculdade de Ciências.

Ferreira da Silva era católico e monárquico. Foi professor de Brito Camacho, médico, escritor e jornalista republicano, amigo de D. António Barroso (1854-1923), missionário e bispo do Porto, e de Bento Carqueja, Professor Universitário e proprietário do jornal “O Comércio do Porto“.

Foi no Brasil que se casou com uma prima em segundo grau, Idalina de Sousa Godinho, filha de José Joaquim Godinho, Visconde de Santiago de Riba-Ul, que fora protetor de António Ferreira da Silva durante os tempos de estudante. O casal teve 14 filhos.

António Ferreira da Silva faleceu a 23 de agosto de 1923 na casa do Lameiro em Figueiredo, vítima de uma síncope cardíaca. Do livro de condolências consta o nome de Oliveira Salazar, então docente na Universidade de Coimbra. D. Manuel II, a partir do exílio, enviou um telegrama de pêsames. No funeral, o Professor Mendes Correia e o Reitor da Universidade de Coimbra, renderam-lhe homenagem. Os restos mortais jazem no cemitério de Cucujães.

Em 11-06-1876 concluiu o curso de Ciências na Universidade de Coimbra e em 24-05-1877 foi nomeado Professor da Academia Politécnica do Porto (depois Faculdade de Ciências), tendo apresentado no concurso a tese Estudo Sobre as Classificações dos Compostos Orgânicos. Professor catedrático de Química, regeu, entre outras, a cadeira de Química Orgânica e Analítica. Em 13-11-1902 tornou-se professor de Toxicologia na Escola Superior de Farmácia. Notabilizou-se como director do Laboratório Municipal do Porto, criado em 1882. Fundou em 1905 a Revista Portuguesa de Química Pura e Aplicada e em 1911 a Sociedade Química Portuguesa, depois transformada em Sociedade Portuguesa de Química e Física.

Entre outras obras, publicou: Tratado de Química Mineral e Orgânica, 1880, em dois volumes, Os Vinhos do Porto Comuns, 1884, Contribuição Para a Higiene da Cidade do Porto, 1889, e O Caso Médico-Legal Urbino de Freitas, 1893.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Oliveira de Azeméis (Freguesia de Cucujães e Oliveira de Azeméis); Porto; Santa Maria da Feira (Freguesia de Argoncilhe).

Fonte. “Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira” (Volume 11, Pág. 187 e 188)

Fonte: “Universidade do Porto – Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto”

Fonte: “Dicionário Biográfico Parlamentar, 1834-1910”, (Vol III, de N-Z), Coordenação de Maria Filomena Mónica, Colecção Parlamento” (Pág. 657, 658 e 659).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 482).

“Quem Foi Quem na Toponímia da Calheta (São Jorge)”

 

Câmara Municipal de Calheta (São Jorge)JOSÉ MARIANO GOULART, Comerciante e Benemérito, nasceu na Calheta (São Jorge), a 08-09-1849, e faleceu em Coimbra, a 08-01-1917. Em 1868 veio para Lisboa, onde começou uma vida Comercial em 1885, tendo conseguido uma considerável fortuna por ser muito trabalhador e ter singular talento para o negócio, tinha então 59 anos de idade, delibetou fazer à sua custa com a copperação dos seus amigos, a Estrada que apesar de tantos pedidos as autoridades nunca fizeram.

Esta notável utilíssima via de comunicação, começada nos primeiros dias de Julho de 1908 e acabada à Relvinha em Dezembro de 1911.

Tinha 1100 metros de extensão, numa largura de 5 a 6 metros com inclinação média de 7%, tendo ela seus longos muros de suporte e resguardo de bastante elevação, com quatro voltas e importou em cerca de 10.435 mil réis.

É de louvar o amor qwue exisitia no senhor José Mariano Goulart a estas pedras negras que o viram nascer, que além da despesa da Estrada aindas teve que pagar alguns terrenos aos proprietários.

Este grande melhoramento de iniciativa particular e de tal dimensão é caso único e sem exemplo até hoje.

O seu nome faz parte da Toponímia de: Calheta (Rua José Mariano Goulart)

Fonte: “Recordando o Passado”,  (por Clímaco Ferreira da Cunha)

Recordamos hoje Francisco Manuel de Melo Breyner, 4º Conde de Ficalho, um dos “Vencidos da Vida” e co-autor do Jardim Botânico de Lisboa, no dia em que passa mais um aniversário sobre o seu nascimento.

 

Conde de FicalhoFrancisco Manuel de Melo Breyner, 4º CONDE DE FICALHO, nasceu em Serpa, a 27-07-1837, e faleceu em Lisboa, a 19-04-1903. O 4º Conde de Ficalho foi Escritor, Botânico e Professor Catedrático de Botânica da Escola Politécnica de Lisboa. Em conjunto com Andrade Corvo, Professor na mesma instituição, delineou o Jardim Botânico, no sítio do Monte Olivete e junto à Escola Politécnica, que começou a ser plantado em 1873 e foi inaugurado em 1878. Por ser o mais idoso dos “Vencidos da Vidaera considerado o presidente do grupo.

Filho de António José de Melo Breyner Teles da Silva, (2º Marquês de Ficalho)  e de Maria Luísa Braamcamp Sobral de Almeida Castelo Branco, filha dos 1º Condes de Sobral. Casou, em 1862, com D. Josefa de Meneses Brito do Rio, dama da rainha D. Maria Pia, filha de D. pedro Pimentel de Meneses Brito do Rio e de D. Maria Krus.

Passou os primeiros anos da sua vida no Alentejo, em Serpa, vindo depois para Lisboa frequentar a Escola Politécnica.

Aos 17 anos de idade, com o Curso Preparatório concluído, fez parte da comitiva do rei D. Pedro V e de D. Luís, nas viagens realizadas a diferentes cortes da Europa, em 1854 e 1855.

Concluído o Curso da Escola Politécnica em 1860, neste mesmo ano concorreu a Lente substituto da cadeira de Botânica, para que foi nomeado provisoriamente em 1861, e passando a definitvo no ano seguinte, vindo a tornar-se um dos seus mais distintos e apreciados Professores. Por morte de Andrade Corvo, tornou-se Lente proprietário e Catedrático em 1890.

Incentivou o incremento dos estudos da flora portuguesa, e, no desempenho do lugar de Director do Instituto Agrícola (1864 a 1877), deu grande impulso ao Jardim Botânico. Desempenhou ainda o lugar de Inspector-Geral de Belas-Artes.

Gentil-Homem da Câmara de D. Luís, camarista de D. Carlos e, mais tarde, por morte do Marquês de Ficalho, Mordomo-Mor da Casa Real e membro do Conselho de Estado, efectivo a partir de Maio de 1893. Foi também escolhido, pelo Rei D. Carlos, para Embaixador na cerimónia de coroação do Imperador da Rússia, em 1896, ocasião em que foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Torre e Espada.

Possuía ainda a Grã-Cruz da Ordem de Carlos III de Espanha, era Cavaleiro das Ordens de Leopoldo da Bélgica, do Leão Neerlandês, da Águia Vermelha da Prússia, da Legião de Honra de França, de S. Maurício e S. Lázaro da Sardenha e de Ernesto Pio de Saxónia-Coburgo.

Pertenceu ao célebre grupo dos «Vencidos da Vida», a que presidiu. Foi sócio da Academia Real das Ciências, primeiro correspondente e depois efectivo, tendo sido, em diferentes anos, eleito Presidente de primeira classe e Vice-Presidente da Academia, sendo também sócio efectivo da Sociedade de Geografia de Lisboa.

Deixou vasta colaboração literária e científica, em várias revistas, e alguns escritos sobre Serpa e o Alentejo.

Apesar de suceder ao seu pai no Marquesado, nunca usou o título de Marquês, usufruindo apenas do de Conde de Ficalho que lhe foi concedido por Carta Régia de 16 de Junho de 1862, por D. Luís.

Foi nomeado Par do Reino por Carta Régia de 29 de Dezembro de 1881, e tomou posse em 04 de Fevereiro do ano seguinte. Fez parte das seguintes Comissões da Câmara dos Pares: Negócios Externos (1882-1886), 1890-1894); Agricultura (1882-1892), Especial para dar parecer sobre o projecto das reformas constitucionais (1884 e 1885, sendo nesta ano seu Secretário); Instrução Pública (1885-1886, 1890-1894); Obras Públicas (1885-1886, 1890-1892) e Paz e Arbitragem (1898).

No Parlamento seguiu o Partido Regenerador, e apesar de não ter feito muitos discursos, devem-se destacar algumas das suas intervenções.

Publicou trabalhos científicos e históricos, como: Apontamentos para o Estudo da Flora Portuguesa, (1875); Flora dos Lusíadas, (1880); Plantas Úteis da África Portuguesa, (1884), Garcia de Orta e o Seu Tempo, (1886); Uma Eleição Perdida, (contos, 1888); Viagens de Pêro da Covilhã, (1898); Memórias sobre a Influência dos Descobrimentos dos Portugueses no Conhecimento das Plantas, (1878); Colóquio dos Simples e Drogas da Índia por Garcia de Orta, (2 volumes, 1891 e 1895).

O seu nome faz parte da Toponímia de: Lisboa (Freguesia de Alvalade, ex-Freguesia de São João de Brito, Edital de 20-10-1955, era a Rua 42 do Sítio de Alvalade); Serpa (Freguesias de Serpa e Vila Verde de Ficalho).

Fonte: “Dicionário Cronológico de Autores Portugueses”, (Vol. II, Publicações Europa América)

Fonte: “Dicionário Biográfico Parlamentar, 1834-1910”, (Vol I, de A-C), Coordenação de Maria Filomena Mónica, Colecção Parlamento” (Pág. 462 e 463).

Fonte: “Quem É Quem, Portugueses Célebres”, (Círculo de Leitores, Coordenação de Leonel de Oliveira, Edição de 2008, Pág. 218).

Fonte: “Câmara Municipal de Lisboa – Toponímia de Lisboa”